segunda-feira, 27 de julho de 2015

Após 69 dias de comissão, NPa Macau retorna a Natal-RN.

Na tarde do dia 26 de maio, terça-feira, o Navio-Patrulha Macau (P-71) retornou a Base Naval de Natal (BNN) depois de 69 dias de comissão na Região Norte e Caribe, por ocasião da CARIBEX 2015.

Com lágrimas e muita emoção, assim foi recebida a tripulação do NPa Macau por seus familiares que aguardavam ansiosos, no cais da BNN, a chegada de seus entes queridos após mais de dois meses de afastamento. O NPa Macau e sua tripulação, partiram de Natal no dia 19 de março, visitaram os portos de Caiena (Guiana Francesa), Bridgetown (Barbados), San Juan (Porto Rico), Saint John (Antigua e Barbuda) e Georgetown (Guiana), junto aos outros navios do Grupo-Tarefa CARIBEX 2015 (NPa Bracuí e NPa Bocaina). Durante a comissão o NPa Macau operou em ambiente fluvial, pela primeira vez, junto aos outros meios da Marinha do Brasil, realizou Patrulha Naval nas áreas do 3º Distrito Naval e do 4º Distrito Naval, em especial, na faixa fronteiriça com a Guiana Francesa, e realizou exercícios com as Marinhas ou Guardas-Costeiras do países caribenhos visitados.
A Operação CARIBEX visa realizar o intercâmbio cooperativo da Marinha Brasileira com as Marinhas e Guardas-Costeiras dos países e ilhas da região do Caribe por meio de exercícios e visitas. Os meios empregados são, geralmente, meios sediados no 3º DN e no 4º DN, normalmente dos Grupamentos de Patrulha Naval. A escolha de meios dos referidos distritos se devem pela distância e características similares das regiões de operação. O NPa Macau operou com sensor eletróptico ATENA da ARES, esse sensor foi bem elogiado nas operações noturnas realizadas, assim como na Patrulha fronteiriça com a Guiana Francesa. A alça optrônica permite o acompanhamento com discrição de um contato de interesse, gravação de imagens, medição de distância até o contato e, quando integrado ao sistema de armas, diretora de tiro, além de outras funcionalidades. O Terminal Tatico inteligente (TTI) foi uma excelente ferramenta para a compilação do quadro tático durante os exercícios e patrulhas efetuadas, ao compilar os dados dos radares, acelerômetros e outros equipamentos permite mostrar com uma maior e melhor clareza gráfica o posicionamento do meio e de seus contatos, assim como os movimentos relativos de ambos.
A duração da comissão dificilmente seria alcançada com algum outro meio de Patrulha, exceto os Navios-Patrulha Oceânicos, haja vista o porte maior dos patrulheiros da Classe Macaé e a maior autonomia de víveres, aguada e óleos. Outro fator contribuinte a maior duração da comissão é o Sistema de Controle e Monitoração (SCM), o SCM composto de três subsistemas permite o acompanhamento detalhado de dados da planta de propulsão, monitoramento da segurança do navio (incêndios e alagamentos, principalmente) e permite o controle emergencial dos principais sistemas de manobra do meio. Nesse contexto, esse sistema permite o acompanhamento de diversos sistemas do navio aperfeiçoando o processo de manutenção preventiva e corretiva do meio, aumentando os dias de mar e diminuindo o tempo das fainas de manutenção. Ao acompanhar a planta de propulsão por meio do SCM é possível, assistido de tabelas, identificar os principais itens que necessitam de manutenção e o tempo médio entre as manutenções.
Para o Comandante do NPa Macau, Capitão-de-Corveta Bruno Emilião Pinto, os ensinamentos que ficam da CARIBEX 2015 são o do “Intercâmbio” e do “Treinamento”. “Acho que o fica principalmente é o treinamento com outras marinhas, principalmente o Intercâmbio de operar com elas (Marinhas e Guardas-Costeiras dos países visitados)“. Sobre operar no Caribe “não há muita diferença”. “Operar naquela região nessa época do ano não é muito diferente de operar aqui (NE), as condições de vento e temperatura são muito parecidas.” Sobre a operação da alça EO Atena comentou que foi um diferencial, especialmente no período noturno. Acerca dos sistemas TTI e SCM, foi dito que facilitaram enormemente a carga de trabalho. Finalmente, perguntado sobre como fora passar esses 69 dias fora de casa e longe da família, “A saudade bate, ficar longe é difícil, mas voltar para casa faz tudo valer a pena”. O CC Emilião, já foi Chemaq do NPaOc Araguari e já comandou o NPa Graúna.
Reencontrar os familiares após os 69 dias de comissão foi muito emocionante para os tripulantes e para seus familiares. Alguns dos tripulantes deixaram esposas grávidas ou filhos ainda muito pequenos, durante a comissão traziam consigo a ansiedade do reencontro e a sempre presente, saudade. Questionada sobre como foi o período cujo o esposo esteve na comissão, uma das familiares da tripulação relatou foi um período difícil, tendo em vista a situação peculiar da mesma. ” Para mim foi muito difícil esse tempo que ele esteve fora, principalmente porque estou grávida. Já temos um filho de 12 anos e não é a primeira vez que ele fica longe de casa. Mas essa foi a profissão que ele escolheu e eu só posso apoia-lo!”
Ainda que os navios possam parecer um conjunto de máquinas projetadas para enfrentar o mar, os mesmos possuem alma, alma esta que é sua tripulação. Tripulação feita por homens e mulheres de carne e osso, que realizam suas tarefas com suor e sangue, e portanto, deve ser reconhecida e privilegiada. O capital humano de qualquer instituição é seu ativo mais valoroso que jamais pode ser substituído, pois a soma das partes é menor que o todo.

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