segunda-feira, 30 de abril de 2012

Combate BVR na FAB


No dia 30 de agosto de 2006. Um elemento de F-5EM (agora chamado de Mike na FAB) do 1º/14º GAV revoa com o Barão (KC-130) e, em silêncio de rádio, sobe para o nível 300, para realizar uma Patrulha Aérea de Combate, ao sul do estado de Goiás, próximo à fronteira do estado de Mato Grosso do Sul. Mal inicia a espera GPA, o Guardião (R-99A), em missão AWACS na área, informa aos Pampas um plote na antena norte, a 157 milhas.

Um rápido check cruzado entre os F-5 e o R-99 para verificar a situação tática, e o Guardião paga um vetor de interceptação aos bicudos. Em poucos minutos, os inimigos brotam no display do radar Fiar Grifo do F-5EM, que, a partir daí, começam a impor uma arena BVR aos oponentes. Informada pelos AWACS francês (E-3F) da presença inoportuna dos Pampas, a escolta do ataque (dois Mirage 2000N e dois A-4AR), composta por quatro Mirage 2000C, começa a jammear, sem sucesso, o radar dos F-5, enquanto assumem uma postura defensiva. A tentativa de interferência frustrada só auxilia o radar italiano a travar os alvos.

Com uma posição tática privilegiada, fruto do planejamento antecipado com o R-99, os F-5EM do 1º/14º GAV engajam e, em seguida, abatem dois Mirage 2000C e um Mirage 2000N com mísseis Derby. Sob um cenário tático desfavorável, o comboio de ataque evade sob orientação do E-3F, visando sua autopreservação. Os F-5EM, então assumem uma postura defensiva e iniciam o regresso, efetuando outro REVO antes do pouso em Campo Grande (MS). Missão cumprida!" (Revista Força Aérea nº45 pág. 36)

Nesta operação os F-5EM do 1º/14º GAV estavam agindo como "agressores", mas o mais surpreendente neste combate aéreo é que nenhum sensor francês detectou as emissões dos F-5EM, ou o lançamento dos mísseis ou a presença do R-99A. Agora a FAB usa o quarteto - F-5M, míssil BVR Derby, R-99A e o datalink. Os pilotos do 1º/14º GAV também aproveitaram o treinamento dado por Israel para massacrar os caças do pais "azul". Outra medida para acelerar o treinamento foi um simulador de vôo da aeronave de caça F-5EM para simular operações aéreas em ambiente BVR. O simulador incorporou os dados do Derby ao sistema para que os pilotos testassem e aperfeiçoassem as táticas para operações em ambiente BVR.

Durante os exercícios CRUZEX 2006 foram citados disparos contra alvos a 80km de distância. Este alcance é bem maior que o citado pelo fabricante e várias vezes acima da zona sem escapatória de um míssil do tamanho do Derby. Por outro lado, se for disparado a Mach 1.4 em uma altitude de 12 mil metros o míssil até dobra o alcance. Outra explicação possível pode ter sido o uso de um software que aumenta a zona sem escapatória do míssil para passar dados falsos para os paises que participaram do exercícios e não terem noção da capacidade real do míssil. A distancia de engajamento sugere que o método de identificação positiva dos alvos foi o gerenciamento de batalha, considerando que todas as aeronaves "do outro lado" eram inimigas e que não havia nenhuma aeronave inimiga na área.


Um F-5EM equipado com um míssil Derby. O míssil da foto é de exercício. Foram recebidos em agosto de 2006 emprestados para teste pela Rafael. Os mísseis foram integrados em uma semana na aeronave para participar da Cruzex. Estes mísseis serão substituídos a partir de março/abril de 2007 pelo lote oficial de 38 mísseis comprados pela FAB. Nas missões de treinamento o F-5EM voa sem os mísseis pois a interface é feita pelo lançador e não precisa do míssil. Assim a FAB voa missões de combate BVR diariamente. Com o F-5E a FAB estava condicionada a arena de combate aproximado a até 10km, com táticas de interceptação por trás e regras de engajamento condicionas a tiro com canhão e mísseis ar-ar de curto alcance. Agora o combate começa a mais de 200km e os pilotos sempre voam com radar ligado devido as novas capacidades.


Após décadas de atraso, ainda voando com tecnologia da década de 70 e até da Segunda Guerra Mundial, a FAB entra no Século XXI com suas aeronaves no estado de arte como o F-5EM e o R-99, junto com sistemas como datalink, mísseis ar-ar de longo alcance, casulos de designação de alvos e de proteção eletrônica. No caso do F-5EM a capacidade tem limitações devido a idade da aeronave e por ser um caça leve. O quarteto F-5EM, míssil Derby, R-99A e o datalink deram uma capacidade que poucos países no mundo possuem.

O Derby nem podia ser disparado pelo F-5EM durante a Cruzex pois não fez homologação, algo que deve ocorrer ainda em 2007, com campanha real feita na Barreira do Inferno. A previsão é que os F-5EM cheguem ao final de 2007 operacionais com o Derby, DASH, NVG, Skyshield, Litening e talvez com o Python 5.

Além do novo radar e mísseis, os pilotos citam as novas capacidades do datalink que permite diminuir a comunicação com o ala ao mínimo possível. Tudo que for necessário é mostrado no display tático inclusive o estado de combustível, armas e quem o radar está traqueando.

A compra de quatro casulos Litening III para a frota de F-5EM foi uma grande melhoria da capacidade ar-ar destas aeronaves, principalmente na arena BVR como a capacidade de identificar alvos a longa distância. A capacidade de detecção e acompanhamento já existe na forma do R-99 AWACS e do radar Griffo do F-5EM.

O Litening tem modos ar-ar capazes de detectar, acompanhar e identificar alvos a longa distância de dia e a noite, apontado pelo radar ou de forma autônoma. O FLIR pode ser usado como um IRST atuando de forma passiva e recebendo dados do RWR e do datalink para saber onde olhar. O FLIR atua a noite na detecção e identificação e a camera de TV pode fazer identificação e acompanhamento de dia a uma distância maior. Os dois sensores tem capacidade de fazer analise de incursão contra formações voando muito próxima. O FLIR pode dar alerta de disparo de míssil do alvo acompanhado e fazer avaliação e confirmação da vitória. O laser pode ser usado para dar a distância do alvo para disparo de mísseis e do canhão. Em combate aproximado o laser tem uma maior precisão que o radar e pode não alertar o inimigo se não tiver um sistema de alerta laser já que os alerta radar já são de uso freqüente. Se for potente o laser pode até ser usado para cegar o inimigo no ar e também em terra como as defesas antiaéreas.

F-2000

Em 2005 a FAB anunciou a compra de 12 caças Mirage 2000C/B de segunda mão da Força Aérea Francesa equipados com o radar Thomson-CSF RDI Series J2. O armamento incluído no pacote inclui 10 mísseis Matra Super 530D (mais 4 de treinamento) e 22 mísseis Matra Magic 2 (mais 6 de treinamento). As aeronaves serão entregues até 2008 e junto com o Super 530D e o treinamento dados pelos franceses os pilotos do GDA passaram a ter acesso a mais tecnologia e táticas da OTAN de combate aéreo a longa distancia, mas com mísseis semi-ativos, uma geração atrás do Derby.

Uma das táticas ensinadas aos pilotos da FAB é o encadeamento, quando, na arena BVR, o míssil de longo alcance erra, e o combate passa para o combate com mísseis de curto alcance e/ou canhões. Outra é o "retournement" com uma manobra de 9 g's para fugir rápido se o alerta radar mostra que o caça está sendo iluminado. Em combate de longo alcance um caça também tem que ser muito manobrável para fugir e voltar rápido para atacar. Uma outra técnica ensinada aos pilotos é que no combate BVR não se pilota e gerencia ao mesmo tempo. Primeiro pilota e depois gerencia. Os treinos na França mostraram que um míssil BVR e um radar potênte dá muita confiança ao piloto durante os combates, em relação ao Mirage III. Os controladores em terra também terão que ser treinados nas novas táticas e capacidades das novas aeronaves (mísseis, radar, alerta radar, chaff etc).

O Mirage 2000 introduziu na FAB a tecnologia de Fly-By-Wire (FBW) e a capacidade de puxar 9 g´s em manobras. O FBW limita os comandos do piloto e a aeronave só faz o que pode fazer. Isto evita que o piloto exceda as capacidades da aeronave e perda o controle. Isto é importante pois o piloto não tem mais que pensar em pilotar a aeronave e passa a se preocupar em gerenciar a parte tática ou o lado de fora da aeronave. Os pilotos de Mirage III ficam inserido no ciclo de pilotagem, tendo que saber a configuração da aeronave, quantos g's pode puxar e o limite do ângulo de ataque. A missão é mais um item na cabeça do piloto. Com o F-2000 (como o Mirage 2000 é chamado na FAB) os comandos de vôo trabalham para o piloto que concentra na missão.

O motor também dá uma relação peso:potencia não disponível nos caças da FAB e com FADEC o piloto não precisa se preocupar no uso da manete de potência como no FBW. A carga de trabalho é zero. O Mirage III precisava de muito cuidado nos controles dos motores.

Além do F-5EM e o F-2000 a FAB está preparada ou adquirindo novas tecnologias e capacidades para aprimorar suas táticas de combate no cenário BVR.

Os R-99A e modernos radares móveis em terra são fundamentais para o gerenciamento da batalha aérea. A capacidade do R-99A já foi demonstrada nos exercícios recentes conseguindo detectar alvos sem que suas emissões sejam detectadas. Foi a primeira aeronave da FAB equipada com um radar de varredura eletrônica.

Enquanto os radares do Mirage III e F-5E tinham alcance limitados, os radares do F-5EM e do F-2000 são radares modernos que permitem que as aeronaves operem de forma autônoma e com capacidade de detectar e atacar alvos voando baixo (look down/shoot down). Junto com os óculos de visão noturna os novos radares irão facilitar os combates noturnos. Os radares dos novos F-5EM não são famosos pelo alcance, mas o radar RDI do F-2000 tem um alcance maior que permite usar táticas de mini-AWACS, apesar da falta de um datalink ser uma grande desvantagem ao operar junto com os F-5EM.

Os casulos Skyshield que serão recebidos pelos F-5EM darão capacidade de cegar os radares em terra e dos caças inimigos ajudando a conseguir um nível de surpresa durante os combates BVR enquanto os novos casulos Litening poderão ser usados para identificação visual a longa distância no cenário BVR.

Ainda no campo de guerra eletrônica os F-5EM e Mirage 2000 não tem equipamento de auto-proteção além dos chaff e flares. O F-5EM os leva em pouca quantidade (30 chaff e 15 flares) e a experiência mostra que deveriam estar disponíveis em grande quantidade (10 vezes mais). Um sistema de autoproteção de custo relativamente baixo são os despistadores rebocados como o X-Guard da Rafael. Por outro lado agora a FAB tem todos seus caças a jato equipados com alerta radar o que ajuda a evitar ataques surpresa e facilitando a evasão de mísseis guiados por radar.

Os R-99B tem capacidade de vigilância eletrônica que permite fazer escuta das comunicações inimigas além de auxiliar na localização. A capacidade de interferência nestas comunicações é desconhecida. Já os F-5EM, além dos A-29A e A-1M, terão rádios com proteção eletrônica por salto de freqüência do tipo SECOS e criptografia. O uso de datalinks irá diminuir a necessidade de comunicações por voz dando poucas chances do inimigo explorar falhas.

Para aumentar a persistência de combate todos os caças da FAB agora serão equipada para fazer reabastecimento em vôo. Os Mirage III não tinham esta capacidade enquanto os F-2000 já vem com o probe instalado. Todos os F-5EM agora terão esta capacidade.

A frota da FAB é bem numerosa em termos de América do Sul e permite conseguir superioridade numérica. A FAB já treina táticas de pacote de ataque que ajuda nas táticas para conseguir massa no local da batalha.

O Derby é um míssil considerado limitado, mas está dentro do tamanho suportado pelo F-5EM e com preço acessível. Já o Super 530 do F-2000 foi adquirido em pouca quantidade e com capacidade realmente limitada. Pelo menos serve para ser usado em táticas de "iluminação a seco" para forçar o inimigo a ficar na defensiva. Com a vinda de novos mísseis de curto alcance de última geração os F-5EM ficarão em pé de igualdade com qualquer caça atual na arena de curto alcance e com a vantagem de ser um caça muito pequeno.

Uma arma que está fazendo falta na FAB são mísseis SAM de médio/longo alcance para permitir criar táticas de "missile trap". Os canhões antiaéreos do EB e os mísseis Igla são praticamente inúteis na função.

Em termos de treinamento a FAB ainda voa relativamente pouco. Os esquadrões da FAB agora são multifuncionais realizando missões na arena ar-ar e ar-solo com as modernizações do F-5EM multiplicando estas capacidades. A experiência mostra que, enquanto as aeronaves são multifuncionais, os pilotos não são. A formação de pilotos especializados em combate aéreo é um fator que contribui para o sucesso no combate aéreo. Os controladores de caça também deverá ser treinados em novas táticas e nas novas capacidades das aeronaves e mísseis.

Um F-2000C da FAB armado com o Super 530.

Ameaças Locais

A entrada em serviço de mísseis ar-ar de curto alcance de última geração na América do Sul também é um estimulo para a entrada em operação de mísseis BVR. O cenário da América do Sul já viu a introdução de mísseis BVR e mísseis de curto alcance de última geração. O Peru foi o primeiro país da região a introduzir mísseis BVR com os Super 530 dos seus Mirage 2000P seguido do R-27 com os Mig-29S em 1996 e o R-77 com os Mig-29SE desde 1998. O Chile irá receber o Derby para equipar seus F-16 e F-5E Tiger III. Segundo os registros do SIPRI, a Venezuela comprou 150 R-73 e 100 R-77 para armar seus Su-30MKV. O Equador é um forte candidato para equipar seus Kfir C.10 com o Derby.

No caso de mísseis de curto alcance o Python 4 já está operacional nos F-5E Tiger III do Chile, com os F-16A da Venezuela e com os Kfir C.10 do Equador. O Python 5 deverá equipar o F-16 do Chile. O Peru recebeu o R-73 que equipa seus Mig-29S/SE e também deverá equipar os Su-30MKK da Venezuela. A FAB deve colocar a mira montada no capacete DASH em operação em março de 2007 e os pilotos já treinam com o DASH no simulador.

Um míssil ar-ar de curto alcance de última geração deve ser escolhido pela FAB ainda em 2007 para operar junto com o DASH e provavelmente será o Python 5. A noite os pilotos irão usar óculos de visão noturna. No futuro os F-5EM devem receber o A-Darter por volta de 2015. Em 2007 foi anunciado na LAAD o desenvolvimento da versão MAA-1B do Piranha com características de mísseis ar-ar de Quarta Geração. O míssil deve entrar em operação em 2009 devendo ser adquirido em quantidades significativas devido ao custo relativamente baixo comparado com mísseis da mesma geração.

Um Python 4 nas asas de um Kfir C.10 equatoriano. A FAB deve adquirir o Python 4/5 para armar seus F-5EM. O Python 4 já está em uso nos F-5E Tiger III chilenos e nos F-16 venezuelanos.

O MAA-1B deve ser um dos futuros mísseis de combate aéreo da FAB. O míssil deve entrar em operação em 2009.

Programa FX-2

Em 2006 foi anunciado que a FAB vai reiniciar o Programa FX. Agora parece que a FAB vai adquirir a aeronave direto do comprador e sem abrir concorrência. Parece que os preferidos são caças bimotores como o Su-35 russo e o Rafale francês. O Su-35 tem o problema de não ser usado pela Força Aérea Russa (mas o motor, armas e aviônicos sim e em outras aeronaves) enquanto o Rafale tem um preço bem amargo apesar dos valores mais recentes serem bem menos salgados que os concorrentes (Eurofighter, F-15 e JAS-39 Gripen).

A experiência em combate BVR (treinamento e exercícios obviamente) com o F-5EM deve influenciar em muito os requisitos da nova aeronave. Os pilotos com esta experiência, como acontece com os estrangeiros, certamente vão pedir um caça com um radar e mísseis com o maior alcance possível. Os outros requisitos são manobrabilidade, persistência de combate (alcance e quantidade de mísseis), guerra eletrônica e aviônicos de última geração.

Em combate aéreo a aeronave deve ser adequada para realizar missões de interceptação, superioridade aérea e escolta. Para realizar missões de interceptação o novo FX precisa ter capacidade de acelerar e subir rápido, bom raio de ação para boa cobertura e bons sensores de detecção. Para realizar superioridade aérea precisa de capacidade BVR, grande manobrabilidade, persistência de combate, boas armas de curto alcance, capacidade de reabastecer e rearmar rápido e resistência de combate. Para realizar superioridade aérea em território inimigo deve ter bons sistemas de auto-proteção para se proteger também de mísseis SAM. Para realizar escolta precisa de boas ECM para se defender de mísseis SAM, bom alcance para acompanhar os pacotes de ataque, bons sensores pois pode não ter apoio externo. Os F-5 ainda serão bons com combate aéreo aproximado se receberem um míssil de quinta geração como o Python 5.

No caso do Su-35 as vantagem são a persistência de combate devido a grande autonomia e grande quantidade de mísseis. Se a versão do motor escolhida for a AL-41 pode se considerar a capacidade de supercruzeiro na persistência de combate. Os russos já oferecem seus caças com opção de usar radares de varredura eletrônica ativa (Zhuk-A) enquanto os concorrentes usam varredura eletrônica passiva ou convencional. A versão de dois lugares terão ótima capacidade para serem usadas como mini-AWACS junto com o radar de varredura eletrônica ativa e ainda mantem a capacidade de combate completa. As opções de armamento do Flanker são bem variadas em termos de alcance e não tem muito limite de tamanho. Se vier com um bom sistema de guerra eletrônica poderá preencher todos os requisitos de interceptação, escolta e superioridade aérea. O lado ruim do Flanker é o conceito de manutenção considerado inferior ao ocidental, apesar dos russos estarem mudando e se aproximando das capacidades dos caças ocidentais neste quesito. Se a FAB cobrar a integração de aviônicos do padrão BR (usados no A-29 e F-5EM) os custos e disponibilidade não serão mais problemas.

O Rafale tem a vantagem de ser um projeto mais recente com custos de operação provavelmente inferiores ao Flanker. Os aviônicos são no estado de arte com um radar de varredura eletrônica passiva, IRST e sistemas de interferência eletrônica avançados. As opções de mísseis BVR são relativamente poucas com o MICA EM e IR e o Meteor. Para diminuir os custos de aquisição a FAB pode pedir a exclusão do IRST (OSF) e dos sistemas de guerra eletrônica sofisticados.

As táticas de combate aéreo descritas anteriormente sugerem que as armas do novo FX devem ser bem variadas. Os mísseis de terceira geração como o MAA-1 Piranha ainda poderão ser usadas para alguns cenários como aeronaves de segunda linha e alvos pegos de surpresa. Em alerta em tempo de paz não é necessário voar com muitos mísseis devido a ameaça esperada. Estes mísseis ainda não estão absoletos e são baratos. O futuro míssil de combate aéreo será o A-Darter a não ser que seja cancelado assim como o MAA-1B.

Os mísseis de médio alcance devem ser bem variados, com guiamento por radar ativo, infravermelho e até semi-ativo para permitir a criação de várias táticas. Se for possível até com guiamento por radar passivo. Devem estar disponíveis em grande quantidade.

Os mísseis de longo alcance são caros e são realmente pouco usados. O Meteor, a futura versão ramjet do R-77 e o R-37M devem ser as únicas opções no futuro, além do AIM-120D se for disponibilizado pelos EUA. No caso do R-37M apenas o Flanker poderá ser capaz de disparar. Pelo menos uma aeronave em um elemento ou esquadrilha deve levar mísseis de longo alcance por serem usados apenas nas fases iniciais do combate aéreo.

O novo FX deve ser capaz de levar todos estes mísseis citados e em grande quantidade para conseguir vencer no cenário BVR. A configuração vai depender da função da aeronave. Alguns vão ser usados como mini-AWACS, outros serão alas apenas para apoiar, outros serão os snipers para engajar a longa distância e outros serão otimizados para combate aproximado. O objetivo é criar incerteza nos pilotos adversários.

O Rafale não participou da primeira concorrência do Programa FX por ter um custo muito alto. Agora a Dassault baixou o preço para ficar competitivo com o governo francês assumindo os custos do desenvolvimento da aeronave.

A nova versão do Flanker será o Su-35BM que deve voar ainda em 2007. A nova aeronave não receberá canards, terão asas com novas superfícies de sustentação, estabilizadores menores e será duas toneladas mais leve com o uso de materiais compostos na estrutura e aviônicos mais leves. O IRST pode ser usado como alerta de disparo de mísseis no setor frontal. Mesmo se tiver tecnologia ultrapassada pode detectar o calor do motor dos mísseis facilmente. A foto acima é da versão Su-27SMK que usa os aviônicos desenvolvidos para o Su-35BM.



P-99 Multimissão

A Embraer está comercializando uma versão do jato regional EMB-145 para patrulha marítima chamado EMB-145MP (Maritime Patrol), que seria chamado de P-99 na FAB. O México já adquiriu dois exemplares em 2004, sem capacidade anti-submarino equipados com o radar Raytheon SeaVue e o FLIR AAQ-22 StarSafire. O México também comprou um E-99 de Alerta Antecipado e tem opção para mais quatro EMB-145 com a versão de patrulha podendo chegar a quatro aeronaves.

A Embraer tentou vender o P-99 para a FAB com o sistema Thales AMASCO (radar Ocean Master, ESM DR3000 e FLIR Agile), mas a aeronave não preenchia os requisitos do programa PX com a capacidade de patrulha e esclarecimento a longa distância. A FAB escolheu o P-3AM com o sistema FITS da CASA EADS. O radar Searchwater 2000 também foi proposto para equipar a aeronave.

A tripulação média do P-99 é de sete lugares podendo ficar seis horas na estação e até 10 horas com reabastecimento em vôo. Para aumentar a autonomia a Embraer adicionou a capacidade de levar combustível extra. Nas asas poderá ser introduzido dois cabides com capacidade de 900kg cada, semelhantes ao do AMX, onde poderiam ser levados armas, casulos de guerra eletrônica, botes salva-vidas e faróis de busca. Segundo a Embraer o P-99B de patrulha marítima e guerra de superfície tem raio de ação de 1.675 km. A versão P-99C tem capacidade anti-submarino e autonomia de quatro horas a baixa altitude com raio de ação de 370 km. O custo unitário é estimado em cerca de US$ 80 milhões. A aeronave tem baixo custo de operação, estimado em US$ 1 mil por hora de voo. Precisa do apoio de apenas 30 homens para 8 aeronaves. Também é possível padronizar a frota junto com outras versões do EMB-145 nas versões de transporte, transporte VIP, Alerta Aéreo Antecipado e sensoriamento remoto.

Após a desativação dos P-16 restaram 20 P-95 Bandeirulha para equipar quatro Esquadrões de Patrulha na FAB. Os P-95 serão modernizados e voarão por mais 20 anos. O P-95M irá receber uma cabina digitalizada, um novo radar e talvez um FLIR. Com o anúncio da modernização dos Bandeirulhas o P-99 terá que esperar para concorrer como possível substituto dos P-95.

O Bandeirulha está equipado com o MAGE modelo DR3000 com cobertura de 360 graus. Também tem goniômetro para rádios VHF e UHF o que ajuda a localizar náufragos em pequenas embarcações a deriva. O P-95 também opera sobre terra apoiando o SALVAERO e faz guerra eletrônica sobre terra.

Na FAB os P-95 tem a missão de detectar, localizar, identificar e neutralizar objetivos navais inimigos ou em potencial. Atua de forma conjunta e/ou combinada com as forças navais, faz proteção de objetivos marítimos, terrestres e fluviais. Na Operação Atlântico o P-95 atua junto com navios da MB em áreas pré determinadas nas Águas Jurisdicionais Brasileiras, fazendo reconhecimento sistemático, ajudando a MB no controle de trafego marítimo no Atlântico Sul. O P-95 pode ser usado para defender uma área marítima, pode acompanhar uma força naval amiga em missão de cobertura e designar alvos de superfície para caças. Se o alvo for pouco defendido o P-95 pode atacar.

Um P-99 antes de ser entregue para o México.

Além da versão de patrulha marítima a Embraer também comercializa uma versão do EMB-145 para alerta aéreo antecipado (E-99 na FAB) e uma de sensoriamento remoto (R-99 na FAB). O R-99B tem um radar SAR operando nas bandas L e um na banda X com modos WAS, STRIP, SPOT e MTI, além de SAR invertida. O Scanner multiespectral (MSS) tem 31 canais sendo 3 infravermelho. A torreta OIS tem câmera FLIR, TV e zoom. Os sensores SIGINT cobrem as faixas de comunicações e radar.

A versão R-99 é equivalente, com uma capacidade menor, ao E-8 JSTARS da USAF. Na operação Desert Storm os JSTARS mostraram ser bem úteis. Na batalha de Khafji o JSTARS mostrou que não havia unidades iraquianas se movimentando para apoiar. Nas missões de resgate o JSTARS vigiava o local e informava se havia atividade inimiga próxima. Podia detectar antenas rotativas de radares de artilharia antiaérea e interferia. Também podia diferenciar veículos levando mísseis SCUD, posições de artilharia antiaérea e colunas blindadas de outras pelas formas como se deslocam no terreno. O JSTARS está sendo equipado com a câmera de longo alcance SYERS-3 dando capacidade dos operadores ver o que estão detectando nos radares.

Em 2004 o EMB-145 foi escolhido para o programa a Aerial Common Sensor (ACS), mas o programa foi cancelado. O ACS seria uma aeronave de reconhecimento para o US Army e US Navy para substituir os RC-12 Guardrail e RC-7, EO-5B RARL e o EP-3E Aries 2. O US Army pretendia comprar 38 aeronaves. O ACS realizaria missões de reconhecimento de sinais e seria equipado com sensores eletroóticos, infravermelho e radar com modos SAR e MTI. Os dados poderão ser transmitidos para centros comando. O ERJ-145 custaria US$20 milhões contra US$33 milhões do G450 que também concorria. As especificações exigia jatos com capacidade de voar a 11 mil metros de altitude, a 800 km/hora com cerca de 6 toneladas de carga útil e com facilidades para receber reabastecimento em vôo. A versão da US Navy teria seis operadores contra quatro da versão do US Army, mas ainda seria bem menor que os 20-24 tripulantes do EP-3E. A US Navy também queria capacidade de reabastecimento em voo, sistemas de interferência eletrônica e capacidade de levar dois casulos nas asas.

O R-99 tem capacidade para ser usado em missões de patrulha marítima com seus sensores. Em 2009 o Esquadrão Guardião participou do resgate do acidente com o voo 447 no meio do Oceano Atlântico. Um dia depois de iniciar as busca o R-99B conseguiu identificar retornos com o radar de abertura sintética. A posição foi marcada para busca de dia no local por um Hercules que identificou os destroços. O sucesso se repetiu novamente em outras missões. O radar Erieye do E-99 também tem modos de busca de superfície contra navios podendo apoiar operações sobre o mar.

O P-99 não foi selecionado para o Programa PX por ter capacidade limitada. Só o peso máximo é pelo menos três vezes menor (64 toneladas contra 21 toneladas).



P-99 Multimissão - Exemplo Britânico

Em 2010 o Reino Unido anunciou grandes cortes nos seus meios de defesa. Entre os meios a serem retirados estão o Nimrod MR4 de vigilância marítima e o Sentinel R1 de vigilância terrestre. São projetos ainda do tempo da Guerra Fria pensados para cenários de alta intensidade. Agora os britânicos estão dando prioridade para conflitos de baixa intensidade e estes meios são caros e com capacidades muito além do necessário.

Os meios de Combat ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento de Combate) usados pelos britânicos no Afeganistão são bem variados. Não existe plataforma com todo os sensores necessários juntos e também capaz de usar força com a precisão necessária.

Os RPAS (Remotely Piloted Air System), nome dados para os veículos aéreos não tripulados na Inglaterra, são o Hermes 450 e o Reaper. O Hermes usa sensores de imagem enquanto o Reaper também está equipado com um radar com modos SAR e MTI. O Reaper foi equipado com o casulo de fotografia Goodrich DB-110. As fotos podem ser interpretadas ainda no ar em emergência. O Reaper tem a capacidade de cobrir uma área grande por muito tempo devido a sua grande autonomia.

O Nimrod R1 é uma plataforma de escuta eletrônica (SIGINT e ELINT) com 23 operadores de sensores COMINT e SIGINT. A aeronave é capaz de identificar aeronaves pela assinatura radar e comunicações. Seu uso é raro no Afeganistão devido a total ausência de ameaça aérea. A RAF operava três Nimrod R1 sendo que um caiu. Serão substituídos em 2014 por três RC-135 da USAF com capacidade similar.

O Sentinel R1 ASTOR (Airborne Stand-Off Radar) foi projetado para detectar alvos móveis em terra. O radar ASARS-2 é derivado do radar do U-2. O programa custou 1,4 bilhões de Euros para cinco aeronaves e oito estações em terra e o custo de operação é considerado muito alto. O ASTOR voa a 50 mil pés no Afeganistão varrendo os vales entre as montanhas com o seu radar. Faz varredura de área com modo de radar SAR ou MTI. O modo MTI é capaz de determinar a composição, direção e velocidade de forças inimiga. Os operadores procuram explosivos improvisados (IED), avaliam a interdição de veículos em tempo real, analisam padrões de vida e fazem vigilância de comboios amigos. O Sentinel tem três operadores sendo um Comandante de Missão e dois Analistas de Imagem. Os dados são enviados por datalink para uma estação em terra (TGS - Tactical Ground Station) operando junto com pessoal do US Army.

Como o JSTARS, o ASTOR foi criado para apoiar as operações de ataque contra o segundo escalão de uma invasão do passo de Fulda na Europa. No Afeganistão não existe a grande ameaça de uma invasão blindada. No Afeganistão as ameaças operam mais a noite. Então o ASTOR, e o JSTAR, apóiam rotas de trafego, fazem vigilância de comboio e apoiam assaltos de helicópteros.

Uma missão importante é detectar os movimentos como a colocação de IED (IED placement). O radar grava o trafego nas estradas e se um IED é encontrado ou detonado os dados do são voltados até encontrar um veiculo que parou próximo. Depois o veículo é seguido na imagem do radar e o local de origem é depois investigado, podendo ser a fonte de origem do IED. Durante as operações militares a vigilância radar indica veículos suspeitos ao redor e "squirter" que tentam fugir da ação. Também vigiam movimentos que sugerem emboscada.

Os dados adquiridos pelo ASTOR são cruzados com os dados de COMINT do Nimrod R1 e vídeo do Hermes 450. Se necessário podem enviar tropas de helicóptero para investigar com o Shadow R1 apoiando acima. No meio do deserto os movimentos são todos suspeitos. Em várias ocasiões o Raptor foi enviado para conferir e atacou os contatos.

O Sea King ASAC 7 é considerado um mini-ASTOR, mas sem modo SAR no radar. É usado em áreas mais planas pois voa mais baixo e não vê entre as montanhas. A autonomia também é bem menor. O radar pode ser usado para controlar incursões de helicópteros atuando como controlador aéreo.

Os E-3D Sentry são usados para vigilância aérea, mesmo sem este tipo de ameaça no local. A maior ameaça é colisão no ar entre helicópteros voando baixo ou caças voando alto. Se necessário o Sentry é usado para coordenar missões de resgate de pilotos e tropas.

O Beechcraft 350CER Shadow R1 está equipado com FLIR e sistemas de COMINT com dois operadores de sistemas. A aeronave é considerada apertada. Foi comprada para complementar outros meios.

O JSTARS americano passou a ter papel ABCCC junto com o AWACS. Como o ASTOR, o JSTARS funde dados com o SIGINT e pode indicar que o contato no radar é um veiculo inimigo. O JSTARS tem cinco estações de data stream e 22 rádios para comunicação. Pode se comunicar com chat com controladores aéreos em terra e dar alertas. O radar foca em 14 áreas de 10 km2 como outspots ou rotas. O JSTARS está recebendo o SCWD (Strike Common Weapon Datalink) para passar dados de alvos direto para armas guiadas como a JSOW em voo. Já foi sugerido que a USAF substituísse suas grandes aeronaves de ISR com aeronaves menores.



Na canoa abaixo da fuselagem está instalado o radar ASARS-2 do Sentinel.


O Sentinel é usado no Afeganistão com a mesma função de reconhecimento e vigilância das aeronaves não pilotadas. A vantagem é não precisar de um link de satélite permanente o que diminui os custos.


Uma plataforma cara de operar e também usada para Combat ISTAR é o Tornado GR4 equipado com os casulos Raptor e Litening III. Um destacamento de Tornado opera no Afeganistão apoiando as operações em terra. Durante as missões aproveitam para fazer Combat ISTAR com seus sensores. Voando as pares uma aeronave leva sempre o casulo Litening e a outra o Raptor, além de mísseis Brimstone e bombas Paveway IV. As imagens podem ser enviadas para computadores portáteis ROVER usados por tropas em terra ou para Postos de Comando.

Antes das operações terrestres em um local os casulos podem ser usados para coletar imagens do local. As imagens são analisadas pelo TIW (Tacitcal Imagery-Intelligence Wing). As imagens podem ser diárias para ver o que acontece no local. O TIW preparava a análise do terreno, rotas e análises de construções para as missões das tropas em terra. O mais importante é encontrar explosivos improvisadas (IED). Na operação Mushtarak, no inicio de 2010, avaliaram 30 zonas de pouso de helicóptero e várias zonas de lançamento para ressuprimento dos C-130. Outra atividade é o IPE (Preparation of the Environment) que determina que área e que atividade acontece, sendo usada por unidades patrulhando o local.

As imagens do Raptor podem ser visual ou infravermelha. A definição é grande dando detalhe até das roupas de pessoas em terra. A imagem vertical mostra o que aconteceu na área enquanto a obliqua permite ver do altos de vilas. A imagem infravermelha mostra a assinatura no terreno. Uma vantagem do longo alcance dos sensores é poder vigiar um local a distância sem dar nenhum tipo de alerta. As análises das imagem do Raptor consome muito tempo pois os analistas comparam as imagens novas com imagens arquivadas. As pequenas diferenças podem ser IED plantados recentemente. O casulo Raptor, versão original do Goodrich DB-110, pode fotografar todo o Helmand, área de operação das tropas britânicas, em 2 horas. A média por missão é cobrir 500km2. Dá muito trabalho para os analistas de imagem então a missão é realizada de 2 em 2 dias.

O Litening III é usado em vigilância como parte das missões de Apoio Aéreo. Pode ser seguir comboios, cobrir patrulhas terrestres, fazer varreduras contra IED nas estradas, e apoiar grupos de batalhas. Quando usado para reconhecimento o Litening grava e envia as imagem e vídeos, além de poder guiar bombas JDAM e Paveway. Os analistas de imagem preferem um imagem grande. As do Litening são pequenas e as vezes suficientes. Então criam um mosaico com cerca de 50 imagens, mas mesmo assim é menor que uma única imagem do Raptor. Então o Litening é apenas um complemento do Raptor.

Um exemplo prático do dia a dia foi uma missão de Tornado lançada para reconhecer uma zona de pouso de helicóptero. O Litening III foi usado para compor uma imagem da área. Os Analistas de Imagem identificaram linhas de força, árvores e obstáculos próximos do local. Em seis horas foi enviada por email para as forças que realizariam as missões.


Entra o P-99

Os meios e capacidades acima, algumas já perdidas como o ASTOR, podem ser substituídas ou complementadas pelo P-99 equipado para apoiar operações de baixa intensidade. A versão britânica do P-99, se encomendado para substituir as aeronaves perdidas, seria equipada com o radar Searchwater do Nimrod e Sea King ASAC com capacidade MTI, além dos sensores FLIR e COMINT como os usados nos Shadow R1. Seria necessário pelo menos dois operadores de radar, um do FLIR e outro de COMINT. Outros operadores poderiam ser levados para reserva ou para atuar como Estado Maior ou Conselheiros.

Os sensores de COMINT são usados para escuta de rádio e celular. A presença de um tradutor da linguagem local seria necessário. Os sensores podem ter capacidade de triangular a posição das emissões detectadas. A capacidade de interferir nos canais usados pelo inimigo e atrapalhar sua coordenação seria desejável para apoiar operações em terra.

Com um analista de imagem a bordo as imagens do FLIR não precisariam ser enviadas para uma estação em terra como acontece com as aeronaves não tripuladas. Isso economizaria canais de satélite que são o custo mais alto das aeronaves não tripuladas. Apenas as imagens importantes seriam enviadas. Os sensores do FLIR seria a mesma capacidade presente no Nimrod, Shadow R1, Reaper e Hermes 450. O P-99 não tem a limitação do espaço apertado do Shadow e tem maior potencial de crescimento como poder receber mais estações.

O uso de aeronaves de patrulha marítima para apoiar operações em terra é antigo com as aeronaves sendo até reclassificadas como aeronave marítima multimissão (Multi-mission Maritime Aircraft - MMA). Os P-3 da US Navy tem esta missões sendo equipados inicialmente com um FLIR. Os P-3 apoiaram a batalha de Mogadíscio em 1993, enviando imagens par o centro de comando. Atuaram no litoral dos Bálcãs em 1999 onde usaram o míssil SLAM guiado por IIR, para atacar alvos na costa. Inicialmente realizaram missões de reconhecimento no Afeganistão fazendo papel agora do Predator pois a distância das bases impedia a operação de aeronaves não tripuladas. Os AP-3 australianos apoiaram a invasão do sul do Iraque em 2003 e no avanço até Bagdá os P-3 da US Navy acompanharam os USMC apoiando com o FLIR para ver a frente do avanço e como posto de comando aéreo.

Com um casulo DB-110, já em operação, ou o casulo Raptor, o P-99 poderia fazer IMINT. O analista de imagem poderia até operar a bordo. Operando no Afeganistão o casulo seria usado para realizar a tarefa feita atualmente pelo Tornado com um custo mais baixo. Alguns P-3C japoneses estão equipados com o casulo DB-110.




Testes dos flares do E-99 comprado pela Grécia. O P-99 seria equipado com um sistema defensivo completo com lançadores de flare e chaff, alerta radar e alerta de aproximação de mísseis

Montagem do P-99 armado com mísseis Maverick e Sidewinder. Os mísseis ar-ar estão fazendo parte do arsenal das aeronaves de patrulha marítima. Na Segunda Guerra ocorreram vários duelos entre aeronaves de patrulha que derrubavam o outro com suas metralhadoras de tiro lateral. Já na guerra da Coréia, os P2V-5 Neptune da US Navy, além de realizarem vigilância e reconhecimento, patrulha anti-submarina, escoltas de comboio e interdição marítima, também faziam ajuste de tiro de artilharia naval. Vários foram derrubados por MiGs da China e Rússia em águas internacionais. Nas Malvinas os Nimrod encontraram outras aeronaves argentinas e foram logo armados com o Sidewinder.

Os Nimrod MR4 foram retirados de serviço após gastos de 6,5 bilhões de Libras. Os P-99 do México tem preço unitário estimado em US$ 80 milhões. A capacidade é bem menor, mas preencheria os requisitos de cenários de baixa intensidade.


O P-99 realizaria as missões de patrulha marítima dos Nimrod, sem ter a capacidade anti-submarina característica de um conflito de alta intensidade, mas com capacidade de ser equipado para realizá-la. O P-99 apoiaria as missões de busca e salvamento perdida com a retirada dos Nimrod. A capacidade de reabastecimento em voo seria necessária para compensar o alcance menor comparado com o Nimrod.

O Department of Homeland Security (DHS) americano usa os B-52 da USAF para "fotografar" navios suspeitos a 2 mil km da costa com o casulo Litening. Os alvos são detectados com o radar e o Litening é apontado automaticamente para o alvo. As imagens são envaidas por datalinks para estações em terra para serem analisadas. O B-52 voa a 20 mil pés e ainda com boa separação do alvo que nem percebe a sua presença.

O R-99B da FAB já foi usado no resgate do voo 477 no meio do oceano atlântico. Em duas ocasiões o seu radar com modo SAR detectou objetivos metálicos no mar que depois foram confirmados como sendo da aeronave.

O P-99 com o radar Searchwater 2000AEW atuaria em cenários de baixa intensidade nas missões de Alerta Aéreo Antecipado. A capacidade seria bem inferior a do E-3 Sentry, mas o objetivo principal é controle aéreo evitando colisões, coordenar missões de resgate e reabastecimento em vôo, além de poder atuar como Centro de Comando para missões de Apoio Aéreo Antecipado. Em cenários de alta intensidade o P-99 ainda poderia atuar cobrindo setores secundários e apoiar pacotes pequenos próximos da área de operação. Na operação Desert Storm um E-3 estava sempre operando mais a retaguarda como reserva e apoiando as missões de reabastecimento em vôo o que poderia ser uma missão do P-99.

O radar Searchwater 2000AEW também daria parte da capacidade de vigilância terrestre perdida pelo ASTOR. Um outro radar, ou casulo com radar, poderia ser usado para dar capacidade de tirar fotos radar do solo com modos SAR. O radar não precisa ser de longo alcance para apoiar missões de baixa intensidade. Ao contrário do Sea King ASAC o P-99 não teria a limitação de visualizar vales entre as montanhas, operando a grande altitude, nem ter a pequena autonomia do helicóptero.

Durante a invasão do Iraque em 2003, os Sea King ASaC Mk 7 usaram seu radar para detectar alvos móveis em terra, funcionando com mini-JSTAR. O Sea King usava o radar para vigiar o trafego nas estradas. As estradas usadas regularmente foram identificadas como livre de minas e seriam usadas depois. Também alertava sobre veículos e blindados indo em direção das tropas britânicas. Os dados eram passados para unidades de UAV Phoenix que faziam a identificação visual para ataque posterior pela artilharia. O processo levava até duas horas. O resultado final foi a destruição de 26 carros de combate e cinco blindados leves e peças de artilharia.

Em 2005 foram realizados exercícios de vigilância terrestre com os ASAC identificando veículos para ataque pelos Apache AH.1. Os exercícios incluíam ataque em profundidade dos Apaches, assalto aéreo em profundidade e apoio anti-blindado. O quadro aéreo e terrestre era passado para o comandante em terra pelo Link 16.

O P-99 poderia ser armado com armas para operar sobre terra. No caso Britânico o principal candidato seria o Brimstone DM (Dual Mode) já usado pelos Tornados no local. O Brimstone pode ser usado contra alvos móveis. O alvo é designado com o laser e em caso de manobras evasivas o radar inicia o guiamento por ser melhor contra este tipo de alvo. Para apoio aéreo a precisão e a pequena cabeça de guerra são ideais para atingir alvos próximos das próprias tropas.

A USAF agora está usando seus novos canhoneiros MC-130W Dragon Spear de dia pois estão armados com mísseis Hellfire que permitem voar bem mais alto, longe das ameaças em terra. O Brimstone permite ter esta capacidade, adicionando mais uma missão ao P-99.

Conclusão
O P-99 pode ser uma boa opção para países que estão dando prioridade para cenários de baixa intensidade, com uma plataforma capaz de realizar todas as missões necessárias e até apoiar cenários de média intensidade, com custos acessíveis. A própria FAB poderia ser o comprador inicial, adicionando novas capacidades, e reforçando as vendas da aeronave visto que fica mais fácil vender uma aeronave que já está em operação no país de origem.

domingo, 29 de abril de 2012

Bombas Guiada SMKB - Acauã A lança da FAB




A Mectron e a Britanite IBQ Defence Systems estão desenvolvendo kits de bombas guiadas por satélite com a designação Acauã (falcão) ou SMKB (Smart Kit Bomb). O CTA-IAE também está apoiando o projeto. Os kits foram mostrados em 2009 e inicialmente foram designadas BFL (BLF-1000, 500 e 250, com cabeça de guerra de 1000 Kg, 500 Kg e 250 Kg respectivamente).

A Britanite é responsável pela cabeça de guerra, kit de cauda e sistema de planejamento de missão. O kit virá em versões para ser instalado nas bombas Mk82 e na Mk83. As empresas não estudam um kit para a bomba Mk84 por ser considerada potente para "ataques cirúrgicos" (apesar de vários alvos importantes precisarem de armas até mais potentes). Também não citam se será usada em bombas penetradoras BPEN. As bombas com os kits são denominadas SMKB-82 e SMKB-83 equipadas, respectivamente, com as bombas Mk82 de 230kg e Mk83 de 450kg. Na FAB são denominadas BFA-230 e BFA-460 respectivamente. As Bombas de Fins Gerais são fabricadas pela Britanite.

O receptor de satélite é compatível com o GPS americano, Glonass russo e o Galileo europeu. A energia da bomba é gerada por uma pequena hélice no nariz da bomba não precisando de energia da aeronave. A precisão é tida como 6 metros. A SMKB/Acauan pode ser disparada a uma altitude de até 10 mil metros com alcance de 16 km a 24km. Um kit de asas está em desenvolvimento pela empresa Friuli para aumentar o alcance para 35-40 km.

Uma vantagem do novo kit é a facilidade de integração, particularmente em aeronaves pouco sofisticadas, pois não precisa conexão de databus para controle ou designação de alvos. As empresas desenvolveram um sistema sem fio portátil com criptografia que pode programar as coordenadas do alvo em terra ou no ar ou modos de operação. Assim o kit pode ser integrado em qualquer aeronave sem apoio do fabricante da aeronave. Armas como a SMKB e JDAM são tão simples que podem ser usadas em aeronaves de caça de Primeira e Segunda Geração com um sistema de navegação primitivo. As coordenadas do alvo podem ser passadas diretamente para a arma antes de decolar.

A primeira entrega era esperada para 2010, e as empresas citam que já foi vendida para outro país da América do Sul e pelo menos quatro oriente médio. A integração em aeronaves iniciou em 2011 nos A-4 Skyhawk, AMX, F-5EM, Sukoi Su-27, F-16 e Kfir. As primeiras entregas para a FAB devem iniciar em 2012.

A imagem acima mostra os cabos metálicos usados para acionar a bomba durante o disparo. A SMKB é disparada como uma bomba comum e após o disparo os cabos presos na aeronave são esticados e acionam a bomba indicando que foi disparada. Depois segue até o alvo com os dados passados antes ou durante o voo por sistema Wireless com tecnologia comercial. O conceito simplifica o desenvolvimento e integração na aeronave.




Testes de disparo da SMKB a partir de um A-29 Super Tucano.



Uma SMKB antes de um disparo de teste.


Análise

A entrada em operação das SMKB irá trazer novas capacidades para a FAB, mas também muitos problemas. Um dos problemas será a disponibilidade de código de GPS de precisão em caso de conflito. Caso os EUA não apóie o Brasil em um conflito será bem provavel a FAB não tenha acesso aos códigos para uso do GPS no modo de precisão ficando limitado ao modo INS. Outra opção é ter acesso também ao sistema GLONASS russo e futuramente ao Galileu Europeu.

Sem a disponibilidade da atualização do GPS, a capacidade das SMKB está relacionado com a precisão do INS. Se a capacidade for similar ao CEP conseguido pelas JDAM com o INS, ou cerca de 14 metros, o GPS nem fará muita falta. Se for igual ao requerimento original das JDAM, ou um CEP de 30 metros, as SMKB ainda poderão ser úteis contra boa parte dos alvos fixos.

Se a capacidade for pior, ou um CEP de cerca de 50-60 metros, a precisão será similar ao uso de bombas burras disparadas a média altitude com modos CCIP e que já está disponível para a FAB nos AMX e agora nos F-5EM. A vantagem será poder disparar as armas em qualquer tempo com apoio de radar com modo SAR, atacar alvos múltiplos, atacar alvos de área com pontos de impacto não linear, poder escolher o ângulo de impacto, fazer disparo fora do eixo e aumentar o alcance do disparo aumentando a capacidade de sobrevivência da aeronave.

As empresas não informam se estudam a adição de outros kits de guiamento como laser, TV ou infravermelho. Um seeker de guiamento terminal poderá ser necessário para garantir a precisão final. Os sensores possíveis são o laser, imagem infravermelha e TV. O laser é bem provável como os já em uso nas JDAM. O sensores de TV CCD são baratos e os de imagem infravermelha podem operar em qualquer tempo. Os sensores de imagem precisam de algoritmo de aquisição automática de alvo ou de um datalink. O datalink irá encarecer o custo da arma assim como o casulo designador a laser. Os sensores infravermelhos dos mísseis MAA-1B poderá ser uma opção para instalar na SMKB e ser usada contra alvos quentes como navios e blindados.

Como acontece com as JDAM, a aquisição dos alvos é o gargalo do processo de operação das bombas guiadas por GPS. Os meios de aquisição de alvos disponíveis para a FAB são satélites de sensoreamento remoto, aeronaves de reconhecimento como o R-99B com radar SAR e casulos Litening III e Star Safire com telemetros a laser. O radar Grifo-F do F-5EM talvez possua modos SAR para apoiar o disparo em qualquer tempo enquanto o radar Scipio do A-1M não tem esta capacidade. Modos de radar SAR deve ser um requerimento obrigatório para os concorrentes do FX-2. A atualização das coordenadas do alvo em vôo com modos de radar SAR ou casulo de designação de alvos como o Litening III provavelmente será obrigatório.

Em 1943, a Oitava Força Aérea atacou menos de 50 alvos em um ano. Na Operação Desert Storm em 1991, foram atacados 150 alvos nas primeiras 24 horas. A USAF planeja formar uma pequena força de 12 aeronaves B-2A e 48 caças F-22A para atacar 426 alvos em um dia com o uso das JDAM ou equivalentes. Com as SMKB a FAB passa a ter uma capacidade próxima da operação Desert Storm, mas com uma frota bem menor e com um prazo maior, talvez uma semana, para atacar o mesmo número de alvos. Com aeronaves mais capazes como os concorrentes do FX-2, como o Rafale, Super Hornet e Gripen NG, capazes de levar até quatro bombas de grande potência como a SMKB, a capacidade será melhorada.

As SMKB deverá ser uma arma cara para os padrões da FAB. Os A-1M ainda terão uma boa capacidade de ataque de precisão a baixa altitude, com CEP de 15 metros com armas de alto arrasto. Com o NVG e NAVFLIR poderão realizar ataques a noite a baixa altitude a noite e em tempo bom contra alvos relativamente protegidos.

Além das novas capacidades de atacar alvos fixos as SMKB também podem ser usadas em outras missões:

- Supressão de defesas. Com o apoio de um casulo Litening III, um caça pode olhar para a área onde recebe emissões de radar. Detectando o emissor o Litening III pode determinar as coordenadas do alvo que será atacado pelas SMKB.

- Interdição aérea. Se a precisão da SMKB for adequada é possível usá-la para atacar pontes e locais de suprimento. Modos de radar GMTI como o do Griffo-F do F-5EM será útil para detectar alvos móveis.

- Ataque a bases aéreas. As bases aéreas são alvos bem defendidos e que devem ser colocados fora de ação rapidamente. As SMKB são a arma ideal contra este tipo de alvo tendo que ser disparada em grande quantidade contra vários pontos de impacto no alvo. Uma pista de pouso e pistas de taxiamento precisam de vários cortes para serem inutilizados. Outros alvos importantes são abrigos reforçados de aeronaves que precisam ser atacados com armas de precisão. Por ser um alvo bem defendido as SMKB serão úteis ao serem lançadas fora do alcance das defesas locais.

- Apoio aéreo aproximado. As JDAM mostraram ser úteis para as missões de apoio aéreo aproximado, mas para a FAB será necessário o acesso ao código do GPS para ter a precisão necessária.

As SMKB têm um bom potencial de exportação, mas primeiro a FAB precisa ser o primeiro usuário para conseguir a confiança de compradores em potencial. Os candidatos são paises que não tem acesso as JDAM ou armas equivalentes de outros países.

Também deve ser considerado o uso de armas equivalente por possíveis adversário em caso de conflito e estarmos preparados para interferir no código de satélite do GPS, GLONASS e futuramente o Galileu. Os interferidores são simples e baratos e as SMKB podem ser usadas para testar as táticas e técnicas de emprego.



A empresa paulista Friulli está desenvolvendo kits de armas para aumentar o alcance das SMKB.