domingo, 15 de julho de 2012

P-120 Amazonas, O guardião das Águas Jurisdicionais Brasileiras

 Portsmouth, Reino Unido:O Amazonas, o primeiro dos três Navios de Patrulha Oceânica construídos pela BAE Systems, foi entregue hoje à Marinha do Brasil, em uma cerimônia realizada na Base Naval de Portsmouth.

 Ao som dos hinos nacionais do Brasil e do Reino Unido, funcionários e convidados, incluindo representantes das Marinhas do Brasil e do Reino Unido e do Governo do Reino Unido, assistiram ao primeiro levantamento da insígnia por membros da empresa, marcando formalmente a entrega do mais novo navio da Marinha do Brasil.
 
 Segundo Mick Ord, Diretor Executivo da área de Navios de Marinha, na BAE Systems: “Temos orgulho em entregar o Amazonas à Marinha do Brasil hoje.  A entrega do primeiro navio marca igualmente uma importante etapa no programa e o estreito relacionamento de trabalho que estamos formando com o Brasil.  Tenho certeza de que estas embarcações altamente capazes constituirão um valioso ativo para a Marinha do País”.

 A entrega se realizou no prazo de apenas seis meses, após a assinatura do contrato de £133 milhões, prevendo o fornecimento de três Navios de Patrulha Oceânica e a prestação dos serviços auxiliares de suporte.  De acordo com o contrato, caberá à BAE Systems fornecer também treinamento a mais de 80 membros da tripulação do Amazonas, baseados atualmente em Portsmouth. O treinamento abordará áreas como operação do navio, sistemas eletrônicos e propulsão.  O navio rumará para Plymouth, em julho, onde a tripulação completará seu programa de treinamento, antes de seguir para o Brasil, em agosto.

O primeiro de sua classe, o Amazonas, foi construído nas instalações da BAE Systems, em Portsmouth.  Os outros dois navios de sua classe, o Apa e o Araguari, foramconstruídosnos estaleiros de Scotstoun, às margens do rio Clyde,sendo que a entrega de ambos está prevista para dezembro de 2012 e abril de 2013, respectivamente.
  
 Os Navios de Patrulha Oceânica conferem ao País uma maior capacidade de atuação marítima. Munidos de um canhão de 30 mm e de duas metralhadoras de 25 mm, assim como de um barco inflável rígido e de um convés para pouso e decolagem de helicópteros de porte médio, os navios são ideais para garantir a segurança marítima das águas territoriais do Brasil, inclusive a proteção das reservas de petróleoe gás do País.


As principais características:

Comprimento Total: 90,5 metros
Comprimento entre Perpendiculares: 83 metros
Boca Máxima: 13,5 metros
Calado de Navegação: 6,0 metros
Deslocamento Carregado: 2.060 toneladas
Velocidade Máxima com 2 MCP: 25 nós
Raio de Ação a 12 Nós: 4.000 milhas náuticas
Autonomia: 35 dias
Capacidade de Tropa Embarcada: 39 militares
Capacidade de Transporte de Carga: 06 Conteineres de 15 toneladas
Armamento: 01 canhão de 30mm e 02 metralhadoras de 25mm
Sistema de Propulsão: 2 Motores MAN 16V28/33D  7.350 HP
Geração de Energia: 
3 Geradores CATERPILLAR de 550 kW
1 Gerador CATERPILLAR de 200kW
Tripulação: 12 Oficiais, 21 SO/SG e  48 CB/MN


Os Navios-Patrulha destinam-se ao patrulhamento das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), devendo executar diversas tarefas, dentre elas a de, em situação de conflito, efetuar patrulha para a vigilância e defesa do litoral, de áreas marítimas costeiras e das plataformas de exploração/explotação de petróleo no mar e contribuir para defesa de porto; e, em situação de paz, promover a fiscalização que vise ao resguardo dos recursos do mar territorial, zona contígua e zona econômica exclusiva (ZEE), de repressão às atividades ilícitas (pesca ilegal, contrabando, narcotráfico e poluição do meio ambiente marinho), contribuir para a segurança das instalações costeiras e das plataformas marítimas contra ações de sabotagem e realizar operações de busca e salvamento na área de responsabilidade do Brasil.

O navio-patrulha Oceânico “Amazonas” foi projetado e construído para atender às necessidades de fiscalização de extensas áreas marítimas. Devido à sua grande autonomia e capacidade de operar com aeronave orgânica (helicóptero) e duas lanchas, contribuirá com os demais navios da Marinha do Brasil na proteção e fiscalização da chamada “Amazônia Azul”.

Após a incorporação à Marinha, o “Amazonas” será preparado para navegar em direção ao Brasil, o que está previsto para ocorrer na primeira quinzena de agosto. Em uma viagem de dois meses, o navio suspende de Plymouth, cumprindo o seguinte roteiro: Lisboa (Portugal), Las Palmas (Espanha), Mindelo (Cabo Verde), Cotonou (Benim), Lagos (Nigéria), São Tomé e Príncipe, Natal (RN), Salvador (BA), Arraial do Cabo (RJ) e tem como porto final, na primeira quinzena de outubro, o Rio de Janeiro (RJ).





2 comentários:

  1. Me informando sobre os navios da classe Amazonas adquiridos pela MB, descobri que além dos 3 comprados temos a licença de fabricação local de outros 5.

    Além das funções propriamente de patrulha, me parece que esses navios tem um interessante potencial para serem melhor armados e desempenharem outras funções, complementando "navios de primeira linha" como fragatas e corvetas e ampliando a capacidade de combate da MB.

    Toda a força (aérea, marítima ou terrestre) tem que ter um 'hi-lo mix", ou seja, evitar extremos de ter poucas unidades mais capazes ou muitas unidades de capacidade limitada - o ideal é utilizar os recursos financeiros sempre limitados numa combinação dos dois tipos. A USN, por exemplo, adotava crusadores e destroiers avançados para proteção de FTs e fragatas mais baratas para outras funções de escolta e guerra ASW.

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  2. Como a aquisição de navios patrulha é necessária "porque não" fazer um pequeno investimento adicional e incrementar a capacidade combativa desses navios?

    Antes que alguém comente algo do tipo "todo o orçamento está comprometido com outros projetos", gostaria apenas de discutir os prós e contras de desenvolver esses navios para outras funções e não se ele seria melhor gastar com isso em detrimento de outros projetos.

    links com informação básica dos navios:
    https://en.wikipedia.org/wiki/Amazonas-class_corvette
    http://www.naval-technology.com/project ... l-vessels/

    Características que mais me chamaram a atenção:

    - Porte e boas capacidade de operar em alto mar
    - Boa velocidade maxima (25nos) e autonomia (5.500 nmi e 35 dias no mar)
    - plataforma para helicopteros (mas sem hangar), que pode ser usada para transportar 6 containers que podem ser movimentados por um guindaste de 16ton
    - alem dos 70 tripulantes, pode transportar 50 "passageiros"
    - custo unitario atrativo de USD70mi, graças ao design civil (ou seja, a capacidade de sobrevivencia em combate é limitada)

    Potencialmente, é um navio capaz de desempenhar funções de combate em cenários de baixa intensidade e operar em localidades distantes, inclusive levando tropas e equipamentos.

    Considerei vários possíveis "upgrades":

    Mod. 01 - capacidade ASuW

    Instalação de lançadores MAN-SUP (2x2 ou 2x1) no lugar das peças de 25mm ou em outras posições do navio.
    Mesmo na falta de um sistema CIWS ganha-se uma capacidade ofensiva importante por um custo pequeno, além de gerar demanda para os MAN-SUP.
    Em cenários de maior intensidade, poderiam operar como multiplicadores de força sob a proteção de navios de primeira linha.


    Mod 02 - 01+CIWS

    Substituição da peça principal de 30mm por outro canhão com capacidade antimissel. A opção mais economica seria o conhecido Trinity 40mm, a alternativa um AK-630 de 30mm russo (melhor custo-beneficio) e a ideal um Bofors 57mm. A Tailandia opera uma versão desse navio com um canhão de 76mm. Também seriam necessários sistemas ECM como lançadores de chaff e radares de controle para os canhões (uma alça optrônica não é suficiente).
    Uma outra alternativa seria adicionar um sistema de misseis de curto alcance, com o Simbad-RC e alcance semelhante ao Seawolf usado nas Type 22.

    Apesar do custo adicional, cria uma capacidade interessante antisuperficie com capacidade de auto-defesa. Me parece um upgrade necessário para permitir missões de patrulha no exterior, como missões de paz, sujeitas a ataques de MANs lançados de terra ou multiplas pequenas lanchas com armas leves. Regularmente enviamos fragatas nessas missões que poderiam ser cumpridas por navios de operação mais econômica como estes.


    Mod 03 - UAV organico

    Uma adição importante seria um ou dois UAV VTOL com sensores FLIR e/ou radar.
    A eliminação do guindaste permitiria incorporar um pequeno hangar (telescópico?) para helicopteros tripulados, mas não me parece realmente necessário pois esse pequenos UAVs podem ser facilmente acomodados em containers padrão.


    Mod 04 - capacidade ASW

    A um custo bem mais significativo poderiam ser incluídos sensores antisubmarino (sensores passivos rebocados e/ou sonar de casco). Lançadores de torpedos leves e uso de um UAV capaz de lançar torpedos garantiriam capacidade ofensiva.
    Essa modificação tornaria esses navios em escoltas ASW de boa autonomia, liberando o navios de primeira linha para outras missões.


    Para os três navios já em operação, eu pensaria apenas no "Mod 01". Para os demais cinco os outros upgrades seriam possíveis. Talvez o Mod 04 não compense pelos custos elevados.

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