domingo, 29 de dezembro de 2013

EE-T1 Osorio

Engesa  EE-T1 Osorio
Criador: Engesa
Data de criação: 1982-1986
Fabricante: Engesa
Quantidade produzida: 2 prototipos
Variantes: EE-T1 Osorio, EE-T2 Osorio
Comprimento: 10,1 m.
Largura: 3,20 m
Altura: 2,37 m.
Peso: 42 toneladas
Motor: Um motor MWM TBD-234 V 12 com 1040 Hp movido a diesel.
Transmissão: ZF LSG 3000
Peso/potência: 26 kW/ton
Suspensão: hidropneumatica
Inclinação frontal: 60º
Inclinação lateral: 40º
Passagem de vau: 1,2 m
Obstáculo vertical: 1,15 m
Velocidade máxima: 70 Km/h.
Alcance máximo: 550 km.
Tripulação: 4 (comandante, motorista, atirador, auxiliar do atirador)
Blindagem do veículo: Placas duplas de materiais compostos, como fibra de carbono, alumínio/aço e cerâmica.
Armamento:
1 Canhão GIAT de 120 mm e alma lisa.
1 metralhadora 7,62 mm coaxial.
1 metralhadora M-2 de 12,7 mm anti-aérea.
12 lançadores de fumaça de 66 mm.
Munição:
40 unidades de 120mm
45 unidade de 105 mm
3000  unidade de calibre 7,62
500  unidade de calibre 12,7 mm.
Armamento
120mm CN-120/52
Fabricante da arma: Giat Industries / NEXTER
Função principal: Anti-tanque
Calibre: 120mm
Cadência de tiro: 12 disparos p/min (max)
Alcance eficaz: de 6500 a 6500m

105mm L-7
Fabricante da arma: Royal Ordnance Factories
Função principal: Anti-tanque
Calibre: 105mm
Cadência de tiro: 10 disparos p/min (max)
Alcance eficaz: de 4400 a 4400m
Peso da munição: 20000gr
Peso da arma: 1282Kg
Velocidade do projectil: 1450 metros/s (max)  

12.7mm Browning M2
Função principal: Defesa de ponto
Calibre: 12.7mm
Cadência de tiro: 500 disparos p/min.
Alcance à superficie: 1.5Km
Alcance Anti aéreo: 1.5Km
Elevação máxima: 80º
Peso do sistema: 45Kg
Nr. de canhões: 1
Tripulação: 1

O EE-T1 Osório é um carro de combate pesado desenvolvido nos anos 80 pela empresa brasileira Engesa. Projetado para competir com outro protótipo recém construído pela Bernadini o Tamoyo (carro de combate) o qual superava em tudo.

Só que com duas diferenças o Tamoyo foi projetado para operar na selva brasileira e feito especialmente para as condições operacionais e financeiras do Exercito Brasileiro enquanto o Osório foi projetado para ser o Primeiro MBT Legitimo brasileiro.

Logo depois participou de uma concorrência para equipar as Forças Armadas da Arábia Saudita, a opção pelo M1 Abrams inviabilizou sua produção. Apenas protótipos foram construídos.

Fabricação

Nos anos 80 o exército da Arábia Saudita começara a estudar propostas para um novo carro de combate, a fim de complementar seu arsenal, e no futuro substituir os carros AMX-30, franceses. Como o equilíbrio de forças no Oriente Médio sempre foi muito delicado, os exércitos daqueles países tendem a ser naturalmente militarmente significativos. No caso da Arábia Saudita, favorecida pelas suas grandes exportações de Petróleo, tinham condições de comprar bons equipamentos.

A Árabia Saudita provavelmente compraria os Leopard 2, que estavam entrando em produção para o exército da Alemanha Ocidental. Esse veículo era considerado confiável, e uma geração à frente do Leopard atualmente usado pelo Exército Brasileiro.

Entretanto, o governo da Alemanha Ocidental recusou-se a vender os Leopard 2, alegando que não poderia vender armas avançadas a países de fora da OTAN. Os árabes então não sabiam como obter um veículo considerado de última geração, que pudesse ser-lhes entregue em grandes quantidades. Essa oportunidade de venda foi percebida pela Engesa no Brasil.

A Engesa (Engenheiros Especializados S/A) era a maior fabricante de blindados da América Latina e estava obtendo sucesso com dois de seus produtos, os carros Cascavel e Urutu, usados pelo Exército Brasileiro e exportados, principalmente para o Oriente Médio, onde tomaram parte na guerra Irã-Iraque. Naquela época a empresa viveu sua melhor fase. Sabendo da oportunidade, a Engesa pensou em apresentar aos sauditas um tanque brasileiro.

Entretando, a Engesa ainda não desenvolvera nenhum veículo blindado sobre lagartas, e no caso do projeto, um MBT (Main Batlle Tank), eles não possuíam experiência. Ainda por cima seu pessoal estava ocupado com outros projetos, o que tornaria difícil o desenvolvimento de um projeto deste porte, que demandaria quase todo o pessoal da empresa. Por isso, eles decidiram comprar um projeto desenvolvido em outra empresa e construí-lo ali, para mostrá-los aos Sauditas. Surgiu então uma proposta da empresa Alemã Tyssen-Henschel, que possuía um projeto chamado Leopard 3 e que estaria disposta a negociá-lo para os brasileiros. Só que o projeto era de um veículo de combate de infantaria muito semelhante ao TAM argentino, distante do conceito MBT. Os alemães recusaram-se a vender qualquer outra coisa senão o Leopard 3, o que tornara a negociação inviável, pois esse veículo pertencia a outro nicho, incapaz de competir com verdadeiros MBTs como o M1A1 Abrams americano.

Uma segunda oportunidade apareceu novamente na Alemanha, pois a Porsche se interessou em desenvolver um MBT junto com a empresa brasileira. A Porsche possuíra experiência nesse tipo de blindados, e seria uma forma da Engesa adquirir mais experiência nesse assunto. Mas, novamente a parceria não deu certo, dessa vez por determinação do governo alemão, que ordenou que a Porsche cancelasse o projeto.

Diante do impasse dos grandes fabricantes de MBT, a Engesa tomou decidiu procurar diretamente as empresas fornecedoras desses fabricantes e, com base na tecnologia aí adquirida, desenvolver ela mesma o projeto do MBT. Essa decisão custaria a existência da empresa no futuro.

Obstáculos

Desenvolver projetos independentemente seria mais difícil do que no caso de uma parceria, pois vários obstáculos teriam que ser transpostos, dentro e fora do Brasil. O mundo estava na Guerra Fria e a Bipolarização, o que representava antagonismos no mercado de equipamento bélico: Ao mesmo tempo que aumentava as vendas de material militar, também dificultava este mesmo comércio, devido à desconfiança entre países.

A Engesa ainda teria que "agradar" ao Exército Brasileiro. Interessado no projeto, este emitiu um OBO (Objetivos Básicos Operacionais), que ditaria o projeto do Osório. Um dos grandes problemas deste OBO era a limitação de peso na casa das 36 toneladas, irreal para a configuração desejada pela Engesa para o projeto isso porque outros veículos, potenciais concorrentes tinham pesos entre 44 e 65 toneladas. O peso determinado pelo Exército não era de um MBT mas sim de um tanque leve. O Tamoyo III, veículo desenvolvido pela Bernardini em paralelo ao Osório se ateve ao OBO, e tornou-se um tanque médio, não um MBT.

O Exército Brasileiro na realidade não procurava por um MBT por dois motivos: O primeiro é que a atribuição das Forças Brasileiras eram essencialmente defensivas, visando a proteção do território nacional. O Brasil já praticava a não intervenção e a neutralidade. A esse tipo de atribuição, de acordo com os generais de então, não cabia para um MBT, arma essencialmente ofensiva. O outro motivo era simplesmente o alto custo dessas máquinas. Isso aplica-se ao custo por unidade, e também aos custos de manutenção. Um veículo como o Osório, seria obviamente caro para os padrões do Exército.

Contudo a Engesa conseguiu reduzir as limitações que o Exército dava ao projeto. Foi fixada como meta para o peso o número de 42 toneladas. A limitação de largura seria mantida (3,20m). Essas limitações se davam por conta das ferrovias brasileiras, utilizadas nos transportes dos tanques. Fechados os parâmetros, começava o desenvolvimento do projeto.

Nessa época também definiu-se o nome do veículo: Osório. Em homenagem ao general Osório, patrono da arma de cavalaria do Exército Brasileiro, que liderou ao lado do Duque de Caxias o avanço sobre Assunção, e a vitória na Guerra do Paraguai. Na Arábia Saudita, receberia do nome de Al Fahd, nome do então monarca daquele país.

Depois disso, a Engesa enviou engenheiros pelo mundo para pesquisarem sobre o que poderia ser utilizado no projeto do EE-T1. Eles procuravam por equipamentos que seriam utilizados como motor, transmissão (e etc].). Ainda havia outros obstáculos, mas o Exército Brasileiro já começava a "se empolgar" com o projeto, e se movia para apoiar a empresa.

O projeto

O projeto que usava alta tecnologia, foi feito com recursos da própria Engesa, sem ajuda governamental, sendo que isto provocaria sua ruína no futuro. Os engenheiros, em suas viagens de pesquisa encontraram bons equipamentos disponíveis. A maioria europeus (Os americanos não vendiam equipamento militar "de ponta"). Assim, os engenheiros foram até a Defence Components Exhibition, na Inglaterra. Lá, interessaram-se pela suspensão hidropneumática Dunlop, que estava sendo empregada no MBT inglês Challenger 1. Para usá-la, o projeto original teria de ser modificado, entretanto a vantagem era tamanha, que esta suspensão foi escolhida.

Para a transmissão, estudou-se duas transmissões, a HSWL 234, da Renk Aktiengesellschafte, já usada no Leopard 2 e a LSG 3000, da ZF Friederichschafen AG, após estes estudos, optou-se pela transmissão da ZF, pelo fato desta empresa possuir instalações no Brasil, e que a esta transmissão seria produzida aqui, obtendo-se uma redução de custos. Para o motor, foi escolhido originalmente o MTU alemão, utilizado nos Leopard 1e Leopard 2, e com a empresa querendo sua fabricação no Brasil, porém o custo era elevadíssimo, então a empresa decidiu utilizar o TBD 234 de 1.014 Cavalos, da também alemã MWM. Este motor, ainda não havia sido utilizado em blindados.

No desenho do projeto foi utilizada a tecnologia CAD, para desenhar o projeto com o auxílio de computadores. Isso mostrou que a Engesa queria fornecer um veículo de qualidade absoluta, atualmente, tais métodos, chegam a serem considerados banais.



No quesito armamento, o projeto foi diversificado: Decidiu-se por duas versões: A primeira, a mais sofisticada, levaria canhão de 120 mm GIAT G1 (francês), alma lisa. Esta seria a exportada para a Arábia Saudita. Uma segunda, utilizaria o canhão 105 mm alma raiada L7/M68. Esta seria a versão do Exército Brasileiro (O canhão de 105mm é padrão no ocidente, portanto muitos países produzem munição, e seu custo de manutenção é mais baixo). O Chassi era o mesmo para as duas versões, as diferenças estavam na torre (a do 120mm possuía melhores equipamentos eletrônicos). Como armamento secundário, uma metralhadora Hughes EX34 7,62 mm, coaxial ao canhão e a famosa Browning M2 .50, atuando como defesa antiárea, tambem poderia ser utilizada a FN MAG, de 7,62, com o mesmo uso. O Osório possuía ainda, no alto da torre lançadores de granadas fumígenas, que formariam uma cortina de fumaça ao redor do tanque, impedindo-o de ser visto.

Para a blindagem, através de testes, concluiu-se que o Osório deveria utilizar-se de blindagem composta, utilizada até hoje. Isso foi decidido, pois esperava-se que um Osório suportasse um disparo direto de 120mm (pois com esse canhão, supõe-se que seus inimigos também o teriam). Assim, eles foram a Chobhan, Inglaterra obter a tecnologia de blindagem composta. Acabaram por contratar dois engenheiros especializados, que desenvolveram a blindagem composta no Brasil, juntamente com uma de aço criada pela Usiminas. Especulou-se usar blindagem reativa (reactive armour) no Osório, e, apesar de nunca ter sido colocada, esta poderia ser utilizada. O Osório contava também com a frente bastante angulada, aumentando o efeito da blindagem (na parte superior, o ângulo da blindagem com o solo é de quase 0º).

O Osório contaria ainda com a proteção NBC (Nuclear, Biological, Chemical) capaz de conceder à guarnição proteção para muitos tipos de arma. Essa proteção consistia em um isolamento total da cabine, criando um ambiente interno controlado. Entre esses dispositivos, cita-se como exemplo a abertura manual do canhão, mantendo o municiador fora de contato com a atmosfera exterior.

A eletrônica era muito avançada e o tanque contava com telêmetro laser (que mede a distância do tanque ao alvo, calculando a elevação do canhão). O sistema de controle de fogo era o Centaur, inglês, fabricado pela Marconi, todo sistema era comandado pelo computador de bordo de 16 bits, que era alimentado pelas informações vinda do telêmetro laser, fornecendo melhores condições para o disparo. Também possuía sensores para velocidade e intensidade do vento, condições atmosféricas, velocidade do projétil, entre outros. O atirador e o comandante dispunham de perisocopios diurnos e noturnos, variando conforme a versão da torre (105mm ou 120mm), a torre de 105mm, era equipada com dois periscópios belgas, fabricados pela OIp, o comandante era equipado com o modelo LRS-5DN e o atirador era equipado com um modelo LRS-5DNLC, ambos com visão noturna, já a torre de 120mm era equipada com dois periscópios franceses, fabricados pela SFIM o atirador era equipado com um modelo VS580 VICAS, com telémetro a laser, o comandante era equipado com um periscópio VS580, com visão panorâmica, a torre também era equipada com um sistema de visão e tiro noturno, era um sistema holandês, fabricado pela Philips, modelo UA 9090, na qual tinha visores tanto para o comandante, tanto para o atirador. O Osório tinha a torre estabilizada, e compensador de desníveis, mantendo o canhão na direção certa do alvo independente da mudança de terreno. Aliado à sua "janela de coincidência" o índice de acerto no primeiro tiro era de incríveis 95%. A margem de erro não passava de um círculo com 50cm de raio.


Protótipos

A Engesa fixara a preparação do primeiro protótipo para um ano após o início do projeto. Para ganhar tempo, eles entregaram o desenvolvimento da torre à Vickers, inglesa, sob a supervisão de engenheiros brasileiros, enquanto que o chassi era desenvolvido nas dependências de uma filial da Engesa em São José dos Campos, São Paulo.

Simultaneamente, testes de blindagem eram realizados no CTA (Centro Tecnológico Aeroespacial), com a utilização de canhões de 25 mm suíços, comprados pela própria Engesa, em túnel balístico com modelos reduzidos de blindagem e aumento de velocidade dos projéteis, imitando-se assim o disparo de armas de 105mm e 120mm.

O primeiro chassi ficou pronto antes da torre, em setembro de 1984. A Engesa então acoplou-lhe uma torre falsa e o submeteu a testes de resistência, rodagem e ensaios dinâmicos, a fim de consertar defeitos no conjunto. Os que foram descobertos foram sanados, e os parâmetros da suspensão hidropneumática, acertados.

Em maio de 1985 chegou a "torre padrão" equipada com o canhão 105mm raiado. Ela foi imediatamente acoplada ao chassi e testada. Em Julho deste mesmo ano, o Osório seguia para a Arábia Saudita a bordo de um 747 para seus primeiros testes no deserto. A intenção era enviar o protótipo com torre de 120mm (ainda não terminada) contudo os outros concorrentes já estavam apresentando seus modelos e a Engesa decidiu-se por levar o protótipo que já tinha, para analisar o desempenho do chassi no deserto. Lá, encontrou-se com o britânico Challenger que também estava em fase de testes. O desempenho do Osório foi positivo, revelando deficiências em especial no motor, mas eram falhas sanáveis. A equipe voltou ao Brasil contente com estes testes.

O Exército colaborava, e o CTEx (Centro Tecnológico do Exército) mantinha uma ligação com a equipe, mantendo engenheiros junto à Engesa, que a instruíam principalmente sobre a manutenção. A fábrica do motor efetuou modificações no propulsor que resolveram os problemas apresentados no deserto. Nisso, o Exército Brasileiro iniciou vários testes com o Protótipo equipado com a Torre Padrão.

Os testes foram para elaboração do RTEx (Relatórios técnicos experimentais) e RTOp (Relatórios técnicos operacionais), testes elaborados para avaliar-se o que for necessário em um veículo. O protótico foi aprovado pelo Exército Brasileiro após estes testes, que foram:
Rodagem de 3.269 km, sendo 750 no campo de provas da Marambaia - RJ (Terreno acidentado), além de tiro, 50 disparos no total. Os resultados empolgaram os militares brasileiros.

Em princípio de 1986, a Vickers entregou a segunda torre, com canhão de 120mm. Imediatamente foi incorporada ao chassi e testado em RTEx e RTOp. Como seu predecessor, foi aprovado com louvor. A próxima fase era analisar o seu desempenho frente aos seus concorrentes.


Atuação no deserto

Em Julho de 1987, o protótipo com o canhão de 120mm seguiu para a Arábia Saudita, para a nova fase da competição. Os quatro veículos se confrontariam em vários testes. Os veículos eram: O Britânico Challenger  o Americano M1 Abrams, o Francês AMX-40  e o Brasileiro EE-T1 Osório.

Os testes consistiam em:
2.350 km de rodagem, sendo 1750 km em deserto. A guarnição que operaria o tanque era do Exército Saudita, escolhida por sorteio. Neste teste, analisar-se-ia também o consumo de combustível que deveria ser no máximo de 2,1 km/l em deserto e 3,4 km/l em estrada.
Rampas: Superar trincheiras de 3m de largura; arrancada, partindo do repouso em rampa de 65% de inclinação, rodar em rampa lateral de inclinação 30%, aceleração e frenagem no plano e em rampas.
Resistência e manutenção: Remoção e colocação de lagartas em 40 minutos (10 para a retirada, 30 para a colocação), 6 horas com motor em funcionamento constante e veículo parado, 6 km de marcha-a-ré e reboque de um carro de combate de 35 ton por 15 km. O Osório rebocou o Abrams, muito mais pesado do que 35 ton.
Tiro: 149 disparos. 82 com veículo e alvo estacionados a 4000m de distância; os demais com veículo estacionado e alvo em movimento e veículo e alvo em movimento a 1500m de distância.
Foram reprovados os dois veículos europeus na disputa (O Challenger e o AMX-40), e o Osório, juntamente com o Abrams foram declarados passíveis de compra. Sendo que, aparentemente o que mais impressionara nos testes fora o Osório, mostrando-se superior ao Abrams, e mais barato.

A euforia brasileira foi enorme. O contrato chegou a ser preparado com previsão de se construir inclusive uma linha de montagem na Arábia Saudita. Militares Sauditas vieram ao Brasil para receber treinamento em tecnologia de blindados. O Exército Brasileiro estava exultante, pois o contrato incluía no preço final um acréscimo de 10% para o Exército Brasileiro (assim, a cada dez unidades vendidas para os sauditas uma seria entregue ao Exército Brasileiro, paga pelos Árabes). O negócio era da ordem de bilhões de dólares. Cada unidade do Osório de série custaria 1,2 milhões de dólares.

Em 1988 em Abu Dhabi, o Osório tornou a derrotar os mesmos três adversários acrescidos do C-1 Ariete Italiano, mostrando sua competência. Os únicos veículos de sua categoria contra os quais o Osório não competiu foram os tanques russos. Como a guerra fria vingava, não havia muitos tanques russos para se fazer comparativos.

Para atender a essa futura demanda, a Engesa planejava expandir seu parque em cerca de 1.200 metros quadrados, aumentar seu maquinário, expandir seu quadro em 500 ou mais funcionários, trazendo empregos, divisas e tecnologia. A vitória e as vendas para os sauditas eram dadas como certas, e uma pré-série começava a ser construída, para exportação. Outros mercados ainda eram sondados: O Iraque se interessou no veículo, tendo inclusive o ministro da defesa iraquiano vindo ao país para conhecer o carro.

Ataque Americano

Finalmente, os Estados Unidos agiram, alegando que o Brasil não respeitava acordos internacionais e, principalmente, que negociava com nações tidas como inimigas, fizeram com que a Arábia Saudita hesitasse em fechar o acordo com a Engesa. Hesitação que se tornou recusa com a eclosão da operação Tempestade no Deserto contra o Iraque em 1991, fazendo com que os laços entre os Estados Unidos e a Arabia Saudita se estreitassem de tal forma, que os sauditas decidiram ignorar a capacidade bélica demonstrada pelo EE T1 Osório e assinar o acordo com seu principal aliado, os próprios Estados Unidos.

Dada a natureza da empreitada, dos obstáculos enfrentados e, principalmente, pelo risco de se investir quase todos os seus recursos num projeto voltado para compradores estrangeiros, a Engesa acumulou várias dívidas. Mas, nesse momento, demonstrou-se os verdadeiros riscos da empreitada: a não disposição do governo brasileiro em investir nesse ramo e a conseqüente falta de compradores para o EE T1 Osório.

A falta de disposição do governo brasileiro demonstrou-se, principalmente, pela pequena atuação tanto na política em prol do produto, tanto quanto na ajuda financeira diante da situação precária da Engesa. A ausência de dinheiro para o Exercito Brasileiro em adquirir o EE T1 Osório foi interpretada pelo mercado como sendo, na verdade, uma falta de interesse do mesmo no produto. Levando a conclusão de que se nem o próprio Exercito Brasileiro compra o tanque, então os compradores de outros certamente não iriam comprá-lo. O primeiro Osório de pré-série foi vendido como sucata, seus equipamentos devolvidos (canhão, optrônicos, motor, transmissão...) aos fabricantes para aliviar as dívidas. Patrimônio foi vendido e em 1993 a Engesa faliu. Era o fim da linha.

Os protótipos construídos e sobreviventes (Torre padrão e o de 120mm) ficaram sob custódia do Exército, mais precisamente no 13º R C Mec (13º Regimento de Cavalaria Mecanizado), em Pirassununga, Estado de São Paulo mas sem pertencerem a este, portanto quase abandonados. Esses veículos seriam leiloados em 20 de novembro de 2002, contudo, o ministério público de São Paulo impetrou ação, impedindo a venda destes veículos. Eles seriam vendidos por R$ 300.000,00 as duas unidades, para um comprador particular, uma quantia irrelevante frente aos 50 milhões de dólares gastos em seu desenvolvimento.

Finalmente em 22 de março de 2003, ocorreu uma cerimônia de entronização no quartel do 13º R C Mec, onde o protótipo 2 (P2) equipado com canhão de 120mm desfilou perante as autoridades, escoltado pelos demais veículos da cavalaria daquele regimento. Era o "renascimento do Osório". O outro protótipo (P1) com canhão de 105mm está sendo restaurado, pois o tempo lhe trouxe alguns defeitos que serão reparados e ele também será incorporado a este regimento.

Hoje, ambos os veículos são de propriedade do Exército Brasileiro, sendo considerados monumentos à memória e a tecnologia do Brasil. Até hoje, o Osório constitui o carro de combate mais avançado do inventário do Exército Brasileiro (único com canhão de 120mm), e duas gerações a frente do Leopard, hoje principal carro de combate em uso no Brasil. Em Abril de 2003, ele esteve exposto na LAD 2003 (feira de material de defesa). Impressionou várias delegações estrangeiras, mesmo tendo sido fabricado na década de 80. Em 2003, foi aprovado um plano de reforma do Osório do Exército Brasileiro, e encontra-se em estudo, uma reformulação e possível produção do MBT Osório. Os meios de produção encontram-se em poder do Exército, portanto, a possibilidade existe.
M1 Abrams
A Volta do EE-T1 Osório?

O Exército Brasileiro herdou, por decisão judicial, o patrimônio tecnológico da ENGESA. Segundo o ex-presidente da Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), Armando Luiz Malan de Paiva Chaves, em entrevista ao Correio Braziliense, jornal da capital brasileira, restaram menos de 20 por cento das plantas originais do carro de combate, o que inviabilizaria a retomada do projeto.























sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

GEPARD 1A2

GEPARD 1A2

Histórico de produção
Data de criação: 1963
Fabricante: Krauss-Maffei
Quantidade produzida: 570

Especificações
Peso: 47,5 t (104 718 lb)
Comprimento: 7,68 m (7 680 mm)
Largura: 3,71 m (3 710 mm)
Altura: Radar abaixado 3,29 m (3 290 mm)
Tripulação: 3 (condutor, artilheiro, comandante)

Blindagem do veículo: aço detalhes secretos
Armamento primário: 2 canhões automáticos de 3,29 mm (0,13 in) com 320 de munição anti-aérea e 20 de munição anti-tanque.
Armamento secundário: 2x 76 mm lançadores de quatro tubos para granadas fumígenas.

Motor: MTU multi-combustível de 10 cilindros 819 hp (610,73 kW)
Suspensão: Barra de torção
Alcance Operacional: 550 km (341,75 mi)
Velocidade Maxima: 65km/h
Velocidade em terreno irregular: 35 Km/h


Armamento
35mm Oerlikon KD35
Fabricante: Oerlikon
Função principal: Defesa Anti-Aérea
Calibre: 35mm
Cadência de tiro: 550 disparos p/min.
Alcance Anti aéreo: 4Km
Ação: Operado a gás
Elevação máxima: 92º
Peso da munição: 1.5Kg
Peso do sistema: 6.700 kg
Nr. de canhões: 2


O veículo é a partir do casco de leopardo um tanque com uma grande torre rotativa totalmente transportando o armamento-um par de 35 milímetros autocannons Oerlikon KDA e os dois pratos de radar, um radar de busca geral na parte de trás da torre e o radar de rastreamento, e um telêmetro a laser, na frente entre as armas. Cada arma tem uma taxa de disparo de 550 tiros / minuto.

As armas são de 90 calibres (3.15 m (10 pés 4)) de comprimento, com uma velocidade inicial de 1.440 m / s (4.700 pés / s) ( FAPDS-Frangible Armour Piercing devoluções Sabot rodadas), dando um alcance efetivo de 5.500 m . O autocannon KDA pode ter dois tipos de munições diferentes, eo carregamento de costume é uma mistura de 320 AA e 20 AP tiros por arma. Taxa combinada de fogo é de 1.100 rodadas / min.

O revólver accionado electricamente é alimentado por um gerador de 40 kW, accionado por um cilindro 4, 3,8 litros da Mercedes-Benz OM 314 motor multi-combustível.

Desde os anos oitenta equipes Stinger foram acompanhando as unidades Gepard, para tirar proveito de sua capacidade de varredura de longo alcance. Para combinar essa capacidade em uma única unidade, uma atualização do sistema de mísseis que monta a NATO MANPAD Stinger mísseis superfície-ar (em embalagens individuais) às autocannons foi desenvolvido. O sistema foi testado pela Bundeswehr alemão, mas não comprei devido a restrições orçamentais e do fielding do Sistema Ozelot Luz Flak (leFla).

O Gepard foi desenvolvido a partir de 1963. Em 1969 começou a construção de quatro protótipos Um testar ambos os 30 e 35 mm armas. Em 25 de junho de 1970, decidiu-se usar o tipo de 35 mm. Em 1971 foram encomendados 12 segundo da fase de protótipos B, no mesmo ano o exército holandês ordenou CA preseries de cinco veículos com base em um desenvolvimento paralelo que tinha usado um 0-series alemão Leopard 1 veículo disponibilizado pelo governo alemão março 1970 como o C-protótipo. Os alemães fizeram uma pequena preseries tanto da B1 e B2R. Em 5 de fevereiro de 1973, a decisão política foi feita para produzir o tipo;, em setembro de 1973, o contrato foi assinado com Krauss-Maffei para 432 B2 torres e 420 cascos com um valor total de DM 1,2 bilhões. Cada veículo seria, portanto, cerca de três vezes mais caro do que um leopardo normal 1. O primeiro foi entregue em dezembro de 1976. Bélgica ordenou 55 veículos, idêntico à versão alemã. Os holandeses ordenou três lotes, a CA1, CA2 e CA3, com um total de 95 veículos, equipados com Philips sistemas de radar.


Em Abril 2013 o Ministério da Defesa do Brasil comprou 34 tanques usados Gepard 1A2 do Exército alemão para garantir a segurança nos grandes eventos que o país receberá até 2016. Os tanques Gepard 1A2, de 47,5 toneladas, foram modernizados em 2010 com novos sistemas de radar e informática que permitirão sua operação até 2030. Os blindados também serão empregados na segurança das Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Julho 2013 no Rio de Janeiro, com a presença do Papa Francisco. O Brasil organiza a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Chassis e propulsão

O Gepard é baseado em um chassi ligeiramente modificada do principal tanque de guerra Leopard 1, incluindo a unidade de acionamento completa com 37,4 litros de 10 cilindros do motor multi-combustível (tipo: MB 838 CaM 500) com dois carregadores mecânicos construídos pela MTU. O motor de V com um ângulo de cilindro de 90 graus tem 610 kW a 2200 RPM (830 PS) e consome dependendo da superfície e do estilo de condução em torno de 150 litros por 100 quilômetros. Para garantir um fornecimento estável de petróleo, mesmo em terrenos difíceis e sob extrema inclinação, o motor está equipado com um reservatório de lubrificação forçada seco. Até mesmo a caixa de velocidades (tipo: 4 HP-250) a partir de ZF Friedrichshafen e do sistema de escape com mistura de ar fresco para reduzir a assinatura infravermelha foram tomadas pelo Leopard 1 MBT.

No local da segunda revista munição do tanque principal batalha do Gepard é equipado com o motor auxiliar para o sistema de fornecimento de energia na parte frontal esquerda. O motor diesel de 4 cilindros da Daimler-Benz (tipo: OM 314) também é concebido como um motor multi-combustível e produz, com uma capacidade de 3,8 litros, 66 kW (90 PS). Ele consome, dependendo do estado de funcionamento do tanque entre 10 e 20 litros por hora (l / h). O motor auxiliar é acoplado com cinco geradores para operar em velocidades diferentes: duas máquinas Metadyn em conjunto com um volante (que é usado para armazenar energia durante a aceleração e desaceleração da torre) para o poder das unidades direcionais verticais e horizontais, dois 380 -Hz geradores trifásicos, com uma capacidade de 20 kVA para a ventilação, controle de incêndio e sistemas de radar e um 300-Um gerador de corrente contínua de 28 volts para o sistema elétrico. A capacidade de combustível é de 985 litros para garantir um tempo de operação combinada de aproximadamente 48 horas.

O chassi ea pista foram tiradas diretamente do Leopard 1. É uma mola de barra de torção montado unidade rolo de suporte com sete pares de rolos. Eles estão ligados às barras de torção sobre braços oscilantes, cujos deformação é limitada por molas em voluta. Os choques de borracha montados foram modificados para conseguir uma melhor estabilidade durante o combate ao incêndio. A cadeia é fabricado pela empresa Diehl, almofadas cadeia equipada, "viver" cadeia (tipo: D 640 A).

A modificação do casco é apenas ligeira, isto é, a uma distância do rolo modificado (8 centímetros aumento da distância entre o terceiro e quarto cilindro) e a transferência de pilhas adicionais em caixas de bateria na parte traseira. As baterias eo sistema elétrico opera em 24 volts DC.

Variantes

Há duas variantes do Gepard em serviço, o holandês tem uma instalação de radar diferente.

Alemanha
Pesquisa radar : S banda , a 15 km gama
Radar de rastreamento: banda Ku , a 15 km gama
Telêmetro laser

Holanda
Pesquisa radar: banda X , a 15 km gama
Radar de rastreamento: X / banda Ka , a 13 km gama

A versão holandesa foi oficialmente chamado de PRTL (PantserRupsTegenLuchtdoelen ou "blindado de lagartas antiaérea"), pronunciado como "pruttle" pelos soldados. A versão da série holandesa foi tornado público através de uma fotografia de um veículo de um C-Company, o primeiro a ser equipado com a nova arma. Tradicionalmente todos os veículos holandeses em uma empresa têm nomes que começam com a letra designação da empresa e este veículo passou a ter o nome Cheetah indivíduo pintado em negrito em sua torre. Inevitavelmente, a imprensa internacional assumido "Chita" era o nome holandês para a sua versão Gepard e este erro encontrou seu caminho para a maioria das publicações de armadura sobre o assunto. Em 2000, as autoridades militares holandesas, cansadas de constantemente ter que explicar tudo isso e considerando "pruttle" não era um nome marcial de qualquer maneira, conforme-se a um erro comum e fez "Chita", a designação oficial, quando o sistema foi atualizado.

Usuários

Bélgica : 55 entregues, retirado de serviço.
Brasil : 36 encomendadas a partir do Bundeswehr . [2]
Chile : Ex-usuário. Quatro veículos entregues em 2008, e retornou em janeiro de 2011. Equipamentos originalmente operado pela Bundeswehr . Ordem dos 30 veículos cancelados devido à alta revisão / atualização dos custos. [3]
Alemanha : 377 originalmente construído para a Bundeswehr , 94 permaneceram em serviço até 2010 e estão atualmente armazenadas até SysFla está totalmente introduzido.
Jordânia :. 60 foram comprados a partir de retirada excedente holandês por 21 milhões de dólares [4]
Holanda : 95 entregues, retirado de serviço.
Roménia : 43. entregue (36 + 7 para peças de reposição), todas as ações ex-Bundeswehr [5

















sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Governo anuncia Vencedor do FX-2 "Gripen NG da SAAB" Seja bem Vindo!!!!

Governo anuncia Vencedor do FX-2 "Gripen NG da SAAB" 
Seja bem Vindo!!!!

Depois de 15 anos de negociações, o governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (18) a compra de 36 caças supersônicos do modelo sueco Gripen, que farão parte da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). De acordo com a Aeronáutica, o preço total da aquisição será de US$ 4,5 bilhões, a serem pagos até 2023.

Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, que fez o anúncio, a decisão "foi objeto de estudos e ponderações muito cuidadosas". Outras duas empresas – a norte-americana Boeing e a francesa Dassault – disputavam com a Saab, fabricante do Gripen, o fornecimento dos caças ao Brasil.

 "A escolha, que todos sabem, foi objeto de estudos e ponderação muito cuidadosa, levou em conta performance, transferência efetiva de tecnologia e custo, não só de aquisição, mas de manutenção.A
escolha se baseou no melhor equilíbrio desses três fatores", afirmou o ministro da Defesa, Celso Amorim.

Segundo o ministro, a aquisição dos caças não terá "nenhuma implicação" no orçamento da União de 2013 nem no de 2014. Segundo ele, a etapa de discussão do contrato pode demorar entre 10 e 12 meses, e a transferência dos recursos para a empresa sueca só será feita após essa etapa. " é algo demorado. Implica garantias contratuais de que aquilo que foi ofertado efetivamente ocorrerá", justificou Amorim. Segundo a assessoria de imprensa da Aeronáutica, ainda será negociado no contrato quando será feito o primeiro pagamento.

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, informou que os primeiros aviões chegarão 48 meses depois da assinatura do contrato, prevista para o final de 2014. Assim, o Brasil deverá começará a receber as aeronaves a partir de 2018. Segundo Saito, serão entregues 12 aviões por ano.

Saito disse que a transferência de tecnologia será completa e feita diretamente à Embraer, que participará da montagem das aeronaves. "Quando terminar o desenvolvimento, nós teremos propriedade intelectual desse avião, isto é, acesso a tudo", disse Saito. Segundo ele, a brasileira Embraer e a Saab vão atuar em conjunto na transferência de tecnologia e na produção do caça. Segundo ele, outras empresas poderão, posteriormente, participar do projeto.

'Vamos pechinchar'
O comandante da Aeronáutica informou que 80% da estrutura do avião será construída no Brasil. As asas, por exemplo, já estão sendo produzida por uma empresa de São José dos Campos e, segundo o comandante, já com padrão supersônico. Segundo ele, serão mais de 15 empresas envolvidas.

Saito esclareceu também que os US$ 4,5 bilhões equivalem a proposta feita pela empresa sueca, mas que, durante a negociação do contrato, o valor pode ser revisto. "Nós vamos pechinchar ao máximo".


Ele contou que a presidente Dilma Rousseff o informou da escolha somente na terça-feira (17). "Presidenta, muito obrigado. Eu acho que a Força Aérea e o Brasil ganharam muito com isso", ele relatou ter dito à Dilma quando recebeu a notícia. Ele contou que participa do processo de escolha dos caças desde 1995. "Estou muito feliz de ter perseguido esse objetivo", disse. Segundo ele, todas as empresas foram avisadas ao mesmo tempo da escolha.

Aviões 'à altura'
O ministro Celso Amorim disse que, com a decisão do governo, "em breve, teremos aviões à altura da necessidade de defesa do país". O ministro ressaltou – dentro do acordo de transferência de tecnologia – a abertura do código-fonte de armas, que, segundo ele, permitirá adicionar ao avião armamentos brasileiros.

De acordo com o brigadeiro Marcelo Damasceno, chefe da comunicação social da Aeronáutica, os caças Gripen “vão atender às necessidades operacionais da FAB pelos próximos 30 anos”.

Segundo ele, as aeronaves ajudarão na defesa aérea do Brasil e serão capazes de promover ataques no solo e no mar. “Ele [o Gripen] permitirá à FAB enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas. O conjunto de conhecimentos e capacitação tecnológicos contribuirá para que a indústria nacional se capacite para a produção de caças de última geração em médio e longo prazo”, disse Damasceno.

Em entrevista ao Jornal da Globo, em 2009, o presidente-executivo da Saab, Äke Svensson, explicou porque, para ele, o Gripen é o melhor caça para o Brasil. "Na comparação com os concorrentes, é o mais barato, tem o armamento mais completo, os sistema de controle, detecção e combate mais avançados e – o que só ele faz – pousa até num pedaço de estrada qualquer, de 500 metros, se for preciso", disse.


Estados Unidos
Celso Amorim afirmou que o governo brasileiro tentará, na negociação do contrato final, obter da Suécia o máximo de transferência de conhecimento tecnológico. “Há uma disposição efetiva de transferir essa tecnologia”, afirmou.

Amorim foi questionado sobre o fato de a turbina do avião Gripen ser produzida nos Estados Unidos. Como o contrato é feito com a Suécia, essa parte da tecnologia de produção do avião não passaria ao Brasil. O ministro destacou que a turbina é “importante”, mas não é o “coração” da aeronave.

“Sabemos que a turbina é norte-americana, mas não é tão sensível em matéria de conhecimento como outras partes do avião. [...] Embora seja uma parte importante, não é do ponto de vista tecnológico o coração do avião”, afirmou.

De acordo com o ministro, o fato de o Brasil ter optado por um contrato com a Suécia não prejudica as relações comerciais com os Estados Unidos. “Temos uma boa relação com os Estados Unidos. Diariamente compramos partes para outros aviões. Não há nenhum temor.”

A disputa
A notícia de que a compra seria anunciada na tarde desta quarta (18), foi dada pela presidente Dilma Rousseff em discurso durante almoço com oficiais das Forças Armadas no Clube Naval da Marinha, em Brasília.

Três países disputavam a venda das aeronaves ao Brasil – Estados Unidos, com caças de modelo F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing; Suécia, com o Gripen, da empresa Saab; e França, com os jatos Rafale, da companhia Dassault.

Na semana passada, o presidente da França, François Hollande, chegou a conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre o andamento das negociações, em visita de Estado que fez ao Brasil.

O presidente da empresa francesa Dassault compôs a comitiva de Hollande. No entanto, segundo fontes do governo, o preço das aeronaves francesas foi considerado elevado.

Já as negociações com os Estados Unidos ficaram estremecidas após as notícias de que o governo norte-americano teria espionado comunicações da presidente Dilma Rousseff, ministros e assessores. Dilma chegou a cancelar uma visita de Estado que faria a Washington, em setembro deste ano, após as denúncias.

A notícia dos atos de espionagem foi divulgada pelo jornalista Glenn Greenwald com base em documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da NSA, agência norte-americana de inteligência.


O programa
Iniciado em 1998 no governo Fernando Henrique Cardoso, o projeto FX previa a compra de 12 supersônicos com a transferência de tecnologia do fabricante para a Força Aérea Brasileira (FAB), que culminaria em um total de 120 unidades fabricadas no Brasil.

Devia ser assinado até 2004, quando terminava a validade das propostas. Mas a decisão foi adiada para o governo Luiz Inácio Lula da Silva, que, no lugar do FX, lançou o programa FX-2.

O projeto de compra e transferência de tecnologia chamado FX-2 foi lançado em 2008. O custo estimado no mercado é de até US$ 6,5 bilhões. Os novos aviões substituirão os Mirage, cuja aposentadoria está prevista para o próximo dia 31.

Em 2009, Brasil e França chegaram a anunciar a compra dos caças Rafale, da francesa Dassault. Depois, o governo brasileiro voltou atrás.

O programa FX-2 prevê a compra de 36 aeronaves de combate, domínio do sistema de armas, parcerias com empresas brasileiras, acordos de cooperação técnico-operacional e a transferência de tecnologia para que o Brasil ganhe condições de produzir pelo menos parte do avião no país.