segunda-feira, 30 de julho de 2012

Modernização do AMX - 8° parte Supressão de Defesas



SUPRESSÃO DE DEFESAS

A Embraer e a IAI (Lahav) anunciaram em 2001 o desenvolvimento de uma versão do AMX especializada em Guerra Eletrônica com custo estimado em US$20 milhões. A aeronave será equipada com emissores de alta potência para interferir nos radares adversários antes e durante um ataque, cegando as defesas inimigas e incapacitando radares e sistemas de comunicações. A aeronave também poderá ser equipada com mísseis anti-radar como o MAR-1. A aeronave deveria ter sido lançada em na feira aérea de Paris em Le Bourget em 2003.
A AMI já requisitou a produção de uma variante de combate eletrônico em 1995, designada AMX-E e baseada na versão biposto, a fim de acompanhar os Tornado e AMX em missões de ataque, fazendo escolta, interferência e reconhecimento.    
Estudos de viabilidade já foram concluídos pela Alenia, Aermacchi e Elettronica e em dezembro de 1997 foi assinado um contrato para finalização de configuração, a qual incluiria uma revisão dos aviônicos, instalação de GPS e de mostradores LCD coloridos com mapas móveis no cockpit traseiro, para o operador de guerra eletrônica.
O AMX-E perderia o canhão M-61A1 a fim de acomodar os necessários equipamentos eletrônicos e poderá ser equipado com mísseis anti-radar. A Itália cancelou o projeto e está usando o Tornado ECR.

A FAB já usa sistemas de interferência de escolta e seus caças. O 1/14 GAv em Canoas/RS usou dois casulos CT51J Caiman de interferência ofensiva a longa distância desde 1987. O casulo é usado para SEAD passivo e pode ser usado para interferir em radares de busca de longo alcance na banda "L" e "S". O casulo pesa 550kg. A FAB tinha planos de instalar um sistema semelhante no AMX, mas o projeto não foi adiante.

SEAD
A primeira fase de uma campanha aérea é direcionada para a destruição ou neutralizar as defesa aéreas (IADS - Integrated Air-Defense System) inimigas para conseguir superioridade aérea. As IADS incluem postos de comando, estações de radar, centros de comunicações e estrutura de apoio (energia principalmente).
Todos estes meios estão relacionados com a capacidade do inimigo de conquistar superioridade aérea. Sem estes sistemas, ficam comprometidos e ineficazes e a chances das aeronaves amigas retornarem das missões aumentam.
A IADS não é só mísseis SAM (surface-to-air missile) e artilharia antiaérea. Os centros de comando e controle (C2) e sensores tem que ser atacados em primeiro lugar. Destruir um radar de vigilância de longo alcance pode forçar os SAM a ligar seus radares para busca, tornando vulneráveis a um míssil anti-radar.
Foi o que a USAF fez no primeiro dia de Kosovo com os B-52 disparando mísseis cruise (CALCM) e os F-117 equipados com bombas guiadas a laser contra radares de alerta antecipado, torres comunicações e centros de  comando e controle. O mesmo foi feito no primeiro dia da Guerra do Golfo. Usaram a mesma formula de furtividade e ataque a longa distância.
Depois desta fase começa os ataques aos outros alvos inimigos. Nesta fase é que inicia a supressão das defesas (SEAD - Suppression of Enemy Air Defenses) com a destruição ou neutralização dos mísseis SAM e artilharia antiaérea inimiga. O objetivo do SEAD é diminuir as perdas de aeronaves e pilotos reduzindo o atrito de força amigas.
O SEAD é chamado SDAI (Supressão da Defesa Aeroespacial Inimiga) na FAB. Aqui será usado o termo SEAD. A SDAI é toda e qualquer ação que tem por objetivo a neutralização, destruição ou minimização, temporária ou não, de toda a estrutura e defesa aérea do inimigo ou parte dela, visando a ampliação da eficácia geral das operações aéreas amigas, utilizando meios físicos (destruição) ou eletrônicos (neutralização ou minimização)” segundo a doutrina da FAB.
Um sistema de defesa aérea moderno é composto de uma rede estreitamente interligada de sensores e órgãos de controle. Pode ser subdividido em quatro grandes categorias: detecção passiva, detecção ativa, sistema de armas e sistema de controle.

Um levantamento das posições, características e modos de operação do inimigo é o primeiro passo para poder se pensar na possibilidade de uma missão de SEAD. A partir daí, deve-se verificar quais são os equipamentos disponíveis e, finalmente, definir as táticas a empregar.

A operação Desert Storm pode ser considerado como modelo de uso de Poder Aéreo numa guerra convencional. Durante a Guerra do Golfo em 1991, os primeiros ataque foram contra alvos estratégicos como liderança, produção industrial e infra-estrutura. A ênfase foram os alvos estratégicos e não os militares com apenas uma exceção: as defesas aéreas como centros de comando e controle, mísseis SAM, bases aéreas e caças inimigos em terra e no ar.
Uma das primeira tarefas do SEAD é montar um quadro geral das defesas inimigas. A características gerais das defesas aéreas em terra são:
- São finitas e tem flancos.
- São orientadas para as possíveis rota de ataque do inimigo.
- Raramente são fortes em profundidade e largura ao mesmo tempo.
- Geralmente são pouco móveis ou fixas.
- Esta formação sugere a possibilidade de ataque de flancos, penetração e exploração ou ataque sistemático com destruição de frente para trás.
Segundo a doutrina da RAF as defesas aéreas inimigas podem ser estudadas com os seguintes parâmetros:
- Profundidade. As defesas são compostas em camadas para dar alerta antecipado para ganhar tempo e possibilitar engajamentos múltiplos.
- Densidade. Se o inimigo defende tudo ele acaba espalhando as defesas o que favorece o atacante. O atacante tem vantagem para concentrar forças.
- Tecnologia. Ela possibilita aumentar a profundidade e densidade qualitativamente. A contramedida é usar guerra eletrônica, furtividade e armas de longo alcance para reduzir a tecnologia inimiga.
Os SAM de longo alcance geralmente defendem alvos estratégicos, fixos ou pouco móveis como postos de comando, estações de radar, energia, refinarias, base aérea ou terra ou porto. Os mísseis táticos tem menor alcance e sofisticação e defendem pontes, tropas, postos de comando tático. São armas muito móveis mas com alcance menor. Também ficam em local alto e o primeiro lugar para procurar.
Táticas
Melhorias nos sistemas de defesa aérea a partir da década de 50 levou a um esforço paralelo para desenvolver contramedidas. Interferência e despistamento era uma proposta, e o ataque a fonte de emissão com mísseis anti-radar que se guiavam pelas emissões dos radares inimigos era outra. As duas formas foram desenvolvidas com sucesso.
O SEAD refere-se tipicamente a missão de neutralizar, destruir ou degradar temporariamente as defesas aéreas em terra por meios destrutivos ou disruptivos. Os dois meios mais comum é interferência e mísseis anti-radar (MAR).
Nos últimos anos apareceu novo termo: DEAD, ou SEAD letal (ver mais adiante). O objetivo primário do SEAD é assegurar a sobrevivência das forças amigas, sendo o tempo de engajamento o determinante da missão, enquanto o DEAD é localizar e destruir as defesas aéreas inimigas, sendo a mobilidade do alvo o fator determinante.
O SEAD se concentra em suprimir a capacidade inimiga de engajar e defender contra aeronaves do "pacote de ataque" durante o ingressando e egresso contra os mísseis SAM e artilharia antiaérea inimiga. A ênfase é na supressão pois o objetivo é inibir a IADS de operar de forma eficiente, e assim mantendo a integridade operacional e tática das forças amigas. O DEAD pode ser um subproduto do SEAD, mas não é a definição final.
O radar é o meio principal para detectar, acompanhar e designar alvos no ar. No caso dos EUA, a contramedida foi tentar neutralizar, degradar ou destruir os radares inimigos. Os radares antigos eram fixos, operavam sozinhos e ficavam ligados por muito tempo - a maioria era fácil de encontrar e suprimir com guerra eletrônica ou ataque físico.
A aeronave que realiza SEAD tem que estar próximo da defesa aérea para completar a  missão, colocando a aeronave e tripulação em risco. A contramedida foi tentar fazer defesas mais resistentes a supressão como mobilidade, conectar radares em rede, adicionar detecção passiva ou funcionar por períodos muito curtos.
O SEAD é importante pois o inimigo pode explorar a mobilidade e controle de emissões para evitar que seja detectado. A sobrevivência da aeronave depende em evitar que o míssil SAM complete as fases do engajamento. A aeronave pode usar defesas próprias como contramedidas eletrônicas (CME), chaff e flare como última forma de defesa. Idealmente a ameaça deve ser neutralizada antes por todos os meios de CME de longa alcance e mísseis anti-radiação.
O ser humano tende a considerar maior como  melhor, mas as defesa inimiga não podem ser medida pelo número e tipos de sistemas. A capacidade do operador e nível de integração entre os vários componentes são fatores chaves. As operações sobre os Bálcãs são evidências disto, onde a ameaça era de SAM móveis e furtivos.  Os SA-6 sérvios só engajavam quando as condições eram favoráveis, e eram coordenados geograficamente para criar emboscadas ("SAMbushes").
As contramedidas eletrônicas de longo alcance são preventivos, diminuindo chances de detectar as aeronaves apoiadas. Depois que o míssil SAM inicia o engajamento, o tempo disponível é muito pequeno.
Uma outra maneira de diminuir o tempo de reação é lançar um míssil anti-radar contra áreas suspeitas a frente da força de ataque. Um míssil anti-radiação pode atacar um míssil SAM logo que engaja. Como exemplo temos os mísseis ALARM e AGM-136 Tacit Raibow (cancelado) que foram projetados para esperar na área suspeita. A contramedida é não ligar o radar do SAM. Isso significa uma "mission kill", quando os aeronaves de supressão de defesas conseguem neutralizar a ameaça, mas o SAM ainda funciona.
O SEAD não é feito só com aviação e mísseis anti-radar. Artilharia de longo alcance, helicópteros e forças especiais podem ser usadas como alternativa dependendo do alcance e disponibilidade.
O SEAD é uma missão muito difícil e necessita de piloto especializado e preparado para desenvolver táticas adequadas. A tripulação deve ser composta preferencialmente de dois tripulantes, com o piloto voando e defendendo a aeronave enquanto o tripulante traseiro se concentrando em monitorar as ameaças e disparar armas de forma coordenada.
O planejamento de missão inclui dados das ameaças possíveis coletados de outros meios como aeronaves ELINT e  incluindo debriefing de aeronaves de ataque.
A aeronave que realiza SEAD voa a frente do "pacote de ataque" e por isso é ideal que tenha uma capacidade ar-ar significativa. Ela abre uma trilha segura até o alvo e ao redor do alvo. O difícil é saber que está na área certa, usando sensores corretamente, e dando proteção contra ameaças no solo e no ar. A aeronave voa em órbitas a média altitude com potência militar e velocidade subsônica alta.
Os interceptadores e mísseis inimigos são a maior ameaça. As aeronaves SEAD e CAP são as primeiras a chegar e últimas a sair, sendo que uma protege a outra. O ala fica a 1-3 milhas e não na mesma altitude para evitar colisão. Se o inimigo vê um pode ver o outro facilmente numa varredura horizontal. O ala também protege a retaguarda do outro onde ocorre 80% das vitórias em ataques de surpresa. Os interceptadores fazem órbitas de 10 milhas e vigia "kill box" para disparo de mísseis BVR.
A aeronave SEAD também deve ter um bom alcance pois e o primeiro a entrar na área de combate e o último a sair. Os sistemas defensivos também são importantes pois se expõe muito e por muito tempo. Como também ataca alvos no solo como centros de comando e radares, deve ter uma ótima capacidade multifuncional.

Um F-105G da USAF desvia de um míssil SA-2 vietnamita. A maior ameaça contra uma aeronave de ataque vem do chão e não de outros caças. Enquanto a OTAN teve 12 engajamentos ar-ar depois da Guerra do Golfo, seus caças enfrentaram mais de 4000 mísseis SAM. Os americanos perderam 196 caças A-4 Skyhawk no Vietnã, sendo 1 para Mig, 31 para mísseis SAM e 164 para armas leves e AAA. A falta de doutrina e tática adequada mostrou efeitos no Vietnã e Israel. As medidas reativas sempre funcionaram em diminuir atrito. Os mísseis SAM vietnamitas diminuíram a probabilidade de acerto de 50% nos primeiros disparos para 1% no fim do conflito. No exercício Cruzex 2002 quase todas as aeronaves que atacaram as bases inimigas defendidas por canhões antiaéreos guiados por radar foram "derrubadas".
Sistemas
O requisito principal de um míssil anti-radar é ser muito rápido e ter longo alcance. Ele tem que ser disparado fora do alcance do míssil inimigo e atingir o alvo antes que o radar desligue ou que acerte uma aeronave amiga. Também deveria ter uma ogiva grande, mas geralmente é usada uma ogiva pequena para priorizar a velocidade. O sistema de navegação deve ser capaz de gravar posição específica ou pelo menos aproximada do alvo.
O RWR é usado para indicar alvos para o míssil anti-radar fazendo detecção, localização e priorização de ameaças, mas também pode apontar outros sensores como a cabeça de guiamento IR como o Maverick americano, assim como indicar a direção geral do alvo para ataque com bombas convencionais. São capacidades secundárias pois as aeronaves SEAD sempre evitam se aproximar do alvo, mas os mísseis anti-radar podem acabar e é necessário ter outras alternativas. Os primeiros RWR especializados para SEAD pesavam cerca de 700kg com várias antenas espalhadas pela aeronave. Os RWR atuais pesam 25kg e tem a mesma capacidade.
A USAF testou o sistema de triangulação de alvos ASARS no U-2R na Guerra do Golfo. O sistema funcionava mais para inteligência que para controle de campo de batalha devido a demora para disponibilizar as informações.
Em 1995 a USAF testou o sistema PRSS com precisão de 80m a 70km, suficiente para disparar um míssil HARM em 5 segundos. A precisão melhora com a navegação mais precisa.
A proposta da Dassault de uma família de equipamentos para supressão de defesas combina um casulo de designação de alvos POLDER e o sensor de banda larga para mísseis ARCADE. O POLDER é derivado do DOPAGE, e pode equipar aeronaves e UAVS. O PARAD, PARAM e PARI sensores para mísseis anti-radar e kits de guiamento de bombas.
O sistema ESM Top Scan da Rafael pode ser usado em aeronaves e UAVs. Pode se comunicar com outro sensores como o Litening para buscar área suspeita.

Outras armas podem ser lenta e com grande autonomia para sobrevoar o alvo ou área a ser defendida por muito tempo. Como exemplo temos o UAV Harpy acima.
A tecnologia de datalink é outra que tem importância no processo de supressão de defesas. Várias plataformas são usadas para detectar, localizar, identificar e atacar e devem ser capazes de trocar dados de forma eficiente. Elas também fazem parte de um grupo maior que pode ser um "pacote de ataque" e são apoiadas por outras aeronaves como REVO, reconhecimento, AWACS e escolta de caças.

O casulo Sky Shield da Rafael e IAI/Elta é um casulo Support Jammer para criar um corredor seguro contra radares. Realiza Stand Off Jammer (SOJ) sem entrar no campo de batalha (em aeronaves lentas) ou Escort Jammer (EJ) acompanhando e protegendo a força de ataque. Pode ser operado de forma controlado ou autônomo, realizando detecção, identificação e interferência automática de emissões. A instalação é rápida. A foto mostra a tela de radar com o casulo usando o modo de interferência de tempo. O casulo tem 3,7 metros de comprimento.


Mísseis Anti-radar
Os mísseis anti-radar tem limitação para serem adquiridos e por isto a FAB está desenvolvendo o MAR-1 junto com o CTA e a Mectron desde 1998. Depois de disparado o míssil sobe até 10 mil pés e começa a varrer a área do alvo antes de mergulhar. O motor terá 2 estágios e alcance de cerca de 25 km quando lançado de uma altitude de 10.000 metros, e atingira uma velocidade entre Mach 0,5 e Mach 1,2. O míssil pode ser programado com pontos de referencia. O RWR do AMX pode ser usado para detectar alvos supondo um modo de auto-defesa. As aletas de controle ficam no meio do míssil.

MAR-1 nos cabides externos de um AMX do CTA.


MAR-1 do lado de um MAA-1 Piranha.


No inicio do projeto suspeitava-se que o MAR-1 fosse derivado do MAA-1 Piranha com o mesmo conceito do AGM-122 Sidearm americano da foto.
O primeiro míssil anti-radar foi o AGM-45 Shrike usado no Vietnã. Era um míssil Sparrow com um sensor passivo. Tinha alcance de 11-16km enquanto o SA-2 Guideline tinha alcance de 30km. Deveria marcar a localização do alvo com fumaça para ser atacado com armas convencionais.
Em março de 1968 apareceu o míssil anti-radar AGM-78A Block 0 Standard. 14 caças EF-105F receberam os detectores de emissão AN/APS-107 e o Itek AN/APR-35 para usar o Standard. Mais 16 caças foram modificados em novembro de 1968 para usar o AGM-78B Mod 1 mais capaz com sensor Maxson de banda larga. O Standard era bem mais efetivo que o Shrike, acertando 100% dos alvos, mas custava US$200 mil contra US$7 mil do Shrike.
O míssil anti-radiação mais famoso da atualidade é o AGM-88 HARM (High Speed Anti Radiation Missile). É um projeto americano de 1969 que entrou em operação em 1983 no A-6E Intruder, A-7 Corsair II, EA-6B e F/A-18 Hornet da US Navy e no F-4G da USAF.

É propulsado por um motor Thiokol YSR113-TC-1 com motor foguete sólido de baixa emissão de fumaça. Tem velocidade e alcance muito maior que o STandard e Shrike e sensor mais sensível e banda larga (cobre banda C-J ou 2-20GHz).

Enquanto o Shrike precisava trocar o sensor para atacar cada tipo de radar, o HARM pode escolher qualquer alvo ou freqüência e atacar até radares de busca ou radares meteorológicos. Se o alvo desliga o míssil pode escolher entre outras ameaças. Com guiamento inercial pode ser disparado contra alvos distantes que não podem ser detectados pelo sensor.

Cerca de 20 mil foram fabricado até 1994 e são atualizados com frequência. O AGM-88A foi substituído pelo AGM-88B com sensor reprogramavel no campo com troca de software. A ogiva foi trocada por uma mais letal que espalha bolas de tungstênio para perfurar a antena e seus eletrônicos. O AGM-88C é capaz de determinar alvos individuais em um local rico em emissores. A antena dupla em espiral foi aumentada para oito arranjos de banda baixa.

Uma das últimas atualizações foi a adição de um GPS/INS para guiamento meio curso. O sistema é programado para não atacar áreas determinadas e aumenta a precisão contra alvos desligados e evita fogo amigo. Também está equipado com um sistema "home-on-jam" contra interferidores de frequência de GPS.

O HARM substituiu os Shrike e o Standart STARM que foram retirados de serviço em 1992 e 1987 respectivamente. Um dos objetivos era ter a capacidade do sensor de banda larga do STARM com o tamanho menor do Shrike que só usava sensor para ameaça específica.

O HARM foi testado em combate na Líbia em 1986 contra os SA-2, SA-3 e SA-5.  Mais de dois mil foram disparados  na Guerra do Golfo em 1991 e mais de mil em Kosovo em 1999.

O míssil pesa 361kg e tem alcance de 105km. Pode ser disparar para trás com diminuição alcance. Pode ser apontado de forma autônoma com o próprio sensor ou por sensores na aeronave lançadora.

Na US Navy o HARM é disparado nos seguintes modos:

- Alvos pré-planejados. O HARM é disparado em direção ao inimigo sem trancar antes do lançamento. Se encontra emissor o sensor é sensibilizado. Se são emissões múltiplas o sensor prioriza. Se não encontra emissor se auto-destrói.

- Alvos de oportunidade. O HARM reconhece uma ameaça na biblioteca de ameaça, tranca, alerta o operador que pode disparar se desejar.

- Auto-defesa. A aeronave detecta a ameaça e passa os dados para o HARM que engajar a ameaça. O modo de auto-defesa é usado pois as aeronaves SEAD podem estar longe. Os caças do pacote podem levar mísseis HARM pois podem estar mais próximos da ameaça e em melhor condição para disparar.

Na USAF os modos que eram usados pelo F-4G eram o ataque preventivo que é igual ao pré-planejado da US Navy, ou ataque direto em resposta a iluminação pelo inimigo. O F-16CJ usa três modos similares ao da US Navy com a designação de alvos feita pelo casulo AQS-213 HTS (HARM Targeting System) de 40kg. Cerca de 100 F-16CJ foram adaptados para SEAD na década de 90.
A versão futura poderá ser o AARGM (Advanced Anti-Radiation Guided Missile), planejado para entrar em serviço em 2008 poderá usar um conceito de sensor com modos ativo e passivo. Um radar de onda milimétrica na mesma antena passiva poderá varrer a área do alvo e identificar alvo pela forma. Poderá atacar um posto de comando próximo e não o radar.
O programa "Quick Bolt" é um datalink para passar informações de alvo por satélite de outra aeronaves de vigilância para o HARM. O míssil também poderá transmitir informações durante o ataque para avaliação de danos de batalha. Outra melhoria será aumentar velocidade e alcance. Um alcance de 185km deverá ser atingido em 2010 com um motor ramjet.
O ALARM britânico (Air-Launched Anti-Radar Missile) teve o projeto iniciado em 1983 e o primeiro disparo foi em 1988. O míssil pesa 265kg e tem alcance de 45km. Foi planejado para equipar os Tornados protegendo contra ameaças no solo assim como o Sidewinder protegeria contra caças inimigos. O ALARM usa sensor próprio para buscar alvos e pode ser disparado sem auxílio de sistemas na aeronave.
Um total de 121 mísseis foram disparados na Guerra do Golfo pelos nove Tornados especializados em supressão de defesas que destruíram 24 radares. Em Kosovo os americanos dispararam 120 HARM contra um radar Sérvio sem sucesso. No mesmo período foram disparados 6 ALARM com 4 acertos.
O ALARM pode ser lançado como um míssil anti-radar convencional, subindo bem alto, e então vai em direção ao alvo na área pré-definida. Se o emissor liga, o míssil vai para a posição definida. Um problema é que era identificado com o SAM na subida, e por isso o piloto emitia um código para avisar outras aeronave que ALARM foi lançado.
O ALARM também é difícil de enganar usando um modo de espera. Neste modo o míssil sobe para 12-21km, e desliga motor. Um pára-quedas é usado para descer com o sensor apontado para baixo. O míssil busca emissores na decida e ejeta o pára-quedas e liga o motor se encontra novo alvo mergulhando até ele. O tempo de espera é suficiente para que as aeronaves de ataque passem sobre o alvo.
O ALARM tem modo duplo de lançamento, pode ser ataque direto ou espera, dependendo se existe emissor para ataque direto. Um ALARM melhorado, ou ALARM II, foi usado pelo Tornado GR.4 na operação Telic na segunda Guerra do Golfo em 2003.

ALARM descendo de pára-quedas.

Três mísseis ALARM na barriga de um Tornado IDS da RAF.


O ARMIGER (Antiradiation Missile with Intelligent Guidance & Extended Range) da Alemanha pretende ser o míssil anti-radar que irá substituir os HARM nos Tornado ECR a partir de 2008. Terá uma velocidade de Mach 3, sensor duplo RF e IIR e navegação GPS/INS para manter curso se transmissor desligar. O sensor de RF de banda larga será usado para aproximar do alvo e o sensor IIR para ataque final. O alcance será de 185km. A precisão será de metros e por isso terá uma ogiva pequena de 20kg. O peso total é de 225kg com 4 metros de comprimento. O parâmetros e coordenadas do alvo são carregadas no míssil pelo Tornado antes do lançamento. A Franca participou do projeto até 1997. A Itália e a Suécia estão interessadas. O míssil poderá usar o motor ramjet do Meteor.
O Kh-25M russo (AS-12 KEGLER) é uma versão do Kh-25 com sensor de RF passivo. Pode ser convertido por um técnico de campo de versão IR/TV para RF e vice versa apenas trocando o sensor. É pequeno para ser levado por aeronaves táticas. Pesa 320kg e tem alcance de 25km. O Kh-25MP é a versão de exportação.
O casulo LO-80A Fantasmagoria russo é usado para detectar emissores e alimentar os sistemas dos mísseis anti-radar russos.
O míssil anti-radiação de longo alcance e alta velocidade russo é o Zvezda Kh-31P Entrou em serviço no início da década de 90. (AS-17 KRYPTON). Usa motor ramjet e tem um sensor derivado do Kh-58 com maior precisão. Pesa 600kg e tem alcance de 110km. O Kh-58 (AS-11 Kilter) é um míssil maior com 640kg e alcance de 40 km.
 
Israel usou mísseis Shrike, como o da foto, lançado de blindados durante a batalha do vale de Bekka em 1982.

História
Os mísseis anti-radiação americanos apareceram com a ameaça de mísseis SAM em Cuba em 1962.
O Vietnã  foi primeiro conflito com SAM suficientes para ameaçar aeronaves tática. A US Navy logo reagiu com casulos de interferência e mísseis anti-radar para supressão de defesas e criou as equipes de caças Iron Hand para combater ameaças de radares de controle de caças em terra (GCI), mísseis SAM e artilharia antiaérea guiada por radar.
A USAF reagiu com interferidores para proteção dos seus bombardeiros. Quando um F-4C americano foi derrubado por um míssil SA-2 em junho de 1965 no Vietnã a resposta foi imediata. A primeira contramedida foi voar a baixa altitude e realizar manobras agressivas pois os primeiros mísseis russos eram otimizados para derrubar bombardeiros a grande altitude. Só no fim do conflito é que apareceram mísseis otimizados para derrubar caças. Os EB-66 passaram a voar missões para detectar e interferir nos radares vietnamitas.
A perda de oito caças para mísseis SAM e artilharia antiaérea guiada por radar em julho de 1965 forçou o inicio do projeto Wild Weasel.
A primeira aeronave Wild Weasel foram os F-100F Super Sabre com receptores radar e armados com foguetes marcadores de fumaça e depois com o míssil anti-radiação AGM-45 Shrike. Entrou em serviço em novembro de 1965 e operavam com o F-105D "Iron Hand" para aumentar a capacidade ofensiva. Assim foi iniciado o duelo de quem dispara primeiro e quem evita o míssil inimigo.
O uso do F-105 nas missões SEAD mostrou que era adequado. Podia levar mais armas e voava bem a baixa altitude. Era resistente e robusta. O programa Wild Weasel IA avaliou dois F-105D com alerta radar RHAWS banda L, S e X e equipamentos de interferência eletrônica AN/ALQ-59 e AN/ALQ-71. Um F-105F biposto foi modificado para SEAD no programa Wild Weasel II. As aeronaves F-105F de produção eram no padrão Wild Weasel III com os mesmos aviônicos do F-100F., as vezes chamados de EF-105F.

A base de Korat na Tailândia recebeu seis EF-105F em julho de 1967. Em 45 dias apenas 2 não foram derrubados e estavam danificados. Naquele primeiro ano da guerra foram perdidos 11 aeronaves. Dos 107 Shrike disparados até novembro de 1967 apenas um atingiu o alvo e 38 prováveis, apesar de salvar várias aeronaves da USAF ao forçar os radares inimigos a desligar.

Os últimos EF-105F receberam o QRC-317 (SEE-SAM) que detectava o trancamento dos SA-2 e alertava uma aeronave especifica que ela estava sendo engajada. Um computador era usado para calcular a localização do emissor e projetava uma referencia na mira do piloto. Algumas aeronaves tinha o ER-142 que cobria a banda C.

Os EF-105F davam cobertura para os pacotes de ataque no Vietnã do Norte. No inicio de 1968, 89 baterias SAM foram destruídas e 68 danificadas. Um total de 197 jatos e 7 helicópteros foram perdidos neste conflito para os mísseis guiados por radar. Os sistema de guerra eletrônica diminuíram as perdas para armas guiadas por radar de 14% em 1965 para 1% na ofensiva Linebacker.

Em 1970 surgiu a versão F-105G, com o código sendo usado pelos EF-105F também, sendo construídos (modificados) 63 aeronaves. O F-105G estava equipado com o AN/APR-36 e o AN/APR-37 no lugar dos AN/APR-26 e AN/APR-27 e substituo o ER-142 com o AN/APR-35. Duas antenas do RHAWS AN/APR-31 ficavam nas pontas das asas. O ALQ-105 foi instalado na lateral da fuselagem liberando os cabides das asas e reduzindo o arrasto. Podia levar dois Shrike e dois Standard. As aeronaves foram retiradas de serviço em 1983.

A USAF e US Navy usavam o míssil AGM-65 Shrike. O Shrike era disparado para cima (trajetória loft) e caia sobre o alvo, ou fazia ataque a curta distancia com trajetória direta a 1-2 milhas do alvo. Se não atinge radar é desligado. O código "shotgun" era usado para alertar o ala que o míssil disparado é amigo e não um míssil SAM inimigo.Os sistemas de alerta radar (RWR) surgiram para apoiar as missões Iron Hands. Um interferometro detecta o sinal de radar e determina o angulo de chegada. Supereterodinos determinam o PRF para ajudar a identificar o tipo de radar, junto com potência do sinal para determinar alcance e modo operacional. Os dados são mostrados em uma tela na cabine junto com alerta sonoro. Radares diferentes tem sons diferentes.

Os caças que faziam as missões Iron Hand voava a FL180-220 (18 a 22 mil pés) e baixava para 500 metros quando detectava um radar (e eram menos efetivos). Atacavam o alvo com o Shrike ou bombas.

O míssil AGM-78 Standart ARM podia apontar sensor e dava aparência que não estava atacando pois a aeronave não apontava para o alvo. Então o míssil disparado virava para o alvo depois de lançado e o radar não desligava.
 O F-105G era acompanhado de um F-105 monoposto armado com bombas convencionais. O Shrike marcava o alvo com a fumaça da explosão. Os lançadores de mísseis eram atacados com bombas, foguetes e tiros de canhão. A bateria de mísseis SA-2 acima está sendo atacado por bombas em cacho.
Na primeira noite da Guerra do Golfo, 50 caças F-4G foram precedido por drones BQM-174C Scathe Mean Chukar e ADM-141 simulando ondas de caças da coalizão para acordar os radares iraquianos.
Dúzias de radares iraquianos foram destruídos por mísseis HARM disparados contra alvos pré-planejados. A segunda onda lançou mais HARM pré-planejados que desceram contra o alvo quando os atacantes realizavam ataques.
Durante as primeiras quatro horas da guerra, sensores detectaram quase 100 emissões iraquianas. Nas primeiras 24 horas foram disparados quase 500 HARM. No sexto dias as emissões de radares iraquianas cairam em 95%. Os operadores de radar iraquianos logo aprenderam que ligar o radar significava morte certa. No total foram disparados 1.300 HARM. Só os F-4G destruíram 250 radares. Os F-4G foram ajudados por F-16C e F/A-18C.
Durante a Guerra do Golfo os F-4G Wild Weasel voavam missões de 5 horas com dois REVOS, mais 3 horas de planejamento de missão e 1 hora de debriefing. Como sabiam que a artilharia antiaérea estava concentrada ao redor dos possíveis alvos voavam a 19 mil pés (cerca de 6 mil metros) no primeiro dia da guerra e depois subiram para 23 mil pés (cerca de 8 mil metros) no segundo dia e 28-30 mil pés (10 mil metros) na segunda semana.
Levavam de 2 a 4 mísseis HARM depende da ameaça e alcance. O iraquianos logo aprenderam que deveriam ficar com seus radares desligados. A contra-contramedida foi usar o ALARM britânico que ficava planando sobre o alvo com um pára-quedas ou gritar "magnun" pelo rádio para anunciar que disparou um míssil. Isso levou os operadores que monitoravam as conversas a pensar que lançou um míssil real e mantinha seu radar desligado ou desligava. O resultado era chamado de "soft kill" ao contrário de "hard kill" com a destruição do alvo por um míssil. As aeronaves Wild Weasel podem intimidar pela mera presença.
O F-4G tem um RWR que armazena a azimute da transmissão e triangular várias emissões a partir de locais diferentes para determinar posição do radar inimigo. Também é programado antes com possíveis emissões inimigas e amigas para evitar mostrar radares amigos na tela.
O RWR AN/APR-47 do F-4G informava sobre as ameaças de radares na área de operação para grupo de ataque da mesma forma que o E-3C AWACS avisa sobre ameaça ar-ar.
Os  F-4G voavam junto com os F-15C na frente do pacote de ataque. Duas ou quatro aeronaves eram usadas dependendo da ameaça. Uma linha de quatro aeronaves cobria uma frente de 15-20km. Também escoltava aeronaves de reconhecimento tático. Voavam sempre aos pares.
Os EF-111 e EA-6B faziam parte do processo de SEAD com interferência ofensiva, neutralizando radares de longo alcance que passam dados para baterias SAM e artilharia antiaérea.
A experiência israelense em 1973 que levou a USAF a desenvolver o F-4G especializado em SEAD. Os F-4G foram retirados de serviço no fim da década de 90 e substituídos pelos F-16CJ equipados com um sensor HTS.O F-16CJ equipado com HTS só usa um tripulante e não tem outro para analisar ameaça, cuidar da ameaça ar-ar e voar a média altitude.
O F-105G foi substituído pelo F-4G Phantom II. O F-4G foi usado como aeronave SEAD/Wild Weasel provisória e deveria ser substituído por um caça de 4a geração. O programa SEAD/FOWW (SEAD/Follow On Wild Weasel) seria baseado no F-15 Eagle equipado com um equipamento de detecção de ameaça (PDF) e um HTS (Harm Aquisicion Pod) do F-16. Cerca de 100 F-15C/D seriam adquiridos e armados com o AGM-88 HARM. A discussão sobre o uso de aeronave monoposto ou biposto atrasou o programa e a atenção da USAF se voltou para aeronaves furtivas. O F-16 passou a ser usado como SEAD provisório.

O F-16A foi usado em operações SEAD na operação Tempestade do Deserto em 1991 com o ALR-69 e com pontaria por computador para atacar sites SAM com bombas. O 157 esquadrão enviou 20 caças para atacar 10 sites na primeira missão. A experiência mostrou que era necessário uma aeronave dedicada.

O F-16CJ foi comprado como medida provisória e barata até a entrada em serviço do F-15PDF que foi cancelado em 1994, depois ressuscitado em 1996. O programa foi considerado caro e o F-16 se tornou a única plataforma SEAD da USAF.

Apesar de ser especializado, o F-16CJ não é uma variante dedicada como o F-4G ou EA-6B da US Navy. Era um caça equipado com detetor de emissão e dispara mísseis anti-radiação e que continuava a ter outras capacidades de caça tático.

O F-16CJ iniciou o desenvolvimento em 1991.Usaria o AGM-88 HARM II, o Shrike, o Pave Penny e o AN/ASQ-213 HTS para designação e alvos. O Pave Penny e o Shrike não foram usados operacionalmente. O HTS cobre 120 graus a frente e os caças voam manobras padrões para cobrir 360 graus e triangular as ameaças. O alcance e azimute é passado para os HARM e para os mostradores no cockpit. O HTS é integrado com o ALR-67 RWR e pode ser usado para pontaria de outras armas como o AGM-65 Maverick.

Apesar de não cobrir 360 graus, o AQS-213 tem conseguido atingir tempo de resposta e precisão bem maior que os APR-38/47 do F-4G. Ainda assim o F-16 tem limitação para operar em ambiente de alta ameaça como o F-4G podia fazer. Com o datalink IDM o F-16CJ passou a receber ajuda dos RC-135 Rivet Joint e E-8B JSTARS.

O F-16CJ também é equipado com o AIM-120 AMRAAM, AIM-9 Sidewinder. Desde 2000 pode disparar a JDAM e WCMD para ataque terrestre. Porém como treina 60% do tempo para SEAD, 30% ar-ar e 10-% ar-solo, não é usada para ataque.

O F-16CJ pode usar o casulo LANTIRN mas não recebeu o casulo. Para operar com óculos de visão noturna o cockpit teve a camada de óxido de indio retirado. Os modelos atuais usam o RWR ALR-56M e interferidos casulo AN/ALQ-119, AN/ALQ-131 ou AN/ALQ-184 no centrelinte.

Em dezembro de 2001 os HTS passaram a ter capacidade de designar alvos para as JDAM e JSOW dando capacidade DEAD para as aeronaves. Com a modernização CCIP os F-16CJ irão receber o Link 16 MIDS, capacetes JHMCS, novos IFF e o casulo Sniper. O HTS terá que se instalado no lado esquerdo pois o Sniper tem que ser instalado no lado esquerdo da entrada de ar. O Sniper deve estar operacional em 2007.

O primeiro uso em combate do F-16CJ foi na operação Provide Comfort em 1995 no Iraque quando disparando mísseis HARM contra radares iraquianos. Em 1995 foram disparados nove AGM-88 em 160 saídas na Iugoslávia na operação Deliberate Force. Na operação Allied Force foram disparados 150 HARM. Na operação Iraqi Freedom um F-16CJ disparou um HARM contra uma bateria Patriot que o engajava. O alvo foi destruído sem matar os operadores.

No conflito de Kosovo a USAF usou 48 aeronaves F-16CJ Block 50 e 30 EA-6B para supressão de defesas. Os caças iam na frente do pacote de ataque. Quatro aeronaves cobriam 360 graus, com uma par avançando e outro recuando. Cada par monitorava 180 graus. Os caças formavam duplas de "hunter-killer" com uma aeronave detectando (EA-6B) e outra atacando os alvos com os dados sendo passados pelo datalink IDM
Os sérvios dispersavam seus SAM e controlavam as emissões. Eram difíceis de encontrar e atacar, forçando aliados a ficarem alertas. Isto aumentou o tamanho do pacote de ataque, evitou atacar certos alvos por algum tempo e aumentou a necessidade de apoio SEAD. Fora estimado a existência de 16 radares de controle de tiro SA-3 Low Blow and 25 SA-6 Straight Flush. O sérvios emitiam por 20 segundos e desligavam os radares.
Em Kosovo os pilotos também voavam a pelo menos 5km de distância das estradas ou só cruzavam a 90 graus para diminuir exposição a artilharia antiaérea que preferia ficar próximos as estradas para aumentar a mobilidade.
Em Kosovo também foi realizado DEAD com os F-16CG (Block 40) ou F-15E armados com bombas guiadas a laser. As aeronaves ficavam próximas as aeronaves REVO e eram chamados quando os radares começavam a emitir. Também usavam bombas guiadas AGM-130 disparada pelo F-15E e a JSOW lançada do F/A-18.
No conflito de Kosovo foram disparados 800 mísseis SAM em 78 dias, sendo 477 SA-6 e 124 MANPADS (mísseis disparados do ombro). Estes mísseis derrubaram duas aeronaves (um F-117 e um F-16CJ). Mais um F-117 foi danificado e outros 2 A-10 foram danificados por artilharia antiaérea. Outros dois A-10 foram atingidos por MANPADS sendo um danificado e outro não explodiu.
Os caças da OTAN dispararam 743 mísseis HARM, sendo 200 preventivos sem que o radar inimigo estivesse emitindo. Só três das 25 baterias de mísseis SA-6 foram destruídas. Os Sérvios sabiam como os americanos agiam e estavam preparados ao contrário dos iraquianos que não tinham controle sobro o uso dos seus radares. A tática sérvia levou ao uso do triplo de proteção do EA-6B do que a feita no Golfo.
Apenas os F-16CJ do esquadrão Fighting Hawks voaram 1.071 saídas e dispararam 191 mísseis HARM em 4.600 horas de vôo. As aeronaves SEAD eram usadas para escolta ou cobrir área geográfica na busca de radares inimigos.
A USAF atualmente usa o EA-6B para interferência eletrônica, o C-130 ABCCC para coordenar as operações, o RC-135 para reconhecimento eletrónico e o F-16CJ para SEAD. Os EA-6B, F-16CJ substituíram o EF-111 e F-4G respectivamente que atuaram na Guerra do Golfo. O EA-6B dá proteção de área e constante ou direcionada (ameaça local e auto-defesa).
A URSS não usava aeronaves SEAD dedicado ou independente. A missão era voada como apoio das operações aéreas no nivel tático por aeronave não especialistas. A missão era apoiada por aeronaves de reconhecimento eletrônico e reconhecimento tático. Os russos preferem ataque pré-planejado contra defesas aéreas inimigas conhecidas ao invés de alvos de oportunidade típico dos EUA.
Cada esquadrão de caça destacava 2-4 aeronaves com mísseis anti-radar e bombas em cacho para atacar posições de mísseis SAM nos corredores de entrada e saída e ao redor dos alvos. Elas criavam corredores seguros no campo de batalha. As aeronaves de ataque voavam baixo e as aeronaves SEAD subiam para 500-4000 metros a 40-50km das baterias de mísseis Hawk ou subiam até 2-6 mil metros a 120km das baterias de mísseis Nike Hercules. O RWR Pastel, versão do SPO-15 Sirene, pode designar alvos para mísseis anti-radar, mas é difícil de usar e não pode ser programado na base.
Também usavam o míssil tático 9M714U Totshka-U (SS-21 Scarab) com sensor radar passivo e alcance de 70km em ataques coordenados com as tropas em terra. Cada divisão soviética tinha um batalhão de mísseis Tohstka e podiam disparar o Totshka-U disponível no fim da década de 80.
Novos mísseis anti-radar surgiram na década de 80 para equipar os caças russos como o Kh-25MP e Kh-58 (250km alcance).
O Mig-25BM se especializou em SEAD voando a 21km de altitude fora do alcance das baterias de mísseis Hawke usava táticas idênticas as americanas do tipo grupo de busca e destruição e operando em esquadrão independente. Outros Mig-25BM podiam atacar concentrações de mísseis SAM com bombas atômicas disparadas a longa distância em velocidades supersônicas. Cerca de 40 aeronaves foram concentradas na 98a ala de reconhecimento em Montshegorsk na região de Kola. Os Mig-25BM poderão ser substituídos por 40 Mig-31BM modernizados e armados com o Kh-58 e Kh-31.
Os Britânicos usam um sistema parecido com o russo com dois esquadrões de Tornados IDS com missão secundária de SEAD. Os Tornados são armados com mísseis ALARM e os pilotos voando 40% do tempo nesta missão durante o treinamento. O esquadrão continua com a missão primária de ataque com bombas convencionais.
A Itália e Alemanha desenvolveram o Tornado ECR com missões SEAD e reconhecimento armadas com o HARM. As aeronaves mantém a capacidade de ataque. São as únicas plataformas SEAD dedicadas em operação desde a saída do F-4G em 1991.
Os Tornados ECR (27 para a Alemanha e 16 para a Itália) são equipados com um ELS (Emitter Location System) para localizar ameaças e o datalink ODIN (Operational Data Interface). O ELS detecta, identifica, categoriza e localiza emissores. Usa a banda de frequência, frequência de repetição de pulso (PRF), intervalo de repetição de pulso (PRI) para identificar as ameaças. Pode mostra o azimute da emissão para triangular e determinar a distância. O sistema pode tirar alvos da tela se saturado. A artilharia antiaérea pode ser removido se estiver fora do alcance e o sistema pode priorizar certos alvos. O ELS também pode ouvir os datalinks das IADS sendo um sistema ELINT completo.
O ODIN troca dados entre os Tornados ECR, codificando e transmitindo as mensagens, mas não é compatível com Link 16 ou TADIL-J.
No Tornado ECR o piloto faz tarefas do WSO do Tornado normal como navegar, operar o rádio e gerenciar sistemas. O WSO caça ameaças. Podem voar entre 160 a 260 horas por ano.
No planejamento de missão são criados "kill boxes" para cada aeronave, e calcula "kill radii" de cada ameaça e cobertura radar de cada emissor da biblioteca de ameaças. Os tripulantes colocam as ameaça nas coordenadas e o computador calcula o resto. O software carrega tudo no DTS. O software também calcula combustível distâncias, tempos, direção e altitude, e pontos de referência para o plano de vôo. O DTS também tem "árvore de ameaça" e "doutrina de disparo" para identificar o raio letal dos SAM.
Podem ser determinados padrões de ataque e quadrante de responsabilidade onde cada aeronave da esquadrilha irá engajar (p.e #1 ataca SA-3 ou mais distante da esquerda etc).
O treino sempre inclui reabastecimento em vôo com outro Tornado (sempre entra com tanque cheio no território inimigo), táticas  de supressão e evasão; e simula falhas e condições, como vôo monomotor e vôo por instrumento.
Na operação "Allied Force", os ataques preventivos eram a maioria seguidos por ataques reativos. Os sucessos eram classificados de "soft/technical kill" quando inimigo não transmitia por medo de ser neutralizado e "hard/supression kill" com  explosão ou destruição cinética com o AGM-88. Entre 200 a 300 HARM foram disparados pelos Tornados ECR.
Geralmente quatro aeronaves separavam-se em pares em áreas geográficas para manter os SAM inimigos com a "cabeça baixa". O vôo baixo era preferido por ser melhor para Tornado e também a média altitude dependendo da ameaça. Um ECR funcionava como isca, forçando o inimigo a emitir voando no limite do alcance de engajamento ou diretamente contra o alvo. O ala ou mais dois preparavam o disparo do HARM enquanto a isca foge a toda velocidade se engajado. Neste jogo de gato e rato, o operador do SAM era compelido a transmitir até o impacto e o Tornado ECR podia disparar um HARM.
DEAD
O método convencional de SEAD é uma aeronave com detector de radar (RWR) e um míssil anti-radiação. Esta combinação só funciona contra radares ativos ligados. A contramedida dos radares inimigos é usar modos de auto-defesa que desliga o radar automaticamente ou avisa se algo muito rápido se aproxima.
A USAF está investindo em SEAD preventiva /hard kill, também chamado de DEAD, com o usa de aeronaves ELINT, interferência eletrônica e aeronaves SEAD.
O DEAD (Destruction of Enemy Air Defenses) está para destruição preventiva enquanto o SEAD está para supressão reativa. A reativa é a escolta de um grupo de ataque e atua disparando mísseis anti-radar contra radar que emite. Atingir o alvo é secundário e destruir complemente é sorte. Um MAR tem ogiva muito pequena e pode ser usado para marcar a área do alvo. A intenção é diminuir a atividade dos mísseis SAM por uma missão, forçando a desligar radar para evitar ser detectado pelo sensor do MAR.
O DEAD - destruição preventiva - se torna uma missão constante para aumentar o atrito nas defesas inimigas. O SEAD deveria destruir antes da missão, pelo menos uma hora antes da missão. É destrutivo por destruir o alvo.
A missão DEAD é localizar o emissor e destruí-lo com outra armas que não seja um míssil anti-radar. Pode ser improvisado como detecção visual (alvo de oportunidade) ou caça-bombardeiro que contra-ataca com suas armas após ser engajado.
O DEAD pode ser feito de forma improvisada com uma aeronave de ataque que detecta visualmente uma bateria de mísseis SAM e ataca como alvo de oportunidade.
NA Operação Allied Force em Kosovo, A USAF usou F-16CJ para detectar os SAM inimigos e para serem atacados pelos F-16 Block 40 equipados com o LANTIRN e bombas guiadas a laser. O problemas é que o datalink IDM eram dedicados para SEAD ou apoio aéreo aproximado e não podiam trocar dados. Agora a USAF está modernizando os F-16 para operarem o sensor HTS com sensibilidade quatro vezes maior, junto com o sensor ATP para substituir o LANTIRN, mais a mira montada no capacete JHMCS e bombas guiadas por GPS. Com isto os F-16 podem detectar emissões a longa distância, localizar com precisão com o ATP, e a curta distância com o JHMCS e atacar com as JDAM. Além disto mantém a agilidade para se defenderem e podem atacar alvos aéreos com os AMRAAM.
As características do DEAD também não estão longe da missão SEAD pois as aeronaves SEAD americanas também usam mísseis Maverick e bombas burras que podem ser apontadas para o emissor. As aeronaves SEAD preferem disparar mísseis anti-radar a longa distância mas eles podem acabar e por isto treinam com armas alternativas incluindo o canhão. O ESM também pode direcionar casulo de designação laser para a área do alvo.
Os F-16CJ americanos também irão receber um casulo Sniper-XR para poderem "ver" o alvo e poderem designar bombas guiadas a laser. De qualquer forma um míssil anti-radar é usado também para marcar a área do alvo com fumaça da detonação dos explosivos que depois será atacado por outras aeronaves.
As armas usadas para DEAD também são muito mais letais. É possível destruir tudo num raio de 100-450 metros com uma bomba guiada a laser de 450kg enquanto um míssil HARM só danifica o radar.
A US Navy usa o JSOW, uma bomba lança-granadas planadora furtiva de longo alcance guiada por GPS, para atacar radares a longa distância (40km). É disparada do F/A-18 com a designação do alvo feita pelos EA-6B que triangulam a posição do radar e passa os dados por datalink.
A USAF também está tentando mudar o foco de SEAD reativo de aeronave individual, para SEAD coletivo com adição de ataque e ISR plataformas trocando dados de alvos em tempo real. Um conjunto de sistemas irá detectar, localizar, identificar e atacar as defesas aéreas inimigas sem o uso de mísseis anti-radiação. A tecnologia de sensores e datalink permite montar uma rede SEAD que inclui vigilância e reconhecimento, despistadores, interferidores, UAVs, centros de comando, e plataformas de ataque e SEAD.
Um radar SAR como o JSTAR pode detectar radares rotativos de busca aérea e a mudança de posição da bateria. Uma aeronave RC-135 Rivet Joint pode correlacionar a posição com certas emissões para identificar positivamente como uma bateria de mísseis.
Outro exemplo foi numa manobra onde os P-3 Orion da Noruega usaram o ESM, radar SAR e FLIR para identificar radares na costa. As coordenadas do alvo foram passados por datalink para caças F-16 que simularam o disparo de armas JDAM. Uma da conclusão do exercício é que o P-3 poderia ser armado com uma arma guiada como o SLAM para atacar os alvos identificados.
Estes sensores equivaleriam a um grupo de AMX equipado com sensores tipo ASTAC, casulos de radares SAR e FLIR de longo alcance. Os dados seriam passados para um posto de comando em terra ou no ar que retransmitiria para os AMX armados.
O DEAD pode completar SEAD, principalmente contra radares fixos ou pouco móveis. Esta missão deve ocorre antes da passagem do "pacote de ataque". As defesas inimigas também devem ser localizadas com relativa precisão. O "pacote de ataque" também poderá ser formado especificamente para realizar DEAD.
O DEAD será importante, mas o SEAD sempre existirá devido a ameaças que sobreviveram ou não conhecidas detectadas antes. Até as missões DEAD precisam de escolta para SEAD.
Os RWR atuais já podem determinar geolocação com precisão suficiente para designar alvos em tempo real. A única modificação pode ser no software. Um aeronave ELINT pode dizer a um RWR de um caça para buscar um sinal de interesse. O RWR adquire o sinal, mede os parâmetros e passa os dados mais a posição da aeronave de volta. Os dados podem ser suficientes para apontar um radar SAR ou FLIR. O piloto pode tomar ação apropriada como evitar ameaça ou atacar.



Os F-15E atuava junto com os F-16CJ fazendo DEAD com bombas guiadas a laser e mísseis AGM-130. A sequência acima é são imagens do vídeo do sensor IR do AGM-130 num engajamento contra um radar de controle de tiro de uma bateria SA-6. A terceira foto é do posto de comando com um guarda próximo a porta que foi o primeiro alvo a ser atacado.

As imagens acima do sensor IR da AGM-130 atacando um radar de busca sérvio P-15 e um radar de controle de tiro do SA-2. Na segunda imagens é possível perceber um tripulante tentando fugir do ataque a esquerda. Deve ter percebido a aproximação de um objeto no radar.

domingo, 29 de julho de 2012

Modernização do AMX - 7° parte Reconhecimento Tático


Reconhecimento Tático (REC-TAT)

O último lote de 15 A-1 monoposto e 7 A-1B biposto foram para os dois esquadrões da Base Aérea de Santa Maria/RS. Estes esquadrões são o 3/10 GAv "Esquadrão Centauro" realiza missões de ataque enquanto o 1/10 GAv "Esquadrão Poker" realiza reconhecimento tático (Rec-tat) com os RA-1A e RA-1B. O 1/10 GAv é o esquadrão da FAB especializado em rec-tat.

O esquadrão "Poker" realiza Rec-tac como função primária e mantém a capacidade de ataque, interdição e apoio aéreo aproximado do AMX. As missões são em proveito das operações da FAB e também do EB e MB. Os RA-1 realizam reconhecimento meteorológico, visual, foto e recentemente infravermelho (IR) com um sistema desenvolvido pelo CTA (scanner infra-vermelho - IRLS) ainda em testes.

O RA-1 tem provisão para levar câmeras internas num compartimento abaixo e a esquerda do cockpit. O Pallet III usa câmeras Zeiss de longo alcance, para cobrir alvos de área e sensoriamento remoto. Este mesmo palete pode usar duas câmeras Vintem 360 para baixa altitude. O casulo nacional Gespi é levado no cabide central e leva quatro câmeras Vintemcobrindo a frente, abaixo e os lados da aeronave.

 
O casulo Gespi tem este nome devido a indústria paulista com Gespi que o fabrica. As lentes e câmeras são as mesmas usadas no casulo de reconhecimento do RT-26 Xavante.

A FAB recebeu três casulos de reconhecimento da MB que vieram junto com os A-4Ku comprados do Kuwait. Os casulos tinham até fotos da guerra não reveladas quando foram abertos.

 
Imagem da câmera Vintem 360.

 
Bolachas do Poker incluindo baixa visibilidade.

Os AMX italianos levam o casulo holandês Oude Delft repassados do RF-104G. Todos os quatro esquadrões italianos de AMX operam em missões de reconhecimento e ataque na proporção de70/30 ou 30/70 dependendo do esquadrão. A AMI  pretende adquirir um casulo de reconhecimento em tempo real no programa de modernização dos seus AMX.

A FAB comprou 6 casulos Reccelite da Rafael em 2003 para equipar seus  RA-1. O casulo LOROP da Elop também foi estudado.

Reccelite
O casulo RecceLite da Rafael é baseado no designador laser Litening tendo 75% de peças em comum e usa a mesma estrutura de apoio. O FLIR foi substituído por uma unidade de imagem e um gravador de dados. O casulo tem datalink em tempo real e pode ser uma modernização de campo do Litening. O casulo custa 30% menos que um sensor LOROP dedicado. O RecceLite já foi adquirido (14 casulos) para equipar os  F/A-18 espanhóis ( C.15 ou EF-18A+/B+ ) que também usam o Litening.

A imagem estabilizada em quatro eixo é esférica cobrindo quase um hemisfério, com espectro IR e visual simultâneo e funciona a baixa, média e grande altitude. Um INS integrado anota a localização da imagem. A imagem no FLIR pode ser mostrada no HUD para auxiliar na navegação noturna.

O datalink pode passar os dados para uma estação em terra em tempo real que faz identificação e aquisição de alvos automaticamente e também tem capacidade de repassar dados, imagens e coordenadas para uma aeronave de ataque por datalink. Neste caso o sensor é ideal contra alvos móveis como blindados e mísseis SAM móveis. Os sensores de TV CCD e FLIR com 2000 x 2000 pixels são melhores que os sistemas atuais contra estas ameaças. As imagens também podem ser armazenadas no gravador interno de estado sólido com memória flash com capacidade de duas horas e meia.

Os modos de busca são em trilha abaixo ou ao lado de um eixo vertical e mantendo liberdade para manobrar;  modo fixado contra alvos de ponto operando de modo semelhante ao Litening; e busca de área cobrindo área ao redor de um ponto e usado para localizar alvo e BDA. O FLIR com campo de visão grande e pequeno pode realizar detecção, reconhecimento e identificação de alvos.

Enquanto um scanner IR (IRLS) varre paralelo a trilha de vôo e não permite manobrar, o Reccelitte libera a aeronave para manobras e não precisa voar parelo ao alvo por muito tempo. Melhorias previstas incluem um IRLS e outros sensores óticos. O RecceLite deverá equipar o Eurofighter Typhoon.

 
A FAB comprou 6 casulos de reconhecimento RecceLitte (acima) e 10 casulos de navegação e ataque Litening (abaixo) para equipar os A-1M AMX.

 
Modo de funcionamento do Reccelite.

Imagem do Reccelite tirada de um F/A-18 espanhol.


Missão

As missões de reconhecimento são mais importantes do que se imagina. Na Primeira Guerra Mundial, a aviação de reconhecimento britânica cooperava com exercito e mapeou todo fronte britânico. Isto permitiu a produção de mapas para artilharia. Os bombardeios preliminares deixaram de ser necessários. Em Cambrai, 20 novembro de 1917, 1003 canhões dispararam na zero hora sem alerta. Foram seguidos por 378 tanques, 289 aeronaves e 8 divisões contra posições alemãs. A cooperação terra-ar restaurou a surpresa e precisão no campo de batalha, iniciando o fim da guerra de trincheira. 


Com o advento das novas armas guiadas, o problema mais difícil das missões de ataque passou a ser a detecção e identificação dos alvos. Depois de identificados a destruição do alvo passou a ser o trabalho mais fácil.

Não adianta muito melhorar o poder de combate se não se sabe onde atacar. A arma mais precisa não tem utilidade se acertar o alvo errado. A inteligência precisa é a chave para empregar uma força letal.


Até os EUA estão sofrendo com a falta de meios para realizar a missão como aconteceu na Bósnia, Kosovo e Afeganistão, após a retirada de serviço dos RF-4E da USAF, e apesar do uso intenso de aeronaves não tripuladas (UAV) para coleta de imagens (IMINT em inglês).

Durante a Guerra do Golfo só havia 18 caças de reconhecimento da USAF e 12 da US Navy, mais os Jaguar GR1 da RAF e os Mirage F1CR franceses. Os U-2R foram usados para reconhecimento do campo de batalha. Os satélites de reconhecimento fotográficos KH-11 sofreram com o mal tempo e as imagens levavam uma semana para serem disponibilizadas. Os Lacrosse nem sempre estavam disponíveis na hora desejada. O resultado foi que os pilotos voavam com fotos velhas do alvo, tiradas a mais de 36 horas, e sem utilidade prática.

Sempre que possível, um piloto de ataque voa com uma foto do alvo tirada a pelo menos 24 horas, principalmente contra alvos planejados. Na Segunda Guerrra do Golfo os pilotos americanos voavam com fotos tiradas a algumas horas antes do ataque e tinham as coordenadas precisas do alvo. Em quatro semanas os UAV, satélites e aeronaves de reconhecimento produziram 42 mil fotos. 


As missões de reconhecimento tático não tem o "glamour" das missões de ataque e muito menos das missões de caça, mas sem elas as missões de ataque ficam muito difíceis, assim como a coordenação de uma campanha aérea e terrestre.

A inteligência de imagem (IMINT em inglês) é uma tarefa importante para o planejamento de missões de ataque. Algumas missões como apoio aéreo aproximado (CAS) e reconhecimento armado não tem esta necessidade. Os dados de inteligência devem ser tão precisos quanto as armas para funcionar direito. O IMINT é um deles.

Outra missão do rec-tat é a avaliação de danos de batalha (sigla BDA em inglês), que é considerada mais importante que o reconhecimento antes do ataques. O planejador precisa saber a proporção de dano de uma missão de ataque. Deve ter informações para saber se será necessário novo ataque, com mais risco para os pilotos e aeronaves, além de gastos de munição e recursos. Os casulos de designação de alvos tem esta capacidade secundária ao perceber explosão secundária de munição e combustível, além de destroços voando.

 
Detalhes de uma foto de BDA do ataque dos F-111 contra a Líbia em 1986 (aeroporto de Benina). 

 
Um Mirage III israelense (sombra no canto inferior direito) fotografa o efeito dos ataques contra as bases egípcias em 1967. A asa delta dos alvos sugerem ser Mig-21.

Na análise de fotos de BDA, uma imagem térmica pode mostrar focos de incêndio e menos consumo de energia elétrica. Uma foto pode mostrar mudança de cor devido a incêndio, além de fuligem e fumaça, ou colapso da estrutura. As fotos também são necessárias para determinar alvos que não devem ser atacados ("no strike sites"). Sensores eletrônicos podem perceber diminuição de emissão de rádio ou radar de uma base atacada. Informantes locais podem relatar que a instalação foi evacuada.

O BDA é crítico pois um piloto e planejadores tem que saber se  atingiram o objetivo e se terão que se arriscar no mesmo alvo novamente. As operações em Kosovo mostraram que a localização e identificação de alvos e BDA são os três aspectos mais importantes e desafiadores de uma campanha aérea.

Durante a operação Cruzex 2002, as aeronaves de reconhecimento eram seguidamente derrubadas pela artilharia antiaérea das bases aéreas inimigas enquanto faziam reconhecimento foto a baixa altitude. Uma contramedida seria destruir as defesas, interferência eletrônica ou fazer o reconhecimento a distância. A última opção é claramente a mais barata de todas.

Os sensores eletro-óticos (EO) atuais já tem alcance de pelo menos 70km com boa definição, assim como os radares de abertura sintética (SAR) conseguem tirar fotos com qualidade fotográfica na mesma distância e com mal tempo. Os sensores infra-vermelhos estão alcançando mais de 35km de distância.

Os casulos de rec-tat atuais tem câmeras digitais de banda dupla (visual e IR) e datalink. A qualidade das imagens é bem melhor que os sistemas de UAVs que tem que ser leve e por isso de pior qualidade. Os sensores CCD atuais usam banda de 500 nanômetros (nm) a mais de 900nm, comparado com 500-700 dos filmes revelados e podem penetrar neblina.

Os dados podem ser transmitidos em tempo real ou armazenados em gravadores digitais. Quando o alcance não permite transmissão em tempo real, os dados gravados são transmitidos quando o datalink começa a funcionar. O uso do datalink aumenta probabilidade de completar a missão ou seja, entregar as fotos. As imagens armazenadas em gravadores digitais disponibilizam as fotos mais rapidamente. Estes meios aceleram as missões posteriores de ataque.

Na Guerra do Golfo foram tiradas 4 milhões de frames em 40 dias. Levava pelo menos dois dias para chegarem nas mãos dos comandantes tático e os blindados tomavam as posições inimigas antes de receberem informações para ajudar no planejamento do seu avanço.

Com o aparecimento da capacidade multifuncional nos caças atuais, as missões de reconhecimento tático deixou de ser feita por aparelhos dedicados. Caças multifuncionais e aeronaves de ataque passaram a realizar a missão com casulos especializados, além de cumprir sua missão original. Com um casulo de reconhecimento, um caça pode realizar uma missão quando for preciso, ou ser carregado com outros armas para outras missões.

Outros meios que irão aprimorar as missões de reconhecimento são as miras no capacetes (HMD) para apontar sensores e os RWR que tem capacidade limitada de reconhecimento eletrônico. Os radares laser (LIDAR) são outros sensores de alta resolução que poderão ser usados futuramente.

A experiência OTAN em  Kosovo confirmou o que se tornava claro na guerra do Golfo: a munição é meramente um componente de um sistema maior que inclui coleta de inteligência e designação de alvos antes do ataque, seguida de BDA durante e após evento ( ciclo find-fix-track-target-engaje-acess ).
Nos EUA, durante a Guerra Fria havia uma divisão rígida entre a inteligência que apoiava o Comando Nacional com indicação e alerta, e indicação de alvos para apoiar os combatentes com indicação de alvos e consciência da situação. Esta divisão acabou em 1991 e continuou o processo até 2003 no Iraque. O U-2 era foi usado durante a operação Iraq Freedom para encontrar e indicar alvos inimigos e logo depois para avaliação de danos de batalha. Ao mesmo tempo fazia coleta de inteligência para apoiar missões militares.

Os dados de inteligência são usados para preparação de inteligência de campo de batalha, ou tudo que as forças precisam saber antes do conflito e continua durante o conflito com novas informações, correção de ordens e efeitos.



Sensores do Futuro
As aeronaves dedicadas a missão de reconhecimento sempre foram poucas como o Lockheed U-2, Camberra PR.3, PR.7 e PR.9 e SR-71 no ocidente e Mig-25R na Rússia. Também existem aeronaves dedicadas que eram variantes como os Dassalut Mirage IIIR, Mirage IVP e Saab AJSF-37 Viggen. A maioria das aeronaves que realizam rec-tat usam casulos dedicados.

Os casulos atuais são bem mais capazes que os sistemas das gerações anteriores. Podem tirar fotos de longa distancia, com alcance de mais de 75km, de alta resolução e multiespectral. O alvo pode ser varrido de um distancia segura das defesas com a mesma resolução de curta distância. Uma consequência é que o inimigo não é alertado do fato de ser observado, resultando em garantia de surpresa tática.
Com a tecnologia digital atual é possível tirar fotos de dia ou a noite de grande definição, e a longas distâncias. Os sensores com capacidade "stand-off" estão entrando em serviço com o objetivo de aumentar a capacidade de sobrevivência. Estes sensores são conectados a um datalink para enviar as imagens em tempo real e assegurar o sucesso da missão. 
O SHARP (Shared Reconnaissance Pod) fabricado pela da Raytheon para a US Navy irá equipar os F/A-18D/E/F e pode ser usado por outros caças. A US Navy pretende comprar 50, sendo 10 na reserva, para substituir os TARPS dos F-14. Foi usado no Iraque em 2003 com os F/A-18E/F do VFA-41 do USS Nimitz.

O SHARP funciona numa altitude de 700 a 17 mil metros (médias e grandes altitudes) e tem alcance de mais 92km. O campo de visão cobre 180 graus. As imagens de alta qualidade produzidas pelas 
câmera de banda dupla com sensor CA-279 da Recon Optical Inc podem ser mostradas em tempo real para o operar de armas para designação de alvos imediato. Produz imagem stereo ou mono de 25.900km2 em uma hora. Uma camera IR é usada a noite.

O SHARP é equipado com um datalink "Common Datalink"
 com capacidade de 3GB/s. O casulo SHARP pesa 900kg e tem o tamanho de um tanque de combustível de 330 galões, podendo ser instalado ou retirado em menos de uma hora. Este casulo poderá equipar o F/A-22 no paiol de bombas e no F-35.

O ATARS (Advanced Tactical Airborne Reconnaissance System) equipa os F/A-18C/D da US Navy. É usado para reconhecimento a baixa altitude e pode mostrar dados no cockpit. Custa cerca de US$300mil cada.

O F-14 usa o TARPS (Tactical Airborne Reconnaissance Pod System) desde 1981. O TARPS foi o primeiro casulo com câmeras digitais. Deve ser retirado de serviço a partir de 2003 para priorizar outros programas como o SHARP. A US Navy prefere o F-14 para as missões de reconhecimento por ter alcance maior e ser mais rápido que o F/A-18.

 
Foto de BDA do TARPS durante a Guerra do Golfo. As pontes eram alvos importantes por serem usadas para passar cabos de energia elétrica e comunicação. O datalink permite que seja feito reconhecimento em tempo real, além do reconhecimento pré-missão e a avaliação de danos de batalha.

A USAF tem 20 casulos TARS (Tactical Airborne Reconnaissance System) que equipam um esquadrão de F-16 operados pela reserva. Os sensores digitais funcionam a média altitude e tem datalink interno. A Força Aérea do Egito comprou seis casulos TARPS para seus F-16 US$45,8 milhões. O contrato inclui duas estações em terra, equipamento de apoio, manuais, pecas de reposição e treinamento. Devem ser entregues em  janeiro de  2007.


A RAF está colocou em serviço o casulo digital RAPTOR (Reconnaissance Airborne Pod for TORnado) no Tornado GR.4 em 2002. É produzido pela BF Goodrich dos EUA com ajuda da QinetiQ. Foi usado na Operação Telic no Iraque em 2003 e futuramente será usado no Eurofighter. A RAF encomendou 8 casulos e 2 estações em terra. O RAPTOR usa tecnologia do sistema SYERS do U-2.    
O RAPTOR é um sistema de reconhecimento digital de longo alcance e alta resolução para captura de imagem com sensores eletro-óticos diurnos e noturnos com capacidade de transmitir dados por data link em tempo real.  A RAF foi a primeira força aérea a usar um sensor com esta capacidade. 
O casulo tem 4,5 metros de comprimento e 0,9 metros de diâmetro. Usa uma câmera CCD DB-110 de banda dupla e sensor IR noturno para distâncias médias e curtas. A câmera Goodrich DB-110 significa Dual Band e 110 polegadas de foco máximo. É estabilizada em dois eixos. A estação terrestre ( DLGS - Datalink Groud Station) da QinetiQ pode ser instalado em terra, mar e ar. É compatível com sistemas americanos e da OTAN duas adquiridas pela RAF. O operador de sistemas pode usar a TV da cabine para rever a missão em vôo e congelar imagens para serem capturadas e transmitidas como alvo de oportunidade.

A França desenvolveu o casulo Desire (demonstrador simplificado de reconhecimento ótico) que foi testado no Mirage F-1CR no Iraque em 1997 e Kosovo em 1999. Deste programa surgiu o PRESTO (casulo de reconhecimento stand-off). O PRESTO pesa 550kg e seus sensores tem alcance de 32km com fotos de 10 mil pixels. As fotos são tiradas automaticamente e a aeronave pode manobrar com certa liberdade, não precisando voar paralelo a área alvo. Este recurso é ideal quando o alvo é um rio ou estrada. O casulo tem previsão para levar datalink, câmeras digitais CCD e gravador digital.

 
Detalhes internos do casulo Presto.


Outro casulo de reconhecimento francês é o Pod Recon NG (casulo de reconhecimento de nova geração) que entrará em serviço em 2006 no Mirage 2000N e em 2008 o Rafale N (F3 biposto naval). A França pretende adquirir 23 casulos sendo 8 navais e 4 estações em terra (total de US$346 milhões). O casulo tem câmeras CCD com alcance de 50km. Os sensores são biespectral (IR e quase IR) de média altitude que funcionam de dia ou de noite. A resolução é de 1m a 90km de dia ou 45km á noite. Usa também um sensor monoespectral IR de baixa altitude com resolução de 0,15m a 250m altitude. O datalink interno tem alcance 350km e pode transmitir imagens armazenadas no gravador digital. Os sensores podem ser apontado pela mira do capacete do piloto (HMD). Em 2000, a Thales Optronique recebeu um contrato de US$393 milhões para desenvolver o casulo.


Os russos usam vários casulos desenvolvidos para viação frontal tática equipada com Mig-21R Fishbed-H, SU-17M3/M4 Fitter-H/K e alguns Su-24MR. Os Mig-21R e Su-17 já foram retirados de serviço. O casulo Shpil'-2M (agulha) é um casulo de varredura laser com resolução de 0,25 m a 400 m, dependendo da altitude. Varre área quatro vezes a altura da aeronave e fornece imagem de qualidade quase fotográfica. Existem outros casulos mais simples, como o Zima de imagem térmica, o Aist-M de imagem de TV e o Dadr de foto aérea. O casulo de foto-radar Shtyk MR-1 de radar SAR, com 5-7,5 m de comprimento, cobre uma área de 4 a 28 km do centro da aeronave. O datalink ShRRK-1(shirokopolosny radiokanal) é usado para passar dados de TV, IR e laser digitalizados para estação em terra. Fence-E usa camera panorâmica A-100 e AP-402  par reconhecimento. Os filmes são ejetados para estação em terra.


No MAKS 2003 foi mostrado o novo casulo M-400 instalado em um SU-30MKK2 chinês. O M-400 pode usar módulos com câmeras LOROP de alcance 70km ou radar SLAR com alcance 100km. Os módulos são intercambiáveis com os dados gravados ou transmitidos por data link.
 Notar o tanque conformal entre as entradas de ar onde está instalado o M-400. O Flanker também está armado com um míssil Kh-29 e um casulo Sapsan nos cabides sob as entradas de ar.


Os casulos de designação de alvos a laser tem capacidade limitada de reconhecimento ao gravar imagens e fazer BDA. O LANTIRN da US Navy que equipa os F-14 foi equipado com um datalink FTI (Fast Tactical Imagery) para passar dados do casulo para outras aeronaves, estações em terra ou COC de navios. O LANTIRN também tem hardware para  Bomb Impact Assessment (BIA), que dá função de reconhecimento limitado.

O WSO pode rever imagens e escolher as que vai enviar em tempo quase real. No modelo anterior o filme tinha que ser revelado após retornar a base para estar disponível e não pode ser datalincado. O FTI do F-14 também passar imagens da tela de radar e TCS para o COC do NAe.

O F-14 foi considerado ideal para rec-tat por poder manter alta velocidade a baixa altitude, longo alcance e por ter dois tripulantes. Voou 781 missões com o casulo TARPS - Tactical Aerial Reconnaissance Pod System na Guerra do Golfo.

Na Guerra do Golfo os F-15E voaram 2.200 missões enquanto os F-16 voaram 13.450 missões. Os F-15E usaram o LANTIRN para fazer reconhecimento e BDA aumentando a capacidade multi-missão da aeronave. O caça tinha que sobrevoar o território inimigo de qualquer forma e aproveitava para tirar algumas fotos. A capacidade de gravar imagem foi motivo para usar o LANTIRN extensivamente posteriormente.

O F-4G e EF-111 realizaram 2500 saídas na Guerra do Golfo em missões de supressão de defesas. Também fizeram localização de alvo e BDA. O reconhecimento tático também inclui reconhecimento visual.


Radares SAR/GMTI

Os casulos com radares de abertura sintética (SAR) estão tendo importância agora devido a experiência da OTAN em Kosovo em 1999. Cerca de 2/3 das missões ar-solo não foram cumpridas devido ao mal tempo. Os radares SAR podem realizar reconhecimento e designar alvos em qualquer tempo, ao contrário dos sensores EO.

A maioria dos radares SAR são montados em aeronaves grandes como o J-STAR e o U-2, mas isto já está mudando.

O SLAR 2000
 da Thales, chamado RAPHAEL (Radar de Photographie Aerienne Atectronique) na Força Aérea Francesa, equipa os Mirage F1 desde 1990. O Raphael tem alcance de 100km com definição de 3-6m. Opera em modos de cartografia radar para alvos fixos ou indicação de alvos móveis (MTI) em caso de tropas e veículos. O casulo tem um datalink VHF para transmitir os dados para uma estação em terra.

 
O radar SLAR Raphael-TH é usado pelo Mirage F-1CT e está sendo substituído pelo Orquide, levado pelo Super Puma. A imagem menor é de uma foto radar.
O radar israelense EL/M-2060P é instalado num casulo de 550kg e equipa o F-16. Opera na banda X para longo alcance e qualquer tempo, mas com menos resolução que a banda Ku. O alcance é de 150km e pode coletar imagem de 12 mil milhas quadradas por hora. O casulo tem datalink interno e funciona no modo de baixa resolução de grande área (strip area) ou alta resolução de área pequena (spot area). Outro modo é identificação de alvos móveis no solo (GMTI).

O FA-18E/F irá usar o radar interno AN/APG-79 AESA para imagem radar de alta resolução. A Thales está desenvolvendo um casulo com radar SAR para RAF instalar no Tornado e Eurofighter em 2003.

 
O radar Norden APG-76 MMRS que equipa os F-4E israelenses é usado para designar alvos para o míssil AGM-142. A primeira foto é uma imagem radar de um navio tanque a 50km de distância com resolução de 0,3m.A segunda foto é de um comboio cruzando uma ponte a 65km de distância com resolução de 18m usando modo GMTI. Os veículos são mostrando-os como retângulos brancos. A terceira imagem é de uma base aérea a 70km de distância com resolução de 3 metros.
Os radares SAR de caça são otimizados para produzir imagem SAR/GMTI de ponto para designação de alvos e gerar imagem de reconhecimento e BDA. também tem outros modos ar-solo e ar-ar. Os radares SAR/GMTI de reconhecimento e vigilância (R-99B) produzem imagens de área a longa distância.

Táticas

O reconhecimento tático consiste basicamente de colocar câmeras e outros sistemas de fotografia em uma aeronave, desde balões do século XIX até aos sistemas atuais. Além destes sistemas, o reconhecimento de imagem IMINT também inclui outras fontes como radar, IR, EO, radar SAR e GMTI.
A observação do campo de batalha de uma posição elevada é um aspecto importante da guerra desde que o homem combate com outro ser humano. Carl Von Clausewitz escreveu no seu livro Da Guerra que "Os pontos altos oferecem três vantagens estratégicas: ponto forte para uso tático, proteção contra acesso, e grande campo de visão...".  A ocupação de um ponto alto pode ser considerado um meio de dominação real. Antes dos Chineses (ou brasileiros na guerra do Paraguai) usarem balões para observação, a ocupação de pontos altos era o único meio de um comandante militar ganhar vantagem e ver o que o seu adversário estava fazendo.

A invenção do avião e o seu uso para reconhecimento resultou na multiplicação desta capacidade para níveis inimagináveis em relação a concentração de tropas e localização.

O primeiro uso do avião na guerra foi para reconhecimento durante a Primeira Guerra Mundial. A fotografia aérea foi usada para montar grandes ofensivas. As fotos eram compiladas para montar um campo de batalha. Assim surgiu a "arte e ciência" do reconhecimento aéreo.

Os fundamentos mudaram pouco e ainda confirmam os princípios de Von Clausewitz. Na Segunda Guerra Mundial foi iniciado o uso de aeronaves e cameras para reconhecimento dedicados.


Os mísseis SAM e interceptadores tornaram a tarefa perigosa e mudaram as táticas. Agora empregam aeronaves não tripuladas (UAV) contra alvos importantes e bem defendidos. O avião não foi abandonado. O piloto ainda é necessário para operar sensores. Os caças ainda tem velocidade e agilidade para fugir e defender-se além da capacidade ofensiva. O Piloto pode defender-se o que UAV não pode ainda. A aeronave tem a flexibilidade do piloto que vê coisas que o operador de UAV em terra não pode ver fora do cockpit em tempo real. Os UAV são ideais para missão de paz, onde a perda do piloto não é aceitável.

Antigamente as aeronaves de reconhecimento tático realizam suas missões sozinhas. Agora a doutrina prioriza a capacidade de sobrevivência e uma missão de reconhecimento é feita por pelo menos duas aeronaves e pode incluir escolta de caças e aeronaves de supressão de defesas, estando incluída num "Pacote de Ataque".

No caso de um par, o ala voa atrás e mais alto dando cobertura. Ele avisa em caso de disparo de mísseis SAM e artilharia antiaérea. Os jatos também voam na velocidade máxima.

O planejamento de missão é igual a missão de ataque. A preparação pode durar várias horas e é proporcional a dificuldade da missão. Entre os dados incluem fotos anteriores do alvo. O reconhecimento não é uma missão destrutiva e no lugar de escolher armas, são escolhidos sensores específicos para alvo específicos. Os sistemas de planejamento automático orienta o piloto para voar trilha correta com ajuda do HUD (inclinar asa por exemplo).

Uma missão de reconhecimento pode cobrir de um a dezenas de alvos. Dependerá da distância, tamanho, importância do alvo e defesas. Um alvo sem defesa (mais comum em tempo de paz) é chamado de passivo e os alvos ativos obviamente tem defesas.

De dia e com bom tempo são usados sensores eletro-óticos (EO). Os sensores EO são classificados em LAEO (low altitude) para baixa altitude (até 900m) e alvos de ponto com localização conhecida. Os sensores MAEO são usados em média altitude  (900-7.600m com alcance de até 8km) e alvos de área ou sensoriamento. Os sensores HAEO de grande altitude (acima de 7.600m) são usados longe do alvo.

A missão pode cobrir alvos de ponto, área ou varredura linear. Os alvos de áreas são cobertos por mais de uma aeronave ou por sensores MAEO. O alvo não pode ser sem importância como o possível posicionamento de um pelotão. No mínimo é uma ponte ou entroncamento rodoviário.

Uma foto direto sobre alvo geralmente é ruim. Um foto a longa distancia é obliqua e fácil de analisar. Um alvo linear pode ser um rio ou estrada. A aeronave acompanha o trecho ou partes com outras aeronaves cobrindo outras partes.

Os sensores HAEO são preferíveis para alvos bem defendidos ou quando não se pode sobrevoar o alvo. Um exemplo do último caso é fotografar alvos além da fronteira em tempo de paz.

Em tempo de paz é comum usar câmeras LOROP ( foto obliqua de longo alcance - LOng Range Oblique Photography) para vigilância de fronteira. A FAB usa os R-35 Learjet nesta função. Esta missão também pode ser realizadas por caças. Um dos motivos podem ser as defesas inimigas. Em 17 de setembro de 1971, um KC-97 Stratotanker israelense com câmeras LOROP foi derrubado no Sinai por um míssil SA-2 do Egito. Esta missão passou a ser feito com RF-4E Phanton para aumentar a capacidade de sobrevivência.

Junto com um datalink, um casulo LOROP significa segurança, rapidez e eficácia. Qualquer aeronave pode tirar fotografias de alvos bem defendidos sem se arriscar e disponibilizar as imagens quase que imediatamente para os interessados. Os radares SAR/GMTI também tem esta capacidade.

Os sensores de longo alcance são necessários pois um um alvo bem defendido que será atacado por uma arma de longo alcance precisa ser fotografado por um sensor de longo alcance.

Fotos de longo alcance e do alto são consideradas reconhecimento estratégico. O Mirage IV francês realiza esta missão voando alvo e supersônico. Alguns exemplos de casulos LOROP no mercado são o AA-3-38 HAROLD da Dassault e o casulo LOROP da ELOP israelense.

Imagem tirada a 35 km do casulo Electro-Optic Long Range Oblique Photography (EO/IR LOROP) da ELOP. Pode ser usados de altitudes de 20 a 50 mil pés, detectando alvos a mais de 100km, no espectro visual e IR, transmitindo dados em tempo real. Está em uso nos RF-4C e F-16 da Força Aérea de Israel.

As cameras LOROP equivalente as imagens de satélite, mas sem a escravidão das órbitas. A Itália planeja um casulo LOROP para equipar seus AMX. O AMX tem um compartimento interno para sensores LOROP.

A noite são usados scanners infravermelhos (IRLS). O IRLS também enxerga sobre nuvens finas. Ele detecta calor e também vê a memória do alvo. Por exemplo, uma aeronave que se moveu e deixa sombra quente ou fria. Obviamente também pode ser usada de dia. Funciona melhor a baixa altitude, mas os modelos atuais já funcionam a média altitude/distância. Os sensores EO podem ser usados a noite com ajuda de flares para iluminar o alvo.


Imagem de um IRLS da RAF.
Os radares SAR podem tirar fotos radar com qualidade fotográfica em qualquer tempo. Pode ser levado em casulo, internamente apontado para a lateral (SLAR) ou pode ser um modo do radar principal. Pode usar modos GMTI para detectar alvos móveis no solo.

O radar SCP-1 terá modos SAR e MTI, sendo que o último pode ser últimos em missões de reconhecimento armado. Nos modos SAR o piloto pode escolher o submodo "spot map" com muito detalhes (qualidade fotográfica) ou "strip map" com pouco detalhe de área maior.

Uma imagem tridimensional do campo de batalha ou área do alvo é necessária para sistemas de navegação por terreno (DTS) ou para planejar ataques de armas guiadas. As imagens podem ser geradas por outros meios como câmeras LOROP, satélites e radares SAR.

O reconhecimento tem que ser realizado durante as 24 horas do dia e a aeronave também deve estar equipada com NVG, FLIR, e outros sistemas para vôo noturno.

As táticas defensivas das aeronaves mudam com a tecnologia e regras de engajamento. Os Etandart IV franceses visitavam até 50 alvos nas operações Deny Flight sobre a Bósnia em 1995. Eles vigiavam lugares suspeitos de esconder tropas da Bósnia. Este número diminuiu para menos de 10 alvos após um caça ser atingido por um míssil SA-7. As aeronaves voavam a 1500m de altura. Uma regra é não visitar alvos duas veses na mesma missão, porém, um alvo grande precisa de várias passadas.

Os Harrier da RAF cobriam em média 18 alvos durante nas zonas de exclusão aérea no norte do Iraque e voavam aos pares. Eram as únicas aeronaves a entrarem nos "kill box" dos mísseis SAM iraquianos. Os F-4G de SEAD e os F-15C de escolta eram proibidos de acompanhar por ser muito perigoso.

Na Guerra do Vietnã, os RF-101 Voodo da USAF cobriam entre 1 a 25 alvos por saída. Cada saída durava cerca de 3 horas e meia. A maior parte do tempo a aeronave voava baixo. A aproximação do alvo era a baixa altitude baixo e subia para fotografar (manobra tipo pop-up). Já em Kosovo, os AMX da Itália em missões de reconhecimento voavam alto e mergulhavam sobre o alvo para fotografar. Subiam rapidamente logo depois para sair do alcance das defesas em terra, principalmente mísseis portáteis guiados por IR e artilharia antiaérea. Os AMX voavam aos pares com o ala dando cobertura.

A USAF retirou seus RF-4 de operação na década de 90 para missões de reconhecimento foto. Estas missões passaram a serem feitas por aeronaves não tripuladas (UAV) para diminuir a exposição dos pilotos. A experiência não foi muito boa e voltaram a usar F-16 equipados com casulos. Nos treinos, os F-16 da USAF cobrem entre 5 a 10 alvos e dão prioridade para BDA.

Os RF-4E da USAF tinham uma suíte completa de sensores de reconhecimento que incluía IRLS, câmeras diurnas LAEO, MAEO e LOROP, radar SLAR, provisão para sensores de reconhecimento eletrônico (ELINT), radar com capacidade de seguimento do terreno e mapeamento do terreno, provisão para casulo de designação de alvos (Pave Spike) e tinha um par de olhos extras adicional para reconhecimento visual. É melhor dois olhos para ver algo que não foi pego pelos sensores ou não foi coberto. Numa missão comum o RF-4 cobria três alvos.

Durante a Guerra do Vietnã, os RF-4C realizavam missões de reconhecimento principalmente em apoio as operações do US Army que tinha urgência de informações. O varredor IR realizava busca a noite e via coisas que as fotos não mostravam. O SLAR era bom para mal tempo. O vôo baixo as vezes era necessário devido as nuvens. Voava com escolta dependendo da ameaça. A única defesa era o evitamento de ameaça. Mais da metade das missões eram voadas a noite. Era mais seguro.

O RF-4 substituiu o RF-101A Voodo, mas a velocidade e o alcance do último era bastante apreciada e melhor que a do RF-4. A US Navy continuou a usar o F-14 com o casulo TARPS e agora está introduzindo o F/A-18F na missão com o casulo SHARP. O USMC usa o F/A-18D biposto com sistema ATARS. Apenas os Hornet biposto fazem reconhecimento e controle aéreo avançado.

Capacidade dos sensores
Resolução Capacidade
2 metroReconhecimento de 50% dos equipamentos militares
metro Detecção de 100% dos equipamentos militares
Identificação de 100% de infra-estrutura militares
0,8 metro Identificação de todos tipos de aeronaves
Identificação de todos navios
Reconhecimento de blindados
0,5 metro Reconhecimento de 100% dos equipamentos militares
0,3 metroIdentificação de veículos (blindados, caminhões, etc)
Identificação de todos sistemas de armas (canhão de um blindado)
Detecção e identificação de colunas de refugiados e direção
0,2 metroDiscriminação entre objetos e pessoas
Contar pessoas numa multidão
0,15 metroDiscriminação entre homem e mulher.
Detecção = natureza do objeto (ex. aeronave)
Reconhecimento = classe do objeto (ex. caça)
Identificação =  tipo do objeto (ex. Mig29)

Reconhecimento Eletrônico

Outra missão realizada pelas aeronaves de rec-tat é o reconhecimento eletrônico (ELINT). Esta missão não é realizado no 1/10 GAv. O ELINT tático difere do estratégico por estar limitado a detectar e localizar ameaças de mísseis SAM e artilharia antiaérea guiada por radar para proveito imediato das missões táticas. Enquanto o ELINT tático é uma missão de reconhecimento, o Elint estratégico é uma missão de vigilância e inteligência, apesar da mesma aeronave poder cumprir as duas tarefas.

Um dos poucos sistemas ELINT/ESM disponíveis para caças táticos é o casulo francês ASTAC. O ASTAC (Anayseur de Signeaux Tactiques - Analizador de sinais táticos) é um casulo de reconhecimento eletrônico que pode ser levado por diversas plataformas. Também tem versão interna para aeronave de transporte, helicóptero ou caça, ou em estação terrestre.

O ASTAC monitora o ambiente para reconhecimento eletrônico de uma área de interesse. É capaz de detectar, analisar os parâmetros de emissão, fazer identificação em tempo real e localizar emissões de radares. Pode até identificar radares que realizam salto de frequência.

 O sistema recebe e mede parâmetros de todos os tipos de emissões de radares de vigilância, de aquisição de alvos, de detecção aérea avançada (AEW) e de interferidores (jammers).

Pode detectar 400 radares por hora de vôo nas bandas "A" a "K" e frequência de rádio de HF até SHF(faixa K). Determina a direção da ameaça com precisão menor que 1 grau. Uma estação em terra pode identificar alvos a quase 200km voando a 6.100m e velocidade de 360km/h.  

Num vôo de demonstração num F-16B, o ASTAC detectou, identificou e rastreou nove fragatas manobrando numa área de 50x50km a 170km distancia num período de 55 minutos.


O casulo constrói um banco de dados monitorando modos de radares inimigos e grava padrões para análise em estação em terra. Os dados são usados para criar um quadro eletrônico da área e atualizar a ordem de batalha eletrônica do inimigo (EOB). Os dados podem ser usados para atualizar sistemas de autodefesa e alerta radar.

O sistema é desejável para reconhecimento de emissões a média e altas altitudes a grande distância em aeronaves de transporte, ou a baixa altitude para penetração no campo de batalha, para coletar dados para evitamento ou destruição de defesas antiaéreas. Voando em aeronaves de caça é possível penetrar as defesas para forçar sua ativação e com uma capacidade de defesa que não é possível com aeronaves de transporte.

Também pode fazer designação de alvos em tempo real para mísseis anti-radar ou passar os dados por datalink para outras aeronaves de ataque.

O ASTAC pode ser instalado em praticamente qualquer aeronave. Na França, os Mirage F.1CR equipados com o casulo fazem uma corrida no local suspeito e gravam as transmissões dos radares ligados durante a trajetórias. Também equipa aeronaves maiores como o C-160 Gabriel (SIGINT estratégico).

Também é usado nos RF-4E do Japão, equipa os Mirage 2000-5 de Taiwan (quatro casulos) e voa nos F-4E, Mirage 2000 e F-16 da Grécia. Já foi usado na Bósnia e em Kosovo com sucesso e mostrou ser útil na identificação de posições de mísseis SAM inimigos.


O casulo de SIGINT da Thales (ex Tompson-CST) ASTAC pesa 400kg e tem 4,1m de comprimento. O sistema de resfriamento interno precisa de 2kVA. A França também oferece o Thales TMV D18 Syrel de ELINT.


Detalhes do ASTAC.


 
O sistema ASTAC inclui estação terrestre para planejamento de missão e reconstituição que pode ser fixa ou móvel.

Os russos podem fornecer sistemas que eram usados pelo Su-24 de guerra eletrônica e Mig-25BM de supressão de defesa. O casulo LO-81 fantasmagoria B realiza ELINT e detecta alvos para validar o lançamento de mísseis anti-radiação. O casulo EFIR-1M RADINT (Eter) tem 3 metros de comprimento e grava dados mas também pode transmitir para um posto de comando por data link. O pequeno casulo Tangazh (Pitch) realiza SIGINT.

Complemento

O AMX é um dos meios da FAB para reconhecimento, planejamento e BDA. Outras aeronaves são o R-99B, O P-3BR, ALX e o R-35 Learjet, nem todos operacionais ainda. O R-35 Learjet tem câmeras LOROP e radar SLAR e três aeronaves estão sendo modernizados com um sistema SIGINT 
Thales DR3000 AMK2-B. 

O EMB-145SA ou R-99B SR ("Remote Sensing") para a FAB será o equivalente ao R-99A AEW, só que será usado para localizar alvos no solo. Também terá capacidade de realizar reconhecimento eletrônico (ELINT) e de comunicações (COMINT). Entre as capacidades adicionais está a capacidade de realizar Comando e Controle e busca e salvamento.

O R-99B é equipado com um radar SAR da McDonald-Dettwiler, um scanner multiespectral EPS-A 31T da Geophisical and Enviromental Research capaz de varrer trechos inteiros do terreno e determinar o tipo de vegetação. Os sensores ótico infravermelho inclui um FLIR AN/AAQ-22 Star Sapphire e duas câmeras TV com objetiva e zoom.

  
Fotos radar do R-99B tiradas a grande altitude e longa distância. A foto da esquerda mostra uma pista clandestina e a da direita mostra a base aérea de Manaus com algumas aeronaves estacionadas no pátio.
O AT-29 Super Tucano será usado para reconhecimento visual e vigilância. As aeronaves de controle aéreo avançado como o O-1 Bird Dog, O-2 Skymaster e OV-10 Bronco foram retiradas de serviço na USAF e USMC e substituídas por UAVs. A experiência em combate mostrou que eram muito vulneráveis em cenários de média-alta intensidade. Atualmente usa jatos para a missão como o A-10, F-16, F/A-18 e F-14.

Os UAVs poderão ser um complemento aos AMX e ALX para cumprir missões mais arriscadas. Eles voam a 200-300km/h e são muito vulneráveis. Em cenários de baixa intensidade o ALX será o nosso UAV tripulado multimissão por incluir sensores FLIR e TV que passam dados para outras plataformas ou estação em terra. Também levam armamentos como outros UAVs modernos (Predator).

Satélites de uso comercial produzem imagem com resolução de 1-2metros já estão disponíveis. O Brasil está lançando uma série de quatro satélites de sensoriamento remoto em conjunto com a china (CBERS -satélite sino-brasileiro de recursos terrestres). A resolução provável é de 10-20m.

O CBERS 1 foi lançado em outubro de 1999 e teve uma falha em uma de suas câmeras, a WFI (Wide Field Imager – Imageador de Largo Campo de Visada), em junho de 2000. O CBERS 2 foi lançado em 2002.

O CBERS-1 foi lançado em 1999 e tem gerado imagens sobre desmatamentos e queimadas na Amazônia, previsões de safra, planejamento urbano, cartografia, hidrologia e geologia.

Eles vão custar US$ 200 milhões e cada país participa com 50% dos custos. O CBERS-3 está previsto para ser lançado em 2005 e o CBERS-4, em 2008.

 
Foto do satélite Digital Globe da base americana de Al Udeid no Qatar. A partir desta base os EUA lançou seu ataque contra o Iraque.
Os satélites ficam em órbitas baixas (LEO) a cerca de 837km terra e cada órbita dura 90-100min cada. São 16 voltas ao redor da terra por dia e fica até 20 min sobre alvo. As órbitas são previsíveis e o inimigo pode esconder o que não quer mostrar. Os satélites de imagem também são atrapalhados por mal tempo e fumaça. O satélite só aponta para ponto específico e não espera. É bom para alvo já conhecido. As aeronaves e UAV são melhores para sustentar operação e surpresa.