terça-feira, 1 de maio de 2012

Especial KC-390 versões artilhadas

A/KC-390

O A/KC-390 seria basicamente um M/KC-390 armado com canhões. O uso de canhões de tiro lateral exigiria uma aeronave dedicada. Uma opção para aproveitar a modularidade do M/KC-390 poderia ser o uso de um canhão conteirável em casulo. Um exemplo de canhão que pode ser usado pelo A/KC-390 é o RMK 30 usado pelo helicóptero Tiger. O canhão tem baixo recuo e dispara pequenas rajadas com grande precisão. O sistema usado pelo Tiger tem 400 tiros e pesa 300kg. O canhão poderia ser instalado nas laterais da fuselagem e cobrir todo o hemisfério inferior.

Um canhão de pequeno calibre não tem a capacidade de destruição e alcance de um canhão de 105mm como o usado pelo AC-130, mas os alvos mais bem defendidos podem ser atacados por outras armas como mísseis levados pelo próprio M/KC-390, como um Spike ou LAHAT israelenses, ou atacados por outras aeronaves apoiando suas operações. O AC-130 também atua como Controlador Aéreo Avançado (FAC) e o A/KC-390 estaria realizando esta missão. Um operador de sensores dedicado é uma das melhoras armas para os FAC.

A FAB já usou um gunship na forma de um C-47 armado com uma metralhadora 12,7mm na porta traseira e operado pelo 5o ETA de Canoas entre 1972 e 1973. Era usado para operações especiais e demonstração. A principal força antiguerrilha da FAB foram sua grande frota de jato AT-26 Xavantes. A seguir será feito uma descrição breve das operações das aeronaves artilhadas (gunships) para se ter noção da sua importância.


Harverst Hawk

Devido a grande flexibilidade do Hercules os fuzileiros americanos decidiram adicionar uma nova capacidade - gunship. Em maio de 2009 o USMC iniciou estudos para modificar seus KC-130J de reabastecimento em vôo para ter capacidade gunship similar ao AC-130 Spooky e Spectre da USAF. O projeto iniciou da necessidade das tropas no Afeganistão de um maior pode fogo. O USMC viu as operações com sucesso dos AC-130 da USAF nos conflitos recentes e gostou da precisão dos canhões e da grande autonomia, mas não tem como comprar a aeronave por custar o triplo do KC-130.

O programa de conversão dos seus Hercules em gunship se chama Harverst Hawk, que significa "Hercules Airborne Weapons Kit" e agora "High Altitude Weapon Kit" pois opera sempre a média altitude.

O objetivo é equipar os KC-130T com kits modulares roll-on/roll-off (RO/RO) de armas e sensores transformando em um gunship em quatro horas com baixo custo. Os kits consistem de sensores de vigilância e reconhecimento, estação de controle tiro, canhão na porta esquerda, sistema de lançamento de munição na rampa traseira e cabides nas asas com lançadores de mísseis. O objeto é ter os kits instalados em menos de 8 horas com objetivo de 4 horas com os kits podendo ser retirados de uma aeronave e logo instalados em outra. A parte permanente será só os cabos com as conexões. O kit pode ser modular como levar só os sensores, um ou dois cabides e mísseis (geralmente um cabide com casulo de reabastecimento e outro com mísseis), com ou sem lançador na rampa etc.

A estação de controle instalada no container é similar a do navio LCS com duas telas de alta definição. A superior é usada com o sistema Falcon View que consiste de um sistema de mapa baseado em laptop para consciência da situação. A tela inferior mostra o vídeo dos sensores e faz controle das armas. Também tem um "track ball", teclado e joystick. A estação de controle precisa de um barramento 1553 para funcionar, mas só recebe dados da aeronave e só passa dados para suas armas. A estação é montada em um palete de carga e é fixada no compartimento de carga como outra carga qualquer.

As armas podem ser um canhão ATK Mk44 Bushmaster II de 30 mm, mísseis AGM-114 Hellfire montados em cabides nas asas e mísseis em lançadores especiais no compartimento de cargas.

O canhão de 30 mm Mk44 Bushmaster II será montado no chão da cabina com o cano saindo pela porta traseira esquerda. O canhão terá certa mobilidade para ajuste do tiro. No futuro usará um sistema pressurizado para evitar que a aeronave tenha que descer abaixo de 10 mil pés para ser disparado. O Mkk44 pesa 155kg. A munição perfurante penetra 25mm a 2km de distância atravessando facilmente a blindagem superior de blindados ou o teto de uma casa. O tempo voo é de 1.7 segundos a esta distância. O canhão também pode disparar munição auto-explosiva anti-pessoal. O Mk44 tem cadência de tiro de 200 ou 400 tiros por minutos com 160 tiros disponíveis antes de recarregar, resultando em 25 a 50 segundos de munição. Apontado por sensores sofisticados apoiados por um computador balístico pode ser usado como arma de precisão. Nos testes no AC-130 o Bushmaster não foi tão preciso como os canhões de 25mm e 40mm e teve muitos problemas técnicos, mas para o USMC não foi projetado para precisão como a disponível no AC-130 e sim para preparar o campo batalha, manter pedaços de terreno fora das mãos inimigas e apoiar suas tropas com supressão.


Os testes com o Hellfire no C-130 foram um sucesso. O modelo a ser usado deve ser o AGM-114P Hellfire II projetado para aeronaves não tripuladas com capacidade de ser disparado a grande e média altitude. O Hellfire será disparado inicialmente do cabide na asa esquerda mantendo a capacidade de reabastecer outra aeronave com o casulo da asa direita. No futuro serão instalados mais dois cabides permitindo disparar um total de até 12 mísseis Hellfire ou oito mísseis e dois casulos de reabastecimento em voo.

O lançador na rampa traseira poderá disparar mísseis GBU-44/B Viper Strike ou Griffin. As duas armas são guiadas por laser semi-ativo e a Viper Strike também tem um GPS. No disparo é necessário despressurizar cabina e futuramente será instalado um sistema pressurizado. A Viper Strike pesa 20kg e tem uma cabeça de guerra de 1,8kg ideal para uso em ambiente urbano por causar pouco dano colateral. A Griffin é menor pesando 15,6kg, mas com uma cabeça de guerra de 5,9kg e alcance de 4km ideal para atacar alvos abaixo da aeronave. Em junho de 2010 o USMC comprou 65 mísseis Viper Strike para equipar seus KC-130J com entregas ainda em 2010.

O plano inicial é comprar três kits e depois ter três kits roll-on/ oll-off para cada Esquadrão de KC-130J criando um "gunship instantâneo". No total serão comprados nove kits em 2011 chegando a 12 kits em 2012 quando os KC-130T converterem para KC-130J após 2010. Todos os KC-130 terão cabeamento para levar os kits. Os kits serão melhorados com o tempo.

A Lockheed Martin foi contrata por US$ 22 milhões para desenvolver o sistema de controle de tiro roll-on, roll-off (modular) para instalar nos KC-130J e instalar o sensor AN/AAQ-30 Target Sight System (TSS) já usado no AH-1Z e em alguns AC-130.

A fase I do programa irá testar a capacidade básica dos sensores instalados na seção traseira do tanque externo da as esquerda, com os dados indo para um container especial com consoles. A capacidade inicial de armas serão apenas os mísseis Hellfire com lançador na asa esquerda e um canhão ATK Bushmaster de 30mmm móvel na porta esquerda traseira.

A primeira fase terminou em abril de 2010 testando a capacidade Stand-Off Precision Guided Munition (SOPGM) como uma capacidade separada do Harvest HAWK. A aeronave só foi equipada com o sensor e com o lançador de mísseis Hellfire. As características de voo da aeronave não foram alteradas com a instalação dos sistemas. Os testes com o canhão ocorrerão nos blocos posteriores. Os kits devem entrar em operação em outubro de 2010 no Afeganistão. Dois kits serão enviados para o Afeganistão e um será usado para treinamento.


A função primária dos KC-130J de reabastecimento em voo (REVO) não será prejudicada mesmo armados. Os KC-130J manterão a capacidade de realizar tarefas de lançamento de cargas por pára-quedas. Os KC-130J do USMC realizam REVO de helicópteros, aeronaves MV-22 e caças e em terra também reabastece veículos e outras aeronaves em bases avançadas (Rapid Ground Refuelling - RGR). Como transporte tático opera em bases austeras levando carga e tropas. Pode lançar cargas e tropas em zonas de lançamento e também iluminar o campo de batalha com flares. Se necessário pode atuar como posto de Comando & Controle como aconteceu na invasão do Iraque em 2003.

Nas missões de reabastecimento em voo o KC-130J pode receber um tanque extra RO/RO de 3.600 galões (9.500 litros) na fuselagem que pode ser instalado em 8 horas e retirado em 4 horas, além da estação para um terceiro tripulante para operar o sistema. Se necessário pode operar sem o tanque RO/RO e só com os casulos de reabastecimento Sargent Fletcher nas asas. A aeronave tem uma bomba interna para apoiar os casulos de reabastecimento e luzes externa para apoiar outras aeronaves.

A demanda de "overwatch" persistente armada no Afeganistão era grande. Então vão aproveitar a capacidade do Harvest Hawk para usar o KC-130 como aeronave cisterna e também como gunship para fazer overwatch armado e reabastecimento aéreo na mesma aeronave. Então terá capacidade de vigilância e apoio aéreo para as tropas dos fuzileiros abaixo.

Os fuzileiros queriam um KC-130J gunship sem perder a capacidade REVO. A altitude e localização da área de operação seria a mesma das missões de REVO, mas o kit só permite operação em ambiente seguro contra mísseis antiaéreos portáteis. O sistemas defensivos do KC-130J são adequados e a munição permite disparar de média altitude onde irá operar, de dia ou a noite.

A limitação é não poder disparar enquanto reabastece outras aeronaves, mas pode fazer overwatch e REVO a mesmo tempo. Inicialmente o KC-130J irá decolar com sensor e mísseis Hellfire e vai para as orbitas de reabastecimento próximo a uma base avançada. Entre os REVOs pode fazer overwatch na base e engajar contatos com as tropas USMC. Ao voltar para o REVO continua o overwatch na mas sem poder disparar.
Um KC-130J mostrando o sensor no tanque esquerdo e o cabide com o lançador de mísseis Hellfire.


Globo do sensor TSS instalado na traseira do tanque de combustível externo da asa esquerda. A capacidade de operar como gunship e vigilância do programa Harvest Hawk é resultado de requerimentos urgentes para as forças do USMC atuando no Afeganistão para aumentar a capacidade de poder de fogo. A "alma" dos Kits HAWK é o pacote de vigilância já operacional em outros C-130. O USMC queira fazer vigilância persistente por longo período e a capacidade de atacar seria um bônus. A melhor capacidade são sensores e a noite pode ver sem ser visto. Pode engajar imediatamente, principalmente alvos de oportunidade, e poderão guiar armas de outras aeronaves com bombas guiadas a laser. A aeronave também precisará de operadores especializados.


O A/KC-130J terá kits de sistema modular roll-on/roll-of que deixará a "aeronave acima com capacidade de vigilância e com ferrão" como o míssil Hellfire (na foto o cabide na asa esquerda)


Tripulações do solo carregando mísseis Hellfire no KC-130J.

Mìssil Viper Strike que será usado pelo KC-130J do USMC.


Módulo da cabine de controle do kit Harvest HAWK mostrando as duas telas.


Precision Strike Package

Em 2008 o Pentágono aprovou a aquisição de 16 aeronaves canhoneiras AC-27J Stinger II para o programa AC-XX "Gunship Lite", mas devido ao corte no programa de aquisição dos C-27J foi cancelado. O AC-27J seria a versão artilhada do C-27J Spartan e usaria os sensores e sistemas de comunicações do AC-130. O programa foi iniciado ainda em 2008 com um C-27A armazenado sendo testado com canhões de 30mm e 40mm que poderão ser usados no programa. A aeronave também usaria armas guiadas como o míssil Viper Strike no lugar do canhão de 105mm dos AC-130. Cada C-27J custa US$ 30 milhões sem a adaptação para gunship sendo uma opção mais barata que o sofisticado conceito do AC-130X.

Um dos objetivos é substituir os AC-130 atuais que estão bem desgastados devido ao grande uso no Afeganistão e Iraque. Uma aeronave bimotora seria ideal para operar no Afeganistão devido a capacidade de operação remota, em pequenas pistas, com menor custos. Com o desgaste acelerado da frota de AC-130 as aeronaves devem ser retiradas de serviço em 5-10 anos.

Com o cancelamento do programa AC-XX a USAF passou a estudar a conversão dos seus MC-130 em gunship com o conceito do programa Harverst Hawk. Em 2009 foi decidiu adaptar oito MC-130W para poder ter capacidade de gunship mantendo a função de apoiar helicópteros de operações especiais atuando atrás das linhas inimigas. As aeronaves receberão tripulação extra e kits de armas e sensores.

A versão do SOCOM será chamada de "Precision Strike Package", com kits de sensores, um canhão 30mm e lançadores de mísseis Viper Strike e Griffin. O SOCOM não gostou da precisão do canhão Bushmaster, mas o USMC acha suficiente e o SOCOM concordou.

Em junho de 2010 o AFSOC recebeu o 12o C130H2 para conversão para o MC-130 Combat Spear. E agora receberão kits para serem usados também como gunship.

A USAF opera oito AC-130H Spectre e 17 AC-130U Spooky. Em abril de 2010 a USAF comprou 16 aeronaves C-130J por US$ 100 milhões cada para converter em AC-130J por mais US$ 100 milhões. O primeiro deve ficar pronto em 2017. O objetivo é substituir os modelo AC-130H e irá operar junto com os 17 modelos AC-130U que tem capacidade de acompanhar dois alvos. A autonomia do AC-130U é de seis horas sem reabastecimento em voo e com o AC-130J a autonomia será 40% maior. O AC-130J receberá canhões de 30mm e lançadores de mísseis Viper Strike e Griffin.


A USAF estudou a aquisição de uma versão artilhada do C-27J armada com canhões de 30mm.



A História dos "Gunships"

O conceito de armas de disparo lateral é antigo. A manobra "pylon turn", com uma aeronave em giro para esquerda ao redor de um ponto de referência permite atacar um alvo no solo com grande precisão. Em 1927, um piloto do US Army tentou convencer seus superiores da idéia de arma de disparo lateral para o serviço. Um biplano DH-4 com uma metralhadora .30 foi usada com algum sucesso. Foi testado novamente em 1939 sem sucesso em convencer os superiores.

A primeira vez que as aeronaves canhoneiras foram usadas foi para realizar Interdição Aérea, ou o uso de força para diminuir ou retardar o fluxo de suprimentos e tropas para continuar suas operações. Pode ser Interdição Tática com aeronaves de ataque ou Interdição Estratégica com bombardeio pesado e bloqueio naval. Estas operações farão parte constante das histórias dos gunships.

No teatro do Pacífico, os japoneses usavam navios para levar suprimentos e tropas para as ilhas da região. Os EUA usavam caças e bombardeiros leves para atacar estes navios, mas as bombas eram imprecisas e as metralhadoras eram precisas, mas pouco potentes. Em 1943, uma aeronave de ataque A-20 com quatro metralhadoras de 12,7mm no nariz mostraram ser suficientes para afundar um navio mercante. Logo um B-25D com 11 metralhadoras de 12,7 mm (quatro no nariz, quatro nas laterais e três atrás do compartimento de bombas) foi adaptado para a função anti-navio. Na batalha do mar de Bismark, 12 mercantes e 10 escoltas japonesas foram afundadas com as metralhadoras dos B-25. Assim nasceu o conceito de "gunship" com os B-25G/H/J e o A-26 sendo produzidos em massa para a função.

A Interdição noturna não existia na Segunda Guerra Mundial e foi testado na Guerra da Coréia com o uso do SHORAN (Short Range Navigation) que usava dois feixes de radar para guiar a aeronave e receptores radar para a aeronave se guiar até os radares inimigos. Foram usados os bombardeiros leves B-26 armados com oito metralhadoras de 12,7mm nariz e seis nas asas. Atuavam como dupla caçador-destruidor (hunter-killer). O caçador buscava as luzes dos comboios e o outro atacava. Após o ataque trocavam de função. Os B-26 tinham grande autonomia e carga e eram adequados para a missão. Os AC-47 seriam uma ótima arma contra as tropas norte coreanas, mas a USAF sequer considerou esta aplicação.

Durante a Guerra do Vietnã os B-26 voltaram a atuar para dar Apoio Aéreo Aproximado para as tropas em terra. Como tinham dificuldade para encontrar os guerrilheiros na selva a noite a resposta foi o uso dos cargueiros C-47 armados.

O conflito do Vietnã gerou vários estudos sobre armas de apoio aéreo aproximado. O problema era a proximidade das tropas amigas das tropas inimigas durante os combates e as defesas dos outspots. O uso dos jatos piorou ainda mais o problema. O uso de aeronaves "gunship" foi sugerido pelo Coronel G. C. McDonald. McDonald já tinha sugerido usar metralhadoras de 12,7mm de tiro lateral contra submarinos em 1945 e propôs instalar uma "bazuka" em aeronaves de observação para disparo lateral. A proposta de 1961 também não convenceu. Em 1962, lembrou de uma história de mercenários que faziam um pilão para direita para lançar suprimentos e junto com um engenheiro da Bell obteve aprovação para realizar alguns testes.

As desvantagens do tiro direto são várias. A aeronave pode perder a mira durante a pontaria e o disparo, e depois pode perde o alvo durante a fase de reataque, em várias passadas. Durante as missões de apoio aéreo aproximado as aeronaves já costumam rodear o alvo antes de atacar ou enquanto esperam a vez. No pilão a mira é continua. Os problemas são a balística, dispersão, habilidade de tiro lateral, e o tempo de transição do vôo nivelado para o pilão.

Foram várias tentativas de mostrar o conceito e assim nasceu o projeto Tailchaser. Foram realizados testes com um T-28 e um Convair (A)C-131B (versão militar do Convair 240/340) com uma marca de cera no pára-brisa do piloto sendo usada como mira. O sistema mostrou que uma aeronave poderia rastrear um alvo de ponto e área, em curva de pilão e os alvos podiam ser mantidos facilmente na mira. Um C-131 recebeu uma mira estabilizada e câmeras para simular armas. O projeto atrasou devido a baixa prioridade e a falta de financiamento. O primeiro teste foi em 1964. Um novo piloto com experiência no Vietnã foi usado que propôs cenários reais.

Os testes com armas reais foram aprovados no fim do ano de 1964 e autorizado o uso de uma metralhadora Gatling de 7,62mm em casulos SUU-1A/A. Os testes foram realizados ainda em 1964 com muito sucesso. Os disparos foram feitos a uma altura de 150m a 1000m, a uma distância de 600m a 3000m, com rajada de um segundo. A aeronave conseguia atingir vários disparos em alvos de 3m a 1,5 metros. Vinte e cinco manequins foram dispersos em 3/4 de acre. Em rajada de três segundos foram 19 acertos. O projeto passou a se chamar Gunship I com fundos próprios e alta prioridade.

Ainda em 1964 foram feitos testes em um C-47 e logo adaptado em um C-47 no Vietnã do Sul. A aeronave usava uma mira Mark 20 mod 4 do A-1 Skyraider. A aeronave levava 24 mil tiros calibre 7,62mm e 45 flares para iluminar os alvos a noite. Com três miniguns podia disparar até 18 mil tiros por minuto. Os pilotos convocados acharam a idéia ridícula. A aeronave foi designada FC-47 (caça cargueiro) e depois de reclamações dos pilotos de caça passou para AC-47D. Os pilotos de caça acharam injusto chamar um C-47 de caça só por receber armamento.

O AC-47D foi logo apelidado de "Puff" devido a um dragão de uma canção infantil. As traçantes lembravam o que seria as chamas do dragão. O nome Spooky apareceu em 1966 no primeiro esquadrão operacional. Os AC-47D voavam a noite protegendo vilas e cidades. O sucesso levou a dezenas de conversões. Com a falta de casulos de metralhadoras Minigun foram usadas metralhadoras .30. As 10 metralhadores tinham razão de tiro de 6000 tiros/minuto e travavam com freqüência e por isso foram usados por curto período.

As missões principais eram defesas de bases e vilas. Os AC-47 atuavam como uma força de reação rápida em caso de ataque. As perdas foram altas devido a inexperiência dos pilotos, vôo noturno, mau tempo, peso acima do normal e fogo inimigo. O problema piorou quando foram enviados para interditar a trilha Ho-Chi-Min, enfrentando metralhadoras e canhões antiaéreo pesados e as vezes mísseis guiados por radar. Foram retirados do local após a rápida perda de seis aeronaves. A trilha passou a ser atacada pelos B-26 e B-57 até a chegada do AC-130.

Os AC-47 sempre tiveram ajuda de outras aeronaves. A grande autonomia permitia ser usado para lançar flares ou ser usado como controlador aéreo avançado - FAC(A). Os AC-47 também ajudaram a patrulhar o Delta do Rio Mekong junto com os OV-10 da US Navy. Nas operações psicológicas os AC-47 voavam junto com cargueiros C-47 equipados com alto faltantes. As aeronaves avisavam que não era para o inimigo atirar. Se recebiam fogo, os AC-47 que orbitava atrás respondia ao fogo. Já os EC-47 eram usados para detectar os rádios dos guerrilheiros e chamava outras aeronaves como o AC-47 para atacar o local.

Ao apoiar as tropas em terra a noite o alvo era marcado com uma seta luminosa no chão formada por tochas ou disparos de traçantes na direção do inimigo. Os AC-47 voavam a mais de 1000 metros de altura acima do solo. Disparavam dois dos três canhões de cada vez com um sempre de reserva. Primeiro disparava uma rajada curta para conferir se era o alvo correto. As rajadas tinham uma munição traçante em cada cinco tiros. Os flares planavam entre 10 a 15 minutos. A aeronave levava 24 mil trios de 7,62mm e 45 flares.

O desempenho dos AC-47 foi considerado fenomenal. As aeronaves realizaram mais de 150.000 missões defendendo mais de 6.000 bases ou vilas sendo que nenhuma foi tomada em cinco anos de operações. Oficialmente foram convertidos 53 aeronaves C-47 sendo que 47 foram deslocados para o Sudeste Asiático. Os guerrilheiros capturados eram questionados sobre as armas que mais temiam e as armas mais citadas eram o AC-47 e o B-52. Os AC-47 voaram até 1969 e foram substituídos pelos AC-130 e AC-119G/K. Dezoito foram transferidos para a Força Aérea do Vietnã do Sul.

Outro país que opera aeronaves Gunship atualmente é a Colômbia com seus AC-47T Fantasma. A Força Aérea Colombiana (FAC) percebeu a importância das aeronaves gunship devido a autonomia e capacidade ofensiva, podendo defender uma área por horas o que não é possível com um caça. A FAC recebeu seu primeiro BT-67 modernizado em 1991 e pretende ter uma frota de 10 aeronaves. O nono deve ser recebido ainda em 2007. A aeronave está equipada com FLIR e três metralhadoras de 12,7mm de tiro lateral. Os Fantasmas operam a noite e são difíceis de ver e ouvir. A tripulação consiste do piloto, co-piloto, navegador e três armeiros. Cada armeiro opera uma das metralhadoras. A aeronave também pode lançar sinalizadores para outras aeronaves. As aeronaves operam em uma altitude de 4 mil pés acima do terreno e tem uma autonomia de cinco horas. O AC-47 foi utilizado também pela Tailândia e antes da USAF testar a aeronave a França realizou testes com um Nord 2501 Noratlas com dois canhões de 20mm de tiro lateral.


Um AC-47D circula o alvo com a marca das traçantes indicando a trajetória dos projéteis. As traçantes só são usadas para demonstração.


Um AC-47 atuando no Vietnã do Sul.

Gunship II

Experiência com o AC-47 logo levou ao requerimento de uma nova aeronave canhoneira. Operações na trilha Ho-Chi-Min mostraram que precisava de mais alcance, armas mais pesadas e maior blindagem. A capacidade de operar a noite seria fundamental. Assim foi iniciado o projeto Gunboat onde foi considerado o uso do C-97 Stratofreighter, o C-130 Hercules e o C-119 Flying Boxcar. Foi sugerido uma forma mista de dois esquadrões de AC-47, dois de AC-119 e um de AC-97(X). O AC-97(X) seria a aeronave pesada, mas os trabalhos de conversão e dificuldades de manutenção cancelaram o projeto. Assim o C-130A foi o escolhido para a versão gunship pesada do projeto Gunboat.

O próximo projeto de aeronave canhoneira da USAF foi o AC-130 baseado na aeronave de transporte C-130 Hercules. Seria o irmão maior do AC-47 com sistemas sofisticados de visão noturna, mais rápido e com maior carga e alcance. O projeto foi chamado de Gunship II, pois Gunboat estava associado com navios, e foi apelidado de Super Spooky. A aeronave estava armada inicialmente com quatro metralhadoras XMU-470 Minigun de 7,62mm como armamento secundário, quatro canhões M61 de 20mm como armamento primário, sensor Starlite, um sensor IR primitivo, computador balístico e farol de busca de 20kW. A aeronave recebeu blindagem no piso e ao redor das caixas de munição.

O AC-130 foi testado em combate em setembro de 1967. O objetivo do projeto era criar uma aeronave para interditar a trilha Ho-Chi-Mim. Na primeira missão logo detectaram seis caminhões que foram destruídos em 15 minutos. Apenas um tiro de 20mm podia parar um caminhão. Os canhões sempre disparavam na cadência mínima de 3.000 tiros por minuto. O FLIR mostrou ser extremamente eficiente para detectar o calor de um veículo na floresta densa. Era uma ótima medida defensiva, pois podia detectar os canhões antiaéreos em terra antes de dispararem.

No total foram produzidos nove AC-130A e chamados Pave Pronto. O projeto Surprise Package armou as aeronaves com dois canhões de 40mm no lugar dos dois canhões de 20mm e duas metralhadoras de 7,62mm foram retirados. Também recebeu um sensor de TV de baixa luminosidade (Low Level Light TV - LLLTV) General Electric ASQ-145, um designador e telemetro laser Konrad AVQ-18 e um rastreador de beacon APQ-133. Outras cinco aeronaves receberam o detector de emissões AN/ASD-5 Black Crow. Os norte vietnamitas foram pegos de surpresa, pois não podiam mais se esconder do FLIR e LLTV e não sabiam o que fazer.

As limitações do AC-130A levou a conversão de 11 aeronaves C-130E em AC-130E no programa Pave Spectre I com as mesmas capacidades do Pave Pronto. As aeronaves também receberam mais blindagem, combustível, munição e novos sensores. O conforto melhorou com a rampa fechada usada pelo observador traseiro e a instalação de uma bolha de observação traseira.

A ameaça da artilharia antiaérea na trilha logo levou a estudos para a instalação de uma arma de maior alcance. Também precisavam de uma arma maior para ser usada contra blindados pesados, casamatas e pontes. A munição de 40mm também mostrou ser incapaz de destruir um caminhão carregado de arroz se atingir a carga de arroz. Foram estudados os canhões sem recuo de 57mm e 106mm e rejeitados. O escolhido foi o obuseiro M-102 de 105mm montado no lugar de um dos canhões de 40mm. Inicialmente ficava em posição fixa, mas depois passou a ser conteiravel. O primeiro teste foi em 1972 no programa Pave Aegis. No mesmo ano todos as dez aeronaves restantes foram modernizadas para o padrão "H" junto com os cargueiros no programa Pave Spectre II e chamadas AC-130H. As aeronaves também receberam o FLIR AAD-7, o radar APN-59B com capacidade de detectar alvos móveis em terra (MTI), um HUD AVQ-21, novo sensor de LLTV ASQ-145(V) com laser, um radar beacon APQ-150 que busca radares da banda I, um detector de ignição de motores ASD-5, um lançador de flares SUU-42, farol de busca e contramedidas ALE-20.

Durante o conflito no Vietnã os Super Spooky realizavam reconhecimento armado noturno, apoio aéreo aproximado noturno, controle aéreo avançado aerotransportado noturno e diurno, lançamento de flares (flareship), iluminação de alvos com laser, interdição noturna, caça carros de combate (tank killer) e restransmissão de dados. Nas missões de controle aéreo avançado aerotransportado tinham o código de chamada Blind Bat. Marcavam alvos em terra com o flare e traçantes que eram atacados pelos F-4D de escolta. Os principais alvos eram a artilharia antiaérea. Foi estimado que destruíram cerca de 10 mil caminhões na trilha Ho-Chi-Min no Laos. A tática contra comboios era atingir o primeiro e o último veículo do comboio para parar todo o comboio. Depois atacava os outros veículos que não conseguiam mais fugir.

Na ofensiva de 1972, os norte vietnamitas atacaram o sul com 600 carros de combate. Os AC-130 apoiaram os combates nas ruas da cidade de An Loc. De dia iluminava os alvos com laser para ataques de caças F-4E com bombas guiadas a laser. A reação dos vietnamitas foi usar mísseis SA-7. Três AC-130 foram atingidos e dois derrubados. A altitude de operação aumentou e os canhões de 20mm se tornou inútil só disparando os canhões de 40mm e 105mm. No total foram três AC-130 perdidos no Vietnã. Um para artilharia antiaérea, um para um SA-7 e um AC-130E no Laos para um SA-2. Um AC-130H foi perdido em 1991 no Golfo por um SA-7. Durante a incursão na prisão de Son Tay, os AC-130 fizeram vigilância nos arredores e atacariam possíveis reforços que se dirigissem ao local.

Após o conflito do Vietnã o AC-130 continuou a participar de várias operações militares. Durante as operações de resgate dos reféns americanos na embaixada americana em Teerã, os AC-130 seriam responsáveis pela tomada de uma pista de pouso, dariam apoio aéreo ao redor da embaixada e sobrevoariam o aeroporto local para evitar que os F-4 em alerta decolassem.

Em 1983, um AC-130 pegou um Sniper no aeroporto de Granada antes dos pára-quedistas serem lançados. Também fez supressão das defesas antiaéreas no local e reconhecimento da pista. Outra missão foi atacar postos de comando e centros de comunicações.

Na batalha de Khafji no Golfo em 1991, os AC-130 foram chamados para caçar os blindados que invadiram a cidade. Um AC-130 foi chamado pelo AWACS devido a chegada do dia e o piloto respondeu que ainda havia vários alvos para serem destruídos. Logo depois a aeronave foi derrubada por um míssil SA-7 confirmando a tática de não operar de dia. Outra missão no Golfo foi defesa das bases contra infiltração por terra. Entre os dias 18 e 21 de janeiro os AC-130 caçaram mísseis Scud dentro do Iraque. Uma aeronave evadiu um míssil SAM e o piloto danificou a estrutura da aeronave durante as manobras evasivas.

Em 1993, nas operações na Somália, os AC-130 fizeram apoio aéreo aproximado. Não estavam disponíveis durante a batalha de Mogadíscio e podiam ter feito a diferença nos combates.

Nos conflitos da Bósnia na década de 90 os AC-130 fizeram interdição aérea ao redor de Seravejo. Os guerrilheiros locais usavam as montanhas ao redor para atacar civis na cidade.

Durante a invasão do Afeganistão em 2001, os AC-130 foram usados para apoiar as tropas em terra. Um história das operações cita que dois AC-130 mataram entre 2 a 4 mil tropas em uma noite em uma cidade. Foram usados com sucesso junto com os UAV Predator que enviavam imagens direto para a aeronave. O uso do Predator mostrou ser uma ótima combinação para combates urbanos. O Predator foi usado para reconhecimento de rota, proteção de força, identificação positiva dos alvos e pode atacar alvos com seus mísseis Hellfire. Foi usado como olho extra e arma extra para o AC-130 complementando um ao outro.

Durante a invasão do Iraque em 2003 os AC-130 fizeram reconhecimento armado, interdição e apoio aéreo junto com os AV-8B do USMC e A-10 da USAF. Ajudaram a tomar uma plataforma de petróleo apoiando forças especiais britânicas e americanas no dia 20 de março. Em outra ocasião um P-3C chamou um AC-130 para atacar embarcações de patrulha no rio Tigre. Como ocorreu no Vietnã, os AC-130 foram chamados para ajudar postos avançados sob ataque. Uma lição dos USMC após o conflito era ter uma frota de AC-130 de tão bom que foi considerado seu desempenho para apoio aéreo. Os AC-130 continuaram a usar as táticas de receber vídeos dos UAV Predator já usadas no Afeganistão. Em uma missão os F-16 atacariam o prédio do partido Baath com quatro GBU-12. Um AC-130 voaria ao redor para pegar que fugisse. O prédio foi demolido pelas bombas e o AC-130 não foi necessário.

Gunship III

A USAF sempre desejou trocar seus AC-47 pelo AC-130, mas os C-130 eram muito mais necessários para missões de transporte e tiveram que achar uma alternativa. Queriam uma aeronave mais rápida, com melhor alcance e carga. A operação do AC-47 logo mostrou que uma aeronave de asa alta seria menos problemática. Outro requisito seria a instalação de melhores sensores para atuar a noite. As armas do AC-47 também eram fracas para a missão de Interdição Aérea. A escolha óbvia seria o C-119. Os estudos do AC-119 considerou a instalação de uma torreta de canhão Vulcan de 20mm abaixo da fuselagem, com canhões Mk30 e até com canhão sem recuo de 57mm. Outra proposta era usar um B-47 com armas no compartimento interno de armas. O contrato de 1968 considerava a conversão de 26 C-119G para apoiar tropas e 26 C-119K para atuar como caça-caminhão (truck killer).

O AC-119G Shadow levaria um holofote de luz xenon AVQ-8 de 20kW, um sensor Starlite Night Observation Sight (NOD), lançador flare LAU-74A flare e um computador balístico. Os sistemas defensivos incluíam um sistema de alerta radar APR-25 e APR-26 além de blindagem de cerâmica. As aeronaves foram armadas com quatro metralhadoras Minigun SUU-IIA/IA contra três do AC-47. No fim das operações estavam equipados com o módulo MXU-470 próprio para as aeronaves gunship. O NOD mostrou que podia ser atrapalhado pela munição traçante das Minigun. O AC-119G levava 31.500 tiros e 24 flares.

Nas missões de reconhecimento armado os AC-119G voavam a 150 metros com o NOD sendo usado para detecção de alvos. Depois passou a usar os flares. Ao detectar um alvo passava a voar mais alto e atacava com um a quatro Minigun. O alcance da munição de 7,62mm não permitia que voasse acima de 700m acima do solo.

Uma missão famosa foi a proteção do campo de Dak Seang em 1968. O Vietcong levou artilharia antiaérea pesada para o local e três C-7 Caribou foram derrubados. Com apoio dos Shadow resolveram lançar suprimentos a noite com apoio de flares de luz xenon. A aeronave sobrevoaria ao redor caso a artilharia abrisse fogo. Os Caribou passaram a lançar suprimento a noite com pára-quedas. As luzes eram ligadas na hora do lançamento pois chamava as traçantes inimigas e só podia ficar ligado por alguns segundos. A operação funcionou por três semanas sem perdas de Caribou.

O AC-119K Stinger era o modelo AC-119G com mais dois canhões Vulcan, radar de acompanhamento do terreno AN/APN-147, FLIR Texas Instruments AN/AAD-4, beacon Motorola AN/APQ-133 e radar de busca Texas Instruments AN/APQ-136 com capacidade de detectar alvos móveis. No fim do conflito foram retirados as Minigun para levar mais munição para os canhões que já levava 4.500 tiros e 31 mil tiros de 7,62mm. Os canhões mostraram ser bem melhores para caçar caminhões enquanto as Miniguns eram melhores para proteger outspots. Os canhões de 20 mm mostraram ser bons contra caminhões mas indadequados contra carros de combate leve. Mesmo assim, no dia 28 de fevereiro de 1971 foram usados contra oito blindados PT-76 que apoiavam uma ofensiva do Vietnã do Norte no Laos destruindo todos os blindados.

Os AC-119K voaram 175 missões por dia ou 200 mil até março de 1970. Nos vôos sobre o Laos os F-4 faziam supressão de defesas e escolta aérea. Eram realizados uma média de seis saídas de escolta por noite.

Os AC-119K atuaram junto com os OV-1 MoaHawk do US Army em equipes "Hunter-Killer" na trilha Ho-Chi-Min. Os dois já voavam no mesmo local procurando alvos e pensaram em atuar junto. Os testes foram realizados entre abril e maio de 1970. Destruíram 60 de 70 caminhões e era 60% do esperado se operassem sozinhos. A coordenação também era bem simples. A tática não foi levado adiante pois os serviços queriam todo o crédito pelos resultados.

No fim de 1969 havia 16 AC-119G e 12 AC-119K operando a partir de cinco bases no Vietnã do Sul. Os dois modelos foram retirados de serviço em 1971 e alguns transferidos para o Vietnã do Sul.

Outros Programas

O programa NC/AC-123K Black Spot seria para testar uma aeronave para busca e ataque para interditar a trilha Ho-Chi-Min, mas sem usar canhões. O projeto foi iniciado em 1965 para uma aeronave de reconhecimento, ataque e interdição noturna. As aeronaves do projeto receberam o radar do F-104J com capacidade de detectar alvos móveis e logo atrás do nariz foi instalado uma torreta com sensores FLIR, LLTV e laser, um sistema de navegação avançado e sensores IR. A aeronave tinha um computador de lançamento de armas e recebeu um compartimento interno de armas. O compartimento de carga traseiro recebeu uma caixa com até 36 lançadores. Cada lançador receberia uma bomba em cacho. Dependendo do tipo de bombas poderiam ser 2.600 a 6.300 submunições. Os lançadores podiam ser alijados em caso de emergência.

O projeto ficou pronto em 1968 e foi logo enviado para a Coréia do Sul para detectar infiltração de pequenas embarcações rápidas da Coréia do Norte. O maior problema nestas missões era a identificação que na maioria era de embarcações amigas. A aeronave voou 28 missões sem sucesso. Logo foi enviada para o Vietnã no mesmo ano. A aeronave teve problemas com o FLIR que não girava a menos de 45 graus, a floresta atrapalhava e o computador só funcionava a até 1.700m ou bem dentro do alcance da artilharia antiaérea. Nos testes as duas aeronaves destruíram 151 veículos/embarcações, danificaram 108 e foi observado explosão secundária em 261 alvos. Foi testado até 1969 em 186 missões atacando cerca de 700 caminhões e 75 sampanas no Delta do Mekong. Foi admitido um sucesso de 50%. As aeronaves receberam novas contramedidas eletrônicas e voaram até 1970. Foi considerado um bom resultado pois nunca foi pensado para uso operacional.
AC-123K.

Outro projeto da USAF foi o programa Pave Gat que consistia na instalação de três canhões de 20mm em um bombardeiro B-57G Tropic Moon/Night Intruder. A aeronave não foi usada operacionalmente.

Em 1966 a 1967 a US Navy se interessou em uma aeronave de interdição para usar na rede de estradas e canais no sul do Vietnã. A aeronave iria auxiliar as embarcações de patrulha fluvial e os OV-10 e aproveitaria a tecnologia usava pelos Gunships da USAF. A aeronave escolhida foi o P-2 Neptune que estavam sendo substituídos pelos P-3 Orion. Em 1967, quatro SP-2H foram convertidos com a instalação de metralhadoras Minigun no compartimento interno de armas. As aeronaves eram chamadas de AP-2H Napalm Nellie. O nome oficial do programa era TRIM (Trail an Road Interdictor, Multisensor). No lugar do MAD foi instalado uma torreta com dois canhões de 20mm e apontador por um sensor Starlite de intensificação de imagem. Um radar de busca APQ-92 foi instalada no radome de observação no nariz além de uma torreta com FLIR e LLTV. Um radar de visada lateral SLAR do OV-1 Mohawk foi instalado atrás da raiz das asas. Depois recebeu um sensor Black Crow, sensor IR e computador balístico. Os cabides foram armados com casulos com Miniguns e um par de bombas Mk-82 e Mk-77. Um lança-granadas de 40mm foi instalado posteriormente no compartimento interno de armas. As quatro aeronaves voaram cerca de 200 missões entre 1968 e 1969 no Delta do Mekong e na trilha Ho-Chi-Min e depois retirados de serviço.

Outra aeronave usada pela US Navy era o OP-2E. Não operavam armados, mas atuavam em conjunto com outras aeronaves armadas. Eram usados para lançar sensores na trilha Ho-Chi-Mim. Para autodefesa estavam equipados com dois casulos com metralhadoras Minigun. Foram doze aeronaves usadas no projeto Igloo White para disseminar sensores acústico e sísmicos ADISD na trilha. Os sensores eram ativados por caminhões passando próximos. As aeronaves foram substituídas pelos F-4D Phantom. O sucesso foi duvidoso pois os vietnamitas encontravam os sensores e colocavam motores próximos com as aeronaves americanas atacando alvos falsos e as vezes caindo em armadilhas.

Em 1969, o USMC iniciou seu programa de interdição noturna. O programa foi chamado de NOGS (Night Observation GunShip) para uma aeronave de controle aéreo avançado e interdição noturna baseado em um OV-10 Bronco com uma torreta com sensor FLIR e telêmetro laser no nariz, e armado com um canhão XM-197 de 20mm de três canos em uma torreta ventral. O canhão podia ser apontado pela torreta e girava 360 graus enquanto a torreta só apontava para o setor frontal. A torreta podia iluminar alvos com o laser para ataque por outras aeronaves como o A-6 Intruder e F-4. Duas aeronaves foram testadas e aceitas em 1970. Os testes em combate no Vietnã foram entre 1971 e 1972. Não se tem detalhes do desempenho. O contrato só cobria a instalação dos sensores e não receberam o canhão. Outro teste usou uma torreta com Minigun.

O projeto Credible Chase consistia na conversão de um monomotor Pilatus PC-6 Turbo Porter em uma família de mini-gunships para venda para outras nações. A aeronave era chamada de AU-23A Peacemaker. O armamento consistia em um canhão XM-197 de 20mm com três canos ou 1-2 metralhadoras MXU-470 Minigun na porta esquerda. Dezessete foram construídos e 12 entregues para a Tailândia. A aeronave também podia levar bombas e foguetes em quatro cabides nas asas.

Outro mini-Gunship foi o AU-24A Helio Courier baseado no H550 Stallion com motor PT6A. Quinze foram vendidos para o Camboja para serem usados contra o Khmer Vermelho. A aeronave também tinha cabides nas asas.

O menor gunship de todos foi o Little Brother que seria um O-2A convertido com uma metralhadora M-60 de tiro lateral. O projeto foi logo cancelado por considerarem que seria muito vulnerável. Os pilotos dos O-2A gostaram da idéia pois estavam cansados de só ficar olhando a ação e não poderem reagir.


Pave Spectre III

Em 1987 a Rockwell recebeu um contrato para substituir os AC-130A com o programa Pave Spectre III. Treze C-130H novos foram convertidos para o padrão AC-130U Spooky por US$ 72 milhões cada. As aeronaves receberam nova blindagem, comunicação por satélite, novos ECM, sensores de alta resolução ALLTV (All Light Level Television), novos sensores AAQ-26 Infrared Detection Set (IDS) e um novo radar APG-180 (baseado no APG-70 do F-15E), melhorando a capacidade de operar em qualquer tempo e com capacidade de atacar dois alvos simultaneamente com dois sensores diferentes a uma distância de 1 km um do outro. Os sistemas defensivos também foram atualizados. Os canhões de 20 mm foram substituídos por um canhão de GAU-12 de 25mm com uma razão de tiro de 1.800 tiros por minuto. O radar tem capacidade de acompanhar os projéteis de 40 mm e 105mm e ajustar o ponto de impacto. Os AC-130U são apelidados de "U-Boats".

O AC-130U tem treze tripulantes: piloto, co-piloto, navegador, oficial de controle de tiro, oficial de guerra eletrônica, engenheiro de vôo, operador de TV, operador do sensor IR, quatro artilheiros.
O sistema de contramedidas infravermelho Nemesis DIRCM foi instalado em 59 aeronaves de operações especiais da USAF. O DIRCM atua junto com outros sistemas de auto-proteção e atua com um laser de alta potência queimando os sensores infravermelho dos mísseis superfície-ar que são detectados após o lançamento.

A variedade de armas do AC-130 permite escolher as armas de acordo com o alvo e ameaça. Os canhões de 20 mm têm alcance de 3.000m e são usados mais para supressão. Um AC-130H leva 3 mil tiros de 20mm. O canhão L60 de 40 mm tem alcance maior e leva 256 munições perfurante ou incendiária de 900g que podem ser disparados a 100 tiros por minuto. Já o canhão de 105 mm permite bater alvos a distâncias ainda maiores com munição com espoleta de atraso, proximidade e fumaça. São levados 100 tiros sendo 10 de fumaça que podem ser disparados a uma razão de 6 a 10 tiros por minuto. A aeronave também leva 360 chaff e 240 flares. Outros 24 marcadores de fumaça marítimos podem ser lançados. As munições não usam traçantes para não denunciar a posição da aeronave. A carga total de munição chega a 3.600kg. Os AC-130 estão operando frequentemente a grande altitude e atirando em alvos a maiores distâncias. O resultado está sendo uma menor precisão e mais tempo sobre o alvo, com maior risco de danos colaterais.

A USAF está estudando a instalação de mísseis no AC-130. O programa Killer Hercules de 2003, ou "Killer Herc", foi realizado pela US Navy para uso do Hellfire e controle de UAV. O Hellfire foi testado em um C-130A civil contratado com um lançador quádruplo M-299. Os estudos da instalação do Hellfire datam de 1991-1992.

Já os estudos para instalar a munição guiada Viper Strike no AC-130U foram iniciados em 2004. A munição tem alcance de até 50km com apoio do GPS. O guiamento terminal é por laser e pode atacar alvos móveis. O contrato é de US$ 22 milhões e pode ser adicionado mais US$ 48,6 milhões.

A modernização mais recente do armamento foi iniciada em 2005 e consiste na instalação de um canhão Mk 44 Bushmaster de 30mm para substituir o GAU-12 de 25mm e o L60 de 40mm. A munição é a mesma usada pelo A-10. O canhão foi desenvolvido para o novo veículo anfíbio do USMC. A razão de tiro é de 200 tiros por minutos e pode levar munição de explosão aérea (airburst). O Bushmaster deve ser instalado nos 13 AC-130U e deve equipar futuramente os oito AC-130H. O canhão leva 160 tiros que podem ser recarregados em 40-50 segundos. O canhão permite atingir alvos com precisão a partir a até 7 mil metros de altura.

Em 2005 os AC-130 tiveram os sensores ALLTV substituídos pelo GMS2 (Gunship Multi Spectral Sensor) com um sensor infravermelho de Terceira Geração com intensificador de imagem de TV e designador e telêmetro laser. Os sensores são derivados do Hawkeye Target Sight System do AH-1Z Cobra.

Os AC-130 voam cerca de três vezes mais que os C-130 de transporte e estão sofrendo grande fadiga. Devem trocas as asas e outras partes. Mais quatro AC-130U foram comprados para evitar a diminuição da frota.

As missões atuais do AC-130 são apoio aéreo aproximado, interdição aérea e reconhecimento aéreo. Outras tarefas secundárias são defesa de ponto e perímetro, escolta de comboios e helicópteros, apoio de pouso de assalto, lançamento e extração de zona, controlador aéreo avançado aerotransportado (FAC(A)), Comando e Controle limitado e busca e salvamento de combate (CSAR).

Os AC-130 operam em cenários de baixa intensidade e em algumas operações de média intensidade a não ser que ditado o contrário. Dependendo do cenário podem receber apoio de caças para supressão de defesas, escolta e ataque com munição guiada de precisão.
O AC-130 ataca sempre a noite e mesmo assim está se tornando vulnerável aos mísseis portáteis com mira de visão noturna (vide a silhueta de um AC-130 no meio da imagem acima tirada de um óculos de visão noturna). Em uma missão em 1991 um AC-130 foi ordenado voltar para a base devido ao amanhecer. O piloto se recusou e logo depois foi derrubado.

Montagem do GAU-12 de 25mm. Uma torreta FLIR também está visível a frente do trem de pouso.

Os canhões de 25mm e de 40mm dos AC-130 estão sendo substituídos pelo Bushmaster de 30mm.

Imagens do FLIR de um AC-130U enquanto caçava guerrilheiros no Afeganistão.

A US Navy testou o Hellfire disparado do C-130 no inicio da década de 90.

Corte interno do AC-130U.


B/KC-390

O uso de aeronaves de transporte para lançar bombas é mais comum do que se imagina. Na Segunda Guerra Mundial os C-47 foram usados para lançar bombas em várias ocasiões. A cópia japonesa do C-47 tinha uma versão de bombardeiro e os alemães usaram as aeronaves de transporte AR-232 e JU-52/89/188/290 para lançar bombas. Em 1948, Egito e Israel usaram suas aeronaves de transporte como "cargo bomber".

Durante o conflito da Indochina, 30 aeronaves de transporte C-119 Flying Boxcar foram modificados para lançar napalm. Eram pilotados por americanos e participaram do cerco a Diem Bien Phu.

Durante a Guerra da Coréia os C-47 foram usados para lançar pregos nas estradas em Piongyang para parar os caminhões que trafegavam na estrada.

A Índia usou seus C-47, DHC-4 Caribou e An-12 como bombardeiros durante as guerras contra o Paquistão enquanto o Paquistão usou seus C-130 para lançar bombas durante o conflito de 1965. Os An-32 indianos receberam cabides em 1971, mas eram mais necessários para transporte.

Os C-130 americanos lançaram as bombas BLU-82 no Vietnã e ainda usam até hoje. Também lançaram bombas convencionais no Camboja durante o conflito do Vietnã. Em abril de 1968 iniciaram as operações Napalm Sunday com um C-130 para lançar tambores de Napalm a baixa altitude. Uma aeronave de controle aéreo avançado marcava o alvo com foguetes de fumaça e depois usava os mesmos foguetes para iniciar a combustão do napalm espalhado. Não fizeram reconhecimento depois para saber os resultados. Foram realizados setenta ataques e depois acharam arriscado e pois eram poucos C-130 para muitas demandas de missões de transporte.

Durante a Guerra das Malvinas, um C-130 argentino atacou um petroleiro britânico ao norte da zona de exclusão. O petroleiro Hercules foi atacado duas vezes sem sucesso. Em outra ocasião um C-130 lançou oito bombas contra o petroleiro Wye quando ia para as Malvinas a 1000km da costa argentina. Uma bomba acertou a proa, mas não detonou. Os britânicos tiveram que mudar as suas rotas marítimas para as ilhas.

Exemplos recentes foi a proposta da empresa IAI israelense para instalar as bombas guiadas Lizzard nos An-72 ucranianos. O Sudão usou o An-24 para lançar bombas, napalm e bombas em cacho. Os P-3 da US Navy lançaram bombas no Afeganistão e atualmente os Boeing 747 estão sendo armados com um laser potente. As aeronaves de transporte russas IL-76MD tem dois cabides em cada asa, cada um com capacidade de levar 500kg. São raramente usados por serem altos e difíceis de usar.

Um C-130 argentino armado com bombas durante o conflito das Malvinas.

Transporte-bombardeiro

Uma aeronave de transporte adaptada para bombardeiro terá várias limitações que a impedem de substituir aeronaves especializadas. O B-2 tem capacidade de penetrar em qualquer defesa enquanto uma aeronave de transporte ficaria limitada ao espectro de alvos menos defendidos, mas a capacidade do B-2 não é necessária em todos os cenários.

São questões orçamentárias e operacionais que forçam o uso de uma força mista. Ao realizar uma missão de bombardeiro as missões de transporte também não devem ser prejudicadas. Na falta de uma aeronave dedicada ou com a mesma capacidade as aeronaves de transporte podem ser uma opção.

Os bombardeiros realizaram quatro tipos de missões principais:

- Supressão de infra-estrutura que são relativamente poucas.
- Parar um exército invasor. As defesas são relativamente fracas, mas os alvos são numerosos.
- Derrotar as defesas aéreas inimigas. São as bases aéreas, mísseis SAM, centros de comando e logística. São poucos alvos, mas muito bem defendidos.
- Atacar alvos móveis críticos como mísseis balísticos e centros de comando móveis. São alvos difíceis de encontrar.

Os 68 bombardeiros B-52 que participaram da Guerra do Golfo em 1991 voaram 1600 saídas e lançaram 72 mil bombas ou 42% de todas as bombas lançadas pela USAF e 30% de todas as bombas lançadas na guerra. Tinham um grande RCS e por isso ficou fora dos ataques iniciais e só atacando alvos mais difíceis depois das defesas serem enfraquecidas. A principal missão foi atacar as tropas em terra na frente de batalha para preparar a invasão terrestre. A aeronave fazia ataques de saturação contra as posições inimigas. A coalizão enumerou 40 mil alvos de ponto durante o conflito e queriam 30% de atrito nas forças terrestres antes da invasão.

Uma aeronave transporte-bombardeiro não teria capacidade de penetração ou vôo a baixa altitude com outras aeronaves realizando as missões que precisam desta capacidade. As missões de penetração podem ser realizadas por mísseis cruise e as aeronaves de transporte já foram propostas para levar mísseis cruise como substituto do B-1A na década de 80. Um Boeing 747 levaria 72 mísseis cruise, mas a USAF preferiu modificar o B-52 para a missão. A vantagem do uso de mísseis cruise é que a parte complexa fica no míssil. A aeronave de transporte lançaria o míssil como se tivesse lançando uma carga qualquer. As poucas alterações seriam no sistema de Comando & Controle que pode incluir sistemas de comunicações avançados para indicação de alvos em tempo real. O uso de paletes facilita a adaptação dos aviônicos, armas e algum tipo de lançador.

A aeronave citada seria uma versão simples para disparar mísseis cruise. Uma versão de penetração do KC-390 já foi citada e poderia realizar missões de bombardeiro penetrante, mas ainda seriam missões de pouca complexidade ou lançar mísseis de longo alcance dentro do território inimigo.

Para lançar os mísseis existem várias opções:

- Lançadores externos em cabides. Podem ser baratos se a capacidade vier de fábrica. O KC-390 terá cabides para receber casulos de reabastecimento em vôo nas asas o que permitirá alguma capacidade limitada.
- Compartimento interno. O KC-390 não tem previsão para um compartimento com porta de carga abaixo da fuselagem.
- Lançamento manual. Pode ser o simples lançamento de cargas pela traseira ou o uso de um guincho para colocar a arma no fluxo de ar.

Uma proposta para lançar armas de uma aeronave de transporte-bombardeiro é o METS - Missile Ejection and Translation System proposto para o C-17. As armas são lançadas mais rapidamente com o uso de pressão ou meio mecânico para lançar direto no fluxo de ar. O problema é a necessidade de modificar a porta de carga por um lançador dedicado.

Uma aeronave arsenal baseada no C-130 foi proposta para ser o futuro bombardeiro americano para o projeto Global Long Range Strike de 2004. O C-130J Arsenal Ship cumpriria algumas das missões complementando uma força de bombardeiro com uma ou mais plataforma complexas. Atuariam em cenário de baixa ou média intensidade alvos fixos e móveis, táticos e estratégicos. Seria um multiplicador de força para liberar as aeronaves dedicadas preenchendo um espaço entre os caças e os bombardeiros. Teria maior carga, alcance e autonomia que os caças com menos necessidade de reabastecimento em vôo. A aeronave não teria capacidade de fazer supressão de defesas e nem levaria armas de longo alcance. No inicio de um conflito atacaria alvos fixos e depois cobriria um "kill box" onde realizaria apoio aéreo aproximado e controle aéreo avançado. O armamento proposto era de oito mísseis AGM-86 ou mais se for o JASSM.

Em 2005, a USAF estudou o uso do C-17 como um BC-17. A aeronave seria equipada com bombas JDAM que seriam disparadas em qualquer altitude. As bombas seriam instaladas em paletes e lançadas com auxilio de pára-quedas. Os estudos foram iniciados após o sucesso das operações dos AC-130 no Afeganistão a partir de 2001. Os oficiais superiores não gostaram da idéia, provavelmente por serem pilotos de caça. A aeronave seria um futuro substituto do AC-130 e também seria artilhada. Os britânicos acompanharam os estudos, pois gostaram da eficiência dos AC-130. A Airbus já pensou em instalar o míssil cruise Storm Shadow no A400M que poderia levar 20 mísseis.

Os Australianos estudaram a instalação do míssil cruise JASSM nos seus AP-3C Orion. O custo de integração cancelou a compra que agora só irá equipar os F/A-18A modernizados.

A RAF planejou adaptar o míssil cruise Storm Shadow nas suas aeronaves de patrulha Nimrod MRA4. A aeronave levaria cinco mísseis sendo dois em cada asa e um no compartimento de armas. O Nimrod tem um alcance de 10 mil km e apoiado por aeronaves de reabastecimento em vôo poderia cobrir todo o globo a partir de seis bases. A idéia surgiu após perceberem que o Tornado IDS tinha curto alcance mesmo durante a invasão do Iraque.

Em 2005, a RAF estudou a instalação de bombas guiadas por laser e GPS Paveway 4 nos seus Nimrod MR2 após o bom desempenho dos B-52 nas missões de apoio aéreo aproximado. A aeronave passaria a ter capacidade semelhante ao B-52 sobrevoando as tropas em terra durante longos períodos. Outro estudo indicou que o Nimrod MRA4 pode levar até 16 bombas guiadas JDAM de 500lb.

O Vickers VC-10 foi oferecido para a RAF como aeronave multimissão no inicio da década de 60. A aeronave realizaria missões de transporte de cargas e passageiros, reconhecimento marítimo, lançamento de mísseis balístico Skybolt e bombardeiro com 8 bombas de 454kg em um casulo em cada asa.

BLU-82

O melhor exemplo do uso de aeronaves de transporte para lançar bombas é o uso da bomba gigante BLU-82 pelos MC-130 do projeto Commando Vault. O objetivo era criar zona pouso de helicópteros instantânea para o US Army no Vietnã. O US Army usaria o helicóptero CH-54 Skycrane para lançar a bombas, mas o C-130 foi considerado uma plataforma mais adequada podendo levar até duas bombas com um custo de operação menor. O projeto foi chamado inicialmente de Commando Trap e depois de Commando Vault

Nos testes iniciais foram usadas a bomba M118 de 1500kg que mostrou ser capaz de limpar uma área de 50 metros de largura e desarmar todas as armadilhas ao redor. Depois testaram a M121 de 4,5 toneladas criada na década de 40 para equipar o B-36. Dispara do C-130 a bomba tinha um CEP de 100 metros, mas deveria criar uma área para pelo menos cinco helicópteros pousarem simultaneamente. Em 1969 foi reaberto a produção da M121 e logo iniciaram o estudo de uma bomba de 15 mil libras de explosivos DBA-22M chamada BLU-82.

A BLU-82B não mostrou ser capaz de criar uma zona de pouso para cinco helicópteros, mas a área era duas vezes e meia maior que a criada pela M121 e podia receber dois helicópteros, limpar as folhas ao redor no dobro do raio e incapacitar tropas a até 600 metros, e a área também podia ser usada como base de tiro de artilharia. Durante o conflito do Vietnã foram lançadas 216 bombas M121 e 107 bombas BLU-82. As bombas também foram usadas para atacar bases inimigas.

A BLU-82 foi usada na Guerra do Golfo de 1991 para limpar campos de minas no estreito de Shattal-el Arab. A bomba matou todos os iraquianos em um raio de 5km. Tropas do SAS atuando na região pensaram que era uma bomba nuclear. Atualmente a função da BLU-82 está sendo realizada pela GBU-43 que pode ser disparada pelo B-2 e tem sistema de guiamento por GPS. A arma tem capacidade de penetração contra alvos bem protegidos.

Em 1972, a Boeing estudou uma versão do Boeing 747 chamado MC747 como plataforma de mísseis balísticos intercontinentais Minutemam. Foram propostos vários métodos de lançamento. O primeiro modelo teria quatro mísseis disparados em uma porta na parte debaixo da fuselagem traseira. Algumas tinham mísseis ejetados com a frente para trás, para que a aeronave se afastasse antes da ignição do motor, ou rodando para disparar acima da aeronave. Outra opção era disparar o míssil apontado para a frente, subindo quando fica a 1,5m da aeronave. Um Minutemam foi disparado com sucesso de um C-5 Galaxy com o último método. Uma versão iria disparar sete mísseis de 25,8 t por um compartimentos de bombas na fuselagem dianteira e traseira, ou dois mísseis de 90 toneladas de um compartimento único de 19,8 metros. A proposta foi cancelada com o aparecimento dos mísseis cruise.

Proposta do MC747 lançador de mísseis.

Proposta de um DC-10 cruise carrier. A limitação era ser usado em apenas um tipo de missão. O B-52 foi escolhido e ainda podia realizar outras missões como bombardeiro convencional, vigilância marítima, ataque anti-navio, minagem e atualmente está sendo adaptado para guerra eletrônica.

A RAF estudou o uso de aeronaves de transporte C-17 e C-130 para lançar mísseis cruise. O desenho acima é de um C-17 lançando mísseis cruise. A USAF estudou o mesmo sistema com bombas JDAM.

A única missão de bombardeiro que os C-130 da FAB realizam é o de água com o os kits do sistema modular de combate a incêndio aero-embarcado, ou em inglês, Modular Airborne Fire Fighting System (MAFFS) usado pelo 1 GTT.

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