segunda-feira, 27 de julho de 2015

Turquia volta a bombardear o PKK no Iraque e ataca os curdos da Síria

Caças das Forças Aéreas turcas bombardearam pelo terceiro dia consecutivo as posições do grupo armado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) nos dois lados da montanhosa fronteira entre Turquia e Iraque. Três F-16 fizeram nove saídas durante a noite do domingo (dia 26) para segunda-feira (dia 27) para bombardear as bases do PKK nas regiões iraquianas de Hakurk, Zap e Haftanin e nas montanhas Cilo da província turca de Yuksekova, segundo fontes da guerrilha curda. O bombardeio realizado no interior da Turquia causou a perda da comunicação com um grupo de 50 pessoas, entre os quais há mulheres e crianças e das quais se desconhece o paradeiro, segundo informações da agência DIHA.

As Unidades de Proteção Popular (YPG), a milícia curda que luta na Síria contra o Estado Islâmico (EI), denunciaram que a artilharia turca também atacou suas posições e feriu quatro guerrilheiros. O Observatório Sírio de Direitos Humanos confirmou o ataque, efetuado por um tanque turco e que ocorreu na aldeia de Zor Mghar, fronteiriça com a Turquia e situada na margem oriental do rio Eufrates. O Ministério das Relações Exteriores turco garantiu que sua artilharia não lançou nenhum ataque contra o YPG.

Se o ataque for confirmado como se pretende —pode se dever também a um erro de cálculo, já que do outro lado do rio se situam as posições do EI— seria uma importante tomada de posição da Turquia que, ainda que veja as YPG como uma organização “terrorista”, por seus laços com o PKK, não tinha dirigido o grosso de seus ataques contra essas milícias, com as quais os EUA se aliaram em sua campanha contra os jihadistas.

Em uma reunião ontem com os diretores dos principais meios de comunicação turcos, cujo conteúdo a imprensa turca publicou na segunda-feira, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, afirmou que seu país não atacaria as YPG: “Até o momento, não nos incomodou como o Daesh [acrônimo em árabe do Estado Islâmico] ou o PKK. Se o fizer, reagiremos da mesma forma. Mas se não incomodarem a Turquia, se cortarem relações com o regime de Assad [o presidente sírio] e cooperarem com a oposição [Síria], podem ter um lugar na nova Síria”.

As milícias curdas do YPG, precisamente, recuperaram nesta segunda-feira —com a ajuda dos ataques aéreos coordenados pelos EUA— uma cidade no norte da Síria depois de um mês de ofensiva. A localidade, perto do rio Eufrates, era uma base a partir da qual o EI fazia incursões à cidade de Kobane, na fronteira com a Turquia.

De outro lado, e em uma nova indicação de que o processo de paz iniciado pelo Governo e os curdos em 2012 está totalmente esgarçado, o primeiro-ministro turco advertiu o Partido da Democracia dos Povos (HDP), considerado o braço político do PKK, que não Abdullah Öcalan, o líder da guerrilha preso desde 1998, não poderá receber visitas até que o Partido convença o grupo armado a deixar as armas e retirar seus militantes da Turquia.

Selahattin Dermitas, líder do HDP, denunciou hoje que os islâmicos moderados que dirigem a Turquia “estão levando o país a uma grande guerra” apesar de ser um “governo de transição”, já que nas eleições passadas Davutoglu perdeu a maioria absoluta e ainda não conseguiu pactuar uma coalizão. “O Governo tenta salvar a si mesmo”, acrescentou o político curdo, acusando Davutoglu e o presidente, Recep Tayyip Erdogan, de usar as operações militares para aumentar sua intenção de voto caso as eleições tenham de ser repetidas.

Fonte: Elpais

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