segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Angra 2 reacende o debate sobre a energia nuclear

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Angra 2 reacende o debate sobre a energia nuclear



Desde a inauguração oficial de Angra 2, no último mês de julho, a utilização da energia nuclear no Brasil voltou a ser tema freqüente na imprensa. Além da antiga polêmica em torno do custo de construção da usina (mais de R$ 10 bilhões, sendo quase R$ 7 bilhões de juros), cientistas apontam a necessidade de o país investir em pesquisa e formação especializada nessa área. "Há quinze anos tínhamos mais pessoas preparadas para lidar com energia nuclear do que agora", afirma Anselmo Paschoa, ex-Diretor de Rádio-proteção da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e professor da PUC-Rio.
Os mais céticos, como Luiz Pinguelli Rosa, vice-diretor da Coordenadoria dos Projetos de Pós-graduação em Energia da UFRJ (Coppe), dizem que há alternativas a serem consideradas além da energia nuclear. "Apenas 25% do potencial hidrelétrico do Brasil é aproveitado", argumenta, em declaração à Folha de S. Paulo (23/07/00). Pinguelli ressalta que em Angra 2, para cada quilowatt gerado, são investidos US$6 mil, enquanto numa hidrelétrica essa relação é de US$100/kW. O governo justifica a necessidade de construção de usinas nucleares para atender a uma demanda crescente, com projeção de déficit no suprimento de energia já em 2001.
A preocupação mundial em buscar fontes alternativas às convencionais (carvão, petróleo e hidrelétricas) baseia-se no caráter não renovável doscombustíveis fósseis, na tentativa de diminuição da emissão de gás carbônico (CO2), no aumento da demanda por energia e na escassez, em alguns países, de recursos fósseis e hídricos.
Entre as alternativas para geração de energia em larga escala, a opção nuclear é a de maior custo por causa dos investimentos em segurança dos sistemas de emergência, do armazenamento de resíduos radioativos e dodescomissionamento (desmontagem definitiva e descontaminação das instalações) de usinas que atingiram suas vidas úteis. A energia gerada pela recém inaugurada Angra 2, por exemplo, terá um custo de R$ 45,00 por MW/h em contraposição aos R$ 35,00 por MW/h da energia fornecida por uma hidrelétrica.
O longo e custoso processo de implantação das usinas nucleares no Brasil revela o gerenciamento inadequado desta alternativa, fato que aquece ainda mais o debate brasileiro. Angra 2, por exemplo, teve seu custo triplicado devido aos juros pagos e à sua manutenção. O único ponto favorável talvez seja o fato de que a Siemens, fabricante da maior parte dos equipamentos da usina, atualizou continuamente a tecnologia a partir dos avanços técnicos realizados nesta área na Alemanha. Desde 1976, a empresa forneceu o equivalente a US$1,27 bilhões em equipamentos e serviços.
Segundo Kleber Cosenza, superintendente de operação da Eletronuclear, a possível construção de Angra 3 teria um custo menor, em torno de RS$2,5 bilhões, pois boa parte do equipamento foi comprado junto com o de Angra 2. Destes, já foram gastos RS$1,3 bilhões em equipamentos comprados com os de Angra 2, na década de 80. Eles representam 60% do que é necessário para a usina e estão estocados no Brasil e na Alemanha.
Além do custo, um dos fatores apontados é o baixo aproveitamento dos recursos hídricos no Brasil.


Segundo a Eletronuclear, o objetivo desta fonte alternativa não é o de concorrer, a curto prazo, com as hidrelétricas, e sim o de complementar e diversificar este sistema. Um dos fatos que atestam a necessidade de investimentos em fontes alternativas de energia é a baixa capacidade de expansão da produção hidrelétrica no sudeste, região de maior consumo do país. As usinas nucleares de Angra podem estabilizar o fornecimento para a região e diminuir riscos de blecautes.
No caso dos recursos hídricos, a maior parte deles concentra-se na região Norte/Amazônia (70%) e Centro Oeste (15%). A exploração deste potencial apresenta inúmeros inconvenientes, como o alto custo de transmissão da energia e o prejuízo ambiental que acarretará. Ao já conhecido impacto sofrido pela população e pelo ambiente nas regiões inundadas, somam-se recentes estudos que apresentam inesperados problemas ocasionados pelas hidrelétricas. A tese de doutoramento de Marco Aurélio dos Santos em Ciências e Planejamento Energético (UFRJ-Coppe) é um desses estudos. O trabalho, Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa Derivadas de Hidrelétricas, foi defendido em março deste ano e demonstra a liberação de dióxido de carbono e metano (gases causadores de efeito estufa) pela biomassa depositada no fundo dos reservatórios da hidrelétrica.
A energia nuclear, apesar de não colaborar para a emissão desses gases, precisa lidar com o incômodo problema dos resíduos radioativos, que requerem uma solução para o armazenamento a longo prazo e investimentos em segurança, além de implicarem no fantasma de um acidente nuclear.
Optar pela energia nuclear no Brasil tem como ponto favorável o fato de possuirmos a sexta maior reserva mundial de urânio (cerca de 300 mil toneladas), suficiente para nos assegurar a independência no suprimento de combustível por muito tempo. Além disso, dois terços do território permanecem inexplorados quanto à presença do metal. No entanto, o Brasil ainda importa o urânio enriquecido (necessário para se fazer o elemento combustível), embora a tecnologia para o enriquecimento já seja aplicada no país, em escala laboratorial, para a produção de combustível de reatores de pesquisa.
Fontes renováveis de energia, como vento, energia solar e biomassa, freqüentemente são apontadas pelos ambientalistas como uma alternativa que merece maior atenção. A grande preocupação de grupos como o Greenpeacecom a energia nuclear é o risco de acidentes. As fontes alternativas, no entanto, não são capazes de fornecer energia em larga escala e têm a desvantagem de serem dispersas, não fornecerem energia de forma contínua e necessitarem de uma grande área para sua implantação.
Um dado importante é o crescimento da utilização de energia nuclear no mundo, nas últimas décadas...

Submarino de propulsão nuclear brasileiro

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Submarino de propulsão nuclear brasileiro

Programa Nuclear da Marinha completa 30 anos em 2009 e até agora, consumiu cerca de US$ 1 bilhão em recursos. Nos últimos anos, o Programa sobreviveu em estado vegetativo, devido ao corte de verbas.
O início do Programa Nuclear da Marinha deu-se no final de 1978, quando uma decisão ministerial engajou a Força no desenvolvimento da propulsão nuclear para submarinos.

A decisão baseou-se na premissa de que, num eventual conflito, a Marinha do Brasil estaria em grande inferioridade contra um adversário que possuísse submarinos nucleares. Para a Marinha, a premissa foi confirmada na Guerra das Malvinas, em 1982, quando o afundamento do cruzador argentino ARA General Belgrano pelo submarino nuclear britânico HMS Conqueror, fez a Marinha Argentina retirar seus navios do Teatro de Operações.

Além do emprego militar, a propulsão nuclear aplicada a submarinos teria aplicação dual, possibilitando o uso do reator em usinas nucleares em terra, para a produção de energia elétrica. Sendo uma tecnologia de “arrasto”, traria também benefícios para o desenvolvimento de uma enorme gama de outras tecnologias.

O Programa autônomo de desenvolvimento de tecnologia nuclear recebeu o codinome de Programa Chalana, constituído por um conjunto de atividades com o propósito de desenvolver no País uma planta nuclear de propulsão de submarinos e o combustível necessário.

Sempre foi considerado um programa de longo prazo de maturação, que visava equipar a Força Naval de submarinos com propulsão nuclear, com alto grau de componentes nacionalizados. Inicialmente abrangia quatro projetos: Zarcão, Ciclone, Remo e Costado. O Projeto Zarcão, concluído em 1982, permitiu o domínio da tecnologia de obtenção de zircônio e háfnio nuclearmente puros.

O Projeto Ciclone, concluído em 1986, permitiu o desenvolvimento de ultracentrífugas para obtenção de urânio enriquecido e o seu emprego conjunto em cascata, numa usina de enriquecimento.

Os projetos que estão ainda em desenvolvimento são o Remo e o Costado. O primeiro visa à obtenção de uma planta de propulsão nuclear, do tipo PWR de pequenas dimensões, para ser instalada em submarino. O Projeto Costado, por sua vez, visa capacitar a Marinha a construir um submarino que possa receber o reator nuclear.

Para conseguir terminar finalmente o reator nuclear, a Marinha precisa de mais um bilhão de dólares, investidos num período de 10 anos.
O presidente Lula, em julho de 2007, em visita ao Centro de ARAMAR, garantiu a liberação de recursos anuais de R$ 130 milhões, para a conclusão do reator e do programa de enriquecimento de urânio da Marinha.


O PROJETO COSTADO

Enquanto construía os submarinos da classe “Tupi” (IKL-209/1400), com transferência de tecnologia alemã, a Marinha se preparava para projetar o primeiro submarino convencional de projeto brasileiro, o SNAC-I (ilustração acima). Ele seria uma “bancada de testes” para o futuro SNAC-II, o Submarino Nuclear de Ataque (SNA).

O então Ministério da Marinha contratou a HDW / IKL para fornecer um programa de treinamento para a elaboração de um projeto próprio de submarino no Brasil. Para esta finalidade, cerca de 30 engenheiros foram destacados para participar do treinamento durante os anos 1985 e 1986, seguido de uma fase de concepção de projeto entre os anos 1986 e 1990.

Houve treinamento de projeto de submarino no Rio de Janeiro, na forma de palestras, de 1º de abril a 7 de maio de 1985. Foram abordados os assuntos hidrodinâmica, resistência de materiais, termodinâmica, arquitetura naval de submarinos, física e química relacionada a submarinos.

Também foi feito o treinamento de projeto de submarinos na IKL em Lübeck, Alemanha, na forma de palestras, de 20 de maio a 19 de julho de 1985. Foram abordados os assuntos de projeto de casco de submarinos, propulsão, “lay-out” e eletricidade de submarinos.

Entre 5 de agosto a 6 de dezembro de 1985, foram abordados temas sobre mecânica, elétrica, automação e eletrônica, comunicações e sensores/sistemas de combate de submarinos.

Entre janeiro de 1986 e junho de 1990 (54 meses), o treinamento consistiu da Fase de Projeto de Concepção de um projeto próprio, baseado nos requisitos da Marinha do Brasil para um submarino convencional de grande porte, compreendendo as seguintes partes:

1.Estudo de Viabilidade (janeiro de 1986 a março de 1986)

2.Projeto de Concepção (abril de 1986 a dezembro de 1986)

3.Fase Preliminar do Projeto (janeiro de 1987 a maio de 1987)

4.Fase de Projeto de Contrato (julho de 1988 a junho de 1990).

Em 1º de outubro de 1990, todas as atividades foram interrompidas por parte da Marinha do Brasil.
Anos mais tarde, o projeto ressurgiu como SMB-10 (Submarino Médio Brasileiro), um modelo convencional com deslocamento carregado de 2.500 toneladas, 8m de boca e 67 metros de comprimento.

Mas a Diretoria de Engenharia Naval (DEN) ainda precisava contar com auxílio técnico estrangeiro para projetar o SMB-10, já que o Brasil não domina todas as facetas de um projeto dessa complexidade.

O projeto do SMB-10 também acabou cancelado, fazendo a Marinha partir para um projeto totalmente estrangeiro, de um submarino convencional que pudesse receber um reator nuclear posteriormente.


APROVEITANDO O LEGADO

Em 6 de setembro de 2005, o jornal Valor, em sua edição online, noticiou que a Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) tinha aprovado a contratação de empréstimo internacional para construção de um submarino convencional alemão U-214 e a modernização dos cinco U-209 já existentes na Marinha. O financiamento, de 882,4 milhões de euros daquele ano, contratado no ABN AMRO, se somaria à contrapartida do Governo, de 135,9 milhões de euros (87% de financiamento e 13% de contrapartida), totalizando 1,08 bilhão de euros.

A construção do novo submarino ficaria a cargo da siderúrgica alemã ThyssenKrupp, por meio de sua subsidiária ThyssenKrupp Marine Systems, sob acordo de transferência de tecnologia para o governo brasileiro. A obra teria assessoria de outra subsidiária, a HDW (Howaldtswerke Deutsche Werft AG), o estaleiro que construiu o primeiro submarino do mundo (1850) e o primeiro motor a vapor para fins navais (1849).

Esperava-se começar a construção do submarino já em 2007, aproveitando a conveniência logística de se adotar um modelo alemão, possibilitando o uso de boa parte das instalações e ferramental do AMRJ, usados na construção dos submarinos da classe “Tupi” (U-209). O contrato com a ThyssenKrupp, porém, acabou não sendo assinado.


MUDANÇA DE RUMO

Em setembro de 2007, o Presidente Lula assinou um decreto criando um grupo de trabalho para a elaboração do Plano Estratégico de Defesa Nacional.
Em fevereiro de 2008, Lula e o Presidente da França Sarkozy, encontraram-se na Guiana Francesa, onde conversaram sobre cooperação militar e tecnológica entre os dois países, incluindo a transferência de tecnologia de submarinos “Scorpène”.
Segundo o Chefe de Estado francês, a transferência de tecnologia permitirá ao Brasil construir futuramente seu submarino nuclear.

QUANTO CUSTA UM SUBMARINO NUCLEAR?

EUA, Reino Unido, França, além da Rússia e China, constroem e operam submarinos nucleares há décadas e, ao longo destes anos, fizeram investimentos bilionários em recursos humanos e em infra-estrutura necessários para a obtenção desses meios de combate.

Os altos custos de projeto, construção e operação e os riscos de operação de submarinos nucleares sem dúvida, preocupam suas Marinhas e, principalmente suas lideranças políticas.

As novas classes de submarinos nucleares de ataque, em construção nos Estados Unidos (Classe “Virginia”), Inglaterra (Classe “Astute”) e França (Classe “Barracuda”), dão uma idéia dos custos do desenvolvimento e construção desses complexos navios.

Os custos estimados de construção dos primeiros submarinos de cada série, baseados num estudo do United States General Accounting Office – GAO, publicado em 1996, são os seguintes:

Virginia (custo estimado em 1996, atualizado para valores de 2008): US$ 4,9 bilhões; custo para 30 navios: US$ 3,2 bilhões

Astute (custo estimado em 2007 ): ₤ 1,5 bilhões

Barracuda (custo estimado em 2006): € 1,9 bilhões

Vale lembrar que a cada submarino adicional da classe, o valor unitário vai caindo, por causa da economia de escala.

QUANTO CUSTARÁ O SUBMARINO NUCLEAR BRASILEIRO?

Os cinco países construtores destas três classes de submarinos, têm décadas de experiência neste setor e dispõem de toda a complexa e caríssima infraestrutura industrial e de recursos humanos, e mesmo assim, não escaparam de riscos de aumento de custos e atrasos que, aliás, foram alertados antecipadamente por auditorias especializadas.

O submarino nuclear concebido pela Marinha do Brasil, conforme informações publicadas em vários artigos da imprensa e da Marinha, vai deslocar em torno de 6.000 toneladas, situando-se portanto entre o “Astute” britânico e o “Barracuda”, francês.

Sem dúvida, será um submarino mais simples tecnologicamente, mas sua estrutura, propulsão, sistemas auxiliares, sistemas de navegação e governo, acomodações etc., terão semelhança com os submarinos nucleares em construção nos EUA, Inglaterra e França.

Além disto, com certeza absoluta, os padrões de precisão, qualidade e confiabilidade, terão que ser equivalentes.

Com base nisso, pode-se assumir que, uma vez construída a infraestrutura física e adquiridos e treinados os recursos humanos necessários, o primeiro submarino nuclear brasileiro terá um custo e um prazo de projeto de construção no mínimo comparável ao de seus similares, porém o fator de risco de aumentos de custos e prazos será maior, provavelmente na faixa de 30% a 50%.

Utilizando os valores e prazos dos primeiros submarinos da classe “Virginia”, “Astute” e “Barracuda”, pode-se estimar o custo de construção do primeiro submarino nuclear brasileiro na faixa de € 1,8 a € 2,7 bilhões, ou US$ 2,8 a US$ 4,2 bilhões, ou R$ 4,3 a R$ 6,5 bilhões.

Projeções indicam que o programa do primeiro submarino nuclear brasileiro demandará, num prazo de 20 anos, recursos da ordem de R$ 13 a R$ 19 bilhões, incluindo a formação de pessoal, projeto, custo da primeira unidade, custo do estaleiro e nova base naval e ainda, o custo operacional nos primeiros cinco anos.

O prazo entre a decisão de alocar recursos para o projeto do submarino nuclear brasileiro e o término de um projeto de contrato, avançado o suficiente para permitir o início do contrato de construção, pode ser estimado entre 5 e 8 anos, contados a partir da existência de um núcleo de engenheiros com experiência e qualificação adequadas para fazer o projeto de submarinos.

O prazo de construção do primeiro submarino nuclear nacional até a entrega, contado a partir do término do projeto de contrato, pode ser estimado na faixa de 10 a 15 anos.
Temos assim o prazo total estimado para o empreendimento, entre 15 e 23 anos, mais o período necessário para formar o núcleo de engenheiros.


TEREMOS A MASSA CRÍTICA DE ENGENHEIROS PARA PROJETAR O SUBMARINO?

Talvez o maior desafio do Programa Nuclear da Marinha, depois da questão orçamentária, seja a formação de um núcleo de engenheiros apto a projetar submarinos e, na segunda fase, projetar o primeiro submarino nuclear brasileiro.

A RAND Corporation (www.rand.org) publicou dois estudos sobre projetos de submarinos nucleares: “Sustaining Design and Production Resources – The UK Nuclear Submarine Industrial Base”, de 2005, descrevendo a situação na Inglaterra e “Sustaining U.S. Nuclear Submarine Design Capabilities”, de 2007, descrevendo a situação nos Estados Unidos.

O objetivo principal destes estudos era analisar as formas de manter disponíveis as capacidades e o conhecimento, nos períodos entre um projeto de uma classe de submarino nuclear e a próxima. Os estudos contém informações valiosas sobre os projetos propriamente ditos, em termos de prazos e número de pessoas necessárias e mostram como está cada vez mais difícil para os EUA e o Reino Unido conseguirem manter sua capacidade técnica e industrial para a produção de submarinos.

Tanto nos Estados Unidos quanto na Inglaterra o projeto dos submarinos nucleares é feito através de um esforço conjunto entre as marinhas e os estaleiros especializados. Assim por exemplo, o estudo da RAND relativo aos Estados Unidos cita a necessidade de aproximadamente 170 especialistas da Marinha e aproximadamente 800 a 1.050 especialistas do estaleiro, apenas para manter a capacidade de projeto. Este número cresce para 350 homens da Marinha e cerca de 15.000 homens/ano ou 35 milhões de homens/hora do estaleiro, para fazer o projeto completo de um novo submarino nuclear semelhante ao “Virginia”. O prazo citado é de cerca de 15 anos, o que inclui o período de construção do primeiro submarino.

O estudo da RAND relativo à Inglaterra, publicado em 2005, cita o prazo estimado de 16 anos para o primeiro submarino da classe “Astute”, mas o “Astute” sofreu um atraso de vários anos. O mesmo estudo cita que o projeto do submarino da classe “Astute” está estimado em 8,5 milhões de homens/hora, não especificando a divisão entre Royal Navy e estaleiro.

Para um novo projeto, o estudo RAND inglês indica a necessidade de uma equipe de 750 engenheiros e técnicos, a ser formada em torno de um núcleo de 200 especialistas num prazo de cerca de 6 anos. Esta equipe permanece com sua capacidade máxima por 2 anos e, nos próximos 3 anos se reduz para cerca de 250 engenheiros e técnicos. A partir daí, até a entrega do primeiro submarino, a equipe fica constante, reduzindo-se após esta data para aproximadamente 150 engenheiros, que novamente permanece constante até o final do programa que, no caso da Inglaterra, coincide com o início do projeto de uma nova série de submarinos nucleares.

Já se comentou que o submarino nuclear brasileiro deverá ser mais simples que os da classe “Astute”. Mesmo assim, o estudo da Rand permite que se faça algumas estimativas. É razoável se assumir que a equipe de projeto brasileiro necessite de um pico de aproximadamente 700 pessoas, entre engenheiros, técnicos e administradores por um prazo igual ou superior ao demandado pela classe “Astute”.

Um prazo total de 15 a 20 anos de construção, desde que se parta de um núcleo de engenheiros com experiência e qualificação já comprovada em projeto de submarinos parece razoável. Este núcleo de engenheiros, de no mínimo 200 especialistas, terá que ser formado, o que nas condições atuais de fortíssima demanda do mercado nacional de engenharia levará, no mínimo, de 5 a 7 anos.

Ainda de acordo com o estudo da RAND relativo à Inglaterra, as disciplinas técnicas requeridas para projetos de submarinos nucleares incluem no mínimo:

Arquitetura naval
Engenharia mecânica
Engenharia elétrica
Engenharia de estruturas
Som e vibrações
Dinâmica de sistemas
Engenharia de pesos
Metalurgia e engenharia de solda
Física de radiações nucleares e proteção
Engenharia de sistemas
Propulsão nuclear
Engenharia de Sistemas de Controle
Engenharia de segurança e operações
Testes e comissionamento
Gerenciamento de projeto
Engenharia de aplicações
Projeto detalhado: (elétrico, máquinas, casco)
Gerenciamento de detalhamento
Com estas considerações é possível estimar uma equipe técnica para projeto do primeiro submarino nuclear brasileiro, em 5 fases:

Fase 1: Formação do Núcleo: Evolui de 0 para uma composição de 200 pessoas em 5 anos, com alta especialização.
Fase 2: Evolui de 200 para 700 pessoas em 6 anos, com alta e média especialização.
Fase 3: Permanecem no máximo 700 pessoas durante 3 anos
Fase 4: Reduz, em 4 anos, de 700 pessoas para 250 pessoas, com alta e média especialização
Fase 5: Permanece constante, com 250 pessoas, com alta e média especialização, até a entrega do submarino.

Os custos para a formação do pessoal nos primeiros 5 anos (Fase 1), onde se forma o núcleo de projeto do submarino, devem alcançar facilmente os R$ 300 milhões.

Nos 15 a 20 anos seguintes, período em que se projeta e constrói o primeiro submarino nuclear nacional, a estimativa de investimento necessário em pessoal (folha salarial, equipamentos, softwares, consultoria etc) giraria em torno de R$ 2 bilhões (aplicando-se a estes valores o desvio padrão de +/- 20% no custo do projeto).

A REAL SITUAÇÃO DA MARINHA

“O poder naval brasileiro poderá desaparecer até 2025, se até lá não houver novos investimentos em equipamentos.” O alerta foi dado pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, em audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), no dia 16 de agosto de 2007.

O Programa de Reaparelhamento da Marinha requer um investimento de R$ 5,8 bilhões ao longo do período de 2008 a 2014 e ainda não foi aprovado.
As prioridades iniciais do programa, segundo o comandante, são a construção de submarinos e navios-patrulha e a aquisição de helicópteros. O valor do PRM é praticamente o mesmo do primeiro submarino nuclear brasileiro!
Isso sem contar os custos da infra-estrutura necessária à construção, operação e manutenção.

Os investimentos no Programa Nuclear da Marinha até agora ocorreram às custas de cortes em importantes setores e atividades da Força, como a operação dos meios da Esquadra, a aquisição de sobressalentes, a manutenção dos navios e o adestramento.

Um reflexo disso é o estado de paralisia da aviação embarcada de asa-fixa e do NAe São Paulo, por falta de recursos que foram drenados pelo Programa Nuclear.
Mesmo com o aporte financeiro prometido pelo atual Governo para a conclusão do projeto do reator nuclear, percebe-se claramente que, mantida a conjuntura atual, não haverá verba suficiente para a construção do(s) submarino(s) nuclear(es) brasileiro(s), a não ser que haja um sensível aumento no orçamento do Comando da Marinha.

E mesmo que o aumento no orçamento ocorra, será preciso avaliar se vale a pena construir submarinos nucleares daqui a 20 anos, quando o gap entre o desempenho destes e dos submarinos convencionais será bem menor, graças ao desenvolvimento tecnológico. Com o valor gasto na construção de apenas um submarino nuclear, seria possível construir 3 ou 4 submarinos convencionais com AIP.

Com o anúncio da Estratégia Nacional de Defesa e as referências quase que constantes ao submarino nuclear como a arma ideal para proteger a “Amazônia Azul”, é possível que o submarino nuclear brasileiro seja construído algum dia, mas é fundamental que, até lá, a Marinha do Brasil não negligencie os avanços dos submarinos convencionais, investindo também em outras tecnologias de propulsão independentes da atmosfera.

Até que o submarino nuclear chegue, os submarinos brasileiros não poderão depender somente do snorkel para sobreviver num conflito. (Última atualização: 29/12/2008)

América

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México

México é um dos poucos países que tem capacidade técnica para a fabricação de armas nucleares. No entanto, renunciou a cima delas e se comprometeu a usar somente a sua tecnologia nuclear para fins pacíficos, na sequência do Tratado de Tlatelolco, em 1968. Na década de 70 o instituto nacional do México para a pesquisa nuclear avançou com sucesso à criação de urânio altamente enriquecido, que é usado em usinas nucleares e na construção de armas nucleares. No entanto, o país concordou em 2012 à rebaixar o urânio altamente enriquecido usado em suas usinas nucleares para urânio de baixo enriquecimento, o processo foi realizado com o apoio da Agência Internacional de Energia Atômica. Não se sabe se o México já criou ou possuiu armas nucleares ou de qualquer outro tipo de armas de destruição em massa.

Energia nuclear no México através da história

O uso da energia nuclear no México não é algo novo. O país vem usando tecnologias, como raios-X desde o final do século XIX, a prova da utilização de várias radiações e radioisótopos para atividades médicas desde que existem na década de 20, prática que fortaleceu durante as próximas décadas, juntamente com o uso de cintilografias industriais. Dada a sua enorme importância, a investigação das ciências nucleares começou formalmente no final dos anos 40, com duas áreas de interesse: aplicações energéticas e não-energéticas e no estudo das ciências nucleares.

A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear do México) iniciou nove programas: física nuclear, educação e formação, seminários, reatores, radioisótopos, aplicações industriais para a energia nuclear, agronomia, genética e proteção radiológica.

Durante os anos 60, o projeto científico mais relevante no país foi a construção do Centro Nuclear de Salazar no estado do México, teve início em 1964. 2 anos mais tarde, o centro já possuía um acelerador de partículas Tandem Van de Graaff e em 1968 um TRIGA Mark III. Em 1972, o CNEN mudou seu nome para ININ (Instituto Nacional de Energia Nuclear). No entanto, independentemente do novo nome, seu objetivo continua o mesmo até hoje.

Postura oficial de armas nucleares

Em 1961, o governo mexicano argumentou que o uso de armas nucleares não pode ser justificado sob o direito à auto-defesa na Carta das Nações Unidas. 6 anos depois, o país iria assinar o Tratado de Tlatelolco em que o México e outros países latino-americanos concordaram em não fabricar armas nucleares e limitar a sua tecnologia nuclear apenas para fins pacíficos.

Em 2000, o México foi uma das 7 nações à lançar uma declaração "Para um Mundo Livre de Armas Nucleares: A Necessidade de uma Nova Agenda", chamando de novas medidas para implementar as disposições do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares.

Em abril de 2010, o governo mexicano teria chegado a um acordo para entregar seu urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos. Os Estados Unidos iriam ajudar a converter o urânio altamente enriquecido armazenado em instalações de pesquisa mexicanos em uma forma menos enriquecida e inadequada para armas, eliminando assim todo o urânio altamente enriquecido no México. Mais tarde em março de 2012 Rachel Maddow informou que tudo o urânio altamente enriquecido havia sido removido do México. No entanto, em outubro de 2010 o México assinou um contrato com o fornecedor de urânio russo Rosatom, a fim de fornecer urânio enriquecido para a usina nuclear mexicana Laguna Verde, que faz a afirmação de um país livre de urânio enriquecido completamente improvável.

Em 2012, o México foi admitido no Grupo de Fornecedores Nucleares (GFN) como um Estado observador, que os Estados Unidos afirmaram como uma conquista na prevenção da proliferação nuclear.



Canadá

Com a maior fronteira indefesa do mundo e da responsabilidade compartilhada para a defesa da América do Norte, o Canadá tem sido um aliado militar dos Estados Unidos. Com a ênfase Americana na dissuasão nuclear após testes de bombas atômicas da União Soviética, a cooperação do Canadá com os Estados Unidos exigiu o alinhamento da doutrina Canadense com elementos defensivos da doutrina Americana de armas nucleares.

A primeira arma nuclear dos Estados Unidos foi para o Canadá em 1950, quando o Comando Aéreo Estratégico da Força Aérea dos Estados Unidos posicionou bombas atômicas modelo 11 Fat Man 1561 em Goose AFB, Labrador.

De 1963 a 1984, o Canadá colocou um total de quatro sistemas táticos de armas nucleares que implantou várias centenas de ogivas nucleares.

Durante a Guerra Fria, o Canadá foi estreitamente alinhado com os elementos de defesa dos programas dos Estados Unidos, tanto NORAD e a OTAN. Em 1964, Canadá enviou o White Paper on Defence para o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert McNamara para garantir que ele não iria, “encontrar nada nestas referências contrárias a quaisquer vistas que [ele] pode manifestar.”

Canadá retirou três dos quatro sistemas de armas com capacidade nuclear em 1972. O único sistema retido, o AIR-2 Genie emitiu 1,5 quilotons de força, e foi projetado para atacar aviões inimigos ao invés de alvos terrestres, e não pode se qualificar como uma arma de destruição em massa, dado o seu rendimento limitado.

Início da história: Segunda Guerra Mundial e na Guerra Fria

Relação militar do Canadá com os Estados Unidos tem crescido significativamente desde a Segunda Guerra Mundial. Embora o Domínio do Canadá surgiu em 1 de julho de 1867, a política externa Canadense foi determinada na Grã-Bretanha. Canadá entrou na Primeira Guerra Mundial em 1914, quando a Grã-Bretanha declarou guerra à Alemanha e do Império Austro-Húngaro. Política externa Canadense tornou-se independente em dezembro de 1931 com a aprovação do Estatuto de Westminster. Em 1939, o Canadá declarou guerra à Alemanha, uma semana depois que a Grã-Bretanha, em 10 de setembro de 1939. Os Estados Unidos não entraram na guerra até 7 de dezembro de 1941.

Um dos primeiros acordos formais de cooperação militar foi feito em agosto de 1940. Conhecido como o acordo Ogdensburg, estabeleceu o Conselho Conjunto Permanente de Defesa. Ambos os países são membros fundadores da Organização das Nações Unidas[7] bem como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Eles assinaram o Acordo NORAD em 1957 e criaram o Comando de Defesa Aérea da América do Norte para defender o continente contra ataques da URSS.

No Acordo de Quebec de 1942, o Reino Unido e os Estados Unidos concordaram em desenvolver o Projeto "Tube Alloys" e criaram uma comissão para gerenciar o projeto que incluía C. D. Howe, o Ministro Canadense de Munições e Abastecimento. Este foi o codinome para o projeto Comitê de urânio Britânico, que já havia trabalhado em um projeto teórico de uma bomba atômica. Uma contribuição importante foi o cálculo da massa crítica de urânio. A massa foi menor do que as estimativas anteriores e sugeriu que o desenvolvimento de uma bomba de fissão era prático.[10] "Tube Alloys" fazia parte de uma expedição da pesquisa científica mais secreta da Grã-Bretanha que foi enviada aos Estados Unidos por segurança quando a ameaça de uma invasão Alemã foi significativa. Os materiais eram o magnetron que foi essencial para o RADAR, informações britânicas relacionadas com as máquinas de Enigmas Alemãs, desenhos de motores a jato, bem como "Tube Alloys".

Os Estados Unidos desenvolveram a primeira bomba atômica pelo Projeto Manhattan, que era tão secreto que o vice-presidente Harry S. Truman não tinha conhecimento de que, quando ele se tornou presidente após a morte do presidente Roosevelt. É improvável que as autoridades Canadenses estavam cientes do Projeto Manhattan para além das circunstâncias da entrega de "Tube Alloys".

Somente função específica do Canadá no Projeto Manhattan estava fornecendo matéria-prima, incluindo minério de urânio de uma mina no norte, que pode ter sido usado na construção da bomba atômica que foi lançada sobre Hiroshima em 1945. Canadá continuou a fornecer o material físsil para os Estados Unidos e outros aliados durante a Guerra Fria, embora o Canadá nunca desenvolveu armas nucleares por conta própria como fez os aliados da OTAN a França e o Reino Unido.

Canadá não passava de um fornecedor terceirizado de materiais raros, com algumas exceções. Depois de permitir que brevemente armas nucleares para ser temporariamente posicionadas em Goose Bay, Labrador, Canadá concordou com um contrato de arrendamento a longo prazo da base de Goose Bay para o Comando Aéreo Estratégico dos Estados Unidos.Os Americanos se recusaram a estocar carcaças de bombas para o B-36 em Goose Bay. Estas bombas teriam sido armadas em guerra com materiais trazidos dos Estados Unidos. Goose Bay foi usada como base aérea de reabastecimento, que eram para apoiar as forças de bombardeiros do Comando Aéreo Estratégico B-47 e B-52.

Em 1951, a Linha Pinetree foi estabelecida ao norte da fronteira dos Estados Unidos-Canadá, e em 1953 o Canadá construiu Mid-Canada Air Warning Line, que foi ocupada pelo exército Canadense. Em 1954, a Linha Distant Early Warning (DEW) foi criada em conjunto pelo os Estados Unidos e o Canadá, no Ártico. A Linha Pinetree foi construída para controlar a batalha aérea entre as forças interceptadoras do NORAD e bombardeiros Soviéticos. Começando com o Ground-controlled interception atualizados desde a Segunda Guerra Mundial, o sistema foi informatizado e automatizado, com pelo menos quatro novas gerações de tecnologia. Ficou claro, até mesmo nos primeiros anos da Guerra Fria, que, no papel, o Canadá e os Estados Unidos estavam a ser co-responsáveis pela defesa do continente. Na execução, o investimento Canadense em defesa aérea diminuiu significativamente com o declínio da ameaça de bombardeiro estratégico intercontinental. Na década de 50 o RCAF contribuiu com 14 esquadrões de interceptores CF-100 e esta foi reduzida para apenas 3 esquadrões de CF-101 em 1970. Parte disso é devido à melhoria da tecnologia, mas é mais devido ao declínio da ameaça de bombardeiro e as reduções nos gastos militares Canadenses.

Inventário dos armamentos nucleares do Canadá

Na véspera de Ano Novo, em 1963, a Força Aérea Real Canadense entregou um carregamento de mísseis Bomarc com ogivas nucleares para um local perto de RCAF Station North Bay.[17] O Governo do Canadá nunca admitiu publicamente a presença de armas nucleares em bases Canadenses no Canadá e na Alemanha, mas sua presença era de conhecimento comum na época. É geralmente aceito que as ogivas de mísseis Bomarc foram entregues neste frio (-13 graus Celsius) na noite de inverno, quando um grupo de manifestantes ficou em uma vigília nos portões do local dos mísseis. Foi dito que eles assumiram que a RCAF seria improvável que eles trabalhassem esta noite tradicional de celebração. A entrega foi fotografada pela imprensa e este revelou ao mundo que o fornecimento havia ocorrido.

As ogivas nunca estiveram na posse exclusiva dos oficiais Canadenses. Eles eram de propriedade do governo dos Estados Unidos e estavam sempre sob a supervisão direta de um "Destacamento de custódia" da Força Aérea dos Estados Unidos (ou do Exército, no caso das ogivas Honest John).

Até 1984, o Canadá implantou quatro sistemas de entrega de armas nucleares Americanos concebidos e acompanhados por centenas de ogivas controladas pelos Estados Unidos:

56 Mísseis terra-ar BOMARC CIM-10.

4 Honest John Sistemas armados com um total de 16 ogivas nucleares W31 do Exército canadense implantado na Alemanha.

108 Mísseis nucleares Genie W25 carregados por 54 CF-101 VooDoos.

Estimativas de 90 a 210 ogivas nucleares táticas de (20-60 kilotons) atribuídas a 6 esquadrões de CF-104 Starfighter (cerca de 90 aeronaves), com base da OTAN na Europa (há uma falta de fontes abertas detalhando exatamente quantas ogivas foram implantadas).

Na prática, cada um dos 36 esquadrões da OTAN (inicialmente 6 esquadrões Canadenses Number 1 Air Division RCAF) forneceram 2 aeronaves e pilotos para a Quick Reaction Alert facility. A aeronave "Q" pode decolar com uma arma nuclear armada dos Estados Unidos dentro de 15 minutos do recebimento da ordem "go". Esta ordem foi chamada de Quick Reaction Alert Force pela OTAN. Proporcionou uma força dispersa de mais de 100 aeronaves de ataque para uso em curto prazo de tempo. Missões tinham como alvo concentrações de tropas, aeroportos, pontes e pontos de posicionamentos e outros alvos táticos, a fim de diminuir as enormes formações de tanques do Exército Vermelho.

No total, haviam entre 250 e 450 ogivas nucleares em bases canadenses entre 1963 e 1972. Haviam no máximo 108 mísseis Genie armados com 1,5 kilotons com ogivas W25 em 1973 e 1984. Pode ter havido menos devido ao atrito dos CF-101S como o programa de idade e, com a entrada dos CF-18 tornou-se o combate mais qualificado. Além disso, entre 1968 e 1994, os Estados Unidos guardaram os Mark 101 Lulu e bombas nucleares B57 na Estação Naval de Argentia, Terra Nova.

Esse número diminuiu significativamente ao longo dos anos, como vários sistemas foram retirados do serviço. Os Honest John foram aposentados pelo Exército Canadense em 1970. Os mísseis Bomarc forram extintos em 1972 e os esquadrões CF-104 Strike/Attack da Alemanha Ocidental foram reduzidas em número e realocados para ataque ao solo convencional em cerca ao mesmo tempo. No final de 1972, a força interceptadora CF-101 manteve-se como o único sistema de armas nucleares em uso Canadense, até que foi substituído pelos CF-18, em 1984.

As aeronaves CF-18 forram equipados com os AIM-7, AIM-9 e vários mísseis ar-ar mais avançados. Todos estes empregam ogivas convencionais. Estes mísseis são mais confiáveis​​, precisos e tem maior alcance do que a Genie tipo nuclear, de curto alcance e não guiados. Eles também são livre de procedimentos de segurança, oneração e considerável bagagem política associada com ogivas nucleares.

Relação da Guerra Fria com os Estados Unidos

Doutrina militar da Guerra Fria do Canadá e o destino estava inextricavelmente ligado com a dos Estados Unidos. As duas nações dividiram a responsabilidade para a defesa aérea continental através da NORAD (Comando de Defesa Aérea da América do Norte) e ambos pertenciam à OTAN e contribuíram com as forças na Europa. Se uma guerra nuclear com a União Soviética tivesse estourado, Canadá teria sido atacado. Primeiro Ministro Brian Mulroney em 1987 no Canadian White Paper on Defence reconheceu esta realidade citando que, "Planejadores estratégicos Soviéticos devem considerar o Canadá e os Estados Unidos como um único conjunto de alvos militares, não importa o que a postura política poderia supor." Isto resume a situação da Guerra Fria do Canadá, bem como relação geo-política do Canadá com os Estados Unidos significa que o Canadá seria inevitavelmente e amplamente devastada pela guerra nuclear Estados Unidos-União Soviética se fosse atacada ou não. Isso levou a uma frase familiar do tempo, "a incineração sem representação".

A linha DEW e sistemas de radar da Linha Pinetree formaram uma espinha dorsal de defesa aérea continental nos anos 50 e 60. As rotas mais prováveis ​​para aviões Soviéticos atacarem os Estados Unidos vieram através do Canadá. Em particular, a Costa Leste dos Estados Unidos seria aproxima depois Reino Unido, Islândia, Groenlândia e uma linha de radares de busca que percorrem a costa do Labrador e para Gander, Terra Nova. Estas estações eram apoiadas por interceptores CF-101 da RCAF em Bagotville, Quebec e Chatham, New Brunswick, bem como a interceptores F-102 dos USAF estacionado em Stephenville, Terra Nova (Base Aérea de Harmon). Estes foram, presumivelmente, equipadas com mísseis nucleares AIM-26 Falcon esta era uma configuração padrão do F-102.

Canadá não acolheu bombardeiros estratégicos intercontinentais, mas a base do Comando Aéreo Estratégico em Goose Bay Labrador recebeu um grande número de aviões-tanque KC-135 de reabastecimento aéreo. Estes tinham a intenção de encher os tanques de combustível da força de ataque dos B-52 dirigidos para alvos na União Soviética. Também apoiaram o SAC Airborne Alert Force e teria que abastecer qualquer bombardeiro sobrevivente que retornaria da União Soviética.

Incineração sem declaração

Para o público Canadense, a "incineração sem representação" levou a uma crença popular de que a doutrina da destruição mútua assegurada (MAD) era no melhor interesse do Canadá. MAD foi a doutrina da Guerra Fria, que considerou que, enquanto os Estados Unidos e a URSS possuíam arsenais nucleares significativos, qualquer guerra nuclear seria seguramente destruir ambas as nações, desestimulando, assim, um ou outro estado de lançar qualquer ofensiva nuclear. Para os Canadenses, MAD apelava nesta perspectiva, como o Canadá era improvável a surgir depois da guerra nuclear ilesa dada a sua posição entre os dois países, como os mísseis poderiam cair antes antes de atingir ambos os lados provavelmente cairiam em solo Canadense.

Do Primeiro Ministro Pierre Elliott Trudeau em 1971 no Defence White Paper esta dinâmica Notou:

"Uma das mudanças mais importantes nas relações internacionais nos últimos anos foi o aumento da estabilidade da dissuasão nuclear, e o surgimento do que é, com efeito, a igualdade nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética. Cada lado tem agora a força nuclear suficiente para garantir retaliação devastadora em caso de um ataque de surpresa, e, portanto, nenhum deles poderia racionalmente considerar o lançamento de um ataque deliberado."
Mesmo tão tarde quanto 1987, no Defence White Paper o Primeiro Ministro Mulroney reconheceu que, "cada superpotência agora tem a capacidade de destruir um ao outro,... a estrutura de dissuasão mútua hoje é eficaz e estável. O Governo acredita que deve continuar assim." Dada a perspectiva de "incineração sem representação", os Canadenses pareciam sentir que a doutrina que mais incentivou a restrição foi a forma estratégica mais sólida de um apoiar o outro.

Os Canadenses ainda estavam nervosos sobre a política externa dos Estados Unidos, no entanto. Em 1950, quando o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman anunciou que Washington não tinha inteiramente descartado o uso de armas nucleares na Coreia, o Primeiro Ministro Lester B. Pearson lembrou as declarações que causaram Ottawa coletivamente "estremecer". Um observador da época da Guerra Fria ainda comentou que,

"Os Canadenses costumam pensar que seu vizinho ao sul apresenta fortes oscilações de apegos emocionais...com outros países; que é impaciente, é propenso a fazer julgamentos radicais e, em geral não tem sofisticação e sutileza na sua abordagem para o bloco Soviético e da Guerra Fria."
No entanto, se a liderança Canadense estava nervosa sobre a política externa dos Estados Unidos, eles não manifestam o seu descontentamento através de ações. O Canadá foi consistente e significativamente cooperativo com os Estados Unidos quando veio a doutrina e implementações de armas nucleares durante a Guerra Fria.

Continuação da cooperação com os Estados Unidos para o presente

O Governo do Canadá concordou formalmente com todos os documentos estratégicos importante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), incluindo aqueles que implicaram um primeiro-ataque da política dos Estados Unidos. Isto pode sugerir que os governos sucessivos Canadenses estavam dispostos a seguir doutrina dos Estados Unidos e da OTAN, mesmo que tal doutrina era contrária à doutrina publicamente favorecida (e politicamente suportada) de Destruição Mútua Assegurada. Professores J.T. Jockel e J.J. Sokolsky explorar esta afirmação em profundidade em seu artigo "Canada's Cold War Nuclear Experience". Além disso, o Canadá permitiu o destacamento avançado dos bombardeiros dos Estados Unidos a participaram ativamente e extensivamente no programa NORAD, bem, Canadá cooperou com os Estados Unidos quando se tratava de pesquisa, de alerta, de vigilância e de comunicações. Canadá ficou em segundo lugar apenas para a Alemanha Ocidental em sediar instalações relacionadas a energia nuclear. Em suma, o governo Canadense estava completamente empenhado em apoiar a doutrina nuclear dos Estados Unidos e as implementações por meio da Guerra Fria, a despeito de quaisquer reservas populares sobre esta dinâmica.

Embora não tive-se armas nucleares obteve posicionados de forma permanente a partir de 1984, o Canadá continua a cooperar com os Estados Unidos e seu programa de armas nucleares. Canadá permite testes de sistemas vetores de armas nucleares; navios que transportam armas nucleares estão autorizados a visitar os portos Canadenses; aviões que transportam ogivas nucleares estão autorizados a voar no espaço aéreo Canadense, com a permissão do governo Canadense. Há, no entanto, objeção popular para esta política federal. Mais de 60% dos Canadenses vivem em cidades ou áreas designadas "Livre de Armas Nucleares", refletindo a aversão contemporânea para as armas nucleares no Canadá. O Canadá também continua a permanecer sob o 'guarda-chuva nuclear' da OTAN; mesmo depois de desarmar-se, em 1984, o Canadá tem mantido o apoio para as nações com armas nucleares de fazer de outra forma seria contraproducente aos compromissos Canadenses da OTAN.