domingo, 4 de outubro de 2015

Reservas de urânio

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Reservas de urânio




A produção brasileira de urânio começou em 1982, no município de Caldas, em Minas Gerais, onde uma reserva já conhecida, foi explorada durante 13 anos, abastecendo a usina de Angra 1 e programas de desenvolvimento tecnológico. Com o avanço das prospecções geológicas, outras reservas foram descobertas e, em 1995 a unidade da INB em Caldas encerrou a produção de urânio, entrando então na fase de descomissionamento.
Em 1998 o urânio começou a ser explorado em Caetité, na Bahia, uma área onde existe uma reserva de 100.000 toneladas do minério. A Unidade de Concentrado de Caetité produz anualmente cerca de 400 toneladas/ano de concentrado de urânio, o suficiente para abastecer as usinas Angra 1 e Angra 2.
Com o desafio maior de atender a demanda das usinas nucleares que serão construídas nos próximos 20 anos, a INB iniciou os trabalhos necessários para aumentar a sua produção de urânio. Em Caetité, com a abertura da lavra subterrânea e a implantação de um novo processo de beneficiamento que resultará em maior aproveitamento do mineral. Também com o mesmo objetivo, a INB selecionou a empresa com a qual atuará em parceria para explorar a reserva de Santa Quitéria, no Ceará, onde o urânio encontra-se associado ao fosfato.

O urânio se distribui sobre toda a crosta terrestre aparecendo como constituinte da maioria da rochas. As reservas deste elemento, para que se tornem economicamente atrativas, dependem do teor de urânio presente assim como da alternativa tecnológica usada para o seu aproveitamento.

Reservas Brasileiras:
O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de urânio o que permite o suprimento das necessidades domésticas a longo prazo e a disponibilização do excedente para o mercado externo.
O País registra a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo. Com cerca de 309.000t de U3O8 nos Estados da Bahia, Ceará, Paraná e Minas Gerais, entre outras ocorrências.
As reservas geológicas brasileiras evoluíram de 9.400 toneladas, conhecidas em 1975, para a atual quantidade, podendo certamente serem ampliadas com novos trabalhos de prospecção e pesquisa mineral já que esses foram realizados em apenas 25% do território nacional.
O País possui também ocorrências uraníferas associadas a outros minerais, como aqueles encontrados nos depósitos de Pitinga no Estado do Amazonas além de áreas extremamente promissoras como a de Carajás, no Estado do Pará. Nesses, se estima um potencial adicional de 300.000t.
Segundo a classificação utilizada pela AIEA as reservas brasileiras estão assim distribuídas: 


Ocorrência
Medidas e Indicadas
Inferidas
TOTAL
Depósito-Jazida
< 40US$/kg U
< 80US$/kg U
Sub-Total
< 80US$/kg U
Caldas (MG)
500t
500t
4.000t
4.500t
Lagoa Real/Caetité (BA)
24.200t
69.800t
94.000t
6.770t
100.770t
Santa Quitéria (CE)
42.000t
41.000t
83.000t
59.500t
142.500t
Outras
61.600t
61.600t
TOTAL
66.200t
111.300t
177.500t
131.870t
309.370t


DISTRITO URANÍFERO DE LAGOA REAL

O Distrito Uranífero de Lagoa Real está localizado numa região montanhosa do centro-sul do Estado da Bahia, a cerca de 20 Km a nordeste da cidade de Caetité.
Foi descoberto durante a execução de uma série de levantamentos aerogeofísicos, entre 1976 e 1977, e levaram a identificação de 19 áreas mineralizadas.
Um trabalho mais detalhado de gamaespectrometria levou à descoberta de 33 ocorrências uraníferas adicionais, também avaliadas.
O maciço de Caetité está localizado na porção sul do Craton de São Francisco, na Bahia. Ele tem cerca de 80 Km de comprimento e largura variável entre 30 e 50 Km. É formado por microclina-gnaisses arqueanos juntamente com granito, granodiorito, sienito e anfibolito. Ao sul, leste e norte encontram-se extensas áreas rebaixadas sotopostas principalmente por gnaisses e xistos verdes de idade Arqueana ou Proterozóica Inferior.
A região foi ainda submetida a três ciclos tectônicos durante os quais as rochas foram rejuvenescidas. Isso inclui os ciclos Guriense (3.000 Ma), Transamazônico (1800 - 2100 Ma) e Espinhaço/Brasiliano (1.800 - 500 Ma) dentre os quais o último foi o mais significativo no que diz respeito à mineralização de Lagoa Real.
O projeto básico de mina foi concluído em 1996, indicando uma lavra de céu aberto na jazida da Cachoeira (anomalia 13). Esta anomalia com teor médio de 3.000 ppm prevê a produção de cerca 400 toneladas/ano de urânio. Gradualmente serão explorados outros depósitos, dentre 33 existentes.

Depósito de Santa Quitéria (CE)

O depósito de Santa Quitéria, originalmente conhecido como Itataia, está localizado na 
parte central do Estado do Ceará, a cerca de 45 Km a sudeste da cidade de Santa Quitéria.
O distrito P-U da região central do Ceará divide-se em duas unidades tectônicas conhecidas como Cinturão Dobrado de Jaquaribe e o Maciço de Santa Quitéria, sendo esses limites realçados por duas grandes falhas transcorrentes conhecidas como Groaíra e Itatira.
As rochas primitivas do Maciço de Santa Quitéria consistem em rochas sedimentares vulcânicas e possivelmente rochas básicas. Estas foram submetidas a alto grau de migmatização e transformadas pela granitização da crosta à cerca de 2 milhões de anos. Posteriormente, foram rejuvenescidas em dois processos a 1,3 e a 0,54 milhões de anos respectivamente.
As rochas hospedeiras que envolvem o depósito de Santa Quitéria são paragnaises juntamente com grandes lentes de carbonato ao longo do Cinturão Dobrado de Jaquaribe. As primeiras anomalias da região foram descobertas em 1975 e a rocha na qual ocorre mais de 80% da mineralização tem sido descrita como colofanito.

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