quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

SISDABRA - Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro

FORÇA AÉREA BRASILEIRA
SISDABRA - Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro

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Embora existam unidades dentro das Forças Aéreas e dos Comandos Aéreos Regionais que têm missões sociais, bem como o SISDACTA, que também possui uma característica dual, toda a organização da FAB é mobilizável para fins bélicos. O Brasil organizou tudo o que pudesse ser usado para defesa aeroespacial em um grande Sistema, chamado Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro - SISDABRA.

Com a criação do CINDACTA I, em 1969, a Força Aérea passou a usá-lo como parte de um plano para defesa a érea, ativando, no mesmo ano, o Comando da Defesa Aérea (COMDA). A cada CINDACTA também foi associado uma Região de Defesa Aérea (RDA). Cada RDA tinha a sua disposição determinados meios militares que, para operar, teriam o apoio do seu respectivo CINDACTA. Para poder fazer jus ao seu nome, o COMDA precisava de novos vetores, leia-se caças. Como parte desse planejamento, novas aeronaves foram comprados para o funcionamento do COMDA. A primeira unidade, a 1ª ALADA (Ala de Defesa Aérea), foi equipada com caças interceptadores Mirage III e sediados na então recém-construída Base Aérea de Anápolis. Posteriormente, a 1ª ALADA virou o 1° GDA - Grupo de Defesa Aérea. Outros aviões, como os F-5, foram adquiridos como caças de superioridade aérea e foram sediados no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Após muitos anos de experiência, foi finalmente ativado, em 1980, o atual SISDABRA. O SISDABRA é um sistema que organiza todas as unidades de caça, artilharia anti-aérea, reconhecimento eletrônico e REVO do Brasil em prol da defesa contra qualquer ameaça aeroespacial. Ou seja, hoje, se encontram inseridos no sistema todos os Grupos de Artilharia Anti-Aérea do Exército e da FAB, a maioria dos Esquadrões da III FAe (1° GavCa, 1° GDA, 1°/14°, 3° GAv e o 2°/6°) e os aviões tanque da V FAe.

O SISDABRA conta com um órgão Central, o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA), localizado em Brasília e ativado em dezembro de 1995. As suas origens remontam o antigo COMDA. Cabe ao COMDABRA fazer o SISDABRA funcionar, alocando os meios necessários para o cumprimento de suas missões. Por ter total apoio do SISDACTA, ele tem informações referentes a todo e qualquer tráfego aéreo que ocorre no Brasil. Ou seja, é capaz de mobilizar e lançar em curto espaço de tempo tudo o que o Brasil dispõe em termos de defesa aérea contra qualquer ameaça.

O COMDABRA pertence a FAB, mas tem a presença constante de membros das demais forças singulares, que também podem ajudar nessa defesa aeroespacial. Em tempos de paz esse Comando se subordina ao COMGAR, porém devido a sua importância na garantia de superioridade aérea ele, em tempos de guerra, passa a ser subordinado diretamente ao Presidente da República.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Combatente de caatinga - Brasil

Combatente de caatinga - Brasil


Combatentes de caatinga preparando-se para mais uma missão.
 O Brasil é constituído por diversas macro-regiões com climas e geografia específicos, bem distintos entre si, e entre estas destaca-se o sertão nordestino que compreende cerca de 10% de nosso território com clima semi-árido e vegetação denominada caatinga. Este nome origina-se das palavras indígenas "caa" (mata) e "tinga" (branca) devido aos tons cinza e verde do ambiente, com vegetação rasteira, arbustos espinhosos e muitos cactos em um bioma exclusivamente brasileiro. Ciente da necessidade de contar com uma tropa especializada para operar nesta região, o Exército Brasileiro (EB) criou o 72º Batalhão de Infantaria Motorizado (72º BIMtz), localizado na cidade de Petrolina(PE), no vale do rio São Francisco, em cujas instalações encontra-se ainda o Centro de Instrução de Operações na Caatinga, com a missão de estudar, planejar e desenvolver uma doutrina operacional específica para este ambiente.
Entre os cursos ministrados estão o Estágio Básico de Combatente de Caatinga, com duração de uma semana, Estágio Avançado de Combatente de Caatinga, com duração de duas semanas e o Estágio de Caçador de Caatinga, com duração também de duas semanas, onde o militar recebe treinamento nas seguintes disciplinas: Características do Ambiente Operacional de Caatinga; Primeiros Socorros; Técnicas Especiais; Topografia; Marchas e Acampamento; Comunicações; Emprego Tático em Operações na Caatinga; Treinamento Físico e Exercício de Desenvolvimento da Liderança.
Combatentes de caatinga em plena atividade no sertão nordestino. A área onde se desenvolvem as operações do combatente de caatinga é certamente uma das mais inóspitas do mundo, composta de uma vegetação agressiva, solo pedregoso, escassez de água e com calor escaldante, exigindo um uniforme que possibilite uma proteção mais eficiente do que os normalmente utilizados pelo EB, mais reforçado, feito de material mais resistente para permitir o deslocamento no interior da caatinga sem comprometer a integridade física da tropa, além de proporcionar alguma camuflagem. Inspirado na indumentária do sertanejo, o uniforme é confeccionado em brim na cor cáqui e com aplicação de couro especial nas partes que são mais atingidas pelos espinhos ou galhos secos. A protetor para a cabeça também é feito de brim, com pala dobrável e extensão para proteger a nuca, mostrando-se mais adequado do que o capacete de kevlar que concentra grande quantidade de calor, além de provocar ruídos em contato com os arbustos e refletir a luz, comprometendo a ocultação do combatente. O coturno é o tradicional com cano de couro, mais resistente do que o do tipo selva com a parte superior de lona.
A experiência mostrou a necessidade de se utilizar também óculos de acrílico e luvas de couro que protegem o dorso e a palma da mão mas permitem o livre movimento dos dedos. O armamento empregado é o padrão do Exército Brasileiro, como o fuzil FN FAL, calibre 7,62 mm, a pistola Imbel M973, calibre 9 mm, a arma anti-tanque Carl Gustav M3, calibre 84 mm e a metralhadora FN MAG, calibre 7,62 mm. Em 1993, o 72° BIMtz passou à condição de Unidade de Pronto Emprego, permitindo resposta imediata em situações de conflito, sendo a única unidade no Brasil apta a operar no ambiente de caatinga.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Novos equipamentos para as Forças Armadas do Brasil

Novos equipamentos para as Forças Armadas do Brasil


Apresentamos um estudo sobre os principais projetos para aquisição, desenvolvimento ou modernização dos equipamentos de nossas forças armadas. O quadro abaixo será atualizado periodicamente refletindo a real situação de cada um deles até aquela



Equipamento / Programa



Força Armada



Especificação



Origem



Quantidade



Período



Status
A - 29 Super Tucano
Força Aérea
Aeronave leve de ataque
e treinamento
Brasil
99
2009 - 2011
Entrega finalizada
A-1 AMX
Força Aérea
Caça-bombardeiro leve
(Embraer)
Brasil
43
2010 - 2014
Modernização na Embraer
(em andamento)
A-Darter
Força Aérea
Míssil ar-ar de curto
alcance de 5ª geração
Brasil
África do Sul
n.d.
2009 - 2015
Em desenvolvimento
com a África do Sul
AF-1 Skyhawk
Marinha
Aeronave leve de ataque
EUA
12
2009 - 2014
Modernização na Embraer
(em andamento)
ALAC
Exército
Arma leve anti-tanque
Brasil
n.d.
2009 - 2012
Produção de
lote inicial
AS 365K Pantera
Exército
Helicóptero utilitário
França
32
2011 - 2021
Modernização na Helibrás
(em andamento)
AS 550 A2 Fennec
Exército
Helicóptero leve
França
18
2011 - 2018
Modernização na Helibrás
(em andamento)
Blindados M-113
Exército
Veículo blindado transporte
de tropas, sobre lagartas
EUA
150
2012 - 2015
Modernização no país
(em andamento)
C - 95 Bandeirante
Força Aérea
Aeronave leve de transporte
(Embraer)
Brasil
54
2010 - 2014
Modernização na Embraer
(em andamento)
C - 105 Amazonas
Força Aérea
Aeronave média de transporte
Espanha
8
2010 - 2012
Em estudo
COBRA
Exército
Equipamentos e armas para o
Combatente Brasileiro do futuro
Brasil
França
n.d.
n.d.
Em desenvolvimento
EC 725 Caracal
EB / FAB / Marinha
Helicóptero de transporte/utilitário
(Helibrás)
Brasil
França
50
2010 - 2016
Encomendados
( 03 entregues )
F- 5EM Tiger II
Força Aérea
Caça de ataque e interceptação
EUA
68
2009 - 2013
Entrega finalizada
Fragatas
Marinha
Navios escolta de 6.000 toneladas
n.d.
5
2014 - 2020
Em estudo de
projetos internacionais
Fuzil de assalto
Exército
Modelo Imbel IA2, cal.5.56 e
7.62 mm, com coronha rebatível
Brasil
200.000
2011 - 2014
Em análise
Gaucho
Exército
Veículo leve de reconhecimento
Brasil
Argentina
n.d.
2009 - 2012
Produção de
lote inicial
Grumman
S-2 Tracker / C-1 Trader
Marinha
Avião de transporte / AEW
EUA
8
2011 - 2014
Modernização
em andamento
HB 350 L1 Esquilo
Exército
Helicóptero leve
França
15
2011 - 2018
Modernização na Helibrás
(em andamento)
KC - 390
Força Aérea
Nova aeronave de transporte
(Embraer)
Brasil
28
2012 - 2020
Em desenvolvimento
KC-X
Força Aérea
Aquisição de nova aeronave para
REVO e transporte de tropas
n.d.
2
2010 - 2016
Em análise
de propostas
Leopard 1A5
Exército
Carro de combate de 42 ton.
com canhão de 105 mm
Alemanha
220
2009 - 2012
Entrega finalizada
MAA-1B Piranha
Força Aérea
Míssil ar-ar de curto alcance
(Mectron)
Brasil
n.d.
2009 - 2012
Em desenvolvimento
MAN-1
Marinha
Míssil superfície-superfície
(Mectron)
Brasil
n.d.
2009 - 2015
Em desenvolvimento
MAR-1
Força Aérea
Míssil anti-radiação (Mectron)
Brasil
n.d.
2009 - 2012
Produção de
lote inicial
Marruá
Exército
Veículo 4x4 leve para patrulha e
reconhecimento (Agrale)
Brasil
120
2009 - 2012
Encomendados
Mi-35M
Força Aérea
Helicóptero de ataque
Rússia
12
2009 - 2013
Encomendados
( 9 entregues )
MSS 1.2 AC
Exército
Míssil anti-tanque (Mectron)
Brasil
n.d.
2009 - 2012
Produção de
lote inicial
Napa 500
Marinha
Navios patrulha de 500 ton.
Brasil
7
2009 - 2012
Encomendados
( 2 entregues )
Navio Patrulha
Oceânico (OPV)
Marinha
Navios patrulha de 1.800 ton.
n.d.
5
2014 - 2020
Em estudo de
projetos internacionais
P- 3AM Orion
Força Aérea
Avião de patrulha marítima
EUA
9
2010 - 2013
Em modernização
( 3 entregues )
Piranha IIIC
Fuzileiros Navais
Veículo blindado 8x8 de
transporte de tropas
Suíça
30
2009 - 2013
Encomendados
( entregues )
Projeto FX-2
Força Aérea
Aquisição de novos caças
de superioridade aérea
n.d.
36
2011 - 2014
Licitação prorrogada
Só deus sabe Quando.
SABER 60
Exército
Radar anti-aéreo de
médio alcance
Brasil
40
2009 - 2014
Produção de
lote inicial
Scorpene
Marinha
Submarino de propulsão
convencional
Brasil
França
4
2015 - 2021
Em produção
SGB
EB / FAB / Marinha
Satélite Geoestacionário
Brasileiro
n.d.
1
n.d.
Em análise
SH-60B Seahawk
Marinha
Helicóptero de ataque / ASW
EUA
6
2009 - 2014
Encomendados
( 4 entregues )
Submarino nuclear
Marinha
Submarino de propulsão nuclear,
sem armas atômicas
Brasil
França
1
2015 - 2025
Em desenvolvimento
Super Lynx
Marinha
Helicóptero de ataque / ASW
Grã-Bretanha
12
2009 - 2015
Modernização
em andamento
T- 27 Tucano
Força Aérea
Avião leve de treinamento
(Embraer)
Brasil
60
2010 - 2014
Modernização
em estudo
UH-60L Black Hawk
FAB
Helicóptero utilitário
EUA
18
2009 - 2012
Encomendados
( 15 entregues )
VANT
Força Aérea
Veículos aéreos não tripulados,
modelo Hermes 450
Israel
2
2009 - 2012
Em testes
operacionais
VBTP Guarani
Exército
Veículo 6x6 de transporte
de tropas (várias versões)
Brasil
2.044
2011 - 2030
Em produção
do primeiro lote

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Missão secreta da FAB no Peru

Missão secreta da FAB no Peru

Como a tecnologia do R-99B ajudou no resgate de reféns do Sendero Luminoso.

Exatamente às 20:40h da segunda-feira 9 de junho de 2003, oito militares da Força Aérea Brasileira embarcaram no jato Embraer 145 RS/AGS, designado R-99B na FAB, pertencente ao 6º GAv, na Base Aérea de Anápolis(GO), com destino a Porto Velho(RO). Era uma missão secreta e os tripulantes não sabiam para onde iriam nem por que estavam voando. Às 23:40h, o avião pousou, reabasteceu e só voltou a decolar às 6:10h da terça-feira dia 10. Três horas e quarenta minutos depois, aterrissaria na área restrita para uso militar do Aeroporto Internacional de Lima, no Peru.
R-99B (Sensoreamento Remoto)
Os militares brasileiros foram recebidos por oficiais da Força Aérea Peruana(FAP) e só então souberam o objetivo de sua missão. Os peruanos explicaram que 71 funcionários da Techint, uma empresa argentina que está construindo um gasoduto na reggião de Ayacucho, eram mantidos como reféns, em plena floresta amazônica, por militantes do Sendero Luminoso, grupo terrorista de orientação maoísta. Entre os reféns estavam três suboficiais da Polícia Nacional e o governo conduzia as negociações. Os terroristas exigiam dinamite, armas e um resgate de US$ 200 mil para libertar o grupo. O objetivo dos militares da FAB era rastrear toda a região de floresta, procurando interceptar transmissões de rádio e celulares via satélite feitas pelos terroristas para tentar localizar sua posição exata. Às 15:27h a aeronave decolou rumo à Ayacucho, levando a bordo além dos oito brasileiros um oficial da FAP.
O R-99B está preparado para efetuar sensoreamento remoto de grandes extensões de terreno, dotado de equipamentos de última geração, que podem operar sob quaisquer condições climáticas, em proveito do SIVAM. Para fazer o rastreamento de ondas de transmissão ou monitorar toda a movimentação no solo, conta com Radar de Abertura Sintética (SAR), Scanner Hiperespectral (HSS), Scanner Multiespectral (MSS) e Sensor Ótico e Infravermelho (OIS). Sobrevoando a floresta, os sensores do R-99B captaram sinais de transmissões de rádio na faixa de VHF. Cada emissão registrada era plotada, mapeando a posição. Em menos de uma hora foi possível identificar com precisão o ponto de onde elas estavam vindo: um acampamento num lugarejo chamado Toccate. Imediatamente as coordenadas geográficas do lugar foram enviadas aos militares peruanos em terra. Logo helicópteros e aviões da FAP passaram a rondar o esconderijo dos terroristas.
Percebendo que haviam sido localizados e temendo uma investida do Exército, os militantes do Sendero adotaram a estratégia de libertar os reféns um a um, informando através do rádio o nome de cada um dos liberados. Após entregar o último capturado, os terroristas se dividiram em pequenos grupos e fugiram pelas trilhas da selva densa. O R-99B acabara de completar sua primeira missão real, mostrando que estava totalmente operacional e pronto para executar a missão para a qual fora idealizado: proteger as riquezas da floresta amazônica, dentro ou além de nossas fronteiras.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Mergulhadores de Combate - Brasil

Mergulhadores de Combate - Brasil

Mergulhadores de combate da Marinha do Brasil. 
Os primeiros Mergulhadores de Combate (MeC) da Marinha do Brasil tiveram sua formação básica junto aos SEALs da US Navy, em 1964. Como resultado desta experiência foi criada em 1970 a Divisão de Mergulhadores de Combate. Mais tarde, outro grupo participaria do curso de Nageurs de Combat (Nadadores de Combate) da Marinha francesa. Assim, mesclando as técnicas do curso francês que privilegiava as operações de mergulho, com as do norte-americano que dava grande ênfase às operações terrestres, foi montada uma estrutura de treinamento perfeitamente adaptada às nossas necessidades. Atualmente denominado Grupamento de Mergulhadores de Combate (GruMeC), está diretamente subordinado ao Comando da Força de Submarinos e é composto por três equipes básicas de operações especiais (Alfa, Bravo e Charlie) e um Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR). A formação do MeC brasileiro nada fica a dever à de outros similares internacionais e é conduzido pelo CIAMA, centro de instrução localizado em Niterói (RJ). Para oficiais os requisitos iniciais incluem a aprovação em exames psicológico e médico, teste em câmara de descompressão e rigorosos testes físicos. O curso tem duração de 41 semanas, dividido em quatro fases, e objetiva habilitar os militares a operar equipamentos de mergulho, armamentos, explosivos, utilizar técnicas e táticas necessárias à execução das mais diversas missões de operações especiais, com ênfase especial ao planejamento dessas operações, já que o curso é específico para os oficiais que as liderarão. Para sargentos e cabos, com menos de 30 anos e que atendam às mesmas exigências do curso para oficiais, o treinamento dura 42 semanas de atividades instrucionais severas. Durante todo o período de ambos os cursos, os voluntários candidatos a MeC são submetidos a condições extremas de provações física e psicológica, sendo enfatizados os atributos de liderança em combate, sensatez, objetividade, improvisação e serenidade quando submetido a situações de risco ou estresse. O clima é sempre mantido o mais próximo possível daquilo que seria encontrado em uma situação operacional real e esta pressão constante faz com que somente cerca de 30 a 40% dos participantes consigam receber a aprovação final e conquistar o almejado distintivo dos MeCs da Marinha do Brasil. Realizar "ações específicas de guerra não-convencional em ambientes marítimos e ribeirinhos" seria a síntese de suas tarefas. Mas as complexas operações anfíbias têm no GruMeC um elemento virtualmente indispensável para que sejam bem sucedidas. Antes de qualquer desembarque, os MeCs são infiltrados no objetivo e devem colher uma gama de informações, como o grau de inclinação da praia a partir de sete metros de profundidade até a vegetação que circunda a areia, produzir um mapa com dados sobre o tipo de solo (areia, pedras, lama, etc), obstáculos naturais e artificiais (passíveis de demolição com explosivos), campos minados e até possíveis edificações e habitantes da área. Igualmente importante é a avaliação das forças de oposição, o que deve ser feito preferencialmente sem que haja o contato com o inimigo, embora estejam sempre preparados para um confronto que seja inevitável. Pode-se afirmar que o sucesso inicial de um desembarque anfíbio encontra-se nas mãos das equipes de MeCs infiltradas nas áreas-alvo dias antes da "Hora H" do "Dia D".

Mergulhadores de combate da Marinha do Brasil.





Nos demais campos da guerra naval suas missões incluem: destruir ou sabotar navios e embarcações, instalações portuárias, pontes, comportas de represas; capturar ou resgatar pessoal ou material; realizar reconhecimento, vigilância e coleta de dados de Inteligência; infiltrar e retirar agentes e sabotadores de território sob controle do inimigo; e interditar linhas de comunicação e de suprimentos em rios e canais. Para cumprir as tarefas descritas, os MeCs precisam ter à sua disposição variados meios de infiltração. O submarino, tendo em vista sua inerente discrição e capacidade de ocultação, constitui-se num dos principais meios utilizados. A partir dele os mergulhadores podem deslocar-se até o objetivo, usando equipamentos de mergulho, seja de circuito aberto ou fechado (este não produz bolhas, evitando sua detecção por elementos na superfície). Versáteis caiaques, de lona e dobráveis, para dois lugares, ou botes pneumáticos infláveis também podem ser lançados de submarino, auxiliando o deslocamento dos MeCs até o objetivo. A capacidade paraquedista dos integrantes do GruMeC amplia sobremaneira as suas possibilidades de emprego, estando aptos a saltar tanto de aeronaves de asa fixa, com saltos semi-automático livres, com abertura do paraquedas a baixa altitude (HALO) ou a grande altitude (HAHO), quanto de helicópteros. Neste caso o chamado "helocast" (salto livre, sem paraquedas, sobre a água) é uma das técnicas mais empregadas. O helicóptero oferece várias outras opções para transporte e inserção dos MeCs, como pouso de assalto e descidas por "rappel" ou "fast rope". O dia-a-dia dos membros do GruMeC constitui-se numa incontável gama de atividades, que vão muito além do seu constante adestramento, participando de todas as operações anfíbias da Esquadra, no apoio de lançamentos de torpedos e mísseis, em operações ribeirinhas na Amazônia e no Pantanal, assim como exercícios de retomada de navios e plataformas de petróleo. Visando manter-se atualizado nas técnicas mais avançadas em uso a nível mundial, o Grupamento tem procurado realizar intercâmbios com os seus principais congêneres de outros países. Alguns dos armamentos usados pelos MeCs incluem o fuzil de assalto Colt M-4, de 5,56 mm, submetralhadoras Mini-Uzi, de 9 mm, pistolas automáticas Taurus PT 92 AF, de 9 mm, e metralhadoras FN Minimi, de 5,56 mm. Para enfrentar ameaças blindadas utilizam-se do lança-rojão descartável AT-4, de 84 mm, com munição tipo HEAT e alcance efetivo de 300 metros. Os atiradores de elite (snipers) usam o fuzil Parker-Hale M.85, de 7,62 mm, de excepcional precisão (100% de acerto no primeiro tiro, com distância de até 600 metros), equipado com uma luneta Schmidt & Bender 6 x 42, de origem alemã. Equipamentos específicos incluem caiaques Klepper Aerius utilizáveis em qualquer condição climática e podendo navegar em mar aberto, rios e regiões pantanosa; monóculo de visão noturna Mini N/Seas de fabricação israelense, à prova d'água até 20 metros; minas de casco de pequeno porte, utilizadas para sabotar navios ou submarinos ancorados, dentre outros. Os Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil, ainda que em pequeno número, estão altamente preparados para responder a quaisquer ameaças em território nacional, seja no mar, nos rios ou em regiões pantanosas, não medindo esforços para cumprir com êxito as missões que lhes são atribuídas, pois como diz seu lema: "A sorte sempre acompanha os audazes" ("Fortuna Audaces Sequitur").


Marinha do Brasil para o século XXI

Marinha do Brasil para o século XXI

O projeto da fragata FREMM  é um dos concorrentes ao Prosuper. 
Após a proclamação da Independência o país tomou posse dos navios remanescentes da frota portuguesa que se encontravam na Baía de Guanabara, com o intuito de manter as rotas para o transporte de nossas tropas e suprimentos, bloquear a chegada de reforços às tropas leais à antiga metrópole e interceptar as forças navais portuguesas que rumavam para o litoral brasileiro para tentar impedir a emancipação. Apesar das dificuldades materiais e de pessoal especializado para se estruturar a Armada, em 14 de novembro de 1822, partiu do Rio de Janeiro a primeira esquadra ostentando em seus mastros a bandeira do Império, dando início a trajetória marcante de nossa Marinha do Brasil. Desde sua criação foram inúmeras as participações em campanhas militares, da Guerra do Paraguai a Segunda Guerra Mundial, sempre demonstrando elevado espírito de corpo e profissionalismo. Atualmente sua missão reside em proteger o mar territorial brasileiro e suas riquezas, a chamada Amazônia Azul, estar de prontidão para defender os interesses nacionais e nossos cidadãos aonde for necessário, além de contribuir com as missões de paz da ONU sob responsabilidade do Brasil. Operacionalmente distribuída em nove Distritos Navais, a maioria contando com navios patrulha ou embarcações de serviço, a Marinha ainda concentra suas principais unidades como o porta-aviões São Paulo, as fragatas, as corvetas e a força de submarinos em bases navais no Rio, onde se encontram baseadas também a Divisão Anfíbia (Fuzileiros Navais) e boa parte das aeronaves da aviação naval. Nosso único navio-aeródromo passou recentemente por um período de manutenção e modernização, estando novamente na ativa. As fragatas da classe Niterói tiveram todos os seus sistemas e armamentos atualizados no projeto ModFrag, deixando-as plenamente preparadas para atuar em um cenário de guerra naval moderno. Os quatro submarinos da classe Tupi também iniciam um processo de revitalização que será efetuado de acordo com a retirada de serviço para o período de manutenção programado. A modernização das quatro corvetas da classe Inhaúma deverá estar concluída em 2012, assim como a revitalização das três fragatas remanescentes da classe Greenhalgh. Já se encontram operacionais dois navios patrulha da classe Macaé, com mais quatro embarcações em construção. Nossa Marinha conta ainda com diversos tipos de navios especializados para desembarque anfíbio, transporte de tropas, reabastecimento em alto mar, navios hospital, entre outros, imprescindíveis para o apoio logístico às unidades de combate (para conhecer todos os navios que compõem nossa Esquadra clique aqui). Porém todo este esforço visa apenas manter as atuais belonaves em condições de operar eficientemente por mais alguns anos já que muitas delas foram incorporadas há mais de vinte anos e logo chegarão ao fim de sua vida útil.
O submarino Scorpene comporá a futura frota de submergíveis de nossa Marinha.


Ciente da situação a Marinha elaborou um programa de reaparelhamento de longo prazo denominado Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil - PAEMB, com projetos que envolvem não só a aquisição de novos meios, mas também a criação de novas unidades distritais, melhor distribuição da Esquadra ao longo do litoral, aumento do efetivo e incremento da atuação na região amazônica, tudo em consonância com as diretrizes estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa (END), prevendo a aplicação de recursos da ordem de US$ 84 bilhões ao longo do período de 2011-2030 e após 2030. Apesar do constante contingenciamento de verbas do orçamento da Defesa alguns destes projetos já saíram do papel. O acordo assinado com a francesa DCNS em 2010, denominado PROSUB, prevê a construção de quatro unidades do submarino Scorpene e apoio para a construção do casco do primeiro submarino nuclear brasileiro (SNBR), incluindo a construção de um estaleiro e de uma nova base para a força de submarinos no litoral fluminense. A primeira unidade deverá ser entregue em 2015 e as demais entre 2017 e 2021, num contrato avaliado em 6,7 bilhões de euros, com transferência de tecnologia. Outras aquisições incluem a incorporação de 16 helicópteros EC-725 Super Cougar, sendo oito para múltiplo emprego e oito configurados para guerra anti-submarino/anti-superfície, a encomenda de seis helicópteros S-70 Sea Hawk, mísseis antinavio AGM-119B Penguin e torpedos Mk.48 mod.6 AT. A Marinha iniciou processo de solicitação de informações a diversos estaleiros internacionais para a construção com transferência de tecnologia de cinco navios escolta (fragatas) de 6.000 ton., cinco navios de patrulha oceânica (OPV) de 1.800 ton. e um navio de apoio logístico de 30.000 ton., no denominado PROSUPER (Programa de Obtenção de Meios de Superfície), que a longo prazo prevê a construção de mais unidades para a substituição de navios retirados do serviço ativo e aumento da capacidade operativa e dissuasiva de nossa Armada. No âmbito do PAEMB foram realizados estudos sobre a necessidades estratégicas de meios flutuantes, aéreos e de Fuzileiros Navais até 2050, com expectativa de contar com cerca de 282 embarcações, 288 aeronaves e 80.000 efetivos.


Primeiro helicóptero EC-725 entregue à Marinha ao lado do míssil AM-39 Exocet.
 Para se ter uma idéia da grandiosidade do programa, seriam 15 submarinos convencionais, 6 submarinos de propulsão nuclear, 2 navios-aeródromo, 30 navios de escolta, 5 navios de apoio logístico, 15 navios patrulha OPV, 46 navios patrulha de 500 ton., além de cerca de 100 embarcações de diversos tipos; 48 caças de interceptação e ataque, 8 aeronaves de alarme aéreo antecipado (AEW), 50 helicópteros de múltiplo emprego, 120 helicópteros de emprego geral; 78 carros lagarta anfíbios (CLAnf), 140 blindados sobre rodas para transporte de tropas e 48 embarcações de desembarque para os Fuzileiros Navais; aquisição e modernização de uma infinidade de mísseis, torpedos e munições de diversos calibres; a criação de uma 2ª Esquadra e de uma 2ª Divisão Anfíbia na região norte do país; e o desenvolvimento de um sistema de monitoramento, comando e controle denominado SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul), com sensores fixos e móveis instalados em toda a plataforma continental, seguindo o modelo do SIVAM. A amplitude do programa da Marinha é tal que o espaço aqui seria pequeno para detalhá-lo (para conhecer todos os projetos em andamento clique aqui). Mas apesar de sua importância para a defesa nacional num século de incertezas, nos preocupa a inexistência de um orçamento impositivo que garanta a disponibilização constante de recursos financeiros ao longo do período de implantação do PAEMB, pois sem estes será impossível contratar qualquer construção de navios ou aquisição de aeronaves, já que são bens que demandam entre quatro e seis anos para estarem plenamente operacionais. Num orçamento que mal permite a manutenção do material existente, com uma verba anual mínima para investimentos, é um exercício de futurologia imaginar a realização completa de todos os programas ora propostos. Vide os problemas enfrentados pela FAB em um único programa, o Projeto F-X, que depois de dez anos ainda não tem previsão para ser finalizado. Temo pela falta de visão de nossos governantes. Defesa não é uma política do dirigente A ou do dirigente B. É uma política de Estado, da Nação brasileira. A Marinha do Brasil não está sonhando alto, simplesmente pretende antever as necessidades futuras, delineando uma Armada compatível com o porte do país que pretendemos ter dentro de vinte ou trinta anos. Mas se o governo federal continuar pensando pequeno, continuaremos a ter uma Marinha lutando contra suas próprias limitações, que não guardará nenhuma relação com seu passado de glória, nem com o Poder Naval de respeito que poderia ter no futuro.

SIVAM - Serviço de Vigilância da Amazônia

FORÇA AÉREA BRASILEIRA
SIVAM - Serviço de Vigilância da Amazônia

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CINDACTA IV

Com o fim da instalção do Sistema de Vigilância da Amazônia, foi ativado o CINDACTA IV. No entanto, é correto admitir que o Cindacta IV faz parte de um sistema maior, conhecido como Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM).

O SIPAM/SIVAM é um sistema gigantesco, concebido pela Comissão de Assuntos Estratégicos (já extinta), que abrange áreas que vão desde o monitoramento de queimadas à qualidade das águas da Região Amazônica, tendo imensas aplicações civis e militares. O controle do Tráfego Aéreo e a Defesa Aérea da região são apenas uma parte do SIPAM/SIVAM.

Existem duas grandes “áreas” do SIVAM. Elas são conhecidas, extra-oficialmente, como a parte “azul” e “verde” do Sistema. A parte azul é subordinada ao Ministério da Defesa, e tem responsabilidades tais como a vigilância das fronteiras, o Controle e Defesa do Espaço Aéreo e Fluvial da região e apoio a unidades militares.

A parte verde é subordinada à Casa Civil da Presidência da República e tem aplicações focadas em um contexto civil. Informações meteorológicas, comunicações com pequenas unidades do IBAMA, FUNAI e apoio à Polícia Federal. Ajuda em caso de calamidades, como queimadas e apoio a prefeituras em situações de emergência.

Na parte verde, o Sistema de Vigilância da Amazônia está estruturado em três níveis de rede de informações, chamados de Rede Primária, Secundária e Terciária. O Órgão central de todo o Sistema é o Centro de Coordenação Geral (CCG), localizado em Brasília. O CCG aglutina toda a informação obtida pelo SIVAM. Essas informações são obtidas através de três Centros Regionais de Vigilância (CRV), que estão sediados nas cidades de Manaus-AM, Porto Velho-RO e Belém-PA. Cada CRV cobre uma área imensa da Amazônia e coleta informações, transmitindo-as para os demais CRVs e para o CCG em Brasília. O conjunto de CRV e o CCG formam a Rede de Informação Primária, que possuiu a visão macro da situação. Recentemente os CRVs tiveram uma mudança de nomenclatura, e cada um deles é conhecido hoje como Centro Técnico-Operacional (CTO). Ou seja, os três CRVs se transformaram em 3 CTOs.

Cada CTO receberá informações de dois tipos de fontes distintas. Unidades mais bem estruturadas, com recepção de satélites, radares meteorológicos, radares de busca, etc, que coletam informações e as repassam para o seu respectivo CTO. Essas unidades mais bem estruturadas são inseridas na chamada Rede de Informação Secundária. Unidades menos estruturadas e sem grandes recursos (por exemplo, sedes de prefeituras, pessoal do IBAMA, Funai...) são chamados de Órgãos Usuários e fazem parte da Rede de Informação Terciária. Os meios inseridos nas Redes Secundária e Terciária são denominados no SIVAM de Órgãos Remotos, sendo sua função básica passar informações aos CTOs e receber novas. O Sistema garante que qualquer um que esteja na Rede Terciária possa se comunicar com a Secundária e, por intermédio desta, entrar em contato com a primária, que tem um panorama geral.
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Os CTOs são estruturados, por sua vez, em três subcentros. Esses Subcentros têm como objetivos organizar e operar de maneira adequada cada centro. Os três subcentros são:


Subcentro de Coordenação (SCC): Ele coordena as ações regionais de cada CTO, tendo como objetivo, de fato, a coleta e o uso das informações recebidas pelos centros. Seria a parte operacional do mesmo, realizando desde a vigilância metereológica ao planejamento e controle de operações em sua área de Jurisdição.

Subcentro Administrativo (SCA): Realiza atividades administrativas de cada Centro.

Subcentro Técnico (SCT): Cuida dos recursos técnicos de cada Centro.


Na parte azul do Sistema, temos como um dos órgãos mais importantes o Centro de Vigilância Aérea (CVA), sediado em Manaus-AM, logo ao lado do CTO-AM. O CVA é o próprio CINDACTA IV. É ele que coordena o tráfego aéreo e a defesa a érea em sua área de jurisdição. Como mostrado na figura acima, existem dezenas de traços amarelos de várias partes do Sistema se dirigindo a Manaus. Essa seria a ligação dos radares, repassando informações ao CVA.

No CINDACTA IV, a parte voltada para o tráfego aéreo e outra para a defesa aérea estão no mesmo prédio, mas em salas diferentes. Hoje, apenas a sala responsável pelo Tráfego Aéreo está completamente operacional. A sala da Defesa Aérea irá operar de maneira completa em 2006. Ao fim disso, toda a movimentação aérea na Região Norte será comandada a partir de Manaus, no CINDACTA IV, assim como ocorre em outras regiões do país com os outros CINDACTAS.

Todos os materiais destinados ao SIPAM/SIVAM estão organizados em 5 diferentes subsistemas (de Aquisição de Dados, Tratamento e Visualização de Dados, Telecomunicações, Suporte de Transmissão, e, por fim, de Auxílio à Navegação Aérea).

Dada as dimensões da região, o SIPAM/SIVAM é algo sem paralelo no Brasil, sendo mais abrangente inclusive que a bem sucedida experiência com os CINDACTAs nas décadas de 70, 80 e início de 90. A tabela abaixo mostra a lista de equipamentos utilizados pelo SIVAM:
SENSORES
05 Radares Primários LP-23
07 Radares Primários ASR-23 SS bidimensionais de longo alcance
07 radares Secundários Condor Mk 2 mono-pulso
06 Radares Móveis TPS-B34 Primário/Secundário 3D
05 AEW&C Embraer EMB 145 (R-99A)
03 aeronaves Embraer EMB 145 de sensoriamento remoto (R-99B)
10 Radares Metereológicos EEC-Gamic
295 outros sensores: Clima (81), Relâmpagos (14) e Hidrológicos (200)
5 Receptores (Estações) de Imagem Satélite
04 sistemas ILS
03 (Estações) HF DFS de navegação
99 Aviões ALX mono e bipostos
TELECOMUNICAÇÕES
424 Terminais leves de recepção de Satélites (VSAT)
26 Terminais de dados Satélite
5 Estações de comunicação Hubs SATCOM
32 Estações de rádio Terra-Ar (224 Rádios)
21 Estações de retransmissão de comunicações
1.028 Terminais de Acesso de Dados
PROCESSAMENTO DE DADOS
03 Centros de Coordenação Regionais localizados em Manaus, Porto Velho e Belém
01 Centro ATC 'en-route', na cidade de Brasília
01 Centro de Coordenação Geral, na cidade de Brasília
TESTE E CERTIFICAÇÃO
04 Aviões de inspeção de Vôo Hawker 800XP
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O SIVAM dividiu a Amazônia em três grandes áreas sem fronteiras perfeitamente definidas: Manaus, Belém e Porto Velho. Cada área corresponderá a um Centro Regional de Vigilância (CRV), localizado em cada uma destas capitais. Esses CRV terão o seu trabalho coordenado pelo Centro de Coordenação Geral (CCG), em Brasília. Em resumo, o SIVAM vai contar com um CCG (Brasília), três CRV (Manaus, Porto Velho e Belém) e diversos Órgãos Remotos e sensores espalhados por toda a Região Amazônica, os quais terão os seus dados agrupados e processados nos CRV. O sistema terá uma rede primária de informações, que ligará os CRV e o CCG entre eles; uma rede secundária, compreendendo estações que usarão radares (unidades maiores que possuem estações satélites, sistema de telecomunicações, radar metereológico, etc) e a rede terciária, abrangendo as estações menores (em áreas remotas, onde haverá, por exemplo, pessoal do Ibama, da Funai e Pelotões de Fronteira do Exército). Quem estiver em áreas remotas poderá se ligar à rede terciária e, por intermédio da secundária, entrar na rede primária e ter acesso a todas as informações que necessitar do SIVAM. Em resumo, quando o SIVAM estiver pronto, o usuário que estiver em Palmeira do Javari conseguirá trocar informações com quem estiver lá em Cucuí, por exemplo.

Com o projeto Sipam, a tecnologia está invadindo a selva. Computadores, telefones, fax e e-mail por satélite, plataformas de coleta de dados meteorológicos e ambientais, radares meteorológicos e de vigilância, sofisticadas antenas parabólicas e outros equipamentos de primeira geração estão sendo instalados em locais afastados e comunidades isoladas de toda a Amazônia Legal brasileira, que abrange nove Estados e uma área de 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Trata-se do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a versão civil do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Esses equipamentos permitirão a coleta de um conjunto variado de informações sobre a Amazônia como nunca se teve antes. São dados que vão desde a biodiversidade, o clima e a situação dos rios da região até o mapeamento preciso de áreas desmatadas e queimadas. Também poderão ser obtidas informações sobre ocupação e uso do solo, garimpos ilegais e focos de epidemias. Todo esse conhecimento será armazenado num banco de dados do Sipam e repartido com órgãos do governo com interesses na Amazônia.

O que é o Sistema de Proteção da Amazônia

O Sistema de Proteção da Amazônia - Sipam - foi criado para integrar informações e gerar conhecimentos atualizados para articulação, planejamento e coordenação de ações globais de Governo na Amazônia Legal Brasileira, visando a proteção, a inclusão social e o desenvolvimentro sustentável da região. Para tanto, o sistema utiliza dados gerados por uma complexa infraestrutura tecnológica, composta por subsistemas integrados de sensoriamento remoto, radares, estações meteorológicas e plataformas de coletas de dados, instalada na região. Graças a esse aparato, o Sistema de Proteção da Amazônia é capaz de promover o completo monitoramento da região e produzir informações em tempo próximo do real.

Para que serve o sistema

A partir da integração das informações e da geração do conhecimento atualizado pelo Sistema de Proteção da Proteção da Amazônia, cada órgão parceiro pode planejar com segurança sua atuação em campo, contando com o apoio do SIPAM também na monitoração e controle de operações.

A rede de telecomunicações viabiliza aos órgãos parceiros a veiculação das informações, que podem ser via via telefone, fax ou intranet, com todos os seus postos e escritórios, agilizando e acompanhando a execução de ações.

As prefeituras mais isoladas, por exemplo, podem, por meio do Terminal Usuário, ter facilitada a execução de programas de governo nas diversas áreas, como saúde, educação, meio ambiente, cadastramento e implantação de programas sociais.

A partir de um Terminal Usuário localizado em qualquer ponto da Amazônia, qualquer usuário pode comunicar-se diretamente com o Serviço de Atendimento ao Usuário do SIPAM. Esse serviço recebe e atende às solicitações, encaminha sugestões, críticas e denúncias que venham dos órgãos parceiros ou do cidadão comum.

Quem pode utilizar

O Sistema de Proteção da Amazônia coloca seus serviços e infraestrutura à disposição de todas as organizações que atuam na região e também de qualquer cidadão que dela precise fazer uso.

Objetivos

- Apoiar e contribuir com os órgãos parceiros, os estados e municípios da Amazônia Legal: no controle dos desmatamentos; no combate à biopirataria; na proteção dos parques nacionais; no combate ao narcotráfico; no monitoramento da ocupação e uso do solo; na proteção das reservas indígenas; na defesa das áreas de fronteira; na proteção dos recursos minerais estratégicos; na implantação e implementação de programas de saúde, educação e inclusão social para as populações amazônicas;

- Observar e divulgar as condições meteorológicas;

- Auxiliar o trabalho da Defesa Civil;

- Facilitar as comunicações em áreas remotas;

- Apoiar as atividades de pesquisa na região.

- Disponibilizar à população brasileira informações atualizadas sobre a região Amazônica;

- Promover o intercâmbio entre instituições governamentais e não-governamentais, atuantes na Amazônia Legal brasileira, mediante coleta e troca de informaçoes, conhecimento e infraestrutura, contribuindo para o cumprimento das políticas públicas na região;

- Apoiar a integração dos países da Bacia Amazônica, possibilitando a formação de um cinturão de defesa ambiental da América do Sul.

Como ele funciona

Além de ser alimentado permanentemente pelos dados gerados por sensores, o SIPAM atualiza seu banco de dados de forma integrada com os órgãos parceiros, que ao mesmo tempo em que têm acesso às informações necessárias, atuam orientando e auditando, para a efetividade das ações e o enriquecimento do processo.

Essa transversalidade é o principal diferencial do Sistema de Proteção da Amazônia e faz dele um moderno e inovador sistema de coleta, armazenamento e tratamento de dados, que permite o funcionamento articulado e integrado das diversas instituições governamentais, em todas suas instâncias: federal, estadual e municipal.

A coleta, visualização, tratamento dos dados e o planejamento das ações são processados nos Centros Técnicos e Operacionais do SIPAM, localizados em Belém, Manaus e Porto Velho e são sintetizados no Centro de Coordenação Geral, em Brasília.

Para a difusão das informações, o SIPAM conta com uma rede de telecomunicações que tem instalados mais de setecentos (700) Terminais Usuários em operação nos nove estados da Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e também na capital federal, Brasília.

Os Terminais Usuários estão instalados em unidades de instituições parceiras de maior capilaridade na região, possibilitando a comunicação entre os escritórios das instituições com seus postos nos locais remotos, como reservas indígenas, parques nacionais, áreas de fronteira. Prefeituras dos municípios da Amazônia Legal também integram-se à rede de telecomunicações do SIPAM, facilitando a comunicação com as comunidades mais isoladas, com os Estados e os órgãos federais parceiros do sistema.

Principais Funções

Análise Ambiental

Objetivo:

Gerar informações sobre a cobertura vegetal, a hidrologia, os ecossistemas, o uso e a ocupação dos espaços. Desenvolver e implementar mecanismos para monitoramento e avaliação das transformações ambientais , resultantes de ações naturais e antrópicas na região.

O que faz:

Análise, interpretação e modelagem de informações para: Controle e monitoramento ambiental - alteração da cobertura vegetal, risco ambiental, risco à saúde. Produção de subsídios ao ordenamento territorial - padrões de uso e ocupação do território e cenário sócioambiental.

Produtos Gerados:

Alertas de desmatamentos, focos de calor, enchentes, poluição, endemias e epidemias.

Para quem:

Órgãos Federais, estaduais, municipais e não governamentais, com atuação nas áreas de planejamento, meio ambiente, saúde e segurança pública.

Monitoramento Territorial

Objetivo:

Identificar e monitorar atividades e movimentos irregulares na região.

O que faz:

Monitora os movimentos aéreos, terrestres e fluviais relacionados com atividades ilícitas.

Identifica e localiza plantações ilegais, assentamentos e campos de pousos irregulares, áreas de mineração ilegal e outros.

Compõe cenários sobre a evolução das atividades

Produtos Gerados:

Análise de movimentos suspeitos, cartogramas com campos de pouso irregulares, cartogramas de área de exploração de mineração ilegal , cartogramas com polígonos de desmatamento, relatórios situacionais.

Para quem:

Órgãos federais, estaduais, municipais e distrital, com atuação nas áreas de segurança pública, fiscalização e intervenção

Meteorologia e Climatologia

Objetivo:

Climatologia tropical e monitoramento meteorológico

O que faz:

Previsões meteorológicas, alertas de perigo e estudos climatológicos.

Produtos Gerados:

Mensagens de alerta, mapa de umidade relativa, mapas de precipitações. Mapa de velocidade e direção dos ventos, previsões meteorológicas diárias e especiais, modelos numéricos de previsão do tempo, carta meteorológica, mapas de detecção de raios, carta de risco à navegação, mapa de monitoramento da camada de ozônio.

Para quem:

Órgãos federais, estaduais, municipais, meios de comunicação social e comunidades em geral.

Planejamento e Controle de Operações

Objetivo:

Apoiar o planejamento de operações seja na atuação isolada ou conjunta de órgãos federais, estaduais, municipais e não governamentais, em atividades de campo.

O que faz:

Disponibiliza infraestrutura e logística para o planejamento e controle de operações, incluindo equipamentos de radiodeterminação.

Produtos Gerados:

Análise de cenários, análise de riscos, avaliação de recursos, plano de rotas, plano de comunicações, plano de missões aéreas, plano de operações e relatórios de missão.

Para quem:

Órgãos federais, estaduais municipais e não governamentais em atividades de pesquisa, desenvolvimento, assistência, repressão a ilícitos, fiscalização e intervenção em campo.

Processamento de Imagens

Objetivo:

Processar, no solo, os dados coletados pelos sensores orbitais e aeroembarcados e gerar metodologias aplicadas à produtos SAR (Radar de Abertura Sintética).

O que faz:

Ingestão e processamento de dados SAR, MSS (Scanner multi-espectral), OIS (Subsistema optico e infra-vermelho. Avalia a integridade dos dados. Processa as correções geométricas, atmosféricas e radiométricas.

Produtos Gerados:

Imagens SAR, fitas de vídeo infra-vermelho, mosaicos, modelos numéricos de elevação.

Para quem:

Órgãos federais, estaduais, municipais e não governamentais que fazem uso do sensoriamento remoto para desempenho de suas atividades.

Sistematização de Informações

Objetivo:

Disponibilizar os produtos e serviços gerados pelo sistema de forma continuada, proporcionando suporte informacional às atividades técnico-científicas, utilizando a rede de telecomunicações para veiculação do conteúdo.

O que faz:

Gestão de dados e informações gerais; padronização de apresentação dos produtos e validação de consistência dos dados externos; acompanhamento e avaliação do plano de povoamento da base de dados do sistema. Estabelece fluxo de informações em tempo próximo do real para o fornecimento de dados catalogados para órgãos de interesse.

Produtos gerados:

Alertas automáticos do sistema, estudos, mapas, estatísticas catalogadas no banco de dados.

Para quem:

Órgãos federais, estaduais, municipais e distrital além da sociedade em geral.

Análise Social

Objetivo:

Estudo da dimensão humana por meio da integração de informações sócioeconômicas, com vistas a subsidiar as políticas públicas nas diversas esferas de governo.

O que faz:

Análises demográficas, econômicas, das condições de saúde, da infraestrutura domiciliar e educacional, das políticas públicas, da dinâmica sócioespacial e dos aspectos culturais.

Produtos gerados:

Informações sobre a dinâmica populacional e os rebatimentos socioambientais decorrentes das transformações, dados para o acompanhamento do desenvolvimento econômico, dos índices de ocorrência das doenças endêmicas e a infraestrutura de saúde visando avaliar as condições de vida da população e a capacidade de suporte frente às demandas.

Para quem:

Órgãos parceiros, pesquisadores, Centros Estaduais de Usuários.

Atendimento ao Usuário

Os mais de setecentos Terminais Usuários instalados na região Amazônica e Brasília, são a ponta do Sistema de Proteção da Amazônia, por onde as informações são veiculadas. Essa rede de telecomunicações é composta por Terminais Remotos interligados aos Centros do SIPAM, via satélite e Terminais Urbanos, localizados nas cidades onde estão as sedes das prefeituras e dos órgãos parceiros.

Objetivo:

Integrar os usuários do Sistema de Proteção da Amazônia por meio da rede de telecomunicações; atender às solicitações de produtos, serviços e informações; encaminhar sugestões, críticas e denúncias para processamento. Prover acesso à base de dados do SIPAM.

O que faz:

Atendimento aos Terminais de Usuários Gerenciamento dos Subcentros de Usuários

Centro de Apoio Logístico

Objetivo:

Garantir a operacionalidade ininterrupta do Sistema de Proteção da Amazônia

O que faz:

Implantação e gestão da engenharia e manutenção dos sistemas técnico operacionais. Operação de suprimento e transporte. Gestão de documentos técnico-operacionais. Integração da operação logística das instituições/organizações que operam na Amazônia Legal.

Produtos gerados:

Centro de documentação Suprimento de equipamentos para todo o sistema.

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O PRIMEIRO RADAR TRANSPORTÁVEL DO SIVAM É INSTALADO EM SINOP (MT)


Rio de Janeiro 12 março 2001 - Uma aeronave C-130 da FAB fará três vôos nos próximos dias 14, 15 e 16 de março (de Manaus à Sinop). A aeronave trará a bordo 60 toneladas de equipamentos do primeiro radar transportável 3D (tridimensional/tático) a ser integrado à rede do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).

O radar começará a ser instalado no dia 16 de março na Unidade de Vigilância Transportável (UVT) do Sivam implantado em Sinop (MT). Tecnologicamente é considerado o radar mais moderno da atualidade. Faz detecção a baixas e grandes altitudes e possibilita seu deslocamento para qualquer outro local, caso haja necessidade. Totalmente automatizado, é composto de antenas, shelter (contêiner) de controle, central de ar condicionado e dois grupos próprios de geradores de energia elétrica. Estes radares são completamente autônomos e podem operar até por 24 horas sem nenhuma assistência e ou infra-estrutura de apoio, como energia, água e ar condicionado.

Na operação estão envolvidos 20 técnicos da CCSIVAM (Comissão para Coordenação do Sivam), da Raytheon e da Fundação Atech (empresas responsáveis pela instalação dos radares).

Em 26 de março será iniciado um curso específico, incluindo operações experimentais, para os 12 operadores deste primeiro radar transportável. No escopo do Projeto Sivam, serão implantadas seis UVT em toda a Amazônia Legal. No sítio de Sinop, além do radar de vigilância transportável, estão sendo instalados o NOA (Núcleo Operacional de Apoio), a EMS (Estação Meteorológica de Superfície) e a KF (Casa de Força).

Como um dos órgãos remotos do Sivam, a UVT é projetada para dispor de infra-estrutura mínima necessária à operação dos sistemas de radares transportáveis, que complementam os recursos de detecção e telecomunicações na região.

Dentre os diversos equipamentos que serão utilizados pelo Sivam, os radares merecem destaque, porque suprirão uma lacuna importante para a vigilância do tráfego aéreo, que hoje é controlado com base, apenas, em procedimentos de comunicações entre as aeronaves e os controladores, com deficiência ainda na Amazônia.

Ocupando uma área de 1.672m² a UVT de Sinop começou a ser construída em agosto de 1999 e, durante a obra, foram gerados cerca de 150 empregos diretos e indiretos.



Anexo foto do radar móvel que será transportado para SINOP

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MANUEL ALVES FILHO

Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que acaba de completar um ano de operação, representa um novo paradigma de segurança e defesa para o Brasil. A conclusão é do professor Humberto José Lourenção, autor da dis-sertação de mestrado ?ADefesa Nacional e a Amazônia: O Sistema de Vigilância da Amazônia, defendida em julho junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. De acordo com o estudo, o projeto foi concebido para assegurar a soberania brasileira na Amazônia não apenas por meio de ações estratégicas e militares, como se fazia convencionalmente até então, mas também pela implantação de um sistema capaz de gerar informações que favoreçam a formulação de políticas públicas voltadas ao crescimento econômico, desenvolvimento social e preservação ambiental.

Para Lourenção, o Sivam é conseqüência de um novo enfoque acerca da salvaguarda da soberania nacional, que veio substituir a doutrina de segurança nacional dos anos de 1960 e 1970. O projeto, afirma o pesquisador, parece ser fruto de uma percepção governamental bastante clara dos problemas amazônicos, tendo por base as experiências anteriores que não obtiveram sucesso. O que se viu, no passado, foi uma desarticulação muito grande entre os organismos que atuavam na região, o que se refletiu diretamente nos programas levados a cabo. Foram desperdiçados muito tempo, energia e recursos, analisa.

A proposta do Sivam, explica o autor da dissertação, é construir instrumentos que forneçam informações detalhadas e integradas sobre os vários aspectos da realidade amazônica, para que esses dados subsidiem ações de defesa, de combate a atos ilícitos e de políticas públicas mais eficazes. Na opinião de Lourenção, o sistema contempla, ainda, direta ou indiretamente, as demandas de ordem ecológica, econômica, política, antropológica e social, surgidas no contexto internacional no período posterior à guerra fria. Segundo ele, mesmo antes do advento do projeto, já havia o entendimento por parte das Forças Armadas de que a defesa da Amazônia precisava ir além da simples presença militar na região.

Era necessário que o Brasil demonstrasse, de forma inequívoca, competência e responsabilidade para com o desenvolvimento amazônico. De acordo com essa visão, por intermédio de uma ocupação ética e racional, o País estaria respondendo às críticas externas, sem se render ao preservacionismo absoluto. Ou seja, a integração da região, por meio de ações planejadas, constituiria a melhor estratégia de defesa.

A proposta do Sivam vem ao encontro dessa nova mentalidade. É, de fato, um novo paradigma no que diz respeito à segurança e defesa da Amazônia, sustenta Lourenção.

Estrutura.

O Sivam custará ao Brasil, até o final da sua implantação, em 2004, US$ 1,395 bilhão. Deste total, US$ 1,285 bilhão destina-se a equipamentos e serviços e US$ 110 milhões a obras civis. A maior parte desses recursos foi financiada pelo Eximbank, banco de fomento dos Estados Unidos. O empréstimo sera pago num prazo de 10 anos, com juros de 8,5% ao ano. Segundo Lourenção, compõem o sistema diversos equipamentos de vigilância, como radares primários e secundários. Eles promovem o controle do tráfego aéreo na região, identificando, respectivamente, os aviões que querem e os que não querem ser localizados. São aparelhos fixos, transportáveis e aerotransportáveis.

Conta, ainda, com sensores de vigilância ambiental, capazes de analisar a qualidade da água e do ar, bem como com três aviões de sensoriamento remoto. Por meio da refração da luz, essas aeronaves têm a capacidade de identificar, a uma distância de até 300 quilômetros e com o tempo nublado, se uma determinada área está sendo usada para o cultivo de maconha ou de qualquer outra cultura. Os aparelhos também ajudam a descobrir, por exemplo, a ação de madeireiras clandestinas.

Esses dados, somados a outros que o Sivam já está gerando e ainda vai gerar, permitirão que o governo brasileiro trace o zoneamento econômico da região, afirma o autor da dissertação.

Um esquadrão formado por 99 aviões ALX, que ainda estão em fase de aquisição, também faz parte do Sivam. Armados com canhões e metralhadoras, eles farão o patrulhamento da Amazônia. Uma medida adicional em favor da defesa da região é a chamada Lei do Abate, que está em tramitação no Congresso. Ela estabelecerá um conjunto de critérios que permita a derrubada de uma eventual aeronave inimiga ou a serviço do narcotráfico. Atualmente, o máximo que a Força Aérea pode fazer é abordar o aparelho e pedir para que o piloto pouse. Se ele não atende à solicitação e deixa o espaço aéreo brasileiro, o avião não tem como ser interceptado.


Riscos

A adoção por parte do governo brasileiro de um sistema de defesa da Amazônia, nos moldes ou não do Sivam, era de fato necessário, na avaliação de Lourenção. Ele destaca que, embora não haja qualquer indicativo de que a região corra o efetivo risco de uma invasão por forças estrangeiras, a medida tem um indiscutível poder dissuasório.

O pesquisador esclarece que, no contexto amazônico, um controle do território teria que se dar pelo domínio dos núcleos populacionais e de suas vias de acesso, uma vez que a mobilização e articulação das forças só seria viável através dos rios ou pelo ar, fator que restringe a logística

Levando em consideração as características inóspitas do terreno, de dimensões continentais, e as condições climáticas e sanitárias desfavoráveis, a Amazônia seria um típico cenário de guerra prolongada, demandando recursos de tal magnitude que mesmo uma grande potência não teria certeza de alcançar resultados compensadores, diz o autor da dissertação. Em outras palavras, atualmente apenas uma nação teria condições de patrocinar uma intervenção unilateral dessa natureza na Amazônia: os Estados Unidos. Ainda assim, essa ação só teria sentido se algum interesse vital norte-americano fosse violado, o que asseguraria o indispensável apoio da opinião pública local e internacional.

Depois da experiência negativa da Guerra do Vietnã, qualquer envolvimento militar norte-americano numa Guerra prolongada só se viabilizaria nessas condições. Numa ótica realista, não há qualquer indício de que isso possa ocorrer, acrescenta.

Polêmicas cercaram implantação do projeto de grandes unidades.

As discussões em torno da implantação do Sivam remontam ao início da década de 1990, ainda por ocasião do governo Fernando Collor de Mello. O presidente deu, então, o aval para que um grupo de pesquisa da Aeronáutica iniciasse os estudos para a concepção de um sistema de vigilância e defesa da Amazônia. Dois anos depois, o projeto foi anunciado oficialmente durante a Eco-92, realizado no Rio de Janeiro.

Em 1994, o processo de licitação já estava aberto. O governo brasileiro encaminhou cópias do edital a 16 embaixadas no País, para verificar quem estava interessado em fornecer o aparato tecnológico. Na prática, conforme Humberto José Lourenção, foi um projeto concebido em gabinete pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE-PR). Não contou para a sua formulação, portanto, com contribuições vindas da sociedade civil, dos meios políticos e da comunidade científica.

Isso, todavia, não o tornou menos legítimo em relação aos seus objetivos, avalia o pesquisador. À época, porém, o Sivam gerou intensa polêmica. Durante a sua votação no Congresso, parlamentares levantaram suspeitas sobre a ocorrência de corrupção durante o processo de escolha do fornecedor dos equipamentos. O Sivam também foi revestido de conflito político e de significativa polêmica com o Legislativo por ter sido tratado administrativamente como projeto estratégico, com dispensa de licitação amparada na legislação que regulamenta os programas sigilosos.

As críticas mais ácidas partiram da comunidade científica e acadêmica brasileira, formuladas principalmente pelo físico e professor emérito da Unicamp, Rogério César Cerqueira Leite. O especialista apontou para o risco de vulnerabilidade do sistema. De acordo com ele, informações sigilosas e estratégicas poderiam vazar, dado que o governo brasileiro decidira comprar uma tecnologia estrangeira, da qual não teria pleno domínio. Cerqueira Leite também não poupou as autoridades por terem desconsiderado a opinião dos cientistas brasileiros.

Ao final do processo de licitação, o vencedor foi o grupo Raytheon, dos Estados Unidos. Em 25 de julho de 1997, o contrato do Sivam entrou efetivamente em vigor. Exatamente cinco anos depois, em 25 de julho de 2002, o projeto iniciou a operação. Segundo Lourenção, embora a sociedade e a comunidade científica não tenham tido a oportunidade de contribuir para a concepção do sistema, essa participação pode se dar a partir de agora. A maioria dos dados gerados pelo Sivam, afirma, será colocada à disposição de entidades e pesquisadores, a partir do devido cadastro. Uma vez implantado, ressalta o pesquisador, o Sivam admite e requer ampla e intense participação da ciência brasileira, o que se daria por meio do desenvolvimento de seu órgão gestor, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

A dissertação de Lourenção, que é professor de Ciências Sociais da Academia da Força Aérea em Pirassununga, foi orientada pelo professor Eliézer Rizzo de Oliveira.


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UNIDADES SUBORDINADAS AO SIVAM:
2º/6º GAv - 2º Esquadrão do 6º Grupo de Aviação
Esquadrão Guardião
Base Aérea de Anápolis, GO
Alerta Aéreo Antecipado e Sensoriamento Remoto
1º/3º GAv - 1º Esquadrão do 3º Grupo de Aviação
Reconhecimento, Interceptação e Ataque
2º/3º GAv - 2º Esquadrão do 3º Grupo de Aviação
Esquadrão Grifo
Base Aérea de Porto Velho, RO
Reconhecimento, Interceptação e Ataque