segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

RBS-70 NG Míssil anti-aéreo

Míssil anti-aéreo 
RBS-70 NG



Dados Técnicos
                                     
 Rb 70 Mk II   
              
Alcance Max: 5000 m                        
Alcance Min: 200 m                          
Altitude Max: 3000 m                         

Velocidade: 580 m/s
Aceleração p/ Velocidade Máx: 4 segundos
Tempo até 2 km: 6 s
Tempo até 3 km: 8,5 s
Tempo até 5 km: 15 s
Tempo até 6 km: 16 s

Comprimento: 1,32 m
Diâmetro: 0,105 m
Peso: 17 kg

Guiagem míssil: feixe Laser
Ogiva: 1 kg fragmentada  >1 kg+ fragmentada e carga moldada
Vida útil do Míssil: 15 anos

Peso do visor: 35kg
Peso do Tripé: 24kg
Peso do IFF: 11kg
Míssil dentro do contêiner: 24kg
Unidade de dados de alvo: 35kg

Preço do míssil: US$41.500

Meios adquiridos pelo Exercito Brasileiro
16 lançadores portáteis
mísseis RBS-70 MK II
6 simuladores
17 equipamentos de visão noturna
ferramentas de manutenção
sobressalentes
equipamentos associados e treinamento para operadores 
pessoal de manutenção


RBS-70

O RBS-70 é um míssil superfície-ar (SAM) portátil de 15Kg de peso, guiado a laser (Beam Rider), fabricado pela SAAB Bofors. Pode ser usado para a defesa de área, aeródromos, comboios ou  para complementar outros sistemas.

Seu desenvolvimento iniciou durante os anos 60, quando os suecos começaram a estudar o futuro do seu sistema de defesa aérea. A conclusão foi de que uma grande força de caças JAS-37 Viggen combinada com mísseis superfície-ar de curto alcance seria a solução ideal para o futuro.

Este míssil de curto alcance seria o RBS-70 que entrou em serviço em 1977. O míssil superfície-ar de longo alcance Bloodhound não foi substituído por outro e o Redeye americano guiado por infravermelho foi usado como uma medida provisória. O míssil superfície-ar Hawk foi substituído por um modelo mais novo. Os canhões Boford 40mm continuaram em uso com sistemas de pontaria modernizados.

O RBS-70 foi inicialmente desenvolvido para os requerimentos das forças armadas suecas, entre eles estão:


- Longo alcance de interceptação frontal
- Grande precisão
- Imunidade a interferência
- Poder ser usado contra alvos muito baixo (e até contra blindados)
- Potencial de crescimento para capacidade noturna
- Guiagem por comando de linha de visada (CLOS - Command to Line of Sight)

Inicialmente a Suécia redigiu um requerimentos para um MANPAD (míssil superfície-ar portátil) lançado sobre o ombro. Inicialmente o Redeye americano foi operado, mais tarde o RBS-70 foi adotado para a função de Manpad.

Porém muitos argumentam que o RBS-70 não é um Manpad verdadeiro por causa do tamanho do lançador, do míssil, visor e plataforma, além do grande peso total do sistema, que precisa ser transportado por três homens.


Descrição

Em sua configuração básica o RBS-70 contém um tripé, o visor de pontaria e o míssil.  O tempo para entrar em posição é de aproximadamente 10 minutos. O míssil fica pronto para o disparo em menos de trinta segundos sem a designação de alvo pelo radar. A recarga dura cerca de 5-30 segundos, de acordo com a fonte.

Devido a precisão, o míssil só leva uma ogiva que pesa 1kg, ou mais dependendo da versão A ogiva é pré-fragmentada que possui 2000 bolas de aço. O RBS-70 pode ser mais letal que seus concorrentes guiados a IR de ogivas bem maiores, algumas sendo três vezes maiores, se atingir uma parte vital como a cabine do piloto.

Para aumentar a letalidade o míssil está equipado com uma espoleta de proximidade a laser com raio de ação de 3,3 metros. A espoleta de proximidade a laser pode ser desativada antes do lançamento se for necessário, para engajar alvos como helicópteros que estejam atrás de terreno ou vegetação. 

Quando disparado o motor de ejeção impulsiona o míssil para fora do tubo selado. A uma distância segura do operador e então o motor de sustentação é iniciado. Este impulsiona o míssil para a sua velocidade máxima. O seu tempo de queima é de aproximadamente 5 segundos. O míssil usa um propelente de pouca fumaça.

O RBS-70 MK2 opera com o método de controle mais moderno na guiagem de mísseis, o método quadrático linear baseado na teoria de Kalman. A carga explosiva do míssil é cercada por mais de 3000 bolas de tungstênio. O jato da explosão pode penetrar em qualquer ameaça aérea. Se o alvo tiver blindagem a penetração será seguida imediatamente por um efeito severo atrás da blindagem. Em algumas situações de interceptação o efeito combinado da carga explosiva com as bolas de tungstênio podem causar efeitos devastadores.

A alta confiabilidade do sistema com os mísseis mais novos é maior que 93%, verificado por clientes como as forças armadas da Suécia e Noruega.



Modernização

O RBS-70 tem passado por modificações de forma constante, adaptado para o cenário futuro de maior sofisticação e usando as últimas soluções na tecnologia de mísseis

Na Suécia, no ano de 1998, o RBS-70 foi submetido a um programa de modernização e modificações envolvendo, entre outros itens, a introdução de um novo sistema de comando e controle de defesa aérea (chamado LvMåds). Isto implica que um centro de comando pode transmitir dados do alvo para uma unidade de tiro dentro do exército e da artilharia costeira.

Exemplos de melhoras feitas no projeto podemos citar:

- O novo míssil BOLIDE
- O simulador baseado em PC
- Integração completa ao sistema no estado da arte BM/C4I
- Laser não refrigerados

Outra modificação importante foi uma mira para uso noturna COND (Clip-on Night Devie). A COND foi projetado pela Thorn-EMI e pesa 20kg. O novo equipamento mostra a imagem noturna diretamente em frente a saída da abertura do visor diurno. O sistema tem sido bem recebido pela comunidade internacional de defesa aérea. Mesmo sendo caro o sistema é reconhecido como sendo eficaz

A unidade completa consiste da unidade de tiro, do COND e do terminal de gerenciamento no campo de batalha (BMT). O sistema é auto suficiente e requer somente baterias como suprimento de energia. Desta maneira mais nenhum apoio logístico é preciso.


USUÁRIOS

 O RBS-70 é um dos produtos mais conhecidos da SAAB Bofors Dynamics sendo operado por 13 países em todos os continentes, operando em uma grande diversidade de ambientes (ártico, desértico e tropical). Sem contar com as unidades obtidas por Taiwan para usá-lo em um programa de pesquisas local. É operado por corpos de fuzileiros navais, marinhas exércitos e forças aéreas. Entre os usuários conhecidos temos a Argentina, Austrália, Bahrain, Emirados Árabes, Indonésia, Irlanda, Noruega, Paquistão, Singapura, Tailândia, Tunísia e Venezuela.

Mais de 15000 mísseis foram produzidos em três versões (MK0, MK 1 e MK 2). De 1.468 RBS-70 disparados até dezembro de 2001, 92.7% conseguiram acerto.

O sistema RBS-70 é comercializado com dispositivos opcionais como o IFF, COND e várias configurações em veículos. No pedido do cliente a SAAB Bofors Dinamycs irá arcar com toda a responsabilidade de qualquer configuração do sistema.

A Bofors cotava o preço do míssil em US$41.500 (SwK 250.000) e que ele teria a metade dos custos do Stinger e US$ 208.000 (SwK 1.250.000) para o lançador (cotação da coroa sueca em relação ao dólar no ano de 1982). A SAAB garante 15 anos de manutenção grátis para novos compradores.

No final da década de 80 ele chegou a ser oferecido ao brasil através de uma parceria entre a BOFORS e a CBV industria mecânica, mas o negócio acabou não vingando com o EB escolhendo o IGLA alguns anos depois, e o CFN escolhendo o MISTRAL. 

O RBS-70 já foi exportado de forma irregular para Irã, Bahrein, Dubai, Líbia e Omã que resultou em assassinatos misteriosos e escândalo político. As unidades destes mísseis eram exportadas para Singapura que seria um comprador "legal" onde eram desviados para estes países árabes de forma ilegal.

Em novembro de 1980, relatórios de revistas de defesa apontavam que 304 unidades do RBS-70 teriam chegado a Bahrein e Dubai (Emirados Árabes Unidos). No Dubai eles eram reexportados para o Irã. Um outro lote de 900 mísseis foi reexportado de Singapura para Dubai e Bahein. Provavelmente parte deles foi desviada para o Irã. Artilheiros Bahrein e Irã chegaram a ser treinados na Suécia.



Irã
Na primavera de 1985 uma delegação militar do Irã viajou para Karlskoga (Suécia) e compraram 400 mísseis RBS-70 e dez lançadores por U$58 milhões que era 5 vezes o preço normal de acordo com o pesquisador Hendrik Westander. Metade do carregamento chegou ao Irã em julho de 1985
A primeira aparição confirmada do RBS-70 na guerra Irã X Iraque ocorreram durante as ofensivas em janeiro e fevereiro de 1987. Oficiais americanos e a inteligência européia alegam que o míssil sueco foi o responsável por uma boa porção das 42-45 aeronaves perdidas pelo Iraque em missões de apoio a forças no solo e ataque no leste da região de Basra. Os iranianos integraram o míssil a uma rede de defesa aérea remendada e o empregou nas unidades de linhas de frente onde as forças iraquianas menos esperavam por isto. O RBS-70 foi um míssil de médio alcance preenchendo o espaço entre o Hawk americano e o SA-7 comprados da China. Os iranianos ficaram satisfeitos com o míssil e queriam mais.

Noruega
Na Noruega o RBS-70 substituiu os canhões Bofors L/60 40mm em meados de 1991-1994. Estas unidades formam agora a maior parte dos sistemas antiaéreos, porém canhões leves e metralhadoras também são usadas como armas antiaéreas de curto alcance nas unidades do exército.

Austrália
A SAAB assinou um contrato de 450 milhões de coroas suecas( 49.1 milhões de Euros ou U$ 57 milhões) com o exercito da Austrália para o fornecimento de um sistema de defesa antiaérea. Uma subsidiaria da SAAB( SAAB systems pty) baseada em Adelaide(Austrália) recebeu um pedido para o RBS-70. O grupo de armamento disse que o contrato foi parte de um acordo maior envolvendo a firma americana Lockheead Martin. A SAAB Bofors Dynamics firmou uma encomenda complementar para o míssil Bolide.

Finlândia
A SAAB e a STN Atlas firmaram em 2002 um contrato com a Finlândia tanto para o sistema ASRAD-R quanto para o RBS-70 que serão equipados com o míssil Bolide. O ASRAD-R competiu contra a SMS do Reino Unido pertencente a Thales, esta companhia ofereceu sistema de míssil leve de alta velocidade startreak também baseado no conceito de guiagem a laser
De acordo com a STN Atlas, no programa finlandês o ASRAD-R será instalado em uma configuração  em container nos veículos  P6-300 com capacidade para todos tipos de terrenos produzido pela Natech AS norueguesa. O sistema finlandês será caracterizado pela integração do sensor optrônico de busca e rastreio por infravermelho (IRST) ADAD da Thales/Pilkington  o qual se acredita que ser característico da proposta da SMS.
 Os testes na Finlândia foram seguidos por disparos de demonstração na SAAB Bofors Dynamcs em Karlskoga(Suécia) durante o qual o ADRAD-R disparou o novo míssil Bolide de alta velocidade (próxima a Mach 3).

Argentina
O RBS-70 é usado pelo corpo de fuzileiros navais da Argentina. Após a guerra das Malvinas o corpo de fuzileiros navais teve a necessidade de substituir seus mísseis antiaéreos Tigercat (versão terrestre do Sea Cat) e complementar os poucos SA-7 disponíveis. O RBS-70 foi escolhido devido a facilidade de acesso durante o embargo pós guerra. Os argentinos gostaram da propaganda que dizia que podia derrubar um helicóptero pairando sobre as copas das arvores numa distancia de 7 km e poder ser usado contra blindados para autodefesa. Esta última capacidade era desejável devido a falta de defesas antiblindado.



Venezuela
Durante o fracassado golpe de estado em 1992, uma unidade de artilharia do Exército Venezuelano com sede em Fuerte Tiuna em Caracas disparou um RBS-70 contra um dos OV-10E Bronco dos insurgentes que sobrevoava a capital. O míssil atingiu a aeronave que caiu na pista da base aérea General Francisco de Miranda após o piloto conseguir levá-lo até lá e depois ejetar-se com sucesso.


No Exercito Brasileiro

Exécito Brasileiro deu o sinal liberando a  SAAB Dynamics de comunicar a  assinatura do contrato de venda do  sistema de míssil  MANPADS RBS 70 VSHORAD ( Sistema de Defesa Aaérea de  Curto Alcance - Very Short Range Air Defence System). O contrato alcança um valor de aproximadamente  U$D 12,5 milhões de Dóilares, incluindo os mísseis, lançadores de mísseis e os equipamentos associados como os sistemas de treinamento.



O Contrato

A negociação entre o Exército Brasileiro e a SAAB Dynamics teve como pano de Fundo o então chamado Sistema Integrado de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro (SIAAEB) posteriormente formatado no Projeto Estratégico do Exército - Defesa Antiaérea (PEEDAAe).

Era prevista para a Artilharia Antiaérea (AAe) de baixa altitude, até 3.000 metros um sistema integrado de mísseis e artilharia de tubo. Os mísseis dividiam-se em dois tipos guiados e não guiados.

Para o sistema de Baixa Altura Telecomandado foi escolhido o sistema sueco RBS 70 e para não guiado o russo IGLA.

A compra do RBS (Robotik System) 70 Mark II pelo Exército Brasileiro equivale à aquisição do Modelo Geração 3 Plus(+). A empresa SAAB Dynamics o chamou de RBS 70 MkII

O Míssil está baseado na 3ª Geração do RBS 70, produzidos entre 1990 e 2004, porém inclui upgrades, que também estão na última geração (5ª), o RBS NG.

Um dos detalhes é o visor termal BORC, que equipa o RBS70 NG, a única diferença é que no NG ele está incorporado ao dispositivo de disparo enquanto no RBR 70 MkII está montado de forma modular ao dispositivo de disparo.

O míssil também é aperfeiçoado. Incluso o sistema pode disparar o míssil de última geração, o BOLIDE.

O valor do contrato U$D 12,5 milhões de dólares inclui várias contrapartidas comerciais (Off Set), que excedem o valor da aquisição. Há vários itens oferecidos:


- Tecnologia de simuladores;
- Cursos de Manutenção;
- Visor Termal COND, entre outros.


A lista final dos itens das contrapartidas ainda serão definidos entre o Exército Brasileiro e a SAAB Dynamics. Nem o Exército Brasileiro definiu quais serão os interlocutores industriais da SAAB Dynamics.

O acordo compreende um número não revelado de lançadores portáteis de:  mísseis tipo RBS 70 Mk II, simuladores, 6 equipamentos de visão noturna , um conjunto de teste , ferramentas de manutenção , peças de reposição , equipamentos associados , e treinamento para operadores e mantenedores da arma. Nove militares do Exército já estão em treinamento na Suécia.

Embora o foco primeiro sejam os grandes eventos, tais  como: a  Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016   Os sistemas tem o uso final no  programa PROTEGER  (Sistema Integrado de Proteção de Estruturas Estratégicas Terrestres), do Exército Brasileiro.

Par a Copa do Mundo, fonte consultada por DefesaNet,  informou que o número a ser recebido será o suficiente para atender, conforme as necessidades estratégicas, as 12 sedes dos jogos.



 FOTOS:














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