sábado, 21 de julho de 2012

Modernização do AMX - 4° parte, Sistemas Ofensivos



Armas Guiadas

A expectativa da década de 50-60 era que as aeronaves táticas tivessem a capacidade de lançar 48 bombas contra um alvo de ponto, com CEP de 50 metros (círculo imaginário onde caem 50% das bombas a partir do ponto de pontaria), usando procedimento automático, e penetração a baixa altitude. A tendência atual é vôo a média altitude como tática defensiva baseada em furtividade e uso de armas guiadas (uma ou duas por alvo).

A FAB está no meio termo usando táticas de penetração a baixa altitude para fugir das defesas com pontaria automática de bombas não guiadas. O AMX introduziu os modos CCIP e CCRP na FAB e em demonstrações o AMX conseguiu atingir alvos de ponto com precisão a partir de média altitude com bombas comuns. O ganho em precisão foi de 70% comparado com o Xavante.

O uso de armas guiadas está aumentando aceleradamente. De uma quantidade relativa de 1% no Vietnã na década de 60-70, e 10% na Guerra do Golfo em 1991, passou para 35-50% no conflito de Kosovo e 70% no Afeganistão.

Na segunda Guerra do Golfo em 2003, 68% das munições disparadas eram guiadas. Isto ocorreu principalmente devido a necessidade de diminuir os danos colaterais. O efeito político da destruição de alvos não militares ou a morte de civis pode ser pior que a não destruição do alvo.

Cerca de 10% das munições disparadas na Guerra do Golfo em 1991 eram bombas guiadas a laser e foram responsáveis pela destruição de 80% dos alvos. Os números não foram melhores devido a falta de aeronaves equipadas com sensores adequados como o F-15E Strike Eagle, F-111 AardVark e A-6E Intruder, além de alguns Bucanneer da RAF e Mirage F1 e Jaguares franceses. Os Aliados só tinham 150 aeronaves equipadas com capacidade de guiar bombas guiadas a laser na Guerra do Golfo.
Na Guerra do Golfo, durante os 43 dias de conflito, um total de 80.300 toneladas de bombas foram disparadas. Dessas, 5.900 toneladas eram consideradas bombas inteligentes ou guiadas. Deste total, 25% das bombas burras e 90% das inteligentes atingiram os alvos.
Outro dado interessante é que os B-52 voaram 1617 missões (3% do total) e lançaram 72 mil bombas, ou 29% em peso total, em ataques de saturação de área. Funcionavam com artilharia aérea com o objetivo de obter efeito sobre o alvo e não a destruição especificamente (resultado secundário) sendo que a precisão era péssima. Com um ajuste nos dados, os caças lançaram seis vezes mais bombas burras do que bombas guiadas.

Na operação 'Enduring Freedom' no Afeganistão, 93% das armas disparadas pela US Navy eram guiadas. Entre as missões onde foram disparadas armas, 84% dos alvos foram atingidos, e 80% dos alvos não eram conhecidos pelo piloto quando decolou.
 A operação "Enduring Freedom" no Afeganistão em 2001 foi bem menos intensa que a operação "Desert Storm" em 1991. Foram menos de 200 saídas por dia contra 3000 em 1991. As operações foram bem, mas mais efetivas atingindo o mesmo número de alvos por dia com o uso de armas guiadas. Na Guerra do Golfo eram necessárias 10 aeronaves por alvo contra dois alvos por aeronave no Afeganistão.

No Golfo em 1991 foram lançadas 227.315 armas sendo 7,6% guiadas. No Iraque em 2003, 68% das armas disparadas ou 19,948 eram guiadas. 8.716 ou dois quintos eram guiadas a laser, 6.642 eram JDAM e 9.251 ou 1/3eram bombas burras.

Se uma força aérea quer destruir alvos estratégicos e fortificados, sem danos colaterais, e consequentemente sem efeitos políticos, ela deve incluir armas guiadas no seu arsenal.

Uma das consequências é que as armas estão se tornando cada vez menos potentes, mais leves e mais precisas. O projeto SDB americano é de uma arma de cerca de 100kg que poderá destruir 80% dos alvos incluindo alvos reforçados.

  

AMX da FAB armado com oito bombas Mk82. Um AMX equipado com um par de bombas guiadas a laser pode destruir uma ponte que também poderia ser destruída por oito caças AMX equipados com 48 bombas convencionais disparadas com auxílio do computador (CCIP). O custo das armas disparadas seria o mesmo, mas no caso da bomba guiada, outros sete AMX poderiam estar cumprindo outras missões resultando numa maior geração de missões com o uso de armas guiadas. Uma arma guiada aumenta a precisão, diminui o número de armas a serem usadas e consequentemente o número de missões, diminuindo os  custos e perdas amigas, civis e inimigas (agora é politicamente correto). Uma bomba que cai no lugar errado tem pouco efeito militar e muito efeito político ao aparecer nos noticiários. Cerca de 10% das bombas guiadas por GPS (bombas JDAM) e mísseis Tomahawk tem algum defeito e erram o alvo.



As armas guiadas classificadas em dois tipos de acordo com o alcance das defesas inimigas e não do próprio alcance: SOPD (Stand-off Outside Point Defense) e SOAD (Stand-off Outside Area Defense). Isto ocorre pois a escolha da arma ideal para atacar cada tipo de alvo também depende das defesas inimigas. Limitar tempo de exposição da aeronave durante engajamento é um fator para reduzir vulnerabilidade contra ameaças e para conseguir a condição de um disparo, um acerto.

As armas de longo alcance são uma forma de furtividade pois a aeronave dispara bem longe do alcance de detecção do inimigo, não podendo ser visto. O míssil JSOW americano com alcance de 75km de alcance pode ser disparada fora do alcance de 90% dos sistemas de defesa aérea conhecidos.

Sensores Internos


Um sistema de aquisição de alvos na aeronave deve ser usado para o emprego de munição guiada, e inclui o olho humano, que é o meio mais comum de aquisição de lavo. Outros sistemas incluem radar, TV, IR, RWR e guiamento a laser.

As armas guiadas tem pouco utilidade se a aeronave lançadora não tem como encontrar o alvo e determinar sua posição. Uma aeronave de combate normalmente usa um radar que pode operar em vário modos, incluindo localização e identificação de alvos de superfície.

A aeronave também deverá ter equipamento adequado de navegação. A AGM-142 que irá equipar os F-111 australianos poderá atacar alvos de ponto, navios e defesas inimigas, bem longe do alvo. Sem um radar com modos SAR/GMTI  (abertura sintética/indicação de alvos moveis terrestre) para medir distância e reconhecimento do alvo, ela não será muito útil pois poderá ser dispara fora do alcance ou na direção errada, isso se conseguir chegar na área do alvo.

O disparo da arma faz parte de um ciclo de aquisição de alvo que é composto da detecção da área do alvo, detecção do alvo, orientação do alvo, reconhecimento do alvo e disparo da arma. As armas guiadas só são precisas se guiadas adequadamente. Uma bomba burra lançada em mergulho perde alvo em metros. Já uma arma guiada perder alvos em vários quilômetros se não for disparada adequadamente. Estes detalhes são todos estudados antes da missão usando uma estação de planejamento de missão.

Com o radar é possível disparar mísseis contra alvos móveis como os mísseis anti-navio e mísseis guiados por IR contra blindados. Um casulo laser também permite atacar alvos móveis ou designar alvos para outras armas.

A precisão do sistema de navegação da aeronave também é importante. A aeronave tem que se aproximar do alvo ou área do alvo para ser efetiva. Com uma navegação precisa, um casulo de ataque já aponta para alvo automaticamente e o piloto só faz a pontaria fina. Uma mira no capacete, como o DASH, diminui o tempo de reação para apontar sensores em caso de alvos de oportunidade.

A US Navy está estudando o uso de casulos com radares de abertura sintética (SAR) para aquisição de alvos. O requisito de alcance mínimo é de 90km e precisão de 8 metros para apontar armas guiadas por GPS. O radar deverá ter capacidade de diferenciar um blindado de um caminhão automaticamente, além de alvos móveis. O radar de varredura eletrônica do F/A-18E/F e F-35 terão esta capacidade. A USAF testou o radar SAR israelense Elta EL/EM-2060 no F-16. O EL/EM-2060 tem um datalink com uma estação em estação em terra que retransmite as informações importantes para centros de comando. A USAF prefere que os radares SAR do futuro sejam sensores internos como o radar AESA do F-35 e outros.

A designação de alvos para armas guiadas também depende de meios especializados de vigilância e reconhecimento. A FAB não tem condições de ter aeronaves do tipo J-STAR, Rivet Joint, aeronaves SEAD e outras aeronaves especializadas. Por isto tem que dividir os custos dos sensores com caças bem equipados para tornar este trabalho possível.Tipos de Sistemas de Guiamento


O sistema de guiamento de uma arma guiada é dividida em:


- Sensor ou unidade de guiamento (seeker). O sensor de guiamento discrimina a diferença de energia recebida pelo sensor. Cada sensor tem um nível de contraste limiar. Também tem limite de energia e uma energia muito forte pode danificar o sensor.

- Unidade de controle ou rastreador. O rastreador controla o vôo da arma até o alvo. O trancamento se refere a ativação do rastreador. Um rastreador pode ser de borda, guiando a arma para o ponto de contraste mais intenso entre o alvo e os arredores, ou rastreador de centróide, que guia a arma ao monto de emissão máxima ou mínima de radiação eletromagnética refletida. Um rastreador de centróide visual irá guiar a ama em direção ao centro do brilho. Um rastreador de centróide IR irá guiar a arma ao centro do ponto de maior calor/frio.

O trancamento pode ser antes ou depois do disparo da arma (Lock-on before launch/after launch - LOBL/LOAL).

Os meios de guiamento são de vários tipos com vantagens e desvantagens para cada método: laser, TV, IR, fibra ótica, GPS/INS, radar ativo/semi-ativo/passivo, seguimento do terreno, reconhecimento do alvo ou uma combinação destes sensores. O objetivo é conseguir precisão e reconhecimento do alvo. A melhor técnica também depende da meteorologia e contramedidas inimigas


Os sistema de guiamento também pode ser classificados de acordo com a relação a emissão de energia eletromagnética:


- Guiamento ativa: respondem a energia originada na própria arma e que reflete no alvo.

- Guiamento semi-ativa: responde a energia originada de outra fonte que não seja a arma e que reflete no alvo (laser ou radar remoto).

- Guiamento passiva: responde a energia natural emitida pelo alvo.

Quadro - Precisão dos modos de guiamento:
Método de GuiamentoCEP (metros)
TV-IR1,0-4,0
Laser1,5-8,0
GPS6,0-15
CCIP *20-60
INS **50

* Mirage 2000D voando a 5.000 metros em Kosovo.

** Os EUA testaram guiamento por INS na década de 80 e início da década de 90. É usada junto com o GPS.

O canhão com pontaria auxiliada por radar ou laser pode ser considerado uma arma de precisão se disparado a média altitude.

Para comparação, durante a Segunda Guerra Mundial, atingir um alvo de ponto com 20x30 metros (um abrigo de avião) era necessário 1.500 bombardeiros B-17 lançando 9 mil bombas com um CEP de 1000 metros. No Vietnã era necessário 300 bombas com a tecnologia da época. Agora é possível realizar o trabalho com apenas uma bomba guiada.

Um bombardeiro B-29 atingia 50% de sucesso em cada saída ou 25% das bombas caia num raio de 300m do alvo. Em 1944 era necessário 108 bombardeiros B-17 lançando 648 bombas para atingir 96% probabilidade de colocar um alvo de ponto (uma estação ferroviária com 112x152m) fora de uso, atacante a média/grande altitude.

No Vietnã, uma alvo similar era destruído com 176 bomba para garantir destruição. Atualmente, apenas algumas armas guiadas podem realizar o trabalho.

Os grandes ataque de 1.000 bombardeiros da Segunda Guerra Mundial só conseguiam fazer chover bombas contra alvos grandes como cidades atacando a população que era a força de produção das fábricas (apesar dos Mosquitos já terem capacidade de atacar com precisão a baixa altitude e os Stukas em ataque de mergulho). Isto só foi possível nas últimas década graças aos desenvolvimentos tecnológicos na área de eletrônica e computação incorporados as armas e aviônicos.

As munições guiadas também melhoram a agilidade estratégica. Apenas três saídas de um cargueiro C-5 podiam suprir a necessidade de munição guiada diária da USAF na Guerra do Golfo. Já os B-52 tinham que sair da Inglaterra, Oceano Índico e até do próprio EUA devido a dificuldade de encontrar portos no Golfo para levar a grande carga de bombas destes bombardeiros.

Uma esquadrilha de quatro A-1M, armados com bombas guiadas a laser, e apenas uma aeronave equipada com um casulo de navegação e ataque tem a mesma capacidade acima. Numa conta simples, a frota de 50 AMX poderá ser mais capaz que mais de 1.000 bombardeiros da Segunda Guerra Mundial.  

Por não ter boa capacidade ar-ar e boa manobrabilidade típica das aeronaves de terceira geração, o A-1M poderá até ser considerado de quarta geração e meia (4a -), com o "menos" para destacar que não tem capacidade ar-ar significativa.

As aeronaves de caça a jato de primeira geração são as que usavam tecnologia digital desde a Segunda Guerra Mundial como o F-86, Mig-15 e Hunter. Os caças de segunda geração iniciaram o uso de computadores digitais como o Mig-21 e F-5A. Os caças de terceira geração tinham computadores digitais com alguma integração como o F-16, F/A-18, Mirage 2000 e Mig-29. Os caças de quarta geração tem integração total de computadores e banco de dados através de uma interface padrão. São os caças que estão entrando em serviço como o Gripen, Rafale, Typhoon e F-22, além das versões mais modernas dos caças da geração anterior.


Efeito Ambiental

As condições meteorológicas tem influência sobre os sistemas de guiamento das armas guiadas. Os sistemas eletroóticos (EO) são limitados por nuvem e nevoeiro, chuva, neve, má iluminação e por do sol/nasce do sol.

As TV Vidacon que trabalham na banda de 0,5 a 1,2 microns, um sensor passivo quase IR, tem uma onda mais longa que melhora a capacidade de penetrar aerossol atmosférico como neblina. Os sensores quase IR aumentam o contraste entre objetos naturais e pintados com melhor capacidade na em luz natural. A limitação é a mesma dos sensores EO, mas o aerossol atmosférico causa menos problemas.

Os sistemas IR semi-ativos são empregados em laser de onda IR. O ponto de energia refletida máxima é sentida e rastreada usando rastreador de centróide. Pode operar de dia e de noite e é limitado por nuvem/neve que absorvem energia IR, além de serem atrapalhados por nevoeiro e umidade absoluta.

Os sensores IR de onda média e longa são sensores passivos que respondem a emissão natural de objetos terrestre. A resolução é baixa devido ao grande comprimento de onda e é limitado por nuvens, névoa e umidade absoluta alta.

Os sensores de onda milimétrica/microonda respondem primariamente ao emissor, mas também podem refletir energia em onda milimétrica ou microonda. A maioria dos sensores do tipo em uso é passiva, como os mísseis anti-radiação. A resolução é ruim e podem ser piorada por nuvens densas e chuvas.

São várias as condições ambientais que podem afetar a aquisição do alvo em qualquer parte do ciclo:

- Turbulência severa, atrapalhando o sistema de controle.
- Gelo nos sensores e controles.
- Erosão ou abraso nos sensores.
- Trovão, relâmpagos e energia estática que podem provocar a detonação da armas.
- Angulo do solo que cria sombras para atrapalhar sistemas de TV e IR.
- Tamanho do alvo e forma que determinam alcance de detecção/aquisição.
- Umidade do solo, neve e chuva podem mudar a cor e o contraste, alterar a temperatura solo que afetando o contraste térmico.
- Temperatura relativa do alvo e terreno podem se iguais e evitar aquisição de sistemas IR.
- Vento forte diminui contraste térmico ao resfriar o alvo.
- Camada térmica local pode deteriorar um sensor IR.

 
 MX com com uma BGL-400 no cabide externo da asa durante uma feira aeroespacial. As bombas guiadas a laser são baratas e precisas. Tem a limitação do sensor do casulo de pontaria que podem ser atrapalhado pelo mal tempo, principalmente em ataque a média altitude. Os kits de guiamento a laser são baratos, mas o casulo é caro. Os sensores e o laser designador de alvos dos casulos atuais tiveram um aumento de alcance tão grandes que as bombas guiadas a laser podem ser consideradas armas SOAD. Um
 AMX italiano equipado com uma GBU-16 prestes a entrar em combate em Kosovo.

Opções de Armas Guiadas


No programa de modernização do AMX está incluído o emprego de novas armas guiadas como mísseis/bombas guiadas a laser e infravermelho, mísseis anti-navio e armas anti-radar.

A escolha das armas a serem adquiridas poderá depender das armas já integradas no AMX ou que serão usadas nos novos caças do programa FX2 e F-5EM. O objetivo é padronizar e diminuir custos. A integração de uma arma inteligente pode custar vários milhões de dólares.


A AMI armou seus AMX com armas mais sofisticadas que os AMX da FAB. Em 1995 o AMX italiano testou a bomba guiada a laser americana GBU-16 Pavewey II com o Tornado IDS guiando com o casulo CLDP. Em 1998 os AMX da Itália receberam seus casulos CLDP.  Em 1999 a AMI comprou bombas guiadas Opher israelenses por US$ 25 milhões compradas em 1997. Em dezembro de 2005 os AMX testaram as "Enhanced Paveway II". Durante os testes do AMX ACOL foram testadas as bombas JDAM de 450kg. Na Red Flag 2009 os AMX dispararam bombas Opher guiadas a laser. 


O F-5EM irá usar os mísseis Derby e Python 4/5 já integrados nos F-5 chilenos. O MAA-1 Piranha também será integrado no AMX.Na década de 80, os AMX italianos usavam o AIM-9L e os AMX brasileiros os "AIM de nós". Os trilhos na ponta das asas do tipo LAU-7 foram comprados usados fazendo apenas parte da estrutura da aeronave pois estão sem o cabeamento para disparar mísseis. Apenas o terceiro lote da FAB tem capacidade para disparar mísseis. Algumas células dos dois primeiros lotes do Adelphi foram modernizados para poderem participar da Red Flag em 1998.

Os concorrentes do FX2 tem uma lista muito variada de armas e sensores que podem ser usado também no AMX. Isto seria ideal em caso de compatibilidade e para diminuição de custos. O primeiro lote do FX2 será usado para defesa aérea no GDA, mas os lotes adicionais irão equipar esquadrões de caça-bombardeiros com o 1o GAvCa e o 1/4 GAv.
O CTA está desenvolvendo o míssil anti-radiação MAR-1. O míssil já está sendo testado no AMX e deverá equipar os AMX baseados em Santa Maria. A FAB pretende comprar um lote inicial de 100 mísseis.
O CTA/Mectron/Britanite estão desenvolvendo as bombas SMKB guiadas por INS/GPS. A SMKB é baseada nas bombas Mk82 (SMKB-82) e Mk83 (SMKB-83). Os testes devem se iniciar em 2010.
A MB está desenvolvendo o míssil anti-navio MAN-1 e poderá ser uma opção para equipar também o AMX. A FAB sempre planejou usar o AMX para missões anti-navio e o radar SCP-01 foi projetado para isso. Com o novo datalink o AMX poderá até atacar alvos com os dados passados pelos novos P-3AM ou pelo F-5EM. O casulo Litening também tem capacidade de busca e designação de alvo a uma distância menor, mas de forma passiva em alertar o alvo.
A FAB já estudou a instalação do míssil antinavio AS 34 Kormoran II no inicio da década de 80 que seria usado junto com o radar Scipio. A falta de recursos na década de 90 inviabilizaram os dois projetos.
Em 2007 a FAB começou a receber um lote de 250 bombas guiadas a laser Lizard israelenses compradas em 2006. Outros lotes também serão adquiridos. As bombas podem ser guiadas pelo FLIR do A-29 ou pelo casulo Litening III usado pelos AMX e F-5EM.


A JSOW americana é uma bomba em cacho guiada.



Os mísseis de cruzeiro estão muito fora da nossa realidade devido ao alto custo unitário. No mercado existem as opções do Apache/Storm Shadow europeu, TAURUS KEP-350 alemão, Popeye israelense, Torgos Sul Africano e o SLAM-ER americano. A Avibrás está desenvolvendo o míssil cruise AV/MT-150/300 Matador anunciado em 2001. Se o projeto for adiante uma versão lançada de aeronave poderia ser desenvolvido para a FAB.

 

A Avibrás está desenvolvendo um míssil cruise guiado por GPS/INS. Não se sabe a situação atual do projeto.

Arma Ideal


Uma arma guiada ideal para equipar o A-1M seria a que tem capacidade multialvo/multifunção/multisensor aliada ao baixo custo. É o primeiro requisito devido aos custos. Um piloto tem que ser treinado na arma e isto adiciona custos operacionais que podem se tornar insuportáveis no caso de uso de vários tipos de armas.

Os mísseis guiados por IR como a Opher e Maverick são atrativos por poderem atacar alvos em terra e no mar. As bombas guiadas a laser também tem esta capacidade, mas não são armas do tipo "dispare-e-esqueça" com a aeronave tendo que se expor as defesas por mais tempo. Com os casulos de designação de alvos atuais, como os Litening já adquiridos pela FAB, o alcance de guiamento aumentou significativamente permitindo disparos stand-off.

Com os designadores laser atuais, uma bomba guiada a laser pode atacar alvos navais a mais de 30 quilômetros e bem longe das defesas de ponto. Para exemplificar, o alcance do sistema Albatroz das fragatas Niterói tem alcance de 15-20km. Mísseis guiados por TV/IR de longo alcance também são atrativos por poderem atacar defesas bem preparadas, em terra e no mar, a partir de longas distâncias, incluindo supressão de defesas.

Mísseis multisensor como o Kh-29 também são atrativos por simplificar a integração de apenas um míssil para várias missões. Armas especializadas como o Exocet, Brimstone e ALARM são pouco atrativos por serem caros e só atacarem um tipo de alvo (navios, blindados e radares respectivamente).

Por motivos de custos, as armas guiadas são usados apenas por alguns esquadrões de um tipo de aeronave na maioria das forças aéreas, ou instalados em apenas algumas aeronaves do esquadrão.

Por exemplo, no caso dos Tornados IDS da RAF, os oito esquadrões tinham uma função primária de ataque com armas convencionais a baixa altitude e uma função secundária com arma especializada: anti-pista com a JP-233, ataque de precisão com bombas guiadas a laser, anti-navio com o míssil Sea Eagle e anti-radar com o ALARM. As bombas guiadas a laser complementavam os Sea Eagle nos cenários costeiros. A JP-233 foi retirada de serviço e substituída por bombas guiadas a laser e pelo míssil Apache. O Brimstone foi introduzido para atacar alvos móveis em terra.

Os caças americanos estão sendo equipados com uma nova geração de armas guiadas introduzidas a partir do fim da década de 80: a JSOW é uma lança granadas usada para supressão de defesas e atacar alvos bem defendidos a partir de longa distâncias; a JDAM é um kit de guiamento GPS/INS para bombas convencionais; a WCMD é uma bomba lança granadas que pode ser lançada a partir de média altitude; e o JASSM é um míssil cruise de médio alcance disparado contra alvos bem defendidos.

Armas Não Guiadas

Uma das missões mais importante de uma força aérea e a destruição dos meios aéreos e terrestres do inimigo. O objetivo é debilitar a capacidade de combate inimiga e retirar sua iniciativa. Uma premissa é que o número de plataformas aéreas disponíveis deve ser suficiente para conseguir manter uma operação deste tipo. Também depende dos sistemas de armas embarcados.

 Os mísseis de última geração, sofisticados, precisos e de longo alcance são caros para comprar e manter e geralmente estão disponíveis em pequena quantidade. Os países com menos recursos estão obrigados a usar meios mais econômicos e simples e na maioria das vezes adequados para cumprir missões menos difíceis com apoio aéreo aproximado. Até mesmo os EUA tiveram que usar bombas convencionais devido a diminuição dos estoques de armas guiadas durante os conflitos recentes.

 Apesar das armas guiadas aumentarem de importância cada vez mais, as bombas burras ainda são predominantes por serem simples, baratas e muito fáceis de serem fabricadas. Chega a custar 20% do preço de uma bomba especial (bomba em cacho) e até 2% de um míssil guiado.

 Uma campanha sustentada vai exigir o uso de armas mais baratas por longos períodos, enquanto as armas guiadas são altamente necessárias na fase inicial contra alvos de grande valor e estão disponíveis em número limitado. Após o enfraquecimento das defesas inimigas as bombas convencionais podem ser utilizadas com maior facilidade.

 Uma situação em que as armas guiadas poderão ser necessárias de forma contínua é em uma guerra de coalizão, onde o efeito colateral é altamente indesejável.

As bombas burras são baratas, e quando usadas com aeronaves sofisticadas, são altamente efetivas. As bombas convencionais existem em várias formas, são otimizadas para missões diferentes, e podem ser usadas como base para armas guiadas. Podem ser únicas ou em cacho (com submunição), tem tamanho que varia de alguns quilos com bombas de treino e submunições, até bombas de 900kg. Antigamente chegavam a criar bombas de 10 toneladas na Segunda Guerra Mundial.



O gráfico acima mostra a pontaria do F-16 comparada com outras aeronaves. os testes mostraram serem melhores que o planejado podendo atacar alvos de ponto como uma ponte. Na prática os F-16 só disparam a média altitude com o alcance sendo bem degradado. Os disparos com a precisão acima são realizados a cerca de 1500 metros acima do alvo e bem dentro do alcance das defesas de curto alcance.


Um elemento de AMX em Kosovo armado um par de bombas Mk-82 de 227kg e um par de mísseis AIM-9L Sidewinder. Os AMX usam modos  CCIP/CCRP (Continuosly Computed Initial Point/Continuosly Computed Release Point - Ponto Inicial Continuamente Computado/Ponto de Lançamento Continuamente Computado). Para ter estes dados o caça precisa saber a distância do alvo e a altitude.


Um par de Mk-82 pendurada num Twin Store Carrier (TSC) no centerline.


Um AMX com um par de bombas Mk-84 inerte (cor azul) nos cabides internos das asas. Notar o TSC instalado no centerlinte. O TSC também pode ser instalado nos cabides interno das asas.

As bombas não guiadas podem ser categorizadas pelo efeito:


 As HE, ou auto explosiva ou de uso geral destroem o alvo pela expansão dos gases da explosão e pelos fragmentos da carcaça . Cerca de 50% do peso é constituído de explosivo como o TNT ou DRX. O efeito de sopro da detonação do explosivo pode derrubar uma parede de concreto. A Mk-82 é pré-fragmentada tem 22 mil fragmentos e tem 38 mil balins de tungstênio com 8,75mm diâmetro e 2,75g cada, para uso antipessoal. O efeito é inversamente proporcional a distancia do alvo.

 As bombas de penetração são similares as de uso geral, mas com uma armadura para que penetrem terra ou concreto. Apenas 25-30% do peso é de explosivo. A energia cinética pode atravessar vários metros de terra ou concreto. Usam espoleta de retardo na cauda. As espoletas inteligentes medem a desaceleração para saber se passaram pela blindagem ou quantos andares atravessaram. Podem até "sentir" que tipo de terreno estão atravessando.

 As bombas de fragmentação são similares as unitárias, mas se fragmentam espalhando estilhaços em todas as direções contra tropas, veículos leves e outros alvos "moles". As bombas de fragmentação modernas usam várias configurações de tamanho e submunição. Podem ter efeito combinado com esferas de metal antipessoal/antimaterial , junto com anti-blindagem (forma de flecha) e incendiária, ou submunição que explode e lança uma chuva de dardos de metal do tipo "flechetes", minas anti-carro ou anti-pessoal e até submunição guiada. As bombas em cacho são ideais para atacar concentração de tropas, assim como os foguetes.

 
 Uma bomba em cacho liberando suas submunições. Os Harrier GR.7 da RAF que participaram do conflito de Kosovo em 1999 tinham pilotos muito bem treinados e com sistema de pontaria sofisticado, mas lançava suas bombas em cacho BL-755 a média altitude manualmente com ajuda de designador de alvo e espoleta especial e mesmo assim caia a 1-2 km do alvo. Os EUA tiveram experiência semelhante e por isso estão equipando suas bombas em cacho com kits de guiamento por GPS/INS (WMCD).


Submunições antipessoal/antimaterial de bombas em cacho. 


Munição antiblindagem de bombas em cacho (BLU-97 e BL-755 acima e MK-118 abaixo).
As bombas não guiadas podem ter variantes especializadas anti-blindagem. A maioria é usada em armas guiadas com ogiva do tipo carga oca. A carga oca é um explosivo que foca em um cone e forma jato quente que penetra a blindagem. As bombas em cacho também usam submunição anti-blindagem senso uma arma anti-carro primária atacando uma área e por cima.

 As bombas incendiária destroem o alvo ao iniciar um incêndio. Usam um material metálico incendiário que queima a alta temperatura, ou gel incendiário (Napalm) que esparrama sobre um alvo enquanto queima. Os metais mais usados são o Zircônio, Magnésio, Alumínio, Titânio e Urânio exaurido.

 O Napalm contém gasolina gelatinosa (Na-palm - palmitato de sódio) e os modelos modernos usam poliestireno como mistura. As primeiras bombas Napalm eram tanques de combustíveis ou similar que eram enchidos antes de usa e armados com espoleta. O Napalm está em desuso por ser considerado desumana ou politicamente incorreta, apesar das bombas em cacho ter um efeito mais devastador.

 Outra forma de bombas incendiária são as bombas explosivo combustível-ar (FAE) dispersa um aerossol explosivo como propano ou óxido de etileno, numa área e a ignição cria uma grande bola de fogo. Ela só usa efeito de sopro e não tem fragmentos e o efeito lembra mais uma bomba explosiva. A bomba americana BLU-76/B Pavet Pat 1 usada no Vietnã pesava 1,18 toneladas e tinha o efeito de uma explosão de propano equivalente a 9 toneladas de TNT.

 A bomba termobárica americana BLU-118/B com o penetrador do BLU-109/B foi usada nas cavernas do Afeganistão. Ela atua provocando efeito de pressão e térmico. O oxigênio usado na queima do comburente leva as tropas atingidas a asfixia.
   
As bombas FAE libera um aerossol e detona. O efeito psicológico também lembra bomba atômica.
As bombas burras também podem usar munição química e biológica, fumaça, iluminação e marcadores flare.

As bombas são divididas em três seções: corpo com carga explosiva, cauda com estabilizadores, e espoleta na frente, lado ou traseira.

As partes são intercambiáveis, para corpo ser instalado espoleta diferentes e várias seções de cauda. Um kit de guiamento também pode transforma-la em munição guiada.

A cauda com dispositivos para retardar a velocidade em disparo a baixa altitude são de estruturas de alto arrastos que se abrem ou balonete que se infla. O pára-quedas era usado Segunda Guerra Mundial. As barbatanas que se abrem podem quebrar a alta velocidade e bomba bater na aeronave. O balonete não tem este .


problema

Bombas com cauda retardada Snakeye (acima) e balonete (abaixo). Uma bomba disparada em vôo rasante rasante tem que ser frenada para que os estilhaços não atingam a aeronave lançadora. Outra opção é usar uma espoleta retardada.


Um protótipo do AMX disparando bombas Snakeye. Uma bomba lançada a 1000km/h cai apenas 5 metros no primeiro segundo e por isto a velocidade deve ser considerada na hora do disparo.



O corpo da bomba tem uma cobertura ablativa para evitar que venha a explodir prematuramente em caso de incêndio.

A espoleta irá definir como a bomba irá explodir . Pode ser de hélice que arma a bomba após um certo número de rotações, ou pino de armar retirado quando a bomba é disparada, ou espoleta inercial armada após a abertura da cauda de arrasto, ou eletrônico (tempo) ativado após lançamento

As espoletas podem ser classificadas de acordo com os parâmetros que fazem detonar:

- Impacto, acionada quando atinge alvo. Pode ser instalada no nariz ou cauda. A espoleta na cauda é preferível para penetração no alvo. A espoleta de impacto pode ter um pequeno atraso para penetrar alvo e dar capacidade de penetração a bomba. Uma extensão na espoleta (chamada daisy cutter na USAF) pode ser usada para explodir acima da superfície e aumentar a capacidade anti-pessoal.

- Tempo, acionada após determinado tempo após lançada e que pode chegar a horas ou dias para atrapalha trabalho de controle de danos no alvo, atrapalhar reparos de pista de pouso, ou molestar tropas que passam num local após ataque aéreo. Transforma numa arma de terror.

- Proximidade, equipada com radar para explodir a certa altura (2-10m do solo) para uso anti-pessoal.

- Hidrostático, usada em carga de profundidade.

- Magnética, sísmica ou acústica. Dão capacidade de mina anti-navio ou anti-blindado a munição ou submunição. Pode ser kit de bomba convencional no caso de mina naval.

- Espoleta inteligente para contar número de andares penetrados para explodir em andar escolhido.

- Espoletas múltiplas. Pode ser mina com espoleta de tempo para auto-destruir e prevenir danos a tropas amigas que avançam.

Durante o planejamento de missão é escolhido o número de bombas para destruir o alvo e a espoleta ideal. As táticas incluem bombardeio nivelado, picado ou rasante que depende da ameaça e precisão necessária. Disparo a baixa altitude precisa de espoleta de retardo ou cauda de alto arrasto para evitar que estilhaços da explosão atinjam a aeronave lançadora.

Uma pista de pouso precisa ser perfurada e é usado espoleta de tempo. A bomba é lançada em mergulho baixo num angulo de cerca de 30 graus em alta velocidade com penetração a baixa altitude após realizar uma manobra do tipo "pop-up" quando as defesas são pesadas. Com defesas leves o angulo é maior que 45 graus em mergulho.O aumenta da potência das bombas da série Mk aumenta com peso mais devido ao aumento dos explosivos. A Mk82 pesa 227kg sendo 89kg de Tritonal, a Mk83 pesa 454kg com 202kg de Tritonal e a Mk84 pesa 907kg com 428kg de Tritonal ou H-6. Apesar de pesar quatro vezes mais que uma Mk82, a Mk84 é cinco vezes mais potente. O raio letal da Mk82 é de 425 metros e por isso é considerada melhor para apoio aéreo aproximado. Contra tropas a melhor arma é o efeito de sopro, barulho e choque com o efeito paralisante. As bombas tem invólucro de 18mm padrão e podia usar de 10mm contra tropas. No Afeganistão tinham atraso de tempo de até 6 dias para efeito psicológico e negação de área.


O padrão de fragmentação da Mk82 é de 900 metros com espoleta airburst o efeito de sopro é o principal efeito contra tropas, mas pode ser usada a 200 metros das tropas amigas se estiverem em perigo na chamada situação "danger close". Com as tropas em contato próximo a espoleta é programada para explodir por retardo com o solo absorvendo a maior parte do impacto. O padrão de dispersão dos estilhaços da Mk84 é três vezes maior que a Mk82, mas 90% do efeito destrutivo de uma Mk84 fica confinado em um raio de 180 metros do ponto de detonação.


Para diminuir o dano colateral é possível lançar cerca de 10 bombas Mk82 no mesmo ponto de pontaria no lugar de duas Mk84. Contra alvos de área o risco de danos colaterais é bem menor podem ser atacados com bombas burras de grande potencia como as Mk82.

O custo de uma bomba da série Mk é tipo como um dólar por libra de peso. Uma Mk82 de baixo arrasto custa US$ 498 enquanto a versão de alto arrasto custa US$ 1.100. Já a Mk84 custa US$ 1.871 e US$ 2.874 respectivamente.

Armas Nacionais

O CTA e a Avibrás projetam vários modelos de bombas convencionais que equipam os caças nacionais. As Bombas de Fins Gerais BFA-230, BFA-460 e BFG-920 (ou BAFG - Bombas Aéreas de Fins Gerais) são as versões nacionais da série Mk-XX americana.
São bombas de baixo arrasto para empregadas na maioria das operações de bombardeio, pois unem grande efeito de sopro, alta temperatura de detonação e poder de fragmentação, resultando em um grande efeito terminal de demolição.


A Bomba BFG-920 (BA-FB-920) é equivalente a Mk-84 americana. A BFA-460 e BFA-230 tem a mesma forma. A BFA-230/2 usa cauda retardada com pára-quedas. A BFA-230/1 usa freio aerodinâmico em forma de guarda-chuva.


Série BFG do CTA de 120, 230, 460 e 920kg. As bombas podem ser equipadas com sistema de frenagem como pétalas semelhantes a Snakeye americana como no caso da BFG-230/1 ou com um pára-quedas como na BFG-230/2. O sistema de frenagem permite o disparo a baixa altitude com segurança com a aeronave se afastando do local quando a bomba explodir ao chegar no alvo.
Bomba com freio aerodinâmico BFA-230/1.
Bomba com freio aerodinâmico BFA-230/2.
Bomba com freio aerodinâmico BFA-230/2 durante os testes.
Bomba com freio aerodinâmico BFA-460 e detalhes do sistema de freio aerodinâmico.


O CTA está desenvolvendo bombas penetradoras (BPEN) de 1000 e 500 kg equivalentes a BLU-109 americana. Como as BLU-109 as BPEN podem ser usadas como bombas de queda livre ou com kits de guiamento.


A Bomba Lança-Granadas BLG-120 é uma bomba carregada com 80 granadas de efeito misto anticarro/antipessoal. É empregada contra alvos dispersos sobre a superfície, em um ataque a baixa altura e alta velocidade. A submunição é capaz de perfurar 120mm de blindagem.


A BLG-204 é capaz de lançar 183 submunições.


A Bomba Lança-Granadas BLG-252 é uma bomba carregada com 248 granadas de efeito misto anticarro/antipessoal. É empregada contra alvos dispersos sobre a superfície, em um ataque a baixa altura e alta velocidade.


Bombas incendiarias BINC-200 (acima) e BINC-300 (abaixo) lançadores de Napalm.


A BAPI - Bomba Antipista é usada em missões de bombardeio contra pistas, hangares e estacionamentos de aeródromos. A BAPI é equivalente a Durandal francesa. A imagem acima é do modelo original.

A Bomba de Exercício B-11 (BEX-11) pesa 11 kg, e é constituída por um corpo de ferro fundido, apresentando um perfil aerodinâmico, vazado por um tubo central que possui alojamento para o cartucho sinalizador e conjunto percussor. A ele estão ligados o cone de cauda e 4 empenas cruciformes envoltas por um anel.


O cartucho sinalizador caracteriza o ponto de impacto, pela emissão de uma fumaça branca, com diâmetro mínimo de 1 metro e altura mínima de 6 metros, de forma a permitir a sua visualização a uma distância de 1.500 metros.

Lançadas por intermédio de cabides convencionais ou por sistemas múltiplos como o SUU-20 ou similares, no adestramento de pilotos nas operações táticas da Força Aérea, para bombardeio contra alvos de superfície.
 



Um AMX da FAB equipado com um BRD (Bombs/Rockets Dispenser) SUU-20 nos cabides internos das asas durante a Red Flag. O BRD é usado para levar bombas de treinamento que imitam o comportamento balístico das bombas reais, além de quatro foguetes.


Detalhes do BRD com foguetes e bombas de treinamento BEX-11. No centerline está um casulo para reboque de biruta de tiro aéreo.


Outra arma usada pela FAB são as bombas incendiárias BINC-200 e BINC-300 de 200 kg e 300 kg, respectivamente, construída em aço. A foto também mostra duas bombas BLG. As bombas incendiárias são ideais contra refinarias.


Uma BFA retardada por pára-quedas e uma BLG instaladas em um F-5E durante os testes.


BFA-920BLG-120BAPIBEX-11
Comprimento (mm)384021182690569
Diâmetro maior (mm)45729223125
Peso (kg)97012023811,25
Envergadura (mm)642510479-
EspoletaOgiva Mecânica (EOM-BLG)
 e cauda (ECM-BFG)
EOM-BLG-0,07 (massa
cartucho sinalizador)
Carga ExplosivaTritonal-15kg-
CompatibilidadeF-5E e A-1AT-27, AT-26, F-5E e A-1F-5E e A-1-


A FAB usa atualmente os foguetes SBAT-70 da Avibrás com espoletas e ogivas de vários tipos (explosivo, perfurante, antipessoal e fumígena). O CTA desenvolveu o casulo LM-70/19 com 19 foguetes SBAT-70. O alcance máximo é de até 10km, mas o alcance prático é de 1-4km. Os foguetes podem ser considerados armas de precisão se disparados próximos do alvo, porém a aeronave terá de se arriscar. São geralmente usados contra alvos de área disparados a grande distância. A Avibrás desenvolveu o novo foguete Skyfire AV-SF-70 de 70mm por 6 anos e já foi homologado. O Skyfire tem seis opções de cabeça de guerra como múltipla (antipessoal e antimaterial), auto-explosiva (antipessoal e antimaterial), flechete, exercício, fumígena de exercício e fumíngena de fósforo branco. Os lançadores são o AV-LM-70/7-SF com sete foguetes, o AV-70/19-SF com 19 foguetes e o AV-LM-12/36 com 36 foguetes.


Cada foguete SBAT-70 pesa cerca de 8kg e tem 3,9 metros de comprimento.


Foguetes Skyfire M8, M9 e M10 com ogiva e tubo lançador AV-LM-70/7-SF. Os foguetes SBAT-70 com alcance de 2500 m foram substituídos por foguetes Skyfire M9/M10 com alcance de 4-5 km. O custo de cada foguete é de US$ 600,00, mais que o dobro dos SBAT-70 que custam em torno de US$ 300,00. Cada foguete Skyfire pesa 8 kg. Os lançadores podem ser na versão com 7 ou 19 foguetes.

Arma Automática


No nariz do AMX estão instalados dois canhões Mk164 de 30mm com 150 cartuchos por arma. São produzidos na Bernardini sob licença da Israel Military Industries (IMI) de Israel. São cópias do DEFA 553 francês.

O MK164 é um canhão de cano único, cinco câmaras, tipo revólver, com atuação a gás, controle elétrico. Tem duas cadências de tiro de 1100 ou 1500 tiros por minutos. O canhão pesa 85,4 kg o comprimento total é de 2.073mm. A velocidade do projétil é de 820m/s com os seguintes tipos:

- Hard Core Projectile/Incendiary (AP/I)

- High Explosive/Incendiary (HE/I)
- Semi Armour Piercing/Incendiary/Tracer (SAP/I/T)
- Semi Armour Piercing/High Explosive Incendiary (SAP/HEI)
- Target Practice (TP)


Os pilotos italianos invejam os canhões do AMX da FAB por serem melhores contra alvos terrestres devido a energia do projétil e baixa cadência de fogo. O Vulcan M-61 que equipa os AMX italianos tem calibre menor de 20mm sendo melhor para combate aéreo devido a grande cadencia de tiro necessária para aumentar a probabilidade de acerto. Na USAF sempre foi considerado como uma arma ar-ar de reserva.


Os canhões de caças sempre foram questionados desde o aparecimento dos caças a jato e o novo caça britânico Eurofighter não será equipado com canhão. A RAF argumenta que o canhão causa problemas de vibração que deteriora os eletrônicos, e corrosão dos gases na fuselagem, além de custos de treinamento, manutenção e pessoal. Depois da experiência no Afeganistão perceberam que o canhão ainda era uma ótima arma de precisão para Apoio Aéreo Aproximado e o canhão voltou a fazer parte do Eurofighter.

O peso extra também é uma preocupação. O canhão Vulcan levado pelo A-7D Corsair II pesa 450kg com munição. O canhão Aden 25mm que iria equipar o Harrier pesava 200kg com 200 tiros para cada casulo. O GAU-8 de 30mm que equipa o A-10 pesa 1.828Kg com 1350 tiros. 

O alcance da arma é curto (<1000 metros) e geralmente é usado contra alvos leves concentrados com disparos de preferência a baixa altitude e baixa velocidade, com a aeronave tem que ser apontada para alvo. Geralmente é uma arma secundário e usada quando tudo mais falhar ou outras armas acabarem. Na Segunda Guerra Mundial, ou com pontaria visual, era impossível acertar alvos aéreos a mais de 300-500 metros.


O canhão também tem alcance e precisão limitados. Num combate ar-ar praticamente só consegue atingir alvos por trás. O poder de destruição também é fraco se comparado com ogiva de míssil, apesar de um caça não conseguir suportar vários acertos.

No outro lado da moeda o canhão é barato, flexível, dá persistência de combate de várias rajadas e é multifunção. Tem melhor relação custo-eficiência contra alvos "moles" comparados com mísseis que são ideais contra alvos de alto valor como blindados e navios. Num combate ar-ar ele é a arma ideal contra helicópteros, aeronaves de carga e outras aeronaves leves. O dano colateral causado também é pequeno.

O tempo de resposta é automática enquanto um míssil tem que ligar sensores e sistemas. Os mísseis ar-ar também tem alcance mínimo e voam cerca de dois segundos sem poder explodir até ter a espoleta ligada. Já um canhão dispara a qualquer distância, apesar da aeronave poder ser atingida pelos destroços do alvo. Os canhões são imunes a contramedidas e podem ser considerados arma furtiva por ser instalado internamente.

O problema de precisão parece que vai ser resolvido com a integração de novos sensores. Há mais de 30 anos que o AC-130 realiza ataque terrestre de precisão com canhões apontados por sensores como radar, FLIR, LLTV e laser. A USAF até estudou o uso de munição guiada para o canhão de 105mm do AC-130.


No conflito de Kosovo, o A-10 Tunderbolt II realizava disparo de precisão a média altitude com o canhão GAU-8 Avenger de 30mm usando o sistema TERPORM com modo CCIP.


Desde a década de 80 que os caça russos Mig-29 e Su-27 tem um sistema de pontaria automático usando o radar ou IRST que permite que seu canhão de 30mm tenha grande precisão contra alvos aéreos. O sistema permite que um caça possa garantir uma grande probabilidade de acerto com apenas seis disparos incluindo contra alvos frontais e cruzados. Nos caças mais novos o piloto praticamente designa um alvo ao apertar o gatilho. Depois disso o piloto automático toma o comando da aeronave e realiza o disparo contra o alvo designado.

Os suecos usam um modo automático para o canhão (autogun) do JA-37 Viggen. A aeronave é capaz de calcular  a distancia de engajamento e angulo de deflexão necessário para atingir o alvo. O radar rastreia os disparos e toma controle da aeronave para dirigir os disparos até o alvo. O sistema é confiável e acurado e permite o ataque sem auxílio do piloto a noite ou em mal tempo. 
Com um novo radar e casulo designador de alvos, o AMX da FAB poderá ter a capacidade dos seus canhões multiplicada contra alvos aéreos e terrestres. Entre os novos modos que estão sendo estudados e que poderão ser aplicados futuramente inclui ataque automático contra alvos móveis, saturação de área programada, ataque de alvos múltiplos em única passada e metralhamento de alvos múltiplos em fila (comboio em estrada), podendo ser coordenado em tempo real com passada múltipla por vários caças usando um datalink.


Canhão Mk164 usado pelo AMX 


Detalhes da configuração interna do canhão Mk164 da FAB e Vulcan Mk16A1 da AMI


O canhão M-61A1 Vulcan já usado no F-104 da AMI foi escolhido para equipar seus novos caças AMX. Existe uma tese que os EUA vetaram a compra do canhão pela FAB, mas existe outra tese que cita que a FAB sempre queria o DEFA. O veto pode estar mais relacionado com a exportação da aeronave e o DEFA passa a ser uma opção. O Vulcan é um canhão rotativo tipo Gatling com seis canos controlados hidraulicamente e refrigerado a ar. O projéteis de 20mm são disparados numa cadência de 4.000 a 6.000 tiros por minuto. O Vulcan é produzido pela General Electric Company desde 1953. O AMX italiano é armado com 350 projéteis tipo auto-explosivo/incendiários, armazenados em um barril blindado. O AMX da FAB é armado com dois canhões Mk164 de 30mm. O caça Hunter britânicos foi armado com quatro canhões ADEN, equivalente ao Mk164, e apenas dois canhões mostraram ser suficientes contra alvos aéreos e terrestres. Os canhões revólver como o Mk164 levam 20 milisegundos para atingir a cadência de tiro máxima enquanto o Vulcan leva 500 milisegundos (meio segundo).

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