sexta-feira, 29 de março de 2013

M-41 C

 M-41 C


País: Brasil
Designação Local:M-41 C 
Qtd: Máx:340
Qtd. em serviço:112
Situação: Em serviço


Fabricante: General Motors - Estados Unidos da América
Tripulação: 4
Comprimento: 5.9  Incluindo canhão: 8.212M
Largura: 3.2M
Altura: 2.9M
Peso vazio: 18400Kg.
Peso preparado para combate: 26000Kg.
Sistema de tracção: Lagartas
Motor: Scania DS-14 8V Diesel
Potência: 400 cv
Velocidade máxima: : 60 Km/h
Velocidade em terreno irregular: 45 Km/h
Tanque de combustível: 550 Litros
Autonomia máxima: 550Km


Armamento básico

1 x 90mm M32 
Calibre: 90mm
Alcance estimado: 2.5Km a 2.5Km

 1 x 12.7mm Browning M2 
Calibre: 12.7mm
Alcance estimado: 1.5Km a 2.4Km

Com a assinatura, em outubro de 1959, do Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, conhecido como acordo de Fernando de Noronha, decidiu o Estado Maior do Exército que as Unidades blindadas deveriam ter todo seu material motorizado, de comunicações e grande parte de seu armamento substituído por outros mais atualizados, oriundos dos Estados Unidos. Menos de um ano depois, desembarcava no porto do Rio de Janeiro o mais moderno material blindado existente na América do Sul. Em 1960 chegavam os primeiros tanques M-41 WALKER-BULDOG, equipados com um motor continental de 500 HP (à gasolina) e com um canhão de 76 mm.

 O Carro de Combate Leve M-41 era o que tínhamos de melhor e em quantidade maior, foi a base de toda a formação blindada no Exército, seja de grande unidade (5ª Brigada de Cavalaria Blindada) a unidades menores (1º, 2º, 3º, 4º e 5º Regimento de Carros de Combate, 4º, 6º, 9º e 20º Regimento de Cavalaria Blindado) mais Escola de Material Bélico -EsMB, berço dos blindados e Templo da manutenção do Exército. Inicialmente a modernização foi feita a partir da mudança do motor, no lugar do original a gasolina foi inserido um diesel modelo Scania DS14, mantendo a caixa de transmissão original, o que trouxe grande dor de cabeça aos operadores deste veículo, pois era comum a quebra do eixo entre a caixa e o motor, causando grande quantidade de veículos indisponíveis em suas unidades. Outro complicador foi o fato de se ter de alongar a parte traseira para a colocação do novo motor diesel, o que na realidade alterou o centro gravitacional do veículo, causando grandes desgastes em suas lagartas, problemas até hoje não solucionados. Mas o principal foi no armamento, o original possuía um canhão de 76mm, e a Bernardini ao lançar o modelo M-41B o equipou com um canhão Cockerill de 90mm, similar aos usados nos blindados EE-9 Cascavel da Engesa e fabricado por ela sob licença da Bélgica, e dos da família XIA2 Carcará da Bernardini. Apenas dois blindados receberam estes canhões para testes. Vários operaram com o canhão de 76mm na versão denominada também de M-41B, depois foram transformados em C com canhão de 90mm.


 Após estes testes a conclusão que o pessoal do exército chegou foi a de que ao invés de comprar canhões novos para equipar todos os M-41,optou-se pela forma mais barata, ou seja aproveitar o canhão de 76mm original, encamisando-o e posteriormente broqueá-lo no calibre de 90mm, com o mesmo número de raias do Cockerill Engesa, podendo desta forma utilizar a mesma munição do Cascavel, pois o Exército havia adotado o calibre 90mm como padrão. Este processo foi uma solução para resolver o problema do M-41, sendo que ao redor da torre original foi acrescentada diversos compartimentos, dando uma nova configuração á mesma e desta forma o carro recebeu a designação de M-41 C (Caxias), tendo um sido apresentado com saias laterais, não adotada nos demais da série. Curioso o fato de nenhum carro de combate brasileiro possuir saias laterais que os protegem contra munição de carga oca. Coube à firma Novatração Artefatos de Borracha S/A a modernização das lagartas. Inicialmente os canhões de 76mm como eram maiores em comprimento que os de 90 usados no Cascavel, foram cortados para ficaram no mesmo tamanho, e posteriormente descobriu-se que o tamanho não afetava em nada o funcionamento quando transformado para 90mm. A partir daí não mais se cortou o canhão de 76mm, podendo encontrar M-41 C com dois tamanhos de canhão no calibre 90mm. Esta operação de fazer uma nova perfuração no canhão trouxe alguns problemas para diversos carros, pois as paredes internas, em alguns casos, possuíam um lado mais grosso que o outro, o que ainda é comum encontrar nos M-41 C remanescentes.

Outro fator que não foi resolvido foi o fato de que após alguns disparos a torre se enchia de fumaça, dificultando o trabalho da tripulação, não funcionando muito bem os sistemas de extração de gases. Na realidade o fato de ter transformado o canhão de 76mm em 90mm não o fez melhor, mas sim pior que o 76mm original, pois levaram em conta apenas o tipo de munição que iriam empregar, a de 90mm era fabricada no Brasil e a de 76mm não. (Exemplo: Munição HE no canhão de 76mm, velocidade de 732m/s com ll,7kg de explosivo e no canhão de 90mm, velocidade de 700m/s com 8,5kg de explosivo). A idéia era exportar para outros países a tecnologia desenvolvida no repotenciamento do M-41, sob a forma de um kit, mas esta não vingou, pois a crise que o setor de defesa brasileiro viveu no final dos anos 80 e 90 foi fatal, os grandes projetos morreram, os blindados repotenciados ou produzidos estão chegando numa fase crítica, sua substituição está sendo através de compras de material de segunda mão de diversos países, o Brasil pela primeira vez adquiriu seus primeiros MBT (Tanque Principal de Combate), M-60 A3 TTS e LEOPARD 1A 1, respectivamente dos Estados Unidos e Bélgica, relegando quase que de vez os já obsoletos M-41C, muito embora eles ainda continuem prestando serviços em diversas unidades do Exército, principalmente na formação dos futuros combatentes da força blindada. Vale ressaltar que na América do Sul, além do Brasil, apenas o Uruguai opera um versão do M-41 denominada de M-41 A1U com canhão de 90mm Cockerill mark IV, num total de 22 unidades, modernizados na Alemanha. Os Estados Unidos também testaram uma versão do M-41 com canhão de 90mm, denominada T-49 mas não levada adiante.

 O desenvolvimento do projeto de modernização do M-41 e dos outros veículos não foi em vão, eles nos ensinaram muitas coisas, resta saber se o aprendizado valeu e seus erros e acertos serão aproveitados para o futuro, pois, principalmente os Leopard necessitarão de modernização num futuro próximo e aí vamos dar emprego no exterior ou refletir sobre o nosso passado recente e evitar os erros mas sem dúvida pensar mais nos acertos e incentivar técnicos brasileiros na solução deste velho problema. Os M-41 C continuam a ser maioria no Exército Brasileiro e sobreviverão ainda por muitos anos.

O M41C é um carro de combate médio, moderno e simples, que constitui atualmente a espinha dorsal das tropas blindadas brasileiras. Ele é derivado do M41 americano, modificado e melhorado por uma profunda repotencialização realizada com recursos e tecnologias nacionais. O M41 foi um dos carros mais vendidos em sua época, sendo encontrado em diversas partes do mundo.






Os primeiros M-41 chegam ao Brasil em 1960, depois de um acordo de cooperação militar assinado com os Estados Unidos no final da década de 50 e representaram um enorme avanço na operacionalidade do exército, tendo sido distribuidos a unidades no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Substituiram parcialmente parte dos velhos M-3/M-3A1 Stuart com canhões de 37mm, que no entanto, ainda continuariam ao serviço, modernizados e para funções secundárias.

 Durante os anos 60 o Brasil deverá ter recebido cerca de 300 unidades deste veículo blindado, que passou assim a ser a espinha dorsal da arma blindada brasileira.

 No entanto, apesar de para o teatro da América do Sul, ser um veículo moderno, no fim dos anos 70 vários aspectos técnicos do M-41 brasileiro começavam a tornar-se obsoletos e o envelhecimento dos carros, tornava a dependência dos Estados Unidos cada vez maior.

 Para fazer face a estes problemas foi decidido iniciar um completo programa de repotenciamento e nacionalização do M-41, adaptando-o à realidade do parque automóvel brasileiro. No fim de 1978, a empresa BERNARDINI S.A. em conjunto com o C.T.A. - Centro Tecnológico do Exército - lançou-se no desenvolvimento da modernização do M-41.

 Inicialmente, o objectivo principal era apenas a troca do motor a gasolina por um motor a diesel de fabrico brasileiro, posteriormente decidiu-se também trocar o canhão de 76mm por outro de 90mm, tendo-se também optado por reforçar a blindagem, e por nacionalizar os equipamentos ópticos.

 O canhão de 90mm, uma versão brasileira do Belga Cockerill, era o mesmo do carro de combate sobre rodas Cascavel, mas posteriormente, foi decidido utilizar o canhão de 76mm original e alterar-lhe o calibre, mantendo também a culatra original. Foi igualmente alterado o sistema de comunicações, incorporando-se um de fabrico brasileiro. O M-41C, é reconhecivel por causa da necessidade que houve de alongar a parte traseira do chassis, acomodando dois ventiladores, que permitem distinguir o M-41C dos outros M-41.

 As modificações tornaram o M-41C um carro de combate mais confiável e, com manutenção totalmente nacionalizada. O motor a diesel aumentou enormemente a autonomía do veículo, por ser muito mais económico. O unico problema, resultou no facto de o M-41C, ser ligeiramente mais lento que o seu antecessor.

 Ainda há várias unidades do exército, utilizando o M-41C, embora grande parte deles tenham sido substituidos, primeiro pelos Leopard1-A1 e depois pelos M-60A3. Estão relegados a missões secundárias, de reconhecimento. As unidades que estão no Mato Grosso do Sul, no entanto, não têm a companhia de seus sucessores mais poderosos.

 O programa de modernização do M-41C, capacitou a empresa Bernardini a produzir um tanque completamente novo, a que chamou Tamoyo, e que incorporava grande parte dos sistemas desenvolvidos para o M-41C. No entanto, tratando-se de um tanque leve, e tendo além disso na altura a concorrência de outro projeto brasileiro, (o EE-T1/T2 Osório), o Tamoyo nunca foi produzido.


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