sábado, 27 de abril de 2013

P-3AM Orion, O Guardião do Pré-Sal


Brasil integra aviões de patrulha marítima P-3AM à sua frota e passa a empregá-lo para a vigilância das águas territoriais brasileiras e das riquezas do pré-sal; aeronaves estarão sediadas na Bahia



Um submarino estrangeiro aproxima-se de uma plataforma de petróleo da Petrobrás, a 300 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. A embarcação está submersa e sem emitir sinais de rádio numa atitude que não parece nada amistosa. 
Mesmo assim, o ruído dos motores da embarcação é captado pelos equipamentos de uma Aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB).
O avião de patrulha passa a rastrear o movimento do submarino até que ele emerge no oceano. Por rádio, a tripulação do submarino é interrogada sobre sua origem e intenções. 



A embarcação revela que teve problemas técnicos que já foram resolvidos, agradece a ajuda dos brasileiros e parte para o leste. O episódio descrito acima seria uma peça de ficção cientifica até alguns meses atrás, mas com a aquisição do P-3AM passa a ser um enredo bastante plausível.

O P-3AM Orion, que foi integrado à frota no Alguns Meses, devolveu à 
Força Aérea Brasileira a capacidade de detectar, localizar, identificar e, se necessário, afundar submarinos.
É o que o jargão militar chama de guerra antissubmarino (ASW, na sigla em inglês). 


A Aviação de Patrulha não realizava missões ASW desde a desativação do

P-16 Tracker, em 1996. Os atuais P-95 “Bandeirulha”, aeronaves menores e com diferenças operacionais, não têm essa capacidade.
  
Além da capacidade ASW, o P-3AM também carrega armamentos como os mísseis Harpoon, capazes de afundar navios de guerra além do alcance visual. Com quatro motores, a aeronave tem grande autonomia, podendo permanecer em voo durante 16 horas - isso equivale a uma viagem de Recife a Madri sem escalas. Os sensores eletrônicos embarcados na aeronave são os mais modernos que existem. Tudo isso confere ao P-3AM a capacidade estratégica devigilância marítima de longo alcance.
“É como se nós déssemos um salto de quatro décadas na nossa capacidade tecnológica”, explica o Gerente do Projeto P-3BR da Força Aérea, Coronel Aviador Ari Robinson Tomazini.



Soberania - A Petrobrás estima que a camada do pré-sal contenha o equivalente a cerca de 1,6 trilhões de metros cúbicos de gás e óleo.
Caso a estimativa seja confirmada, o Brasil ficará entre os seis países que 
possuem as maiores reservas de petróleo do mundo, atrás somente de 
Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes. Toda essa riqueza encontra-se no Oceano Atlântico, na zona econômica exclusiva (ZEE) brasileira. A nova aeronave estará envolvida na vigilância dessa área.

Além desse patrulhamento estratégico, o P-3AM assumirá um papel determinante nas missões de busca e salvamento. Por força da Convenção de Chicago, da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), o Brasil é responsável pela busca e salvamento de aeronaves e navios numa área com seis milhões de Km² (praticamente todo o Atlânti co Sul). Os P-3AM da FAB equipam o Esquadrão Orungan (1º/7º GAV) que opera na Base Aérea de Salvador, uma unidade histórica para a Aviação de Patrulha brasileira



A nova aeronave também ajudará na defesa do meio ambiente, identificando os responsáveis pelo derramamento de óleo, tanto acidentais quanto provocados. Algumas embarcações que transportam petróleo costumam lavar os tanques com a água do mar. Essa prática criminosa
deixa uma mancha de óleo que poluie afeta a vida marinha. Os sensores do P-3AM conseguem identificar os rastros na superfície do mar e, desta forma, identificar a embarcação de origem, mesmo muitas horas depois da abertura dos tanques. O P-3AM pode fotografar o navio infrator e encaminhar as fotos com um relatório para as autoridades ambientais, como prova para a aplicação de multas.

Outra ati vidade ilegal que a aeronave certamente poderá combater é a pesca na Zona Econômica Exclusiva do Brasil, uma faixa de 370 quilômetros a partir da costa brasileira. As embarcações estrangeiras que praticarem a pesca nessa área também poderão receber multas.



O P-3AM é a versão militar do famoso avião comercial Lockheed Electra II, que ficou conhecido no
Brasil como o avião utilizado na ponte aérea Rio de Janeiro-São Paulo, de 1975 até 1991. 
A versão militar foi inicialmente Concebida para a Marinha dos Estados Unidos, como aeronave especializada em guerra antissubmarina e patrulhamento marítimo. Posteriormente, foi adquirido por outros países, principalmente por integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), chegando a ser operado por 17 nações.
A Força Aérea adquiriu 12 aeronaves P-3 da Marinha dos EUA, sendo que duas já foram entregues e outras sete estão sendo modernizadas pela Airbus Military. As demais servirão como suprimento.

Ficha Tecnica


País de Origem: EUA
Fabricante: Lockheed-Martin
Modelo: P-3AM Orion
Função: Patrulhamento marítimo, busca e salvamento e guerra antisubmarino
Envergadura:30,36 m
Comprimento:35,61 m
Altura:10,20 m
Velocidade máxima:761 km/h
Alcance:9 mil km
Peso bruto máximo:63,4 mil kg
Motor:4 turbopropulsores Allison T56-A-14, 4900 cv (3700 kW)
Autonomia:16 horas
Armamento:9 mil kg de bombas, torpedos, minas, foguetes e mísseis antinavio
Operadores:Brasil, EUA, Argentina, Chile, Canadá, Japão, China, Portugal, Nova
Zelândia, Austrália, Espanha, Alemanha, Grécia, entre outros










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