quarta-feira, 29 de agosto de 2012

EMBRAER ELBIT HARPIA. A moda sem piloto chega ao Brasil.



Quando a EMBRAER se associou à ELBIT SYSTEMS em setembro do ano passado para formar a HARPIA SISTEMAS S.A. (com 51% das ações para a EMBRAER e 49% para a ELBIT, além da aquisição de 25% das ações da AEL Sistemas pela EMBRAER), especulava-se que pretendiam apenas redesenhar o UAV Hermes 450 para satisfazer às necessidades da Força Aérea Brasileira e demais Forças Armadas (e eventualmente policiais, como a Policia Federal). Seria um escopo simples, relativamente barato e lógico, porém modesto demais.
Afinal, o Hermes 450 foi projetado para o uso em Israel, onde missões com raio de no máximo 200 km da Estação de Controle Terrestre era mais do que suficiente. Mas 200 km no Brasil não é realmente um alcance a ser considerado, ao menos diante dos objetivos aparentes do Projeto Harpia: o consórcio EMBRAER/ELBIT teria de, no mínimo, acrescentar uma antena "além da linha de visada direta" e tanques de combustível maiores, além de aumentar a carga útil se quisessem ser considerados candidatos sérios aos programas Sistema Integrado de Vigilância de Fronteiras (SisFron) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).
Acima: O UAV Hermes 450 usado pela força aérea brasileira (FAB) foi o primeiro contato que a FAB teve com este tipo de sistema. Atualmente a FAB mantem dois aviões deste modelo em serviço
Acima: Mas sequer se tinha ideia do quanto o consórcio EMBRAER/ELBIT se distanciaria do conceito original do Hermes 450. As modificações foram radicais, como se vê na arte acima.

A imagem mostrada foi revelada novembro passado em apresentação oficial da EMBRAER. Ela revela uma aeronave um bocado diferente do Hermes 450. Quase deu para confundir o HARPIA com o HERON, por causa da cauda dupla, que é construído, é claro, pelo rival da ELBIT, a IAI (Israel Aerospace Industries). Não obstante, assemelha-se também - em princípio, ao menos - ao ELBIT HERMES 900. Uma das principais diferenças externas está precisamente na cauda em V, que é convencional (simples com estabilizadores estilo Beech Bonanza) no modelo israelense e dupla invertida no modelo nacional.
Acima: O Herme 900 possui a causa em "V", diferentemente do modelo da Embraer.

O HARPIA proporcionará ao grupo EMBRAER/ELBIT o embrião de um inédito UAS (Unmanned Aircraft System - Sistema de Aeronave não-Tripulada) de porte médio. Quem sabe o que virá a lume? Se funcionar a contento poderá, além de suprir o altamente necessitado mercado interno, até gerar exportações de um produto próprio, possivelmente acrescentando um novo competidor aos consagrados IAI HERON e GAAS (General Atomics Aeronautical Systems) PREDATOR A. Sobre este, lembrar que sem grandes modificações externas gerou o UCAV (Unmanned Combat Air Vehicle - Veículo Aéreo de Não-Tripulado de Combate, VANTC na terminologia militar brasileira), que é uma versão armada e preparada para combate.

Comentário: notar o formato do nariz do UAV. Só se justifica aquela protuberância frontal superior com a presença de uma antena de comunicações via satélite (além da linha de visada, portanto), lembrando que a EMBRASAT, empresa composta pela TELEBRÁS (49%) e EMBRAER (51%) tem previsão de lançamento em torno de 2014 de um satélite geoestacionário no qual uma das funções é precisamente a de proporcionar comunicações militares seguras (e isso pode significar também a guiagem/monitoramento de UAVs). Ademais, a arte lembra mais um verdadeiro Medium-Altitude Long-Endurance (MALE). A notar-se os nomes dos parceiros envolvidos no projeto, é difícil crer que não seja efetivamente desenvolvido até chegar ao estágio de produto final, a EMBRAER é notória por trabalhar em projetos militares apenas e somente com expresso apoio governamental, estratégia também da ELBIT no Brasil, através de sua subsidiária AEL Sistemas.

Fontes
* ABIMDE
* Elbit Systems
* Embraer Defesa e Segurança S.A.
* Flightglobal
* IAI - Israel Aircraft Industries

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