quinta-feira, 19 de julho de 2012

Modernização do AMX - 3° parte, Estação de Planejamento de Missão




O planejamento de missão sempre foi considerado um elemento chave no sucesso de qualquer esforço organizado. Os princípios básicos não foram mudados: o conhecimento do terreno, as informações mais recentes da localização do alvo, a melhor rota de aproximação e de retorno, defesas inimigas, meteorologia, efeitos colaterais, fraquezas e pontos fortes do inimigo.

O planejamento de missão também precisa de meios de apresentar estas informações e planejar para todos os envolvidos de modo que atuem em uníssono.

O que mudou nos últimos anos, além da ameaça e capacidade das plataformas/armas, é o método de criar um banco de dados e disseminação para os envolvidos. A tecnologia atual melhorou o planejamento de missão, mas a mudança mais dramática ocorreram nas últimas duas décadas.

O planejamento de missão para pilotos militares precisava de várias horas debruçado sobre mapas, desenhando rotas com canetas e régua, fazendo vários cálculos manuais sobre consumo de combustível, velocidade, distância, sincronização e fatores de carga; checagem constante das condições meteorológicas, terreno e informações ambientais hostis; e recalcular todos o trabalho anterior se necessário. Este processo pode levar horas, dias e até semanas, dependendo da complexidade da missão e precisão dos dados.

Era estimado que para cada hora voada era necessário três horas para planejamento manual. Uma missão típica do Tornado IDS da RAF levava em média duas horas para ser feito e chegava a quatro horas para algumas missões mais complicadas. O F-15C planeja rápido pois está conectado as aeronaves AWACS e SEAD. Aeronaves de ataque em profundidade podem levar mais de 2 horas para planejar a missão.


Atualmente, com sistemas automatizados em computadores, o planejamento de missão pode ser realizado em minutos e raramente em mais que uma hora, com atualização constante, com melhoria na precisão e capacidade de coordenar várias aeronave com sincronização e precisão quase total.

Os mesmos dados podem ser aplicados num "defriefing" preciso com tecnologias de simulação avançadas. Combinados com aeronaves modernas, armas inteligentes e navegação por GPS, o resultado é uma grande melhoria na capacidade de uma pequena força aérea de realizar tarefas como ataque de precisão, reconhecimento, lançamento de carga aérea e transporte.

Uma definição simples de planejamento de missão é a capacidade de mapear a melhor rota para o alvo com o maior nível de segurança e probabilidade de sucesso. No mundo atual de multiameaça e multiteatro, a necessidade de um sistema de planejamento de missão computadorizado é muito maior.

O sistema de planejamento de missão ideal permite que todas as informações disponíveis e necessária possam ser usadas para planejar uma missão para atingir seu objetivo da melhor maneira possível. Porém, cada missão tem que ser integrada como parte de uma operação complexa e altamente orquestrada, e conseguir o ideal se torna mais difícil.

Uma coisa é planejar uma missão ofensiva de um elemento de aeronaves de ataque como o AMX ou Tornado. Planejar como parte de uma campanha de uma força conjunta multinacional num ambiente operacional fluido é bem diferente.

O comandante missão ou comandante de pacote organiza o programa e o sistema de planejamento de missão faz a fusão de dados incluindo da Ordem Fragmentária - OFRAG (ATO na OTAN) com os seguintes dados: alvos e objetivos (primário e secundário), hora de saída, distância do alvo, rota de aproximação e evasão, altitudes de navegação, formatura, pontos de baliza, sincronização do tempo e hora sobre o objetivo (HSO ou Time on target - TOT na OTAN), tática de arma, configuração de armas, luz do sol é considerada para pontaria de armas eletroóticas, pontos cegos do inimigo, angulo e altura de entrada para o ataque, perfil de vôo, mascaramento do terreno, pista/bases emergências, áreas de perigo, atacar a partir do lado menos exposto do terreno, ordem de batalha eletrônico do inimigo, não passar direto sobre as defesas, códigos de chamada e frequências de rádio, código IFF, zonas proibidas e permitidas para vôo (NFZ e FZ), controle de trafego aéreo e reabastecimento em vôo (REVO), pontos e órbitas do Revo, informações de resgate e imagem de reconhecimento.
 O pacote também tem briefing de 10 minutos antes da missão com todos participantes sobre meteorologia, inteligência, ameaças e controle de rotas.

A OFRAG é emitida pelo Comando Superior para o esquadrão executar missão. Chega codificada e o setor de inteligência decodifica e passa para o setor de operações.

60 aeronaves decolando de uma mesma base é muito barulhento e chega a durar 50 minutos. Os caças decolam uma a uma a cada 20 segundos. A maioria dos caça podem queimar até 1 tonelada de combustível antes de decolar se ficarem com o motor ligado por 45 minutos e decolarem com o pós-queimador.

No LLEP (low level entry point) a formação se espalha. A HSO (hora sobre objetivo), altitude e direção são variadas para maximizar a surpresa e saturar as defesas

O HSO, ou a hora em que a aeronave deve passar sobre o alvo, tem uma variação de intervalo aceitável de 1 a 2 minutos na OTAN. A RAF é mais exigente por voar a baixa altitude e a variação é de 0 a 5 segundos. Isto é facilitado com os dados de navegação sendo passados para o computador da aeronave antes do vôo e com o uso de piloto automático digital.

A tática de arma (weaponering em inglês) é a arte e ciência de escolher arma certa para um certo alvo. Ela considera a forma, material, objetos ao redor, janelas e portas, andares e ameaças próxima do alvo e zona de engajamento e raio letal das possíveis arma a serem usadas.

O perfil de lançamento também depende do alvo. Uma bomba em vôo baixo cai a 90m/s enquanto num mergulho chega a atingir 335m/s e é ideal para penetrar alvo. Disparo tipo "loft" tem pouca precisão e é usada para alvo de área ou armas guiadas. A programação da espoleta também depende do alvo. Contra uma ponte a espoleta é setada para impacto e contra uma pista ela explode com atraso após penetrar na pista e criar um buraco maior.

A coordenação do "pacote" também depende de vários fatores como escolta de caças e apoio de guerra eletrônico disponível. As táticas também podem variar para enganar as defesas. É possível usar caminhos variados e voar em ziguezague para enganar as defesas sobreo
 qual será o alvo real e a direção do ataque(mas que frequente aumenta o gasto de combustível e aumenta tempo de exposição) ; voar por áreas menos defendidas e sem cobertura radar; colocar as escoltas atrás das aeronaves de ataque para pegar os caças inimigo que tentam perseguir; usar rota de ataque/ingresso de um grupo a grande altitude contra um alvo falso enquanto um grupo de ataque voando baixo vai para o alvo correto; a interferência eletrônica pode estar cobrindo uma rota falsa para desviar as defesas.

O regresso supersônico é o ideal. A onda de choque pode danificar sistemas eletrônicos e veículos leves, e causar problemas auditivos na tropa. É necessário um sistema de navegação poderoso e preciso se for feito a baixa altitude. 
O planejamento de missão deve equilibrar a capacidade das aeronaves e o alcance. 
Um sistema de planejamento de missão tem sempre um módulo de planejamento tático e uma interface com os Sistemas de Informações de Comando e Controle (CCIS). Os centro de comando também estão se automatizando para receber informações de inteligência e meteorologia de forma digital.

MDGT

Os requisitos do Programa FX incluem uma estação de planejamento de missão. É um sistema de armas pouco conhecido, mas fundamental para o sucesso de uma missão. Um sistema de planejamento de missão obviamente deve fazer parte da modernização do F-5BR e A-1M. As propagandas da Embraer mostram imagens do MDGT fabricado pela Elbit. A FAB já usa um software próprio chamado (Planejamento de Missão Aérea).

A Elbit tem dois tipos de sistemas de planejamento de missão. O mais avançado é chamado MDGT (Mission and Debriefing Ground Terminal). O MDGT faz uso da experiência dos piloto de caça israelenses, e desempenha quatro tarefas principais: planejamento de missão; reconstrução tridimensional (3-D) dinâmica da missão com perspectiva fora do cockpit; debriefing da missão e produção de folder de combate e alimentação de DTS (Data Transfer System) ou DTM ( DTM - Data Transfer Module
).

O sistema pode incorporar imagem de satélite e superpor a imagem sobre o mapa digital. O sistema usa um banco de dados 3-D, faz planejamento em linha de visada para a ameaça e a localização de alvo. Também é possível pré-planejar uma rota IFR (vôo por instrumentos) com gráficos dinâmicos. Isto é feito com procedimentos IFR Jeppesen passado para o DTS, que subsequentemente mostra os dados IFR num dos MDF da aeronave enquanto voa a missão.
O MDGT já é usado no F-5E modernizado de Singapura. Ele tem uma versão móvel para missões fora da base chamado DTC/LR (loading e reading) que já foi vendido para a Romênia no projeto Mig-21 Lancer. Não é um sistema de planejamento de missão real pois precisa de um mapa em papel. O DTC/LR permite carregar os dados de navegação, inteligência, comunicação de rádio e dados de configuração de cargas no sistema de gerenciamento de carga nos aviônicos da aeronave. Durante o vôo, o sistema grava todas os dados chaves para análise pós-missão.
 Estação do MDGT da Elbit. O MDGT foi projetado para ser modular e objetivo-orientado. Pode ser adaptado para qualquer tipo de aeronave e helicóptero. Os dados da missão podem ser passado para um DTS portátil visível a esquerda do teclado, sobre a mesa. O cartucho do DTS é inserido no sistema de aviônicos da aeronave no console direito do cockpit antes do vôo para alimentar os computadores de missão. O cartucho DTS também serve repassar os dados relativos aos parâmetros de desempenho da aeronave para análise pós-missão.

Estado de Arte

Existem vários modelos de sistema de planejamento de missão usados pelas forças aéreas mais modernas. Para dar uma noção do estado de arte e funcionamento do sistema serão descritos alguns desses sistemas.

O Tactical Aircraft Mission Planning System (TAMPS) da US Navy, é instalado nos NAes americanos e várias instalações terrestes É usados pelas equipes de ataque da US Navy e USMC para planejamento de rotas, manobras, lançamento múltiplos e para evitar conflito de rotas entre as aeronaves e mísseis cruise.

O TAMPS é um sistema de computador com gráficos interativos com um banco de dados de informações para apoiar mais de 30 tipos de aeronaves de asa fixa e asa rotativa e mísseis e transferir os dados diretamente para as aeronaves com sistemas de armazenamento de dados. O sistema usa terreno digital e mapas digitais da Defense Mapping Agency (DMA) e podem ser misturados com dados de outras fontes.

Entre outras capacidades, o TAMPS pode definir a rota da aeronave pela especificação de pontos de baliza, velocidades, altitude de vôo, e configuração/carga da aeronave, com modificações de rotas subsequentes atualizando automaticamente todos os dados de vôo já calculado. Pode usar vários mapas, terreno digitalizado e dados de imagem para aprimorar o planejamento de missão; faz analise da rota planejada, mostrando a área mostrada ao redor da rota com zonas de engajamento de mísseis e cobertura de radar, e cria pacotes de ataque (missões múltiplas) para um planejamento de ataque integrado melhorado.

O TAMPS tem opção de mostrador tridimensional interativo, perspectivas fora do cockpit para toda a missão, é portátil e interoperável com outras forças através de outros programas de planejamento de missão.

Outra capacidade é o módulos para planejamento de missão de mísseis como o SLAM - Stand-off Land Attack Missile. O módulo de planejamento de missão do SLAM diminui o tempo necessário para integrar o planejamento de missão de horas para minutos ao usar uma lista de checagem que assegura que todas as tarefas serão completadas antes da validação da missão e inseridas no computador do míssil. O programa será transferido para a aeronave e depois para o míssil ao contrário dos sistemas de planejamento de missão anteriores próprios do míssil que tinham sistemas de transferência próprios.

O módulo de coordenação de ataque (Tactical Strike Co-ordination Module - TSCM) é usado para apoiar ataques conjuntos e planejamento de missão unificado. O TSCM tem o objetivo de dar funções de suporte crítico para todo o planejamento de ataque com capacidade de tempo real para desenvolver planos alternativos com entradas de sistema de comando e controle da forças armadas americanas (JMCIS, NIPS e TIMS).

Juntando todas estas capacidades (alocação de armas, planejamento de rotas e avaliação) numa única estação (TAC-3) e trabalhando interativamente com sistemas como TAMPS e Tomahawk Planning System, um grupo de batalha (CVBG) ou um comandante de força conjunta pode desenvolver rapidamente vários planos alternativos para a melhor aplicação da sua capacidade de ataque.

As saídas do TSCM  podem apoiar vários escalões de comando, incluindo a célula da US Navy na centro de comando conjunto (JFACC), o comandante do Grupo de Batalha e o comandante de Guerra de Ataque (Strike Warfare). Gráficos, mapas e tabulação de dados estão disponíveis para apoiar o briefing do plano de ataque. Os dados também estão disponíveis para apoiar várias forças tarefas dos fuzileiros e circuitos de ordens aéreas (ATO).

 
A imagem tridimensional do TAMPS pode ser rodada e ampliada. A sombra do sol também é emulada de acordo com o horário esperado.

Um dos sistemas de planejamento de missão da USAF é o Air Force Mission Support System (AFMSS) da Lockheed-Sanders. O contrato de desenvolvimento do AFMSS foi assinado em 1992. O AFMSS é a evolução de um trabalho altamente classificado do fim da década de 70 associado com o caça F-117. Usa banco de dados em CD-ROM que cobre todo o planeta, onde as unidades de ataque podem superpor um alvo e informações de ameaça, adicionar dados de inteligência de várias fontes com espaciais, aéreas e terrestres.

É um sistema de apoio de planejamento de missão automatizado para vôos de treino, operações em tempo de paz/exercícios, ou conflitos armados não convencionais e complexos conflitos convencionais. É usado em nível de unidade (esquadrão/ala). Entre as capacidades incluem plano de vôo automático, otimização de rota e seleção em ambiente com ameaça, preparação de reconstrução de missão de combate, e meios de transferência de dados para atualizar aviônicos da aeronave (DTS). O AFMSS substitui vários sistemas como o MSS IIA, B-52/B-1/B-2/F-117 MDPS, MPLAN e TRUMPS.

O AFMSS inclui um sistema de planejamento de missão no solo MPS (Mission Planning Subsystem) em quatro container autocontidos que podem ser colocados em uso por duas pessoas em 30 minutos, e o PMPS (Portable Mission Planning SUbsystems) ou AFMSS Laptop. O MPS é usado para planejamento de vôo de aeronaves na base, e o laptop é usado em locais remotos.

O MPS consiste de duas estações de planejamento de missão, uma impressora laser, uma impressora colorida, discos rígidos de tamanho variável, dois CD-ROM driver, dois driver disquete 3,5, um drive gravador de 4mm, dois sistemas de suprimento de força e até quatro carregadores de cartuchos de Data Tranfer Devices (DTD) para transferir dados para as aeronaves. Os DTD são próprios para cada aeronave ou sistemas de armas apoiado e são intercambiáveis entre as unidades. O software é instalado em hardware comercial e usa o sistema UNIX.

O PMPS é um laptop com capacidade limitada do MPS. Consiste de um laptop comercial, impressora HP colorida, e drives disquete e CD-ROM e um DTD único. O PMPS pode ser conectado em rede com o MPS e trocar dados como se fossem uma única unidade.

O primeiro testes do AFMSS foi na operação Joint Endeavor de vôos de C-17 para Bósnia. O AFMSS permitiu que os tripulantes do C-17 planejassem suas missões e transferissem os dados para o computador de bordo da aeronave em menos de uma hora, muito menos tempo que os métodos anteriores. Com a provisão de um sistema de orientação de aeroporto, elevação de terreno, alerta de ameaças e analise tática, o sistema de imagem de alta resolução do AFMSS e elevação de terreno digital permite voar missões no computador e planeja-las para evitar ameaças como mísseis SAM e artilharia antiaérea. O AFMSS também pode ser usado para passar dados para o TERPORM usado na USAF para as aeronaves equipadas com o sistema.

A função de análise tática do AFMS, chamado TOTF (Threats on the Fly),  inclui as seguintes capacidades: mascaramento do terreno, leque de ameaças, ameaça composta e probabilidade de ameaça. O TOTF usa dados paramétricos da AIA (Air Intelligence Agency) e dados de ordem de batalha do Combat Intelligence System (CIS). O GDE Systems Common Low Observable Autorouter (CLOAR) é usado pelass aeronaves furtivas. O CLOAR tem meios de criação de rota automática para usar toda a vantagem das características furtivas da aeronaves e mísseis da furtivos da USAF. Além da ordem de batalha, o CIS irá fornecer táticas, teatro e imagens para o AFMSS apoiar o planejamento de alvos da área.

A DMA irá fornecer a maioria dos mapas, cartas, dados geodésicos e imagens do AFMSS, incluindo mapas digitais, cartas, elevação do terreno, características culturais, imagem de grandes áreas e outras informações automáticas.

A Air Force Information Warfare Center (AFIWC) irá fornecer dados paramétricos de características e desempenho das ameaças. Estes dados são a base para a análise de ameaça, otimização de rota, meios de combate eletrônicos e planejamento de tática. Dados paramétricos de ameaça são relativamente dinâmicos e distribuídos por meios secundários como o CD-ROM ou transferência de dados eletrônica.

A ordem de batalha da ameaça é usada junto com os dados de ameaça paramétricos para mostrar informações para o usuário e fornecer dados de localização e TOTF. Como estes dados são extremamente dinâmicos, o CIS irá processar ambos em tempo quase real junto com os dados de ordem de batalha do teatro e mostrar atualização para o banco de dados da ordem de batalha do AFMSS para apoiar as necessidades do planejamento de missão.

O Joint Intelligence Center (JIC) produz imagens de alta resolução para apoiar o planejamento de alvos de área, e estão disponíveis via arquivos de imagem em servidores como o Imagery Product Archive (IPA). A análise de inteligência na estação do CIS irá selecionar a imagem apropriada do arquivo e enviá-la para o AFMSS com as informações apropriadas do alvo. As imagens de alvo de área também podem ser enviadas por mídia (CD-ROM).

Outro programa da USAF é o Special Operations Planning and Rehearsal System (SOFPARS) usado pelas unidades de operação especial.

 
O AFMSS visualiza todos os aspectos da missão para todas as aeronaves, mostrando ameaças e análise de rota e perspectiva. A visão de análise da ameaça inclui zonas de detecção e zonas de ameaça de engajamento modificada pelo terreno. O AFMSS indica o melhor caminho de ingresso e retorno de acordo com  com o perfil de RCS da aeronave, e avalia a cobertura terrestre e ameaças de defesa aérea conhecidas.




A análise do perfil de rota mostra a rota e o a configuração do terreno sobrevoado. A distância do solo é indicada.
 
A visão em perspectiva mostra simulação realística no ponto de vista do piloto durante a missão e inclui terreno digital e imagem. Entre as melhorias incluem efeitos meteorológicos e dados IR/EO. 


Entre os novos sistemas europeus temos o Système Local de Préparation et de Restitution des Missions (SLPRM)  - Sistema de preparação e reconstituição de missão - produzido pela SAGEM francesa. O SLPRM venceu uma concorrência em 1997 para ser o sistema de planejamento de missão do Rafale. O SLPRM já é usado pela força aérea e aviação naval francesa nos seus aviões de caça e transporte. A variante PALOMA é usado pelo Mirage 2000N e Super Etandard equipados com o míssil cruise tático nuclear ASMP.

O SLPRM é derivado da família de software orientado CIRCE. O SLPRM adiciona módulos de debriefing/reconstrução de missão. O CIRCE é usado no C-160 Transal, helicópteros Cougar e UAVs Crecerelle franceses, UAV Spewer holandes e UAV Ugglan suiço.

A SAGEM também oferece o GIPSY (Geographic Information Production System), que pode produzir mapas digitais necessários para o CIRCE 2001.

O sistema tem capacidade de atualizar o CCIS do país e bancos de dados do SLPRM com dados de inteligência gravados durante a missão, particularmente os referentes as defesas aéreas inimigas.

 
Estação CIRCE 2001.

A RAF usa o TAMPA (Tornado Advanced Mission Planning Aid) baseado no software CIRCE 2001 nos seus Tornados IDS. O TAMPA usa uma arquitetura de software flexível e hardware aberto para facilitar a integração.

O TAMPA irá cobrir todos os papéis e tarefas como ataque terrestre, supressão de defesas com o míssil ALARM, ataque marítimo, reconhecimento e translado. O software tem módulos para apoiar lançamento de bombas guiadas a laser e mísseis cruise (CASOM). O sistema pode apoiar saídas de até 16 aeronaves simultâneas, enquanto o planejamento de teatro pode apoiar até 128 aeronaves.

O TAMPA tem interface com vários CCIS da RAF, principal fonte de ordens fragmentárias (ATO), e centros de inteligência como o LOCE (Linked Operations & Intelligence Centres Europe), Battlefield Information Collection and Exploitation System (BICES), e JOTS (Joint Operational Tactical System). Esta conectividade inclui a capacidade de receber arquivos de imagem para apoiar o planejamento de missão.

O AMPA (Advanced Mission Planning Aid) da BAe é usado nos Harrier GR.7. Os pilotos podem planejar a missão no mapa digital, enquanto o sistema calcula automaticamente dados como gasto de combustível e sincronização do tempo. O software inclui gerador de rota automática; avaliação de exposição a ameaças; planejamento de vôo em formação para trânsito, aproximação e área do alvo; perfis de lançamento de armas; calcula e mostra locais de intervisibilidade; e reconstituição da missão em tempo real em perspectivas 2-D e 3-D.

O AMPA contribui para o sucesso da missão pois o piloto pode voar a missão no computador antes da missão real, navegando num mapa tridimensional, e familiarizando-se com o terreno que irá sobrevoar. Quando o plano está completo ele é passado para a aeronave pelo DTS. O sistema também tem funções de inteligência, operações e meteorologia.

O DIPLAS/TMPS da DASA é usado na Alemanha, Itália e Portugal. Ele gera rota automaticamente com entradas manuais da situação tática. Pode realizar coordenação de tempo, planejamento de separação/distância para até quatro aeronaves, com planejamento paralelo de ataque.

Na área do alvo, o DIPLAS mostra planejamento e dados de lançamento de armas do inventário da força aérea, incluindo procedimento de lançamento em 3-D como "pop-up" e "loft". Tem modos para evitar conflitos de aeronaves com correção 4-D, e programação de sensores eletrônicos. Também tem um módulo de apresentação 2-D dinâmico para missões planejadas e voadas para reconstrução e avaliação.

Futuras capacidades incluem planejamento de coordenação de tempo e controle de operações conjuntas, planejamento de vôo IFR (vôo por instrumento) usando o banco de dados Jeppesen; visualização do terreno em 3-D para apoiar o perfil de vôo; apresentação de seguimento do terreno, evitamento do terreno e operação de sensores de reconhecimento.


O DIPLAS usa duas estações em um sistema único.

O MSS/Pandora da Holanda usado no F-16A/B MLU foi programado para o piloto ter a iniciativa de como planejar a missão. O sistema não sugere solução baseado em doutrinas pré-definidas. O objetivo é evitar que o sistema de planejamento de missão não torne as táticas previsíveis. Os sistemas de planejamento de missão usados pela defesa aérea usa lógica inversa e pode tornar as missões de ataque previsíveis.
Um UAV foi derrubado pela metralhadora lateral de um helicóptero sérvio simplesmente por voar na mesma rota de ingresso e no mesmo horário seguidamente.

A empresa Advanced Technology de Israel produz o sistema de planejamento de missão STATUS usado pela Força Aérea Israelense.
Sistema Aerograf

O IEAv - Instituto de Estudos Avançados do CTA está desenvolvendo o Sistema Aerograf. O Sistema Aerograf é um sistema computacional de auxílio à decisão, cujo desenvolvimento visa atender necessidades operacionais da Força Aérea Brasileira para planejamento de posicionamento de sistemas de defesa aérea. O Sistema Aerograf consta dos seguintes módulos:

- Módulo de Inteligência cujo objetivo é apoiar o Comando da Aeronáutica nas atividades de interpretação de alvos militares. O módulo AEROGRAF-INT possui várias ferramentas para manipulação de imagens e fotografias aéreas, como manipulação de histograma, composição colorida e registro de imagens.

- Módulo de Geoprocessamento usado para geocodificar e registrar imagens digitais, gerar modelos numéricos de elevação a partir de curvas de nível e manipular mapas digitais.

- Módulo de Planejamento de Defesa Aérea usado para  gerar mapas de intervisibilidade radar e apoiar a análise de vulnerabilidade.


Mapas de intervisibilidade radar


Mapa de intervisibilidade radar

- Módulo de Planejamento de Missão Aérea. É usado para apoiar a atividade aérea dos esquadrões operacionais no planejamento de suas missões. O módulo AEROGRAF-PMA possui ferramentas para cálculo dos parâmetros de rota (foto abaixo), impressão de relatórios e gravação dos módulos de transferência de dados para o computador de bordo.



- Módulo de Gerenciamento de Banco de Dados. Proporcionar as condições de armazenamento, recuperação e relacionamento entre os dados processados em todos os módulos.

- Módulo de Informações Meteorológicas. Apóia os esquadrões operacionais na análise de informações meteorológicas.
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário