sábado, 25 de julho de 2015

Separatistas curdos anunciam fim da trégua com a Turquia


Turquia bombardeou posições dos separatistas curdos no Norte do Iraque e anunciou a criação de uma "zona protegida" na Síria.

O grupo separatista curdo do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) cancelou neste sábado a trégua instável que tinha com Ancara desde 2013 e as negociações de paz iniciadas pelo Governo turco em 2012. A guerra civil já dura desde 1984 e fez cerca de 40 mil mortos. “A trégua não tem nenhum significado depois destes ataques aéreos intensos lançados pelo exército turco ocupante”, lê-se num comunicado do PKK.

Como parte da sua guerra “sem distinção” contra rebeldes curdos e combatentes do EI, a Turquia lançou este sábado uma nova intervenção policial em várias zonas do país. Deteve quase mais três centenas de suspeitos jihadistas e membros do PKK, sensivelmente o mesmo número de sexta-feira. Em dois dias, foram detidas 590 pessoas, como disse este sábado Ahmet Davutoglu, primeiro-ministro turco.

Suspeitava-se há meses que Ancara pudesse anunciar a criação de uma zona militarizada no Norte da Síria, que serviria não só para proteger a sua fronteira contra ataques do Estado Islâmico mas também para esmagar as ambições curdas de criarem um estado autónomo nessa região. Segundo o primeiro-ministro turco, estas áreas servirão para alojar os refugiados da guerra síria – a Turquia alberga hoje 1,7 milhões de pessoas fugidas do conflito.

“Quando as zonas no Norte da Sìria estiverem livres da ameaça do EI, formar-se-ão zonas protegidas naturalmente”, disse o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlüt Çavusoglu, este sábado. “Sempre defendemos zonas protegidas e de interdição aérea na Síria”, acrescentou. E concluiu: “As pessoas que estiverem deslocadas podem ser postas nestas zonas protegidas.”

Sexta-feira, o primeiro-ministro turco garantiu que as desta semana continuariam. Horas antes, um comunicado do gabinete de Davutoglu avançava que o Governo está decidido a combater o EI e os curdos “sem distinção”.

Ancara não quer que os curdos beneficiem da ofensiva turca aos jihadistas. “Ancara quer travar as aspirações autonómicas curdas e garantir o seu domínio sobre os grupos armados da oposição na Síria”, sublinha o especialista em questões turcas Ege Seckin, numa análise difundida pelo Instituto de Estudos Geopolíticos IHS.


Nenhum comentário:

Postar um comentário