sexta-feira, 31 de agosto de 2012

V-3E A-Darter (Agile Darter)

A-Darter

No fim da década de 80, a experiência de combate da Força Aérea Sul-Africana contra caças Soviéticos e seus mísseis expôs as fraquezas dos mísseis V3B, V3C e Magic. Na década de 90 já era esperado a ameaça do R-73 que armava os Mig-29.
Logo a Força Aérea Sul-Africana lançou um programa para desenvolver um míssil de longo alcance e um de curto alcance de nova geração. O míssil de combate aéreo de curto alcance seria chamado de A-Darter (Agile Dart) e de longo alcance de R-Darter.
O desenvolvimento do A-Darter foi iniciado em 1995 e está sendo conduzido pela Kentron, uma divisão da Denel, com fundos da empresa e do governo. A designação local é de V-3E.

O A-Darter é um míssil ar-ar de combate aéreo com superagilidade e otimizado para combate aproximado mas sem sacrificar o desempenho em longo alcance. Usa controle aerodinâmico traseiro e não tem barbatanas frontais. O míssil tem uma fuselagem limpa, com pequenos strakes ao longo da fuselagem que servem como superfície aerodinâmica aumentando a sustentação e como condutor de ligações de controle.
O escape do motor está equipado com vetoramento de empuxo (TVC). O TVC permite que o míssil realize curvas de 100 "g" podendo mudar de direção em 180 graus em menos de 2 segundos. Isto reduz a zona de ação interna consideravelmente, podendo engajar alvos cruzando frontalmente com grande rapidez. Um piloto automático digital por FBW é necessário para controlar a superagilidade principalmente em grandes ângulos de ataque. A propulsão é por motor foguete de estágio único com pouca fumaça para aceleração e sustentação.
A Kentron caracteriza o U-Darter como sendo de 3ª geração como oAIM-9L/M, Magic 2 e Python 3 e classifica o A-Darter como sendo de 5ª geração. A Kentron relata que o A-Darter é mais ágil que o Python-4 que é classificado como sendo de 4ª geração.
A Kentron está desenvolvendo e testando o algoritmo do sensor de busca de imagem infravermelha (IIR) de duas cores que tem projeto novo e não é baseada no míssil antiaéreo SAHV-IR. O sensor permite engajamentos de 90º de ângulo de visada. A cabeça de busca tem alta resolução com contramedidas eletrônicas multimodo e rejeição de ruído de fundo. O algoritmo de aquisição de alvo inclui técnicas avançadas de filtragem regional que "vê" a diferença de tamanho e forma entre uma aeronave e um flare e técnicas de perfil de velocidade para perceber diferença de velocidade entre a aeronave e o flare, tornando o míssil altamente preciso e com grande resistência a contramedidas.
O míssil pode ser apontado pelo radar, mira no capacete (HMD) ou realizar autovarredura com grande ângulo de visada. Foi projetado desde o inicio para ser compatível com mira no capacete (HMS e HMD) como a já usado pelo caça Cheetah C. Também pode usar trancamento após lançamento (LOAL) com memória de seguimento dada pelo sistema inercial (IMU) no caso de perda temporária de trancamento após disparos de grande ângulo de visada.
O A-Darter é compatível com os lançadores LAU-7 do Sidewinder e tem o mesmo desempenho do BGT IRIS-T e AIM-9X. O míssil é compatível com barramento de dados MIL-STD-1553B e sistema de gerenciamento de cargas MIL-STD-1760.
O A-Darter foi desenvolvido em módulos (piloto automático, servos, sensor IR e sistemas TVC) que foram projetados e testados separadamente.
Testes de vôo já foram iniciados com disparos no solo e aéreo em 1997. O primeiro disparo foi com um motor do Magic e em 2001 foi usado o motor do U-Darer. Os testes de vôo cativo foram em 1999. No ano 2000 e 2001 foram realizados os testes da cabeça de busca com um míssil cativo no Cheetah D.
As contra-contramedidas do sensor são otimizadas para as necessidades locais (pode perceber uma seqüência de lançamento de flares como sendo padrão amigo). Outra vantagem do A-Darter é que a Kentron é um fornecedor "independente" sem restrições políticas como os mísseis americanos.
O A-Darter era originalmente um demonstrador de tecnologias para serem incorporadas nos novos mísseis do JAS-39 Gripen da SAAF. Os cortes no orçamento levaram a procura de parceiro no estrangeiro para participar e dividir custos.
O fim do embargo econômico e o mercado interno pequeno tornam seu futuro questionável. A Força Aérea Sul-Africana preferia o IRIS-T como solução de baixo risco pois será integrado no JAS-39 pela Suécia com entrada em produção em 2007. Mesmo assim o governo escolheu o A-Darter em 2005 para equipar seus JAS-39 Gripen e Hawk 100. O nicho do A-Darter é de países que querem ter uma capacidade estratégica com credibilidade e manter independência de suprimentos estratégicos.
A África do Sul precisa gastar US$ 100 milhões antes do míssil ficar pronto e está procurando parceiros para desenvolver o míssil.
Já em 2005 a FAB anunciou que estava estudando uma cooperação com a África do Sul para cooperar no desenvolvimento do míssil ar-ar A-Darter com contatos tendo sido iniciados em 2002. O investimento inicial seria de U$ 40 milhões no desenvolvimento do míssil podendo alcançar US$ 100 milhões.

A indústria brasileira seria envolvida no desenvolvimento final do míssil e em sua manufatura; transferência de tecnologia da Denel seria parte de todo o negócio. O resultado final para os brasileiros seria a obtenção da total independência nacional, no ciclo do desenvolvimento e da produção de mísseis ar-ar.
Em abril de 2006 foi anunciado que a FAB ajudaria no desenvolvimento do míssil investindo US$ 52 milhões. O orçamento total seria o triplo se a FAB fosse iniciar um projeto próprio semelhante. A África do Sul investirá também US$ 52 milhões. O CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), vai coordenar o desenvolvimento em parceria a Denel. Os gastos serão para cinco anos de desenvolvimento com o primeiro protótipo pronto. O A-Darter irá substituir os MAA-1 Piranha e deve entrar em operação em 2015. A indústria local já foi contatada como a Mectron, Avibras e Atech.Em maio de 2007 a Índia estudou entrar no projeto A-Darter e também estava interessada no projeto LRAAM da Denel. O Paquistão mostrou interesse em comprar 500-1000 A-Darter por US$ 450 mil cada, mas pode criar problemas com a aproximação com a Índia.

A-Darter

Mock-up do A-Darter mostrado em 1999. A proposta é similar ao MICASRAAM francês de 1990.
A-Darter


Componentes internos do A-Darter. O A-Darter é considerado do mesmo nível do Python 4 segundo a Kentron.A-Darter
Fotos dos testes do A-Darter. A foto da esquerda mostra que o A-Darter usa motor de pouca fumaça. A imagem do sensor demonstra ser um sensor de imagem de alta definição. O sensor IRIS pesa 10,5kg e foi pensado desde o inicio para ser apontar por uma mira no capacete Guardian que irá equipar o JAS-39 Gripen sul-africano.

A-Darter TVC
Detalhes do TVC do A-Darter.




Dados técnicos:
Peso: 89kg
Comprimento: 2,98m
Diâmetro: 166mm
Largura: 488mm
Alcance: >15km

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Novas Escoltas Da MB - O Futuro Da Marinha

Escoltas do Futuro
Em relação as escoltas o END cita que "a força naval de superfície contará tanto com navios de grande porte, capazes de operar e de permanecer por longo tempo em alto mar, como de navios de porte menor, dedicados a patrulhar o litoral e os principais rios navegáveis brasileiros. "
Atualmente a Marinha conta com 14 unidades sendo seis da classe Niterói, três fragatas da classe “Greenhalgh”, quatro corvetas da classe Inhaúma e uma Barroso. Os planos atuais já incluem a modernização das três fragatas classe “Greenhalgh” (sensores, propulsão e sistemas auxiliares) por R$ 69 milhões (R$ 23 milhões cada) e a modernizadas das quatro corvetas classe Inhaúma(sensores, propulsão e sistemas auxiliares), com custo unitário de R$ 13,8 milhões (R$ 55,2 milhões). As seis fragatas da classe Niterói já foram recentemente modernizadas no programa MODFRAG e a corveta Barroso foi comissionada em 2009.
Estudos da MB já concluíram que necessitava de 28 navios escoltas, depois reduzidos para 20 unidades. Com o END mudando as prioridades o número atual de 14 escoltas parece que vai ser mantido (ou cerca de 12 a 16 navios) mas com navios de maior capacidade de cerca de 6 mil toneladas ao invés do padrão anterior de muitas unidades menores e menos capazes típicas de uma marinha otimizada para Controle de Área Marítima.  
A corvetas da classe “Inhaúma” não irão sofrer uma grande modernização e sim uma revitalização, principalmente as máquinas e substituir alguns sistemas e sensores. O sistema tático de comando, controle e combate serão substituídos, bem como alguns sensores. Não há previsão de substituição de armamentos. A modernização compreenderá as seguintes instalações: Sistema SICONTA Mk.4; radar de busca combinada Selex Sistemi RAN-20S bidimensional Radar de DT Selex Sistemi RTN-30X; Radar de navegação Furuno FR 8252; MAGE Defensor; Sistema de Navegação Inercial SIGMA 40 INS; Sistema de Controle e Monitoração SCM; Manutenção geral das máquinas; Revisão dos sistemas hidráulicos e elétricos; Revitalização e melhoria das áreas habitáveis.
Os planos de aquisição de navios de 6 mil toneladas nos leva a considerar o motivo dessa mudança de mentalidade na MB que está acostumada a operar navios bem menores de 3 a 4 mil tons e até corvetas com menos de 2 mil tons. Os projetos de escoltas atuais e seus princípios podem nos dar uma boa idéia da nova mentalidade que a MB está considerando na sua operação futura.
Programas de Fragatas Internacionais
O conceito dos contratorpedeiros nasceu como uma escolta de navios maiores contra a ameaça das lanchas torpedeiras (torpedo boat destroier). Os contratorpedeiros eram navios rápidos e bem armados com canhões. Devido a velocidade logo pensaram em adicionar uma melhor capacidade anti-navio também armando com torpedos para fazer a mesma função dos torpedeiros. Com a ameaça dos submarinos aparecendo os contratorpedeiros logo ganharam mais uma função para escoltar navios de superfície. Nas operações anfíbias os canhões foram usados para atacar alvos em terra. Alguns navios foram adaptados para levar tropas apoiando incursões anfíbias. Com a ameaça das aeronaves contra os navios logo apareceu mais uma nova missão. A US Navy usava como piquete radar visto que os canhões antiaéreos tinham mais função de auto-defesa e a arma de longo alcance eram os caças com os navios atuando como controladores aéreos. A guerra de minas também já fez parte do cardápio dos contratorpedeiros, primeiro como lança-minas e depois como varredores com unidades mais antigas sendo usada na função. 
Os navios classificados como contratorpedeiro ou fragatas vêm constantemente aumentando de tamanho. Atualmente as fragatas já chegam a 5 mil tons e 140 metros de comprimento. Na Segunda Guerra Mundial era o deslocamento de um cruzador leve e depois de contratorpedeiros. Já a classe DD(X) americana cega a 14 mil tons e o DDG-51 de 9 mil tons são classificados como contratorpedeiros.
O programa Common New Generation Frigate europeu resultou em projetos de navios de 6.700 a 7.350 tons criando navios classificados como contratorpedeiros. O Japão classifica todos seus navios de combatente como contratorpedeiros de 3.700 a 18 mil tons incluindo seu novo porta-helicópteros anti-submarinos. A Coréia do Sul também com as classes KDX I, II e III. A Rússia prefere chamar seus pequenos navios de 1.900 tons como fragatas.
Como regra geral, fragatas são navios de combate oceânicos que ficam entre corvetas e contratorpedeiros em tamanho e capacidade de combate. Os Contratorpedeiros são mais usados para defesa aérea de área enquanto as corvetas são menores e menos capazes atuando mais em águas costeiras. Os OPV (Off Shore Patrol Vessel) são ainda menores e menos armados, mas com boa autonomia e qualidades marinheiras.
Com a evolução dos sistemas defensivos o conceito mudou. O programa NFR-90 seria um projeto de fragatas para seis paises europeus, mas virou vários programas menores da Alemanha, Holanda e Espanha enquanto na França, Itália e UK virou um contratorpedeiro maior.
O deslocamento dos navios aumento de 2-3 mil par 6 mil e ao mesmo tempos custo de operação e compra. Novos conceitos como o LCS apareceu devido aos novos cenários. Navios modulares com containers podem mudar de missão e modernizar armas e sensores facilmente. Fica mais barato comprar módulos em numero menor que os navios ao invés de um para cada navio. A marinha usa se quiser ou se for necessário configurando o navio para missão. O projeto CSL tem 21 módulos ISO de proa a popa e até os canhões são montados em módulos.
O conceito MEKO CSL é um exemplo recente de navio modular otimizado para operações no litoral.

Guerra Antiaérea
Os sistemas de mísseis superfície-ar atuais como o Aster-15, ESSM e Sthil-Uragan com alcance de 20-30 km são considerados como defesa aérea local e não para defesa de área de área. Há várias décadas atrás sistemas como o Tartar e SA-N1 tinham alcances semelhantes com envelope menor, mas eram classificados como defesa aérea de área. Os requerimentos atuais são muito maiores com radares multifuncionais e outras combinações de radares de busca e controle de tiro, e lançadores de mísseis verticais (VLS) com várias vantagens em relação aos sistemas conteiráveis. Na Guerra Fria havia poucas marinhas com navios equipados com mísseis SAM de longo alcance. Agora está se tornando comum e até em marinhas menores como o Marrocos, Argélia, Arábia Saudita, Singapura e Taiwan.
A capacidade dos navios varia muito e também os custos. Navios sofisticados são capazes de defender contra ataques de saturação sendo geralmente usados para proteção de unidades de alto valor como um NAe. Navios menos capazes são usados para proteção adicional ou usados para proteger GT em cenários de menor ameaça. O padrão atual é ter pelo menos um radar multi-funcional (MFR) e lançadores de mísseis verticais. Por questões de custos e capacidade dos NAes que a MB opera ou deve operar futuramente, os navios de defesa aérea não terão capacidade avançada.
Meios de defesa C-RAM (Counter - Rocket, Artillary, Mortar) são a nova capacidade sendo adicionada aos navios. Operando no litoral, apoiando missões na costa, os navios estão sujeitos a ataques de foguetes, morteiros e artilharia, assim como as forças em terra. Os navios devem ter capacidade de detectar os ataques e destruir a ameaça. As forças em terra também devem ter este capacidade defensiva quando opera fora da cobertura dos navios.
As tropas americanas no Iraque usam o Phalanx em uma carreta desde 2006 para defender suas bases, como na "Green Zone", atingindo 80% dos projeteis disparados. O próximo passo será usar espoleta de proximidade. Israel está interessado no sistema para proteger suas cidades dos ataques de foguetes palestinos. Em um navio seria uma capacidade adicional adicionada a capacidade de defesa contra mísseis e aeronaves, e já tinham sido modernizados para atacar embarcações leves como barcos suicidas. Outras armas estão sendo usadas para a tarefa e no caso da MB poderá ser os canhões Trinity de 40 mm. Os canhões de maior calibre podem ser usados para responder o fogo com contra-bateria com os radares detectando a posição do disparo das armas inimigas.
Sete paises europeus estão construindo escoltas de defesa antiaérea (AAW) para sete cenários previstos semelhantes. Todos usam mísseis ASTER-15/30 ou SM-2 e ESSM, em lançadores desde VLS com 48 mísseis na França, Itália e Reino Unido a 32 células na Alemanha e Dinamarca e 40 na Espanha e Holanda. A quantidade de mísseis varia, pois o ESSM pode ser levado quatro por célula. Então varia de 24-32 SM-2 mais 32 ESSM contra 32 ASTER 30 e 16 Aster 15 nos equipados com o PAAMS. O Aster é considerado mais avançado devido ao uso de guiamento terminal por radar ativo, alta velocidade e controle "piff-paff" necessitando de menos mísseis para obter sucesso. Todos têm radar de longo alcance (LLR), menos a F-100 espanhola, complementando um radar multifuncional (MFR).
O tamanho e o peso são comparáveis variando de 140 a 153m de comprimento e deslocamento de 5.600 a 7.450 tons. São classificados como fragatas ou contratorpedeiros dependendo do usuário.
A Type 45 é derivada do projeto Horizon trinacional cancelado em 1999. A Royal Navy planejava a comprar de 12 navios com todos operacionais em 2014, mas após dois lotes de três navios não se tem mais noticias de novas compras. As duas adicionais podem ter capacidade de levar um canhão mais potente e mísseis Tomahawk, mas foram canceladas em 2008. A função será fazer defesa aérea para NAes da classe Queem Eilzabeth e defesa aérea e C2 para outras Forças Tarefas.
As doze Type 45 iriam substituir os Type 42 na base de um para um. Seis navios foram considerados o mínimo para defender duas Forças Tarefas. A decisão de construir o CVF fez diminuir o total para economizarem fundos. Os seis navios irão custar US$ 11,7 bilhões. Mesmo assim os navios não terão várias capacidades com espaço vazio para novos sistemas.
Para diminuir os custos  Inicialmente os navios não terão mísseis anti-navio, de ataque terrestre e armas anti-submarino. Tem espaço para levar mísseis Harpoon e VLS Mk41 para o Tomahawk. Para defesa aproximada terão dois canhões DS30 de 30 mm com controle eletroótico, mas podem receber dois CIWS a meia nau. O sonar Ultra MFS-7000 tem capacidade de detectar minas, submarinos e torpedos, mas sem tubos para disparar torpedos. Levarão o Lynx HMA.8 ao invés do Merlin HM.1, com torpedos Stingray levados apenas nos helicópteros. A capacidade de engajamento cooperativo (CEC) foi cancelado. Não terão IRST e com o MAGE degradado. Os sistemas e armas adicionais poderão ser adicionados depois com a capacidade sendo fornecida por outros navios do Grupo Tarefa. 
O ponto positivo é a capacidade de adicionar 16 células do VLS Sylver A50 incluindo mísseis Aster adicionais, capacidade ABM com Aster-30 Block 1, mísseis SCALP Naval ou Tomahawk. O navio também atingiu 30 nós de velocidade máxima ao invés dos 28 nós planejados. A tripulação é de 190 homens com espaço adicional para 60 tropas.
A Type 45 será o novo navio de defesa aérea da Royal Navy. Devido aos cortes no orçamento serão fabricadas apenas seis navios para substituir 12 Type 42.

O programa Horizon continuou como um projeto da Itália e da França em 2000. Seria um navio comum com poucas diferenças nos sistemas internos. No programa inicial eram quatro para a França e seis para a Itália, depois quatro para Itália. Atualmente não passará de um par para cada país. A França irá ter duas versões da FREMM dedicada para defesa área substituindo as encomendas de duas Horizon enquanto a Itália terá suas FREMM com capacidade de disparar o Aster 30. O resultado final foi a construção de 10 do plano original de 22 Horizon, incluindo as britânicas, além de atraso de dois anos.
O CIC tem 20 consoles cada um capaz de realizar qualquer trabalho. Outro CIC de reserva fica na popa com três consoles com capacidade de auto-defesa e navegação. Outro CIC é usado para tarefas de Quartel General com um console para monitorar o quadro geral. Outro console fica na ponte de comando. Existe espaço adicional para um canhão naval médio ou 16 VLS adicionais. Pode ser o MICA-VL em lançadores Sylver A35 compacto, Aster-30 BLock 1 ou SCALCP naval em lançadores Sylver A70.
A capacidade de atuar em ambiente saturado de ameaças inclui o uso de canhões 76 mm Super Rapido com dois nos navios franceses e três nos italianos. Os canhões italianos serão armados com a munição guiada Davide-Strales (Dart). Os navios franceses também podem receber mísseis Sadral acima do hangar, mas não foi instalado inicialmente. A capacidade guerra anti-submarina inclui lançadores de torpedos fixos para torpedos MU-90 e helicóptero NH-90. Os mísseis anti-navio são oito mísseis Exocet Mk3 ou Teseo Mk2 Block IV. O radar multifuncional é o EMPAR e o IRST será o Vampire francês ou SSAS italiano.
A capacidade anti-mísseis balísticos depende da capacidade do radar SMART-L com alcance de 800km enquanto os britânico usam o S-1850. O radar EMPAR precisa ser parado para dar dados atualizados constantemente sobre alvos balísticos. O Aster-30 Block 2 (Aster-45) com alcance 150km a 2 mil metros por segundo de velocidade terminal pode interceptar mísseis balísticos em um guarda-chuva de 20-60km com maior área coberta contra os 12 km atuado com os Aster 30 Block 1.
Fragatas Multifuncionais
Fora as fragatas de defesa aérea (contratorpedeiros para várias marinhas) existem vários outros projetos pelo mundo. São navios de escolta que passaram a ser o burro de carga de várias marinhas, passando de tarefas de presença naval e vigilância, apoio de fogo naval até ataque em profundidade; proteção conta ameaças no ar, superfície e submarinas, apoio a operações de forças especiais; interdição marítima, proteção a pesca e EEZ; reforço a lei marítima e outras missões.
O modelo mais comum são navios multi-função para defender contra ameaças aéreas, de superfície e submarinas. Os modelos atuais tem 5 mil tons, com capacidade de defesa aérea de área com 16 a 32 VLS, radar multifuncional, oito mísseis anti-navio, um ou dois helicópteros e canhões (pelo menos maior que 76mm). Para guerra anti-submarina usam pelo menos um sonar de média frequência.
Os sistemas de combate costumam ser o mesmo das unidades maiores, mas sem sensores adicionais e menos armas. A fragata Fridtjof Nansem norueguesa é um bom exemplo de fragata multi-função com sistemas bem avançados. Tem 5.200 tons e 132 m, com um sistema de combate AEGIS e radar multifuncional SPY-1 originalmente criado para cruzadores. A classe Formidable de Cingapura de 3.200 tons é outro bom exemplo com sistemas bem menos sofisticados em um navio bem menor.
O Japão está iniciando a operação do projeto 19DD, seguido da classe Murasame e Takanami de 5 mil tons. São projetos com formas furtivas, lançadores de mísseis Mk41, canhão de 127mm, mísseis anti-navio SSM-1B e um helicóptero SH-60K. Os navios irão atuar como guarda-costas dos navios de defesa aérea Kongo e Atago contra ameaças ar, mar e submarinas liberando o AEGIS para focar na defesa anti-mísseis balísticos. Parece um tipo de retorno a tarefa original dos contratorpedeiros há um século protegendo couraçados de ameaças próximas de lanchas torpedeiras.
O projeto dinamarquês Flexible Patrol Ships são fragatas com capacidade de defesa aérea, NSFS e ataque terrestre. São navios de 5 mil tons e 137 metros de comprimento. Está equipado com radar multifuncional APAR e de busca de longo alcance SMART-L, lançador VLS MK41 com ESSM inclui módulos longo para levar mísseis cruise. Inicialmente será armado com mísseis ESSM e SM-2 block III e no futuro poderá receber o Tactical Tomahawk. Será armado com 16 mísseis Harpoon Block II, canhão 127mm Mk45 Mod 4 na proa e dois 35mm Millennium para defesa aérea próxima e dois helicópteros. O navio tem nove posições para container Stanflex (ESSM, Harpoon e canhão de 76mm). Pode levar uma companhia de infantaria com 46 veículos e um Estado Maior de uma Força Tarefa.

O Flexible Patrol Ships será uma escolta com capacidade de 
defesa aérea, NSFS e ataque terrestre.

Guerra Anti-Submarina
A guerra anti-submarina ainda costuma ser a tarefa principal das fragatas. Na Europa a percepção dessa ameaça diminuiu depois do fim da Guerra Fria. Na Ásia a situação é diferente com muita ameaça esperada. Em outros casos a capacidade guerra anti-submarina é secundária vindo apenas com opção de "fitted for but not with" com capacidade de crescimento apenas.
O requerimento é diferente para as missões guerra anti-submarina, com grande sonar de baixa frequência precisando de um grande domo na proa. Os sonares tipo VDS precisam de uma grande popa. Dois helicópteros é preferencial para perseguir contados.
O navio deve ser bem silencioso e atualmente a propulsão elétrica sendo a preferida para a missão. A FREMM terá versões de guerra anti-submarina dedicadas. A Itália escolheu a propulsão CODLAG combinado diesel-elétrico turbinas a gás para seus navios especializados em guerra anti-submarina.
Ataque Terrestre
Na década de 90 as marinhas se preparavam para fazer escolta de comboios no Atlântico para uma Terceira Guerra Mundial. Agora a prioridade é o ataque terrestre e apoiar operações especiais, ou ações de ajuda humanitária e evacuação de não combatentes. Para esta missão não preciso um navio de 6 mil tons, mas poder levar 150-200 pessoas adicionais e quatro RIBH de 10 metros.
A capacidade de NGFS (Naval Surface Fire Support) e land attack são novas missões emergentes para as escoltas atuais. Os cruzadores e contratorpedeiros foram as primeiras unidades usadas na missão como bombardeiro costeiro, mas as fragatas estão tomando a função atualmente. O navio precisa de pelo menos um canhão de 127 mm com um grande deposito munição e de preferência com munição guiada de longo alcance, além de sistema planejamento de missão e controle de tiro.
Os mísseis capazes de atacar navios e alvos em terra são outra opção interessante. Está capacidade já está sendo adicionado a mísseis antigos até como modernização de meia vida.
Todas as fragatas FREMM francesas devem receber o míssil cruise SCALP Naval, originalmente em todos os 17 navios planejados, com uma versão dedicada para ataque terrestre. Isso implica também a capacidade de apoiar operações de forças especiais, com novas acomodações, sistemas de comunicações, embarcações de assalto rápido, e meios para apoiar operações em terra como helicópteros utilitários, CSAR, ataque e até UAV.
O projeto da fragata F125 alemã também será dedicado para esta missão. Com deslocamento de 5.500 tons e 139 m, chamada oficialmente de Fragata de Estabilização e Força na Alemanha. O navio terá capacidade de atuar por dois anos com pouca manutenção, leva 100 tripulantes com duas tripulações completas rodando de tempos em tempos. As acomodações totais são de até 190 tropas e tripulantes. A F125 foi planejada para ser armada com o canhão Monarc de 155 mm e dois lança-foguetes GMLRS navalizados, mas que foram cancelados devido a dificuldade técnica e substituídos por um Oto Melara de 127 mm. Também leva oito mísseis RBS-15 Mk3 com capacidade de atacar alvos em terra, dois lançadores de mísseis RAM, quatro canhões MLG-27 e dois helicópteros MH-90. Para apoiar as tropas leva quatro RHIB.
Guerra no Litoral
A consequência da falta de ameaças em alto mar foi focar as frotas contra ameaça litorâneas. O foco no litoral mudou para ameaças assimétricas onde se tornam mais frequentes. Os requerimentos mudaram e resultam em soluções diferentes. No litoral o tempo de reação se tornam mais importantes com ameaças se aproveitando do ambiente. Helicópteros, datalink e NCW se tornaram multiplicadores de força diminuindo o tempo para detecção, classificação e reação.
A guerra anti-submarina é a área mais afetada no litoral. A detecção é prejudicada pela propagação ruim do som e pelo ruído de fundo. Os sonares de alta frequência e VDS se torna inúteis. As armas ASW de longo alcance têm pouca utilidade e fica difícil usar torpedos ASW. Os helicópteros costumam ser mais úteis nem que seja para dipar o sonar e lançar cargas de profundidade.
Operações costeiras, ou guerra litorânea, precisa de um ótimo desempenho de sonar e radar, assim como atenção a sensores passivos (MAGE e FLIR) e outros sensores como UAV para compilar o quadro tático em ambiente mais difícil na área técnica e operacional.
Também precisa estender a capacidade de combate sobre a terra. Navios especializados precisam de mísseis superfície-superfície de uso duplo contra navios e alvos em terra, NSFS e ter capacidade de apoiar operações de forças especiais. As novas ameaças são embarcações rápidas, submarinos costeiros, minas, mísseis anti-navios lançadas do mar ou terra e outros. A furtividade se torna importante para sobreviver incluindo o espectro de radar, acústico, visual e IR.
O resultado foi novos tipos de navios dedicados para a missão como o LCS (Littoral Combat Ship) americano e o projeto CLS alemão. Com 3 mil tons o LCS mas chega a 45 nós contra geralmente 30 nós máximo da maioria das escoltas atuais. Mais importante é usar o navio como plataforma para UAV e USV. O navio usa conceito modular para se adaptar a missão conforme o requerimento. Já são três módulos disponíveis para guerra de minas, guerra anti-submarina e guerra de superfície podendo ser reconfiguravel. O problema por enquanto é o aumento do custo.
A TKMS logo lançou o projeto MEKO Combat Ship for the Littorals (CSL) com características da MEKO e Visby. Com 109 metros de comprimento e deslocamento de 2.750 tons o CLS pode atingir uma velocidade de 40 nós. O conceito modular prevê o uso de 21 módulos comuns de canhão, mísseis, guerra anti-submarina, AUV e ROV para guerra de minas, hospital, Comando & Controle, barcos rápidos, USV, UAV e sensores descartáveis.
A Visby sueca tem capacidade de crescimento para 2.500 tons e a mesma modularidade e furtividade do navio original. Foi projetada para operar no Mar Báltico com a furtividade sendo a sua principal defesa além de usar o litoral recordado no local para se esconder e manobrar. A Suécia estuda uma versão maior para operar no exterior.
Guerra de Minas Orgânica
As operações expedicionárias no litoral devem levar em conta a ameaça das minas navais. A tarefa inclui criar linhas seguras para passagem das forças, limpeza de áreas para operações anfíbias, ou NSFS, manter abertas acessos a portos e chock point e outros. Estas operações serão feitas longe da base levando a problemas de alcance e autonomia dos navios, geralmente com pouca capacidade defensivas e curto alcance. A maioria dos meios em operação nas marinhas atuais é de uso defensivo em portos do país e sem ameaças inimigas.
O resultado é que as missões de guerra de minas estão passando para navios mais sofisticados como as corvetas Visby, o LCS e StanFlex 300. A maioria dos países está tendo que modernizar seus navios para operar contra ameaças sofisticadas, mas encontradas em pequeno número.
Sistemas modulares de guerra de minas como sonares rebocados, veículos controlados remotamente de superfície e submarinos (USV, UUV e AUV) e até mesmo em helicópteros, identificação de minas e distancia ataque, USV , UUV e AUV tornaram viável p uso de sistemas modulares em navios realizando guerra de minas não dedicada. Os sistemas podem ser instalados em navios escolta, navios multi-função, navios de oportunidade e até estações em terra.
A guerra de minas orgânica está sendo muito usada pela US Navy após a experiência em dois conflitos no Golfo Pérsico onde tiveram de operar sem navios dedicados devido a demora para deslocar seus meios dedicados e levando a danos em dois navios. Agora os Carrier Strike Group (CSG) e Expeditionary Strike Group (ESG) tem seus próprios meios de guerra de minas orgânico na forma do helicóptero MH-60S e no sonar de evitamento de minas Kingfisher instalado em todos os contratorpedeiros e sonar em seis contratorpedeiros.
O LCS também inclui a capacidade de guerra de minas em módulos. O LCS já foi projetado para receber equipamento modular que pode ficar pré-posicionado ou levado pelo ar até a área onde o LCS está operando ficando operacional em pouco tempo. O pacote MIW (Mine Warfare) do LCS inclui um helicóptero MH-60S com o sonar OASIS (varredura de influencia), o sistema de varredura laser ALMDS (Airborne Laser Mine Detection System), o sonar anti-minas AQS-20, o sistema RAMICS de destruição de minas, AMNS (Seafox aero), três MQ-8 Fire Scout com dois módulos de radares Cobra para reconhecimento de minas, dois WLD-1 RMS com dois sonares AQS-20A rebocado, UUV Sculpin-Remus UUV, um USV Spartan com sistema de varredura de minas e um destacamento de mergulhadores de combate e finalmente

Um MH-60 com um sonar anti-minas AQS-20.

Fragata de Patrulha
Os conflitos de baixa intensidade e as missões de interdição marítima (sanções, embargo, anti-proliferação etc) são tarefas aumentando de importância e o desempenho dos navios necessários para cumprir a missão não sendo importante. O USCG usa Cutters como o novo projeto Deepwater (classe Bertholf) sendo uma fragata leve de 127m e 3.200 tons armado com um canhão de 57 mm, Phalanx, ECM e lançadores de chaff SBROC-Nulka par auto-defesa. O navio pode levar UAV, helicópteros, UUV e embarcações RHIB de 11 metros.
A classe La Fayette classe de 3.700tons só atinge 25 nós e tem papel semelhante assim como as fragatas de vigilância Floreal de 2.950 tons com 20 nós de velocidade máxima. São mais bem armados que as OPV, mas menos que as fragatas normais. São ideais para missões de presença, vigilância e conflitos de baixa intensidade. São mais lentas para apoiar uma Força Tarefa, mas podem apoiar operações de guerra de minas apoiando navios anfíbios ou mercantes contra ameaça limitadas no ar e superfície.
Future Surface Combatant
O programa para o substituto das doze fragatas Type 23 britânica mostra a falta de clareza e indecisão para futuros requerimentos dos navios escolta. O programa iniciou com o programa FE (Future Escort) e virou o Future Surface Combatant (FSC). Foram analisadas várias opções como uma variante da Type 45, um navio-mãe visionário, e até uma família com um contratorpedeiro maior e navios menores tipo LCS. Em 2004 os estudos indicaram a preferência para uma abordagem tradicional com 10 unidades derivada da Type 45 com 5 mil tons e um navio mais simples tipo corveta de 2 mil toneladas derivado da OPV classe River. O programa foi cancelado no fim do mesmo ano.
Em 2005 os estudos foram reiniciados com o conceito Medium Size Vessel Derivative (MVD) incluindo quatro navios iniciando em 2016 e um Versatile Surface Combatant (VSC) seguindo em 2020. Devido a situação financeira e as relações internacionais passou a considerar um maior número de navios menos capazes para apoiar missões de interdição marítima e operações policiais.
Em 2006 iniciou o projeto Sustained Surface Combat Capability (S2C2). A primeira missão foi aumentar a vida útil das Type 23 para 35 anos e iniciar estudos sobre o requerimento dos novos navios que devem ter boa autonomia e alcance, acomodações modernas, e tamanho razoável para apoiar operações aéreas, e capacidade de vigilância significativa. Devem ser simples e baratas para operar e comprar.
O estudo S2C2 indicou três seguimentos de navios além da Type 45 para a Royal Navy. O primeiro é o C1 (Force Anti-Submarine Warfare Combatant) de limite superior será uma fragata com capacidade guerra anti-submarina e ataque terrestre mais guerra de minas orgânica e capacidade de levar tropas. Será um navio de 6 mil tons otimizado para combate como parte de uma Força Tarefa. Poderão ser adquiridos até 10 navios tipo C1.
O segundo tipo é o C2 para cenários de baixa intensidade, ou Stabilisation Combatant, para operações estabilização de pequena escala, segurança de Linhas de Comunicações Marítimas, escolta de choke point e outras missões de baixa intensidade. Está sendo considerado a compra de oito navios tipo C2. O C2 não precisaria ser muito capaz pois atuaria em cenários onde as ameaças de aeronaves, mísseis e submarinos não existiriam ou seriam muito baixa ou limitada. A capacidade de identificação visual é considerada obrigatória antes de disparar.
O terceiro tipo é o C3 de baixa capacidade tipo OPV (Ocean-Capable Patrol Vessel) para missões policiais, e guerra de minas, com 2 mil toneladas de deslocamento e 7 mil milhas de alcance. Poderão ser comprados de 8 a 20 navios do tipo.
A mesma solução está sendo considerada por outras marinhas como a França e Holanda com a aquisição de um OPV para as tarefas mais simples. A Holanda opera 10 fragatas sendo oito de uso geral, duas de guerra antiaérea que serão substituídas por quatro de guerra antiaérea, duas de uso geral e oito OPV. A França já usa suas A69, Floreal e La Fayette para patrulhas suas colônias no Pacífico.
FREMM
A Itália e a França resolveram harmonizar seus programas de fragatas de uso geral no programa FREMM (Fragata Européia Multi-Missão) iniciado em 2002 para a construção de 17 navios para França e 10 para a Itália. Com um grande lote de 27 navios o preço unitário esperado era de 250 milhões de Euros.
Os estudos iniciais identificaram quatro configurações: Frégates Actions Sous-Marine/F-ASM francesa, ataque terrestre francesa (Frégate Multi-Mission/Actions Vers la Terre/FMM/F-AVT), ASW italiana e uso geral italiana. Os itens comuns seriam a propulsão, sistemas de guerra anti-submarina, guerra eletrônica, artilharia e comunicações.
A Itália queria cinco modelos de cada enquanto a França planejava oito ASW e nove AVT. Na França irão substituir as classes Tourvile e Georges Leygues de guerra anti-submarina e a Cassard de defesa aérea. Na Itália irão substituir oito fragatas classe Maestrale e quatro Lupo. O contrato de 11 bilhões de Euros foi assinado em 2005.
O comprimento da FREMM é de 139 metros com boca de 19 metros e deslocamento de 6 mil tons. A versão Italiana será chamada de classe Bergamini com propulsão CODLAG com LM2500+G4 de 32MW de potência e dois geradores diesel de 2.1 MW cada. A popa terá quatro motores elétricos cada um com 2.2 MW de potência. Além das duas hélices inclui propulsão de emergência com capacidade de 6-7 nós. As FREMM atingem 27 nós com propulsão a diesel e 4-16 em cruzeiro com propulsão elétrica com 14 nós para operações de guerra anti-submarino. A autonomia é de 45 dias. A tripulação é de 108 na versão francesa e 123 na italiana, ou 145 com dois helicópteros embarcados podendo chegar a 165 tropas apoiando forças especiais ou Estado Maior de comando.
Na França será chamada de Aquitaine. A assinatura IR dos modelos franceses foi diminuída com exaustores diesel ao nível da água e outra medidas. A Itália prefere o escape no alto evitando aumento na assinatura acústica.
Os sistemas de combate são bem diferentes. A Itália usará o radar multifuncional EMPAR similar a da Horizon enquanto a França escolheu o HERAKLES. O EMPAR permite guiar mísseis ASTER 30.
A classe Aquitaine recebera o míssil cruise SCALP Naval sendo a razão de ser da classe, na versão ASM e AVT. Serão instalados nos lançadores A70 junto com os Aster-15 em outras 16 células. Os navios italianos não tem lançadores no local equivalente, mas tem capacidade de serem instalados depois. As fragatas italianas receberão quatro mísseis anti-submarinos MILAS substituindo quatro OTOMAT anti-navio nas versões anti-submarina.
As Bergamini receberam um canhão de 76 mm e outro de 127mm enquanto a Aquitaine só irá receber um canhão de 76 mm na proa. As italianas também disparam a granada guiada Davide-Strale e o canhão de 127 mm pode disparar o projétil guiado Vulcano de longo alcance. França irá operar apenas um helicóptero NH-90 na versão ASW ou Cougar ou UAV na AVT. As italianas poderão operar dois NH90 ou um NH90 e um AW-101.
As duas te capacidade de rampa na popa para levar RHIB para apoiar operações de forças especiais. Na Itália será usado o USV U-Ranger da Calzoni com capacidade de ser usado em guerra de minas e patrulha de porto antes de abortar, e missões de contra-terrorismo e anti-pirataria.
Os dois primeiros navios italianos foram comprados por 2.1 bilhões de Euros. Já as seis ASM e dois AVT francês foram comprados por 4.19 bilhões. Os primeiros navios devem estar operacionais em 2012. Os lotes adicionais italianos estão com risco de serem cortados e os planos franceses só citam mais três navios adicionais sendo dois de defesa aérea (FREDA - Frégates de Défense Aérienne) no lugar das duas Forbin canceladas. Serão equipados com o lançador A50 para Aster-30 e sem o A70 para SCAPL Naval para levar 16 Aster-15 e 16 Aster-30 ou 32 Aster-30 e 24 MICA-VL na lateral do hangar como nas FREMM compradas pela Grécia.
O custo subiu de 450 para 600 Euros devido a diminuição das encomendas. Uma F-ASM comprada pelo Marrocos em 2008 custou 470 milhões de Euros. A Grécia comprou seis em janeiro 2009 para substituir a classe Elli classe. Os navios gregos serão armados com 16 Aster-30 e 24 MICA-VL em lançadores Sylver A35 no lado hangar, um canhão de 127 mm, mísseis Exocet e torpedos MU-90. A Argélia está negociando a compra de quatro navios e a Arábia Saudita 4 a 6 navios.

Conceito da FREMM em construção para a Itália e França.

Programas de Contratorpedeiros
O DDG-1000 classe Zumwalt americana terá um deslocamento de 14 mil toneladas, terá 150 tripulantes, dois canhões de 155 mm, dois canhões 40 mm e VLS com 80 tubos. Plano inicial eram 32 navios, mas apenas três serão construídos devido ao custo.  NO lugar serão fabricados mais DDG-51 e outros navios serão modernizados. A US Navy retirou 28 contratorpedeiros da classe Spruance para os fundos serem usados na nova classe. Poderiam operar até 2019 e  agora vão reformar a classe Burke e Ticonderoga para operar até 2030. O custo será de US$ 200 milhões para os contratorpedeiros e US$ 300 milhões para reformar um dos cruzadores.
A classe Hyuga japonês é um contratorpedeiro de convés corrido que entrou em serviço em 2009. Junto com outros três irmãos serão o centro dos grupos DDH de 8-8 frotas da Marinha Japonesa que antes era composta de oito frotas de guerra anti-submarina contra a URSS. Agora serão quatro grupos de defesa aérea DDG e quatro DDH. O Hyuga pode receber o F-35B podendo ser usado para defesa aérea e até projeção de poder. A classe Invencible da Royal Navy passou por um processo semelhante sendo um cruzador de convés continuo para helicópteros e recebeu uma ski jump durante a construção. Já a Hyuga tem sonar e ASROC-VL e sem radar de busca de longo alcance. Classe anterior de DDH levava até uma hora para decolar três helicópteros que agora podem operar simultaneamente, ou até quatro, mas só levará três helicópteros anti-submarinos. A capacidade real é de 10 SH-60K no convoo e sete no hangar.
Nova Escolta de 6 mil toneladas
O plano inicial de renovação das escoltas prevê a compra de três ou quatro novos navios escoltas a partir de 2011 com possibilidade de chegar a 14 ou mais unidades para substituir todas as escoltas atuais até 2025 quando todos os navios atuais serão retirados de serviço (menos a corveta Barroso). Os novos navios escolta terão cerca de 6 mil toneladas de deslocamento a exemplo de escoltas modernas como as FREMM, KDX-1, F-124 ou F-100 com boa capacidade de defesa aérea de área. Os navios serão construídos no Arsenal da Marinha no Rio de Janeiro.
As compras de oportunidade de navios de escolta parecem não ser prioridade para a MB, mas os custos dos novos navios pode levar a mudança desse pensamento. A substituição das corvetas classe Inhaúma e Barroso não estão incluídas no projeto das novas fragatas e poderão ser substituídas por navios de segunda mão.
Para diminuir o tempo de construção e os custos de aquisição a MB optou por adquirir um projeto internacional já em construção ou operação. Os sistemas, sensores e armas serão definidos pela MB e os navios deverão ser construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). A construção deve iniciar em 2011. 
Vários estaleiros já anunciaram que irão participar. A Alemanha ofereceu a classe Sachsen type 124 e talvez a Type 125. Os coreanos oferecem o KDX-2 de 5.200 ton com um custo de US$ 420 milhões cada. Já a DCNS francesa oferece as fragatas FREMM de 6.500 com um custo unitário de US$ 600 milhões na configuração antiaérea. A Espanha pretende concorrer com a fragata F-100. A Northrop Grumman Ship Systems (NGSS) oferece um contratorpedeiro do projeto da Gibbs & Cox, derivados do DDG-51 baseado no navio oferecido a Marinha Australiana, conhecido como Classe Hobart. O custo unitário seria de US$ 1 bilhão, desloca cerca de 8.100 ton e está equipado com sistema de combate Aegis e phased array radar SPY-1D, 64 células de mísseis MK 41 para uma configuração padrão de 40 SM-2, 32 ESSM e 16 ASROC (VL), 8 mísseis RGM-84 Harpoon ou similares, além de um canhão principal de 127 mm, 2 canhões de 20 mm e 2 lançadores triplos para torpedo Mk 50. O navio tem 230 tripulantes e conta com hangar para até dois helicópteros.
Estaleiros da China, Dinamarca (Flexibel Patrol Ship), Holanda, Índia, Reino Unido e Rússia solicitaram informações sobre o programa. Navios modulares são o Flex dinamarquês, MEKO alemão e o LCS americano. A Royal Navy projeta seus navios para levar sistemas mas não instala inicialmente para distribuir os gastos ao longo do tempo. Os acordos recentes com os franceses sugerem até que será a FREMM.
Vários sistemas e armas nacionais são candidatos para o novo navio como o radar SABER navalizado, míssil anti-navio MAN-1, sistemas de comando SICONTA Mk 4, sistema de guerra eletrônico Defensor, lançadores de chaff e flare. Outros sistemas já em uso como o Bofors Trinity Mk.3 de 40mm poderão ser escolhidos para os novos navios.
Os navios devem incluir a capacidade de receber lançadores conteiráveis com mísseis nacionais A-Darter e/ou MAA-1B de defesa de ponto complementando os mísseis de defesa de área. Com custos de um míssil longo alcance (ESSM, Aster-15) sendo caros pode-se considerar que irão armar poucos navios.
A MB precisa de escoltas de defesa aérea de área pelo menos para operar em cenários de média ameaça. Seria basicamente uma missão de paz fazendo defesa aérea na área de operação. Os mísseis de longo alcance forçariam as ameaças de caças a voar baixo e se expondo as defesas locais como o míssil Mistral e o canhão Bofors operados pelo CFN. Seria necessário pelo menos dois navios do tipo e talvez até quatro.
Para atuar em cenário de grande ameaça seria necessário navios muito mais sofisticados e caros, atuando como parte de um GT com um NAe de capacidade respeitável com caças de interceptação. Os custos e a priorização das missões de negação de área indicam que seria difícil chegar a ter esta capacidade.
Operando no Atlântico Sul ainda se deve considerar navios especializados em guerra anti-submarina com sensores de boa qualidade como o VDS e dois helicópteros. Seria necessário pelo menos quatro navios com esta capacidade.
A versão de uso geral seria a maioria. Seria um navio com capacidade de defesa aérea limitada com poucos mísseis ou só de curto alcance para diminuir os custos. Deve operar um helicóptero e ter capacidade para operar UAV. Deve ter pelo menos um sonar de média frequência pensando em operações no litoral, mas com espaço para receber sonares para guerra anti-submarina em alto-mar.
Versões especializada poderia ser equivalente ao LCS ou a fragata F125 com canhão para NSGS com munição guiada, uma versão do Astros Naval, capacidade de levar tropas, UUV, mísseis superfície-superfície em grande quantidade (pelo menos 8 a 16), levar os helicópteros Mi-35 da FAB, e capacidade de C2 para apoiar missões de paz.
O próximo passo seria comprar navios bem menos capazes tipo OPV lembrando os três níveis de escoltas planejadas para o programa Future Surface Combatant britânico que será discutido depois. Seriam os substitutos das corvetas classe Inhaúma.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

EMBRAER ELBIT HARPIA. A moda sem piloto chega ao Brasil.



Quando a EMBRAER se associou à ELBIT SYSTEMS em setembro do ano passado para formar a HARPIA SISTEMAS S.A. (com 51% das ações para a EMBRAER e 49% para a ELBIT, além da aquisição de 25% das ações da AEL Sistemas pela EMBRAER), especulava-se que pretendiam apenas redesenhar o UAV Hermes 450 para satisfazer às necessidades da Força Aérea Brasileira e demais Forças Armadas (e eventualmente policiais, como a Policia Federal). Seria um escopo simples, relativamente barato e lógico, porém modesto demais.
Afinal, o Hermes 450 foi projetado para o uso em Israel, onde missões com raio de no máximo 200 km da Estação de Controle Terrestre era mais do que suficiente. Mas 200 km no Brasil não é realmente um alcance a ser considerado, ao menos diante dos objetivos aparentes do Projeto Harpia: o consórcio EMBRAER/ELBIT teria de, no mínimo, acrescentar uma antena "além da linha de visada direta" e tanques de combustível maiores, além de aumentar a carga útil se quisessem ser considerados candidatos sérios aos programas Sistema Integrado de Vigilância de Fronteiras (SisFron) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).
Acima: O UAV Hermes 450 usado pela força aérea brasileira (FAB) foi o primeiro contato que a FAB teve com este tipo de sistema. Atualmente a FAB mantem dois aviões deste modelo em serviço
Acima: Mas sequer se tinha ideia do quanto o consórcio EMBRAER/ELBIT se distanciaria do conceito original do Hermes 450. As modificações foram radicais, como se vê na arte acima.

A imagem mostrada foi revelada novembro passado em apresentação oficial da EMBRAER. Ela revela uma aeronave um bocado diferente do Hermes 450. Quase deu para confundir o HARPIA com o HERON, por causa da cauda dupla, que é construído, é claro, pelo rival da ELBIT, a IAI (Israel Aerospace Industries). Não obstante, assemelha-se também - em princípio, ao menos - ao ELBIT HERMES 900. Uma das principais diferenças externas está precisamente na cauda em V, que é convencional (simples com estabilizadores estilo Beech Bonanza) no modelo israelense e dupla invertida no modelo nacional.
Acima: O Herme 900 possui a causa em "V", diferentemente do modelo da Embraer.

O HARPIA proporcionará ao grupo EMBRAER/ELBIT o embrião de um inédito UAS (Unmanned Aircraft System - Sistema de Aeronave não-Tripulada) de porte médio. Quem sabe o que virá a lume? Se funcionar a contento poderá, além de suprir o altamente necessitado mercado interno, até gerar exportações de um produto próprio, possivelmente acrescentando um novo competidor aos consagrados IAI HERON e GAAS (General Atomics Aeronautical Systems) PREDATOR A. Sobre este, lembrar que sem grandes modificações externas gerou o UCAV (Unmanned Combat Air Vehicle - Veículo Aéreo de Não-Tripulado de Combate, VANTC na terminologia militar brasileira), que é uma versão armada e preparada para combate.

Comentário: notar o formato do nariz do UAV. Só se justifica aquela protuberância frontal superior com a presença de uma antena de comunicações via satélite (além da linha de visada, portanto), lembrando que a EMBRASAT, empresa composta pela TELEBRÁS (49%) e EMBRAER (51%) tem previsão de lançamento em torno de 2014 de um satélite geoestacionário no qual uma das funções é precisamente a de proporcionar comunicações militares seguras (e isso pode significar também a guiagem/monitoramento de UAVs). Ademais, a arte lembra mais um verdadeiro Medium-Altitude Long-Endurance (MALE). A notar-se os nomes dos parceiros envolvidos no projeto, é difícil crer que não seja efetivamente desenvolvido até chegar ao estágio de produto final, a EMBRAER é notória por trabalhar em projetos militares apenas e somente com expresso apoio governamental, estratégia também da ELBIT no Brasil, através de sua subsidiária AEL Sistemas.

Fontes
* ABIMDE
* Elbit Systems
* Embraer Defesa e Segurança S.A.
* Flightglobal
* IAI - Israel Aircraft Industries