segunda-feira, 16 de julho de 2012

CASULOS MULTIFUNCIONAIS NA FAB



 O primeiro "casulo" de designação de alvos usados pelas aeronaves táticas da FAB foi a torreta Star Safire do A-29B Super Tucano. O Star Safire entrou em serviço na FAB nos R-99B de sensoreamento remoto e também irá equipar os P-3AM de patrulha marítima. A Aviação do Exército tem dois Fennec equipados com FLIR Star Safire capazes de gravar imagens ou transmitir para uma estação terrestre em tempo real com um datalink.

 O primeiro casulo de navegação e ataque para aeronaves de caça da FAB foi adquirido em 2005 quando a FAB comprou oficialmente quatro casulos Litenining III por US$ 13.126.538,00 para uso nos F-5EM modernizados custo cobre a  logística integrada para apoiar durante vida útil do casulo. As negociações foram iniciadas em 2003 e também estão sendo estudado a compra de 10 casulos Litening para equipar os AMX e seis casulos Reccelite que é uma versão do Litening para reconhecimento tático. A FAB já testou as bombas guiadas a laser Lizzard da Elbit no A-29 e AMX e comprou para equipar seus F-5EM.

 O melhor incremento que o Litening pode trazer para a frota de F-5EM é no cenário ar-ar. A FAB comprou novos mísseis de médio alcance Derby e novas capacidades serão necessárias como a capacidade de identificar alvos a longa distância. A capacidade de detecção e acompanhamento já existe na forma do R-99 AWACS e do radar Griffo do F-5EM.

 O Litening tem modos ar-ar capazes de detectar, acompanhar e identificar alvos a longa distância de dia e a noite, apontado pelo radar ou de forma autônoma. O FLIR pode ser usado como um IRST atuando de forma passiva e recebendo dados do RWR e do datalink para saber onde olhar. O FLIR atua a noite na detecção e identificação e a camera de TV pode fazer identificação e acompanhamento de dia a uma distância maior. Os dois sensores tem capacidade de fazer analise de incursão contra formações voando muito próxima. O FLIR pode dar alerta de disparo de míssil do alvo acompanhado e fazer avaliação e confirmação do kill. O laser pode ser usado para dar a distância do alvo para disparo de mísseis e do canhão. Em combate aproximado o laser tem uma maior precisão que o radar e pode não alertar o inimigo se não tiver um sistema de alerta laser já que os alerta radar já são de uso freqüente. Se for potente o laser pode até ser usado para cegar o inimigo no ar e também em terra como as defesas antiaéreas.

 Equipada com bombas guiadas a laser Lizzard ou bombas convencionais os F-5E passaram a ter capacidades melhoradas:

 - As táticas anti-navios empregadas pela FAB consistem em saturar o alvo atacando de várias direções a baixa altitude. As aeronaves estão armadas atualmente apenas com bombas burras, foguetes e canhões. O AMX usa sua capacidade de interferência eletrônica para ter mais sucesso. Com o Litening e a Lizzard os F-5EM passam a ter capacidade de atacar alvos navais além das defesas aéreas de curto alcance. Uma aeronave voando mais distante pode iluminar alvos para outras que chegam mais próximo para atacar. O F-5EM tem outros recursos para facilitar as missões anti-navio como o radar para detectar alvos e o datalink para indicar a posição do alvo. O próximo passo é ter uma arma para atacar alvos fora do alcance de defesas de médio e longo alcance.

 - Nas missões de interdição o Litening pode ser usado para atacar alvos de ponto de dia ou a noite a longa distância com armas de precisão guiadas a laser.

 - Os modos CCIP ainda são úteis contra alvos de área com bombas burras e o Litening pode ser usado para disparar armas burras com maior precisão que o radar. O Litening faria detecção e ataque contra alvos a noite o que é difícil com o radar a não ser contra alvos de área.

 - Ataques de penetração noturna a baixa altitude em tempo bom passou a ser viável.

 - Alvos bem defendidos como bases aéreas podem ser atacados acima das defesas antiaéreas de dia e a noite. Atualmente a FAB usa as bombas perfurantes BAPI que devem ser disparadas a baixa altitude com grande risco.

 - No caso de interdição do campo de batalha o radar do F-5EM pode ser usado para detectar alvos móveis e usar o Litening para identificar os alvos.

 - As missões de controladores aéreo avançado podem ser realizadas pelo F-5EM, mas o A-29B equipado com o Star Safire deve ser a principal aeronave a realizar esta missão. O Laser Spot Tracker do Litening pode ser usado para detectar o laser do Star Safire. O F-5EM tem facilidade para indicar alvos de oportunidade para o Litening com o uso do capacete DASH e pode usar o datalink para passar alvos para outras aeronaves ou receber as coordenadas do alvo do A-29.

 - O apoio aéreo aproximado deve ser um grande beneficiário com as tropas em terra podendo usar apontadores laser para marcar sua própria posição e a posição do alvo.

 - A tarefa de supressão de defesas aéreas pode ser facilitada com o alerta radar sendo usado para indicar onde apontar o Litening. A sensibilidade do alerta radar tem que ser alta para não criar um desvio muito grande o que não é muito problema para alvos no ar. O alvo detectado, como bateria de mísseis SAM ou de artilharia antiaérea, pode ter a posição determinada para ataque imediato, ataque posterior ou para ser evitado. As coordenadas podem ser passadas pelo datalink para outras aeronaves e gerar um círculo de ameaça no mostrador do datalink. Existe ainda a possibilidade de alimentar os dados para o lançamento do míssil MAR-1.

 - A FAB não usa bombas guiadas por GPS/INS, mas o CTA está desenvolvendo estas armas. O radar do F-5EM com modos SAR e o Litening poderão ser usados para gerar coordenadas de alvos para estas novas armas.

 - O Litening não tem boa resolução para realizar missões de reconhecimento, mas pode ser usado para fazer avaliação de danos de batalha gravando as imagens do ataque e de ataques de outras aeronaves até com bombas burras.

 - Com um datalink adequado o Litening pode ser usado para apoiar ações de forças de operações especiais enviando imagens para as tropas em terra como já feito por outros países.

 Futuramente estas capacidades também estarão disponíveis para os A-1AM e A-1BM modernizados se receberam o Litening como planejado.
Imagem do HUD do F-5EM durante uma missão no TAC 2007. O alvo era uma antena radar e uma bateria de mísseis SAM simulando um RBS-70. A indicação de altitude radar mostra que o disparo foi a menos de 2.500 pés (cerca de 800 metros) ou bem dentro do envelope da artilharia antiaérea ou mísseis SAM portáteis. O Litening permitirá que estes ataque sejam realizados a uma maior altitude e fora do envelope das defesas antiaéreas. O simples fato de poder realizar a mesma missão a noite com o Litening com bombas burras já elimina a maioria das ameaças em terra.
Imagem da camera IR do casulo francês CLDP no modo ar-ar. O alvo, um Jaguar voando baixo, está a 3,5 milhas. O Litening terá modos de operação semelhantes.
Imagem de uma tomada ar-ar com a camera CCD do Litening II durante a operação Enduring Freedom em 2002.  A imagem mostra um  AV-8B do USMC, um KC-10 da USAF e um F-16 Block 30 da Guarda Aérea Nacional. O zoom largo é usado para detecção do alvo enquanto o zoom estreito é usado para identificação e disparo de armas (sensor IR e TV).
Imagem de um Litening AT gravada por um AV-8B Harrier dos USMC. A imagem mostra outro Harrier decolando de um LPH. Os F-5EM da FAB irão ver uma imagem semelhante nas suas missões anti-navio.


Com todas estas capacidades e considerando o número limitado de casulos Litening disponíveis é possível prever como seria um "pacote Litening". O pacote seria formado por dois F-5EM equipados com o Litening para apoiar 4-6 aeronaves armadas com bombas guiadas a laser Lizzard. A escolta seria formada por outros F-5EM fariam escolta com mísseis Derby, outros equipados com o casulo de interferência SkyShield e outros com o míssil anti-radar MAR-1 (provavelmente só irá armar os AMX).

 Os R-99 fariam vigilância contra alvos móveis no ar para o pacote penetrando a média altitude no território inimigo. Penetrando a média altitude o pacote terá um alcance maior do que em uma penetração a baixa altitude, ou tem maior flexibilidade para escolher a rota e com reserva para eventualidades. Se o ataque for feito a noite os interceptadores inimigos ficam limitados as aeronaves equipadas com radar o que facilita o trabalho das escoltas.

 O Litening pode ser usado para detectar e identificar os alvos em terra e no ar e designar alvos para as bombas Lizzard. Depois fariam avaliação dos danos de batalha e podem atuar nas missões de busca e resgate de combate.

 O número de casulos comprados pela FAB (quatro) é pouco para a frota de F-5EM/FM prevista (49 + 11 adquiridos recentemente). Com todo o potencial do Litening e com futuras experiências operacionais a FAB certamente irá adquirir novos casulos. Considerando que os quatro casulos podem iluminar alvos para outras três aeronaves, seriam 16 F-5EM em uma frente de combate dedicados as missões que requerem o casulo ou 1/3 da frota atual no máximo.

 Com os casulos de navegação e ataque como o Litening se tornando um item fundamental em uma aeronave de combate, garantindo uma capacidade noturna ar-ar e ar-superficie real, o ideal seria equipar toda a frota, ou quase toda, com o Litening. Obviamente que isto não irá ocorrer, seja por motivos orçamentários, ou pelo fato de em tempo de paz boa parte da frota estará parada, ou em treinamento, ou por só uma parte da frota ser deslocada para uma frente de combate ou pelo simples motivo de muitas missões não precisarem de um casulo como as missões diurnas com bombas burras. Um meio termo seria ter um casulo para cada elemento (duas aeronaves) em uma situação de combate.

 Outra limitação é o peso e o arrasto que o Litening pode criar para o F-5EM visto que é um caça leve e com relativamente pouca potência. Os ganhos podem não ser tão compensadores assim em termos de perda de velocidade, alcance, manobrabilidade ou carga de armas. A experiência pode levar aos requisitos de um substituto bem maior para operar com um casulo. Para exemplificar, um F-15I israelense atacou duas pontes no Líbano disparando duas bombas guiadas a laser de 900kg em cada ponte. A mesma aeronave levou as quatro bombas e destruiu os alvos em uma única saída. A distância do alvo era relativamente curta, dentro do padrão de operação do F-5EM, mas no caso da FAB seria necessário uma bomba de 900kg por aeronave e mais uma com o casulo para fazer a mesma tarefa. Se for considerado que o F-15I pode se defender sozinho com mísseis AMRAAM, pode ser adicionado mais dois F-5EM de escolta com o Derby.

 Os F-5EM poderão ser divididos em aeronaves que só levam o casulo e mísseis defensivos e sem cargas ofensivas com pilotos treinados nas táticas de uso ar-superfície e ar-ar. Por exemplo, é possível treinar alguns pilotos só para identificar outras aeronaves com o Litening e passar os dados para outras aeronaves realizarem o ataque com mísseis BVR. O piloto daria apoio ao engajamento. Outras aeronaves leves como o Super Etandard da Aeronavale já usa este procedimento.

 A entrada em operação do Litening na FAB será um grande multiplicador de força para a frota de F-5EM. As estatísticas mostram que a efetividade poderá ser aumentada em pelo menos três vezes, além de melhorar a capacidade defensiva. A FAB já poderá pensar em quantos alvos por aeronave ao invés de quantas aeronaves para atacar um alvo. Serão novas missões e novas possibilidades a serem desenvolvidas.









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